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SENADEn - ISSN: 2316-3216 || SINADEn - ISSN: 2318-6518 • ISSN: 2318-6518
Resumo: 9973244

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9973244

ENFERMEIRO NA ATENÇÃO BÁSICA: FACILITADOR OU DIFICULTADOR DO TRABAHO DO Nasf-AB?

Autores:
Carine Vendruscolo ; Franklin de Almeida Cipolato ; Kátia Jamile da Silva ; André Lucas Maffissoni ; Nandara Pradella

Resumo:
**Introdução**: o Núcleo Ampliado de Saúde da Família e Atenção Básica (Nasf-AB), é constituído por uma equipe multiprofissional e interdisciplinar com a finalidade de promover o trabalho horizontal e interdisciplinar, garantindo a longitudinalidade nos serviços de assistência ao usuário da Atenção Básica. Os profissionais do Núcleo devem compartilhar saberes, através da comunicação constante com as equipes de Saúde da Família (eSF), de modo a construírem conhecimento de maneira bilateral para promover práticas e gestão do cuidado de acordo com as singularidades e saberes específicos de cada profissional¹. O enfermeiro não compõe a equipe do Núcleo, no entanto, enquanto profissional gestor e/ou assistencial de uma Unidade Básica de Saúde (UBS) pode interferir na forma como o Nasf-AB irá atuar, a medida que permeia espaços de promoção da saúde, prevenção de doenças e agravos, tratamento e reabilitação, em todos os momentos do con tato usuário-serviço de saúde, tanto de maneira administrativa quanto assistencial. O enfermeiro, enquanto gestor ou administrador na Atenção Básica, prevê, organiza, supervisiona, coordena, delega, orienta e monitora os profissionais da equipe, de acordo com metas e objetivos pré-definidos², o que implica no desempenho das funções do Núcleo para o aprimoramento da atenção à saúde no nível básico. **Objetivo**: evidenciar a importância do profissional enfermeiro para a efetivação do trabalho interdisciplinar do Nasf-AB junto aos profissionais da UBS e aos usuários da Atenção Básica. **Descrição Metodológica**: pesquisa multicêntrica, descritivo-exploratória, caracterizada como um estudo de métodos mistos, com a participação de cinco Universidades do Estado e representantes da Secretaria de Estado da Saúde. Ocorreu nas oito macrorregiões de saúde de Santa Catarina, envolvendo as 267 equipes de NASF. Os resultados apresenta dos neste estudo correspondem à coleta de dados da segunda etapa (qualitativa), na qual foram envolvidos profissionais do Nasf-AB do Estado de Santa Catarina, das cidades de Chapecó, São José, Lages, Itajaí e Palmitos, os quais participaram de uma entrevista coletiva, semi-estruturada. Os participantes foram identificados com uma letra e um número, garantindo o anonimato dos entrevistados. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Pesquisa da UDESC, sob parecer n. [1.812.835/2016](tel:(812)%20835-2016). **Resultados**: a fim de oferecer apoio às eSF, ampliando a resolubilidade da Atenção Básica, o Ministério da Saúde, criou, através da portaria nº 154, de 24 de janeiro de 2008³, o NASF, hoje denominado pela nova Política Nacional de Atenção Básica, através da portaria nº 2.436, de 21 de setembro de 20171 como Nasf-AB. O escopo de ações do Núcleo inclui: participar do planejamento da unidade de saúde a que estão vinculados; contribuir para a integralidade do c uidado, por intermédio da clínica ampliada; discutir casos, atender individualmente e de forma compartilhada; construir projetos terapêuticos; realizar ações intersetoriais e de educação permanente; intervir no território; promover a saúde; prevenir doenças e agravos; discutir o processo de trabalho das equipes, dentre outras. A definição dos profissionais que farão parte da equipe multiprofissional e interdisciplinar do Nasf-AB seve ser realizada pelo gestor levando em consideração a realidade do território em que esses profissionais irão atuar¹. Encontrou-se, a partir da aplicação do questionário _survey_, aplicado com os profissionais do Nasf-AB, que o enfermeiro tem papel primordial na efetivação das ações que fazem parte do rol de atividades do Núcleo. Os entrevistados afirmam que, em sua quase totalidade, quem assume a coordenação da UBS é o enfermeiro. Nesse sentido, um participante afirmou que _“__A coordenação, sem dúvida, se ela entende as nossas atividades, dão apoio total ao trabalho do NASF, o que facilita muito”(A1). _É evidente que existem profissionais com diferenças na formação e na trajetória profissional que refletem na forma como desempenham seu trabalho na Atenção Básica, a partir da seguinte locução: “_Para nossa equipe é bem clara a diferença de trabalhar em uma unidade [...]e em uma unidade onde a coordenação compreende o trabalho do NASF. Quando a coordenação compreende que a responsabilidade do nosso trabalho também é dividida, o nosso trabalho é muito mais fácil (A2)” _e_ “Algumas enfermeiras, por exemplo, entram em contato comigo discutindo ideias, e ela ‘toca’ o grupo mesmo eu não estando presente, então essa sintonia é fundamental e tem alguns lugares que eu fico tranquilo, que eu sei que isso acontece bem, e outros que eu sei que [...] não criam qualquer possibilidade (A1)”. _Esta fala evidenciou a importância de o enferme iro compreender e estar em parceria com o Núcleo, possibilitando uma continuidade na assistência ao usuário, de forma a promover a integralidade na assistência à saúde, garantindo o princípio norteador do Sistema Único de Saúde e do Nasf-AB. Em relação ao papel do enfermeiro como primordial para a concretização das atividades do Nasf-AB, uma das profissionais afirmou que_ “[...] se o enfermeiro ou enfermeira não pega junto, a coisa não acontece (A3)”_. **Conclusão**: é notório que o conhecimento dos profissionais, principalmente do enfermeiro na Atenção Básica acerca da função do Núcleo, define a forma como este vai atuar, se ações como o matriciamento serão efetivas, se a clínica ampliada levará a bons resultados junto ao usuário, se o conhecimento será construído bilateralmente entre profissionais da UBS e Nasf-AB, levando a melhoria do serviço prestado a população adscrita. Poranto, é necessário que haja pesquisas acerc a do papel do enfermeiro para a efetivação das ações do Nasf-AB para além das diretrizes, que norteiem a ação do enfermeiro, que possibilitem a sua compreensão frente ao Núcleo, e que o tornem agente da mudança no sentido de promover a interdisciplinaridade e a integralidade em saúde. **Implicações para a enfermagem:** este estudo torna o profissional Enfermeiro ciente da importância da busca por conhecimento e aprimoramento, tendo em vista que é ele quem “dá o tom” na Atenção Básica ao estar em todo o processo assistencial ao usuário, podendo ter contato direto com o Nasf-AB, utilizando essa ferramenta para capacitar sua equipe, construir conhecimento em conjunto e prestar uma assistência integral e de qualidade ao usuário, ao abrir caminho para que o Nasf-AB desempenhe suas funções dentro da eSF, junto ao usuário e no território adscrito.


