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SENADEn - ISSN: 2316-3216 || SINADEn - ISSN: 2318-6518 • ISSN: 2318-6518
Resumo: 9863571

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9863571

USO DE TECNOLOGIAS EDUCATIVAS NA MEDIAÇÃO EDUCATIVA EM SAÚDE

Autores:
Solange de Fátima Reis Conterno ; Rosa Maria Rodrigues ; Ana Cristina de Moraes ; Alessandra Crystian Engles dos Reis ; Karen Peres Hernandes

Resumo:
**USO DE TECNOLOGIAS EDUCATIVAS NA MEDIAÇÃO EDUCATIVA EM SAÚDE** Alessandra Crystian Engles dos Reis [1] Ana Cristina de Moraes [2] _Karen Peres Hernandes_[3]__ Rosa Maria Rodrigues[4] Solange de Fátima Conterno Reis[5] **Introdução: **A enfermagem possui uma gama de campos de atuação, nos quais desenvolve diversas ações em diferentes espaços, sempre direcionados ao cuidado humano. Dentre as ações de enfermagem, a prática educativa tem se destacado como uma importante ferramenta, norteando a prática profissional do enfermeiro. As ações educativas são desenvolvidas tanto em ambiente hospitalar quanto na dimensão da saúde coletiva, sendo esta ainda mais abrangente, incluindo também o espaço escolar, local privilegiado para aproximar o vinculo entre profissionais da saúde e a população adolescente, que por vezes acaba desassistida dos programas de saúde. Vale destacar que, a adolescência caracteriza-se como uma fase peculiar do desenvolvimento humano, cercada de significados, e tida como um momento decisivo para o desenvolvimento do indivíduo, incluindo a aquisição da imagem corporal e a consolidação da personalidade. Sendo assim, a adolescência carece um olhar atento e desmistificado, buscando a compreensão de seus fenômenos singulares, que envolvem aspectos biológicos, psicológicos, sociais e culturais1. O desenvolvimento de práticas educativas, principalmente com adolescentes, muitas vezes não alcançam seus objetivos, pois nem sempre se pautam em ações que, realmente mobilizem e envolvam os sujeitos diante dos fatores que determinam os problemas de saúde. Algumas práticas educativas ainda se baseiam em relações hierárquicas, autoritárias e até moralistas, confrontando o adolescente, e privando-o de sua autonomia, diante do que lhe é particular. Pensando em possibilidades para mediar  a relação entre profissionais e sujeitos, no que tange o desenvolvimento de práticas educativas, as tecnologias educativas vem ganhando destaque como uma ferramenta bastante eficaz. No entanto, para que estas atinjam seus objetivos, devem ser adequadamente pensadas, produzidas e validadas, principalmente pelos sujeitos envolvidos na sua aplicação final. A utilização de tecnologias educativas desprovidas de processos sistemáticos e científicos de produção e validação condicionam ações educativas inadequadas, uma vez que oferecem instrumentos pedagógicos falhos, tanto na forma quanto no conteúdo científico e educativo, limitando o alcance de seus objetivos iniciais2. **Objetivo: **Descrever a utilização de tecnologia educativa (TE) para mediar ações educativas em saúde. **Descrição Metodológica**: Atividade realizada com adolescentes de uma escola pública de ensino fundamental como parte do trabalho de conclusão de curso, o qual contemplou a produção e validação de tecnologia educativa para abordar mudanças anatomofisiológicas, sexualidade e gênero com adolescentes. **Resultados**: As atividades realizadas com os adolescentes teve a tecnologia educativa como ferramenta de mediação para abordar a temática transformações anatomofisiológicas, sexualidade e identidade de gênero do adolescente e, do ponto de vista dos objetivos é uma tecnologia de fácil utilização, e que permite, tanto aos profissionais da saúde, quanto da educação, adentrar à temas, por vezes tidos como delicados, de maneira mais lúdica e descontraída, sem perder o foco científico e objetivo propostos, que é de levar aos adolescentes, conhecimentos e informações acerca das principais transformações físicas e psicológicas decorrentes do processo puberal, bem como, debater assuntos pertinentes ao mesmo processo, como a sexualidade e identidade de gênero. A TE motivou a