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SENADEn - ISSN: 2316-3216 || SINADEn - ISSN: 2318-6518 • ISSN: 2318-6518
Resumo: 9774598

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9774598

AS GRADUAÇÕES E O DESENVOLVIMENTO DA COMPETÊNCIA PARA EDUCAÇÃO PERMANENTE EM SAÚDE

Autores:
Adriana Freitas de Almeida Finger ; Mara Regina Rosa Ribeiro ; Juarez Coimbra Ormonde Júnior ; Luciana Portes de Souza Lima ; Marcela Jossani Ferreira Polo

Resumo:
**INTRODUÇÃO:** Os cursos de graduação, independente da área, estão contidos em um espaço de tempo determinado, com duração de alguns anos. É papel da universidade desenvolver no graduando competências para aprender a aprender de maneira ininterrupta, descentralizando a instituição de ensino e o professor e centralizando o próprio estudante e futuro trabalhador no processo de aprender. Acreditamos que os processos cotidianos de trabalho perpetuam-se por várias décadas, tornando-se um ambiente propício para instituirmos processos de ensino-aprendizagem contínuos, diretamente articulados com a prática. Desenvolver competências, portanto, significa construir diferentes atributos (conhecimentos, habilidades e atitudes) que articulados proporcionam diversas maneiras de alcançar resultados satisfatórios em alguma atividade¹. Neste estudo, utilizaremos o termo ‘competência para educação permanente em saúde’ representando a gama de conhecimentos, habilidades e atitudes capazes de sustentar uma prática de efetiva educação permanente em saúde no cotidiano do trabalho². A Educação Permanente em Saúde (EPS) correlaciona-se diretamente com a qualidade da assistência, a autonomia profissional, a integralidade e a ética social e que esta é responsabilidade das instituições de ensino, sendo, inclusive, preconizada pelas diretrizes curriculares nacionais, a formação de profissionais competentes para se educarem permanentemente em saúde³. Defendemos neste trabalho que o processo de aprender é intensificado quando parte da prática profissional do educando. Esta ideia também é utilizada como base para novas propostas curriculares, para o uso de metodologias ativas de ensino e para o fomento de práticas pedagógicas inovadoras. Consideramos que a construção de competências para Educação Permanente em Saúde durante a graduação influencia diretamente na qualidade da atuação profissional do egresso. **OBJETIVO**: Compreender como os cursos de graduação da área da saúde: Nutrição, Enfermagem, Medicina e Psicologia promovem o desenvolvimento da competência para a Educação Permanente em Saúde em uma Universidade Federal. **MÉTODO: **Estudo descritivo, exploratório, de abordagem qualitativa. O local da pesquisa foi a Universidade Federal de Mato Grosso, campus de Cuiabá-MT, nas sedes dos cursos de Medicina, Enfermagem, Nutrição e Psicologia. Tiveram representação neste estudo os cursos de graduação em saúde que possuíam a temática Educação Permanente em Saúde preconizada pelas Diretrizes Curriculares Nacionais dos cursos (DCNs). Os dados foram provenientes dos Projetos Políticos de Curso (PPC) e entrevistas semi-estruturadas com os coordenadores de graduação. Os PPCs encontram-se disponibilizados ao público no sítio online da Universidade Federal de Mato Grosso. Para esta, utilizamos um instrumento previamente elaborado, retiramos dos PPCs frases, parágrafos, tabelas, gráficos e até páginas que construiriam tais núcleos. Após esse processo, obtivemos como resultado um grande tapete para remetermos à tecitura das partes junto ao todo, em um processo manual de bricolagem. Este grande tapete, resultante da análise dos documentos, nos permitiu a visualização de todo o conteúdo dos projetos que poderiam suprir nossos objetivos. As entrevistas com os coordenadores foram transcritas na íntegra e após recorrentes leituras decidimos por abordar os assuntos discutidos pelos participantes baseando-nos nos eixos do roteiro previamente elaborado e que foi utilizado durante as entrevistas Abordamos nossos resultados em dois momentos: 1) A Educação Permanente em Saúde como Termo e como Princípio, e 2) Potencialidades e Fragilidades do Cotidiano do Ensino para o Desenvolvimento da Competência para Educação Permanente em