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9209687 | DIAGNÓSTICO DE ENFERMAGEM DOR CRÔNICA EM MULHERES COM DISFUNÇÕES MUSCULOESQUELÉTICAS | Autores: Ilkelyne de Freitas Costa ; Mayane Cristina Pereira Marques ; Camila Silva Moraes dos Santos ; Liscia Divana Carvalho Silva ; Rosilda Silva Dias |
Resumo: A Associação Internacional para o Estudo da Dor (IASP) define a dor como uma
sensação ou experiência sensorial e emocional desagradável associada à lesão
tissular real ou potencial, ou descrita em termos de tal lesão1. Esta
definição é bastante sucinta, mas abrange a complexidade do processamento da
dor, que pode ser de início súbito ou lento, de qualquer intensidade,
constante ou recorrente, sem término antecipado ou previsível e com duração
maior que três (>3) meses2. A avaliação da dor crônica é mais complexa em
relação à dor aguda, pois envolvem componentes comportamentais, afetivos,
sociais, cognitivos, crenças, expectativas, valores, entre outros, e esse
desconhecimento, poderá dificultar a assistência e a experiência do fenômeno
doloroso3. Um dos problemas mais comuns enfrentados pela população mundial e
brasileira e que são subnotificados, e, consequentemente subtratados,
sobretudo, quando aproximamos o olhar da atenção básica, são os distúrbios
osteomusculares relacionados ao trabalho, as dores lombares e as disfunções
musculoesqueléticas, representadas principalmente por doenças como artrite e a
osteoartrose, oriundas de múltiplas causas como traumas, fraturas,
deformidades e lesões degenerativas4. A enfermagem, pela própria
característica de seu trabalho, defronta-se inúmeras vezes com a dificuldade
na avaliação e julgamento da dor por ser um componente importante do estado
geral do indivíduo, o que aponta a importância de prescindir uma fundamentação
científica e sistematizada a fim de nortear os processos de cuidado. O
diagnóstico de enfermagem expressa a necessidade de cuidados e a implementação
de intervenções2. **Objetivo: **Identificar os diagnósticos de enfermagem
segundo a Taxonomia da North American Nursing Diagnosis Association em
mulheres com queixas de dores osteoarticulares. **Metodologia: **Estudo
descritivo, do tipo relato de experiência, realizado no Núcleo de Extensão da
Vila Embratel em São Luís- Maranhão por participantes de um Projeto de
Extensão Universitária intitulado Programa Educacional de Enfermagem em Dor
Crônica, aprovado pelo 1498-CONSEPE de 14.10.2016 nº 11026/2016-86 -
Universidade Federal do Maranhão. A amostra foi composta por 14 mulheres e
todos os preceitos éticos foram respeitados. A coleta de dados ocorreu no
período de julho a novembro de 2017, por meio de entrevista aberta,
questionário semiestruturado- triagem Ambulatorial de Dor Crônica, contendo os
dados socio-demográficos, a Escala Numérica de Dor, necessidades humanas
básicas afetadas e exame físico. A abordagem foi individualizada, com
agendamento prévio, buscou-se a avaliação criteriosa da dor e o grau de
funcionalidade nas atividades da vida diária. Assim, gerando dados, para
identificar as características definidoras/fatores relacionados/fatores de
risco, que subsidiaram a construção do diagnóstico de enfermagem dor crônica,
assim como possíveis diagnósticos relacionados a essa condição, sendo
fundamentados na North American Nursing Diagnosis Association. **Resultados:
**As mulheres com idades entre 42 a 78 anos, as dores osteoarticulares mais
presentes foram relacionadas à artrite e artrose em membros superiores e
inferiores 57,14%, seguidas à artrite reumatóide 42,86%, evidenciou-se também
como consequência por chikungunya 14,29%. A maioria das mulheres apresentavam
como doenças de base a hipertensão arterial 35,71% e diabetes mellitus 21,43%.
De acordo avaliação da dor pela escala numérica de dor, no momento, a maioria
apresentava-se com dor leve ou ausência de dor 57,14%, à média semanal de dor
em geral, o somatório de dor moderada ou intensa 92,86%. Referente às
condições socioeconômicas, nota-se que é significativo o fato de que as
mulheres não exercem outra atividade remunerada, porém todas são aposentadas
ou recebem outro beneficio 42,86 %. Entretanto, aquelas que exercem alguma
atividade remunerada 57,14%, dentre essas, 50% apresentaram uma maior média de
dor semanal, variando entre moderada, com escore entre 5-6, e 50% com dor
intensa com escore 8. Identificou-se 18 diagnósticos de enfermagem: dor
crônica, síndrome da dor crônica, integridade da pele prejudicada, mobilidade
física prejudicada, padrão de sono prejudicado, privação de sono, insônia,
disposição para controle de saúde melhorado, disposição para autoconceito
melhorado, dentição prejudicada, constipação, interação social prejudicada,
ausência de atividades de recreação, estilo de vida sedentário, conhecimento
deficiente, disposição para bem-estar espiritual melhorado, disposição para
esperança melhorada, padrão de sexualidade ineficaz. Os diagnósticos
identificados fundamentaram o Plano de Cuidados. **Conclusão:** O diagnóstico
de dor crônica apresentado por essas mulheres expressam particularidades
imposta pela disfunção músculo-esquelética, estando quase que em sua
totalidade relacionados com a idade avançada e a repercussão decorrente das
dores, características essas que desencadeiam novos diagnósticos. O uso dos
diagnósticos de enfermagem baseado na Taxonomia da North American Nursing
Diagnosis Association, como referencial metodológico para o atendimento
ambulatorial a mulheres com dor crônica tem possibilitado fomentar a
fundamentação das ações da enfermagem, promovendo dessa forma, as áreas
prioritárias para intervenções necessárias. Faz-se fundamental uma mudança nos
paradigmas da atuação dos profissionais da atenção primária, aproximando-se
realmente da população e utilizando instrumentos para sistematização do
cuidado, fundamentando o planejamento, monitoramento e avaliação dos
resultados das ações de enfermagem, contribuindo para a eficiência do serviço
de saúde. **Contribuições para a Enfermagem**: Os dados apontam que há a
necessidade de se realizar educação permanente, para a equipe de enfermagem,
visando as melhores práticas profissionais. Os resultados deste trabalho podem
subsidiar a implantação de estratégias assistenciais com o plano de cuidados
terapêutico resolutivo que dirija atenção a essa clientela, na redução do
risco de agravos à saúde, para melhoria da qualidade de vida. As práticas
extensionistas favorecem a construção de novos saberes potencializando a
formação acadêmica, visto que possibilitam uma visão ampla e integral do
processo saúde-doença, permitindo assim, uma formação profissional
diferenciada e capacitada para uma assistência qualificada às mulheres com dor
crônica para contribuição do fortalecimento do Sistema Único de Saúde.
Referências: 1. André, MEDA. Estudo de caso em pesquisa e avaliação educacional. Brasília, DF: Liber Livro Editora, 2005. 68 p.; Saviani, D. Pedagogia histórico-crítica: primeiras aproximações. São Paulo: Cortez/Autores Associados, 2012.
2. Brasil. Conselho Nacional de Educação. Câmara de Educação Superior. Resolução CNE/CES nº 3, de 7 de novembro de 2001.Institui Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Enfermagem. Nov. 2001.
3. Veiga, IPA.; Resende, LMG. (Org.). Escola: espaço do projeto político-pedagógico. 4. ed. Campinas: Papirus, 2001.
4. Sacristán, JC. O currículo uma reflexão sobre a prática. Porto Alegre: Artmed, 2000. |