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9604863 | PREVALÊNCIA E FATORES ASSOCIADOS AO ABUSO E PROVÁVEL DEPENDÊNCIA DE ÁLCOOL ENTRE IDOSOS DA COMUNIDADE | Autores: Darlene Mara dos Santos Tavares ; Gianna Fiori Marchiori ; Nayara Cândida Gomes ; Mariana Silva Freitas Guimarães ; Darlene Mara dos Santos Tavares. |
Resumo: Introdução: O envelhecimento populacional vem ocorrendo de forma acelerada no
mundo, e no Brasil tal fato foi evidenciado nas últimas décadas e decorreu dos
avanços sociais e tecnológicos (IBGE, 2012). Apesar do acelerado crescimento
mundial da população idosa, inúmeras questões do envelhecimento relacionadas à
saúde ainda necessitam de maior aprofundamento, dentre eles destaca-se o
alcoolismo (KANO; SANTOS; PILLON, 2014). O alcoolismo é uma doença crônica,
caracterizada pela dependência à substância alcoólica, provocando a compulsão
pelo consumo periódico de álcool e casos de intoxicações frequentes, levando a
consequências biopsicossociais graves e irreversíveis, alterações
comportamentais significativas e em casos mais graves ao óbito (BRASIL, 2003).
No idoso o consumo vem aumentando substancialmente a cada dia, contribuindo
para o desenvolvimento de morbidades, numero de mortalidades e internações
hospitalares. As alterações fisiológicas devido à idade avançada fazem
aumentar os efeitos do álcool no organismo, com isto os idosos ficam mais
propensos a enfermidades. O consumo abusivo de álcool os dispõe a maiores
riscos de vulnerabilidade para o desenvolvimento de problemas físicos,
psicológicos e sociais, que muitas vezes não são detectados pelos
profissionais nos diferentes serviços de saúde. Desta forma, as estimativas do
consumo atual de álcool na população idosa são variadas, porém seus efeitos
nesta etapa da vida, além da gravidade dos problemas, têm causado grande
impacto nos cuidados de saúde (KANO; SANTOS; PILLON, 2014). O uso do álcool e
outras drogas entre os idosos é um assunto que vem gerando inquietação nos
profissionais da área da saúde em virtude do elevado número de admissões nas
unidades de pronto-atendimento e a procura por tratamento associados ao uso
dessas substâncias (WANG; ANDRADE, 2013). Entretanto, estudos científicos que
tratam sobre essa temática de forma mais abrangente ainda são escassos. Dessa
forma, torna-se fundamental conhecer sobre o abuso do álcool em idosos, bem
como os fatores a ele associados, propiciando subsídios para o desenvolvimento
de estratégias de qualificação em ações de saúde com a finalidade de promoção
a saúde e prevenção da doença nos idosos. Objetivos: verificar a prevalência
do abuso e provável dependência do álcool em idosos; descrever as
características sociodemográficas, econômicas, indicativo de presença de
sintomas depressivos e morbidades dos idosos residentes na zona urbana do
município de Uberaba-MG; e verificar a associação entre o abuso e provável
dependência do álcool com as variáveis: sexo, faixa etária, renda,
escolaridade, indicativo de presença de sintomas depressivos e número de
morbidades. Descrição metodológica: Trata-se de inquérito domiciliar com
abordagem quantitativa, transversal e analítico, conduzido com 614 idosos que
vivem na zona urbana do município de Uberaba-MG, no período de Março a Junho
de 2016. Para coleta de dados foram utilizados os instrumentos: formulário
para caracterização dos dados sociodemográficos e econômicos construído pelo
Grupo de Pesquisa em Saúde da Universidade Federal do Triângulo Mineiro-UFTM;
Mini Exame do Estado Mental; Questionário _Older Americans Resources and
Services_; Escala de Depressão Geriátrica Abreviada; e _Michigan Alcoholism
Screening Test – Geriatric Version_. Procedeu-se à análise descritiva, testes
qui-quadrado, razão de prevalência, razão de chances de prevalência e modelo
de regressão logística binomial múltipla (_p_<0,05), por meio do programa
_Statiscal Package for Social Sciences _(SPSS), versão 21.0. O projeto foi
aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos, da Universidade
