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9822213 | O DESAFIO DE COORDENAR UM PROJETO DE INICIAÇÃO À DOCÊNCIA DE CARÁTER INTERDISCIPLINAR: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA. | Autores: Maria Carmélia Sales do Amaral ; Ana Karinne de Moura Saraiva ; Joselia Bandeira de Moura Medeiros Saraiva |
Resumo: **(INTRODUÇÃO)** Trata-se de um relato de experiência vivenciado no Programa de Iniciação à Docência (PIBID). Esse programa foi coordenado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – CAPES, a partir de 2007 que teve como propósitos fundamentais possibilitar uma maior articulação da universidade com as escolas da educação básica e contribuir com a valorização do magistério e com a melhoria da qualidade da educação pública1 (Portaria). Para dar conta desses propósitos, o PIBID contemplou a totalidade das licenciaturas ofertadas no âmbito das universidades públicas e foi operacionalizado na modalidade disciplinar e interdisciplinar, ou seja, por meio de uma única licenciatura ou através de um conjunto de licenciaturas que apresentassem um eixo norteador comum. Na Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), por meio do Projeto Institucional, o referido programa reforça o compromisso institucional com a formação de docentes para o ensino básico, considerando especificidades locais e gerais. Na Faculdade de Enfermagem (FAEN) da UERN a sua materialização ocorreu por meio do Subprojeto Interdisciplinar, tendo como eixo temático Educação Ambiental na perspectiva da promoção da saúde. O referido subprojeto assumiu o compromisso em fortalecer a discussão acerca da problemática ambiental na Educação Básica e nas licenciaturas a partir do diagnóstico da realidade na qual as escolas parceiras estavam inseridas, de estudos teóricos e das experiências dos sujeitos envolvidos numa perspectiva propositiva tendo como eixo a promoção da saúde2. A temática definida para o subprojeto considerou o crescimento dos problemas ambientais e sua interface com a saúde e a educação, no Brasil e, consequentemente, no município de Mossoró/RN, em especial, em meados do século XIX, com os intensos impactos do processo de industrialização e urbanização sobre as condições de vida/saúde e acirrados a partir do século XX com a abertura do capital para a produção de monoculturas. Esses problemas são vistos como resultados de processos políticos, históricos e sociais, portanto, o seu debate e, consequentemente, as estratégias para o seu enfrentamento, extrapolam o espaço disciplinar, exigindo uma ação interdisciplinar, que deve ser construída na superação das fronteiras disciplinares. Assim, o grande desafio, desta experiência, se constituiu em assumir a coordenação de um subprojeto em caráter interdisciplinar, considerando a formação disciplinar dos atores/atrizes envolvidos. **(OBJETIVO)** Relatar a experiência de coordenar um projeto de iniciação à docência de caráter interdisciplinar. **(DESCRIÇÃO METODOLÓGICA**) A experiência ocorreu no período de 2013 a 2018 na Escola Estadual Monsenhor Raimundo Gurgel e na Escola Estadual Jerônimo Vingt Rosado Maia em Mossoró/RN nos horários matutino, vespertino e noturno. As ações definidas coletivamente, foram desenvolvidas por alunos das licenciaturas de enfermagem, ciências biológicas, geografia, ciências sociais e pedagogia, bem como por professores supervisores das escolas citadas e coordenadas por professoras da FAEN/UERN, sendo 36 alunos, 5 supervisores e 2 coordenadoras. O subprojeto assumiu como base referencial a concepção de educação ambiental na perspectiva na promoção da saúde plena, contextualizada e crítica, que evidencie os problemas estruturais da sociedade capitalista neoliberal em suas contradições e os determinantes do baixo padrão qualitativo da vida dos indivíduos, famílias, grupos sociais e sociedade. Significa pois, não naturalizar, reificar ou homogeneizar a realidade, sendo capaz de construir estratégias para o enfrentamento dos problemas ambientais, no próprio movimento contraditório que é a história3. A complexidade dessa concepção requer a construção de ações interdisciplinares nas escolas parceiras. Interdisciplinaridade entendida como como princípio constituinte