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SENADEn - ISSN: 2316-3216 || SINADEn - ISSN: 2318-6518 • ISSN: 2318-6518
Resumo: 9675260

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9675260

GRUPO DE GESTANTES E CASAIS GRÁVIDOS DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA: PROJETO DE EXTENSÃO COMO ESTRATÉGIA PARA A INTEGRAÇÃO DO ENSINO SERVIÇO E COMUNIDADE

Autores:
Talita de Oliveira Piza ; Ariane Thaise Frello Roque ; Roberta Costa ; Margarete Maria de Lima ; Juliana dos Santos

Resumo:
**Introdução:** De acordo com a Política Nacional de Extensão Universitária, a extensão é uma forma pela qual a Universidade é inserida em vários setores sociais, sempre levando consigo o ensino e a pesquisa¹. É nesse contexto que o grupo de gestantes e casais grávidos da universidade federal de Santa Catarina atua há 21 anos. Conta com a participação de professoras doutoras do departamento de enfermagem, assim como uma psicóloga que é vinculada ao Hospital universitário e uma educadora perinatal. Participam ainda estudantes de graduação e pós-graduação em enfermagem e do curso de graduação em psicologia da UFSC. Anualmente são oferecidas quatro bolsas extensão, duas voluntárias e duas remuneradas. Por ser um processo interdisciplinar, educativo, cultural, científico e político, essa interação tem caráter transformador não somente para a sociedade, mas para a própria Universidade¹. Anualmente, são realizados quatro grupos, dois no primeiro semestre e dois no segundo. São oferecidas vinte e cinco vagas para gestantes, com seus respectivos acompanhantes, por grupo. Os encontros de cada grupo são realizados semanalmente no Núcleo de Capacitação Técnica do Hospital Universitário durante oito quintas-feiras seguidas, sendo constituídos de três momentos: a) conscientização corporal, relaxamento e respiração, b) lanche e c) tematização. Os temas são definidos pelos participantes no primeiro dia de forma lúdica, pois as ações educativas devem ser feitas de forma a considerar a visão de mundo do outro indivíduo e como isso influencia em seu cotidiano². E em sua maioria os temas tangem entre: gravidez, alimentação, formação da família, aleitamento, parto, pós-parto e os cuidados com o bebê. Esses temas são abordados, utilizando-se metodologia ativa, atividades lúdicas e artísticas, oficinas, exposição do tema, trabalhos e discussões em subgrupos, troca de experiências e demonstrações práticas. No último encontro é realizada a visita à maternidade, confraternização, amigo invisível da barriga e avaliação das atividades desenvolvidas no grupo. Após o nascimento do último bebê de cada grupo é realizado o reencontro de pais e bebês. As relações que se estabelecem no grupo, se tornam essenciais para a construção do processo de ensino-aprendizagem, pois o objetivo é fazer com que todos participem, compartilhando suas experiências a partir do diálogo e incentivando os participantes a buscarem o conhecimento e autonomia². **Objetivo:** Descrever as atividades desenvolvidas em um grupo de gestantes e casais grávidos na perspectiva da integração ensino, serviço e comunidade. **Descrição Metodológica:** Este estudo trata-se de um relato de experiência a partir das vivências das acadêmicas bolsistas de extensão vinculadas ao projeto “Grupo de gestantes e casais grávidos da Universidade Federal de Santa Catarina: duas décadas junto à comunidade”.**Resultados:** As boas práticas na área de obstetrícia e neonatologia que são divulgadas no grupo geram impacto social, como por exemplo o estímulo ao parto normal, amamentação na primeira hora pós-parto, participação ativa do acompanhante, contato pele a pele entre o recém-nascido e pais; uso de medidas não farmacológicas para alívio da sensação dolorosa no trabalho de parto e parto; elaboração do plano de parto; rotinas e importância do alojamento conjunto; redução de intervenções desnecessárias como o enema, a tricotomia, o uso de ocitócitos e a cesariana eletiva, dentre outras. Além disso, o grupo tem exercido seu compromisso de articular o ensino, pesquisa e extensão com a comunidade, produzindo conhecimento e fortalecendo estratégias e políticas públicas de melhorias na saúde obstétrica e neonatal, como a Rede Cegonha. Dessa forma, torna-se um ambiente que fortalece o ensino-aprendizagem por parte dos profissionais e acadêmicos e estimula a produção de novos saberes. **Conclusão:** Sendo um grupo de extensão, a finalidade do grupo de gestantes envolve a proximidade entre o meio universitário e comunidade, contribuindo para o desenvolvimento de indivíduos capazes de se tornarem mais ativos e críticos frente a tomada de decisões futuras. O grupo de gestantes e casais grávidos acentua o valor da educação em saúde e contribui para que os envolvidos no projeto possam rever a sua realidade, mudar ou fortalecer alguns comportamentos e muitas vezes, mudar conceitos pré-estabelecidos. Desta forma, a participação no grupo, além de auxiliar no desenvolvimento de habilidades e competências das gestantes e acompanhantes, também faz com que profissionais e acadêmicos da área da saúde se tornem mais críticos e reflexivos, influenciando na atuação tanto do profissional já formado, como do que está em formação. **Contribuições/implicações para a Enfermagem:** Para um estudante de enfermagem o grupo de gestantes contribui para o aprendizado, podendo colocar em prática seus conhecimentos e permitindo que o que é falado e estudado em sala de aula possa estar se completando na prática através de um compromisso social, além de ser um momento de interação com a realidade que o rodeia. Como é um grupo multidisciplinar, possibilita também o contato com o trabalho de uma equipe que possui o mesmo objetivo: preparar esses casais para receber um novo membro, oferecendo subsídios para que a família possa ser sujeito transformador da sua realidade, incentivando o desenvolvimento do senso de empoderamento³ e também alertar para as boas práticas da saúde da mulher e do neonato e para as práticas desnecessárias existentes nesse contexto. O acadêmico está inserido em um ambiente de educação onde como futuro enfermeiro deve também estabelecer um papel importante como educador onde quer que esteja, reafirmando a assistência humanizada. A experiência de ser bolsista do grupo de gestantes oportuniza vivenciar a responsabilidade de coordenar atividades grupais já que essa também é uma atividade frequente do enfermeiro na prática do processo de trabalho. Para o Enfermeiro, além de praticar e trocar conhecimentos e estimular o pensar e agir, através da valorização dos saberes científicos, também desenvolve suas relações pessoais no processo de trabalho, pois consegue ter um aprendizado a partir do contato com a equipe multidisciplinar quando planeja as ações, executa e analisa os resultados, agregando em suas experiências a perspectiva de outros profissionais(4). A educação em saúde é uma das funções do enfermeiro, e trabalhar essa educação a partir de grupos se torna uma estratégia para conseguir estimular o autocuidado e inserir o indivíduo e família no seu contexto de saúde, chegando assim, no alvo final que é a promoção da saúde(5).