Federal do Triângulo Mineiro – UFTM, Nº 573.833. Resultados: A prevalência do
abuso e provável dependência do álcool entre os idosos residentes na zona
urbana de Uberaba-MG foi de 26,5%. As características sociodemográficas e
econômicas dos dois grupos, com e sem abuso e provável dependência do álcool,
foram semelhantes, predominando idosos mais jovens com 60 |- 70 anos, que
moravam com esposo (a) ou companheiro (a) e com escolaridade de 1 |- 5 anos de
estudo. As exceções se fazem para os sexos, em que entre os idosos com abuso
do álcool predominou o masculino e, para os sem abuso, o feminino; e renda
mensal individual, em que a maioria dos idosos com abuso do álcool recebiam 1
-| 3 salários mínimos, e os sem abuso do álcool até um salário mínimo. Tanto
os idosos com abuso e provável dependência do álcool quanto os que não
possuíam abuso apresentaram maior percentual para cinco ou mais morbidades e
ausência de indicativo de presença de sintomas depressivos. O abuso e provável
dependência do álcool foram associados ao sexo masculino e a presença de
indicativo de sintomas depressivos. Não se obteve associação entre as
variáveis estudadas: grupo etário, escolaridade, renda, estado conjugal e
número de morbidades autorreferidas. Conclusões: A prevalência do abuso e
provável dependência do álcool entre os idosos foi de 26,5%. O sexo masculino
e a presença de indicativo de sintomas depressivos foram associados ao abuso e
provável dependência do álcool nos idosos. Esses resultados contribuíram para
o conhecimento acerca do uso, abuso e provável dependência do álcool em
idosos, bem como os fatores a ele associados, possibilitando a realização de
planos de ação voltados para a promoção da saúde, a prevenção da doença e a
reabilitação do idoso alcoolista. Colaborando assim no direcionamento da
atenção qualificada à saúde dos idosos e promovendo o envelhecimento saudável.
Contribuições/Implicações para Enfermagem: A equipe de enfermagem é maioria
nos serviços de saúde, e consequentemente é responsável por gerir o
atendimento ao paciente alcoolista, em todos os aspectos, tendo condições de
auxiliar no processo de recuperação e reabilitação, entretanto para que isso
ocorra é necessário que essa equipe esteja apta a prestar assistência adequada
a essa clientela. O presente estudo contribui para a organização desses
serviços afim de planejar ações dirigidas à essa população, visando assim,
colaborar no direcionamento da atenção qualificada à saúde dos idosos usuários
do álcool além de beneficiar a formação do profissional de enfermagem uma vez
que a pesquisa auxilia para a melhoria contínua das atividades de Enfermagem,
nos variados setores da área.
Referências: 1 - Brasil. Ministério da Saúde. Estimativa 2016: câncer do colo do útero [Internet]. Rio de Janeiro: Instituto Nacional do Câncer, 2015. [acesso em 2017 fev 19] Disponível em: http://www.inca.gov.br/estimativa/2016/sintese-de-resultados-comentarios.asp;
2 - Cofen. Resolução COFEN Nº 385/2011. Diário Oficial da União nº 193 - Seção 1.p. 151, 2011 [internet]. [acesso em 2017 fev 23]. Disponível em: http://www.cofen.gov.br/wp-content/uploads/2012/03/resolucao_385_2011.pdf;
3 Brasil. Ministério da Saúde. Ofício n° 717/2011 Gab.INCA [internet]. Rio de Janeiro, 2011. [acesso em 2017 mar 15] Disponível em: http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/8d6cd1804eb684a18af99af11fae00ee/Of%C3%ADcio+n%C2%BA+717.2011-Gab.INCA,+de+30.08.11.pdf?MOD=AJPERES&CACHEID=8d6cd1804eb684a18af99af11fae00ee;
4 - Bardin L. Análise de Conteúdo/Laurence Bardin; Tradução Luís Antero Reto, Augusto Pinheiro. São Paulo: Edições, v. 70, 2011. 5 - Paula CG, Ribeiro LB, Pereira MC, Bedran T. Atuação do enfermeiro da atenção básica frente ao controle do câncer uterino: revisão de literatura [Internet]. Pós Rev. Centro Universitário Newton Paiva, v. 1, n. 5, p. 213-217. 2012 [acesso em 2017 fev 22]. Disponível em: http://blog.newtonpaiva.br/pos/wp-content/uploads/2013/04/PDF-E5-S33.pdf |