Referências:
1. Moraes RGA, Cardoso AL. A necessidade de preparo pedagógico do enfermeiro para atuar na formação de profissionais da área da saúde com ênfase na enfermagem. Revista de Teorias e Práticas Educacionais. 2015; abr - jun; 7.(1) :14-20. [acesso em 2018 mar 08]. Disponível em: https://www.mastereditora.com.br/periodico/20150821_153134.pdf 2. Paulino VCP, Silva LA, Prado MA, Barbosa MA, Porto CC. Formação e saberes para a docência nos cursos de graduação em enfermagem. Journal Health NPEPS. 2017; 2(1): 272-284. [acesso em 2018 mar 02]. Disponível em: https://periodicos.unemat.br/index.php/jhnpeps/article/view/1822/1676 3. Ministe´rio da Educac¸a~o (BR), Conselho Nacional de Educac¸a~o, Ca^mara de Educac¸a~o Superior. Resoluc¸a~o CNE/CES nº 3 de 7 de novembro de 2001: Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduac¸a~o em Enfermagem. Brasi´lia (DF): MEC; 2001 [acesso em 2017 mai 02]. Disponi´vel em: http://portal.mec.gov.br/ cne/arquivos/pdf/CES03.pdf 4. Associação Brasileira de Enfermagem. ABEn lidera movimento de construção das novas DCN para Graduação em Enfermagem. Brasília, 2017. [Acesso em 2018 mar 09]. Disponível em: http://www.abendf.com.br/noticias/2017/aben_lidera_dnc/ABEn%20lidera%20movimento%20DCN-final-2.pdf 5. Roman C, Ellwanger J,Becker GC, Silveira AD, Machado CLB, Manfroi WC. Metodologias ativas de ensino-aprendizagem no processo de ensino em sau´de no Brasil: uma revisa~o narrativa. Clinical&BiomedicalResearch. 2017; 37(4).