da diferença e da criação, portanto, possibilidade para transpor as fronteiras instituídas pelas profissões e superar as endogenias. Dessa forma, possibilitando a religação entre os conhecimentos científicos, bem como da ci6encia com o mundo4. Desse modo, contribuindo para uma convivência com as diferenças, com o múltiplo e, certamente, revisão da condição ética no próprio trabalho, buscando um amadurecimento profissional que se reverte em um novo saber/fazer e um novo compromisso ético e político. **(RESULTADOS)** A coordenação de um projeto de iniciação à docência de natureza interdisciplinar exigiu a realização de rodas de conversas temáticas para identificar e debater concepções relacionadas a educação ambiental e promoção da saúde, na perspectiva de superar a visão hegemônica restrita aos seus aspectos físico, biológico e natural. Além disso, o planejamento e a avaliação, em caráter coletivo, participativo e democrático como forma de possibilitar a articulação entre os diversos saberes das diferentes áreas de conhecimento. A adoção de metodologias ativas e, consequentemente, uma nova compreensão acerca do espaço de sala de aula, bem como a (re)construção da relação professor/aluno, como forma de proporcionar um olhar ampliado e reflexivo para a realidade na qual as escolas parceiras estavam inseridas e a sua relação com os problemas ambientais. Como desdobramento, adotar a realidade social como ponto de partida e de chegada para a aprendizagem. Porém, a coordenação do subprojeto se deparou com alguns limites para a implementação da abordagem interdisciplinar. Entre esses citamos a organização disciplinar e burocratização excessiva que permeiam as escolas parceiras e a universidade, bem como o pouco envolvimento dos demais professores das instituições citadas com as ações do subprojeto interdisciplinar, além da pouca articulação existente entre os diversos projetos/programas de ensino, pesquisa e extensão, numa demonstração das relações de poder que ainda permeiam esses espaços institucionais dificultando a materialização da interdisciplinaridade. Ademais, possibilitou o acúmulo de experiências coletivas e institucionais, bem como de formulações teóricas e metodológicas de grande importância para a coordenação de projetos interdisciplinares. Desse modo, podemos inferir que, estamos diante de um saber/fazer que caminha lentamente na direção da interdisciplinaridade em um cenário que avança para a discussão da transdisciplinaridade. **(CONCLUSÃO) **Diante do exposto, percebemos que coordenar um subprojeto de educação ambiental na perspectiva da promoção da saúde de natureza interdisciplinar requer o conhecimento do cenário global, seus determinantes e implicações que definem o contexto em que se move a atuação pedagógica, bem como os problemas específicos de cada grupo social, tendo em vista contribuir com transformação da realidade de vida e o estabelecimento de um processo emancipatório. Diante dessa perspectiva, a interdisciplinaridade se constitui em um instrumento que pode contribuir para a construção da concepção citada, uma vez que pressupõe a horizontalidade das entre os saberes/poderes e, consequentemente das relações sociais, porém, não é o único. Uma ação transformadora da educação possui limites que têm uma intrínseca relação com os distintos projetos de sociedade. **(IMPLICAÇÕES PARA A ENFERMAGEM) **Reitera a necessidade de retomada do debate coletivo, participativo e democrático acerca do compromisso ético e político da enfermagem com os problemas/conflitos ambientais, para a (re)construção e (re)afirmação de um projeto político para a enfermagem brasileira que vise contribuir com a superação das relações de dominação e de exclusão que caracterizam e definem a sociedade capitalista neoliberal.
Referências: 1.Araújo JA, Leitão EMP. A comunicação de más notícias:mentira piedosa ou sinceridade cuidadosa. Revista V.11, n. 2. Abr/Jun, 2012.
2.Wu J J, Downar J, Fowler R A, Lamontagne F, Ma I W, Jayaraman D, Canadian Researchers at the End of Life Network Barriers to goals of care discussions with seriously ill hospitalized patients and their families: A multicenter survey of clinicians. JAMA Internal Medicine. 2015;175:549–556. |