Saúde. **RESULTADOS**: 1) A Educação Permanente em Saúde como Termo e como Princípio: Quando questionados quanto se as graduações que coordenam abordam a Educação Permanente em Saúde, os entrevistados afirmaram que suas graduações não aproximam a EPS como termo, apenas contemplam em parte os princípios desta. Para outros a graduação desenvolve os princípios da EPS, ao passo que cada professor é responsável por informar ao aluno a incompletude do conhecimento posto em sala de aula e ensina-lo boas fontes de pesquisa, para que este continue aprendendo sozinho mesmo após a aula. Por fim, afirmaram que as graduações abordam os princípios da EPS nos momentos de aula prática e estágio supervisionado, nos quais surgem situações em que os próprios alunos buscam soluções na literatura, estimulados pelo professor do campo de prática. 2) Potencialidades e Fragilidades do Cotidiano do Ensino para o Desenvolvimento da Competência para Educação Permanente em Saúde: Apesar de os PPCs destacarem a multi/transdisciplinaridade em suas justificativas, objetivos e nos diferentes perfis do egresso, foi relatado pelos entrevistados, a  pouca integração entre os cursos é um elemento dificultador para o desenvolvimento da competência para a EPS. Compartilhar uma disciplina pontual, ter algum professor de outra área de conhecimento ou ter pontualmente experiências extracurriculares que vinculam as graduações não basta para integrar os cursos. As coordenações afirmam ser favoráveis a utilização de metodologias ativas, como a problematização e a aprendizagem baseada em problemas, porém há resistência às tais metodologias por parte dos alunos e dos professores. Os alunos rejeitam por desconhecerem as metodologias pois predominantemente, as escolas de nível médio utilizam metodologias tradicionais de ensino. Já o processo de rejeição dos professores, perpassa pela reprodução da formação tradicional que experienciou durante a graduação e pelo excesso de especialização do docente, focando sua expertise, em métodos tradicionais para ensinar. **CONTRIBUIÇÕES PARA ENFERMAGEM:** O enfermeiro deve estar em constante processo educativo. Para tanto, a educação permanente surge para subsidiar a continuidade dos serviços. Ainda na graduação, supracita-se a formação em EPS no projetos de cursos para formar profissionais críticos e competentes para aprender a aprender. A importância da educação permanente se efetiva na busca de propostas educativas que motivem ao autoconhecimento, aperfeiçoamento e atualização na graduação para que os novos profissionais saiam aptos para desenvolver educação permanente em saúde. Notamos a importância de mobilizar alunos e docentes para desenvolver a EPS nas graduações.** CONCLUSÃO: **Entendemos que os desafios para a incorporação dos princípios da EPS são os mesmos encontrados para a ruptura dos processos tradicionais de ensino aprendizado. Observamos que as inovações pedagógicas constantes na elaboração dos Projetos Políticos de Cursos, não asseguram que essas sejam praticadas de maneira concreta no cotidiano dos atores envolvidos. Observamos fragilidades significativas relatadas pelos participantes para o desenvolvimento da competência para EPS, o que nos remete a urgente necessidade de rearticularmos faculdades e setores dentro da instituição, a fim de reorganizarmos processos internos e exercermos força política com propósito de transformação de processos externos.


Referências:
1. Teixeira E. Em tempos de novas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) para o Curso de Graduação em Enfermagem. Rev Enferm UFSM. 2017 Abr./Jun. [acesso em 2018 mar 20]; 7(2): III-IV. Disponível em: file:///D:/Desktop/Plataforma%20Brasil/arquivos%20separados%20para%20CEP/28859-137754-1-PB.pdf. Acesso em 20/03/18. 2. Moura A, Liberalino FN, Silva FV, Germano RM, Timóteo RPS. SENADEn: expressão política da Educação em Enfermagem. Rev Bras Enferm. 2006; 59(esp): 442-53. 3. Pimenta SG, Fusari JC, Almeida MI, Franco MARS. A construção da didática no GT Didática – análise de seus referenciais. Rev Bras Educ. 2013 jan. – mar.; 18(52): 143 -162. 4. Corazza S. O que quer um currículo? – pesquisas pós-críticas em educação. 3. ed. Petrópolis: Vozes; 2004.