reflexão sobre os temas abordados, evidenciando-se pelos comentários proferidos durante as oficinas, e mesmo pelos redigidos nos instrumentos de validação disponibilizados aos sujeitos participantes. A estrutura, forma de apresentação da TE permite uma gama de abordagens relacionadas às temáticas propostas, bem como à novos assuntos, como o bulling e a violência, apontado por um dos juízes especialistas. A sua função articulada amplia as possibilidades de abordagens quanto às mudanças anatomofisiológicas do corpo do adolescente, uma vez que é possível identificar, junto aos mesmos, cada etapa do processo puberal, e o quão individual este pode ser, mostrando que as alterações não ocorrem de maneira única à todos os indivíduos. Ainda quanto à função articulada, mostrou-se de extrema relevância, quando se trata da temática identidade de gênero, uma vez que possibilita ao público-alvo, uma visualização quase concreta da autopercepção do indivíduo transexual, por permitir posicionar as ilustrações da cabeça, tronco, genitálias e membros inferiores de diferentes maneiras e combinações. Muitos adolescentes relataram ter sanado dúvidas sobre o processo puberal, sobre as questões que envolvem a sexualidade e ainda uma melhor compreensão dos fatores que envolvem a temática identidade de gênero. **Conclusão:** De forma geral, o uso da tecnologia educativa oportunizou uma abordagem dos temas de forma lúdica, sem, entretanto, perder a objetividade e o caráter científico. Para os adolescentes, a TE motivou a reflexão sobre os temas abordados, evidenciando-se pelos comentários proferidos durante as oficinas, e mesmo pelos redigidos nos instrumentos. Já os profissionais envolvidos destacaram a relevância da tecnologia educativa para a abordagem dos temas propostos, reafirmando seu caráter didático e de fácil compreensão, bem como a capacidade de chamar a atenção do público-alvo, além de possibilitar e facilitar a visualização das transformações e situações que envolvem as temáticas propostas. **Contribuições/implicações para a enfermagem**: A educação em saúde está entrelaçada à práxis do profissional Enfermeiro e, tendo em vista que mesma não se finda em uma mera transmissão de informações, há que se concretizar uma relação horizontal e dialógica entre público e enfermeiros, permitindo aos envolvidos expor seus anseios e necessidades, e a partir de então buscar alternativas para o cuidado. Portanto, lançar mão de artefatos tecnológicos, adequadamente produzidos, testados e validados, pode ser uma alternativa eficaz para a aproximação entre o profissional enfermeiro e o público adolescente, permitindo uma relação dialógica, empática e respeitosa, através da qual é possível materializar a promoção de saúde. **Descritores: **Tecnologias educativas, educação em saúde, Enfermagem **Referências** 1. Oliveira TC, Pinto LC, Silva MA. O enfermeiro na atenção à saúde sexual e reprodutiva dos adolescentes. Rev Bras Enf. maio/jun 2008; 61(3): 307. 2. Teixeira E, Mota VMSS. Tecnologias educacionais em foco. São Caetano do Sul: Difusão; 2011. * * * [1] Doutoranda em Educação em Ciências. Professora assistente do curso de Enfermagem da Universidade Estadual do Oeste do Paraná, Campus Cascavel/PR. [2] Enfermeira. Universidade Estadual do Oeste do Paraná, Campus Cascavel/PR. [3] Mestranda no Mestrado Interdisciplinar de Biociências e Saúde da Universidade Estadual do Oeste do Paraná. E-mail: karenphernandes@hotmail.com [4] Doutora em Educação. Professora Associada na Universidade Estadual do Oeste do Paraná, Curso de Enfermagem, e Mestrado em Biociências e Saúde, Campus Cascavel/PR. Grupo de Estudos e Pesquisas em Práticas Educativas e Formação em Saúde. [5] Doutora em Educação. Professora Adjunta na Universidade Estadual do Oeste do Paraná, Curso de Enfermagem, Campus Cascavel/PR.


Referências:
BRASIL. Ministério da Educação. Resolução CNE/CES no. 3, de 7/11/2001. Institui Diretrizes curriculares nacionais do curso de graduação em enfermagem. Diário Oficial da União, 09 nov. 2001. GIL, A.C. Como elaborar projetos de pesquisa. 5.ed. – São Paulo : Atlas, 2010.