Referências:
1. BRASIL. Fundação Nacional de Saúde. Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas. 2. ed. Brasília: Ministério da Saúde. Fundação Nacional de Saúde, 2002. 40 p 2. BRASIL. Ministério da Saúde; Fundação Nacional de Saúde. Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas [Internet]. Brasília; 2011 [citado 2013, fev. 8]. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/politica_saude_indigena.pdf 3.BRASIL Lei nº 9.836, de 23/11/1999. Institui o Subsistema de Atenção A Saúde Indígena. Legislação Indigenista Brasileira e normas correlatas. Edgard Dias Magalhães (org.). Brasília: FUNAI, DEDOC, 2004. 4 BRASIL. Portaria 1.801, de 9 de novembro de 2015. Define os Subtipos de Estabelecimentos de Saúde Indígena e estabelece as diretrizes para elaboração de seus projetos arquitetônicos, no âmbito do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena (SASISUS). Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2015/prt1801_09_11_2015.html. Acesso em 01 Jun 2017. 5.BRASIL, Ministério da Saúde e Funasa. Saúde Indígena. Distritos Sanitários Especiais Indigenas – DSEI. Disponível em: http://www.bvsde.paho.org/bvsapi/p/fulltext/distritos/distritos.pdf. Acesso em: 28 Mai 2017.