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SENADEn - ISSN: 2316-3216 || SINADEn - ISSN: 2318-6518 • ISSN: 2318-6518
Resumo: 9209687

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9209687

DIAGNÓSTICO DE ENFERMAGEM DOR CRÔNICA EM MULHERES COM DISFUNÇÕES MUSCULOESQUELÉTICAS

Autores:
Ilkelyne de Freitas Costa ; Mayane Cristina Pereira Marques ; Camila Silva Moraes dos Santos ; Liscia Divana Carvalho Silva ; Rosilda Silva Dias

Resumo:
A Associação Internacional para o Estudo da Dor (IASP) define a dor como uma sensação ou experiência sensorial e emocional desagradável associada à lesão tissular real ou potencial, ou descrita em termos de tal lesão1. Esta definição é bastante sucinta, mas abrange a complexidade do processamento da dor, que pode ser de início súbito ou lento, de qualquer intensidade, constante ou recorrente, sem término antecipado ou previsível e com duração maior que três (>3) meses2. A avaliação da dor crônica é mais complexa em relação à dor aguda, pois envolvem componentes comportamentais, afetivos, sociais, cognitivos, crenças, expectativas, valores, entre outros, e esse desconhecimento, poderá dificultar a assistência e a experiência do fenômeno doloroso3. Um dos problemas mais comuns enfrentados pela população mundial e brasileira e que são subnotificados, e, consequentemente subtratados, sobretudo, quando aproximamos o olhar da atenção básica, são os distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho, as dores lombares e as disfunções musculoesqueléticas, representadas principalmente por doenças como artrite e a osteoartrose, oriundas de múltiplas causas como traumas, fraturas, deformidades e lesões degenerativas4. A enfermagem, pela própria característica de seu trabalho, defronta-se inúmeras vezes com a dificuldade na avaliação e julgamento da dor por ser um componente importante do estado geral do indivíduo, o que aponta a importância de prescindir uma fundamentação científica e sistematizada a fim de nortear os processos de cuidado. O diagnóstico de enfermagem expressa a necessidade de cuidados e a implementação de intervenções2. **Objetivo: **Identificar os diagnósticos de enfermagem segundo a Taxonomia da North American Nursing Diagnosis Association em mulheres com queixas de dores osteoarticulares. **Metodologia: **Estudo descritivo, do tipo relato de experiência, realizado no Núcleo de Extensão da Vila Embratel em São Luís- Maranhão por participantes de um Projeto de Extensão Universitária intitulado Programa Educacional de Enfermagem em Dor Crônica, aprovado pelo 1498-CONSEPE de 14.10.2016 nº 11026/2016-86 - Universidade Federal do Maranhão.  A amostra foi composta por 14 mulheres e todos os preceitos éticos foram respeitados. A coleta de dados ocorreu no período de julho a novembro de 2017, por meio de entrevista aberta, questionário semiestruturado- triagem Ambulatorial de Dor Crônica, contendo os dados socio-demográficos, a Escala Numérica de Dor, necessidades humanas básicas afetadas e exame físico. A abordagem foi individualizada, com agendamento prévio, buscou-se a avaliação criteriosa da dor e o grau de funcionalidade nas atividades da vida diária. Assim, gerando dados, para identificar as características definidoras/fatores relacionados/fatores de risco, que subsidiaram a construção do diagnóstico de enfermagem dor crônica, assim como possíveis diagnósticos relacionados a essa condição, sendo fundamentados na North American Nursing Diagnosis Association. **Resultados: **As mulheres com idades entre 42 a 78 anos, as dores osteoarticulares mais presentes foram relacionadas à artrite e artrose em membros superiores e inferiores 57,14%, seguidas à artrite reumatóide 42,86%, evidenciou-se também como consequência por chikungunya 14,29%. A maioria das mulheres apresentavam como doenças de base a hipertensão arterial 35,71% e diabetes mellitus 21,43%. De acordo avaliação da dor pela escala numérica de dor, no momento, a maioria apresentava-se com dor leve ou ausência de dor 57,14%, à média semanal de dor em geral, o somatório de dor moderada ou intensa 92,86%. Referente às condições socioeconômicas, nota-se que é significativo o fato de que as mulheres não exercem outra atividade remunerada, porém todas são aposentadas ou recebem outro beneficio 42,86 %. Entretanto, aquelas que exercem alguma atividade remunerada 57,14%, dentre essas, 50% apresentaram uma maior média de dor semanal, variando entre moderada, com escore entre 5-6, e 50% com dor intensa com escore 8. Identificou-se 18 diagnósticos de enfermagem: dor crônica, síndrome da dor crônica, integridade da pele prejudicada, mobilidade física prejudicada, padrão de sono prejudicado, privação de sono, insônia, disposição para controle de saúde melhorado, disposição para autoconceito melhorado, dentição prejudicada, constipação, interação social prejudicada, ausência de atividades de recreação, estilo de vida sedentário, conhecimento deficiente, disposição para bem-estar espiritual melhorado, disposição para esperança melhorada, padrão de sexualidade ineficaz. Os diagnósticos identificados fundamentaram o Plano de Cuidados. **Conclusão:** O diagnóstico de dor crônica apresentado por essas mulheres expressam particularidades imposta pela disfunção músculo-esquelética, estando quase que em sua totalidade relacionados com a idade avançada e a repercussão decorrente das dores, características essas que desencadeiam novos diagnósticos. O uso dos diagnósticos de enfermagem baseado na Taxonomia da North American Nursing Diagnosis Association, como referencial metodológico para o atendimento ambulatorial a mulheres com dor crônica tem possibilitado fomentar a fundamentação das ações da enfermagem, promovendo dessa forma, as áreas prioritárias para intervenções necessárias. Faz-se fundamental uma mudança nos paradigmas da atuação dos profissionais da atenção primária, aproximando-se realmente da população e utilizando instrumentos para sistematização do cuidado, fundamentando o planejamento, monitoramento e avaliação dos resultados das ações de enfermagem, contribuindo para a eficiência do serviço de saúde. **Contribuições para a Enfermagem**: Os dados apontam que há a necessidade de se realizar educação permanente, para a equipe de enfermagem, visando as melhores práticas profissionais. Os resultados deste trabalho podem subsidiar a implantação de estratégias assistenciais com o plano de cuidados terapêutico resolutivo que dirija atenção a essa clientela, na redução do risco de agravos à saúde, para melhoria da qualidade de vida. As práticas extensionistas favorecem a construção de novos saberes potencializando a formação acadêmica, visto que possibilitam uma visão ampla e integral do processo saúde-doença, permitindo assim, uma formação profissional diferenciada e capacitada para uma assistência qualificada às mulheres com dor crônica para contribuição do fortalecimento do Sistema Único de Saúde.


Referências:
1. André, MEDA. Estudo de caso em pesquisa e avaliação educacional. Brasília, DF: Liber Livro Editora, 2005. 68 p.; Saviani, D. Pedagogia histórico-crítica: primeiras aproximações. São Paulo: Cortez/Autores Associados, 2012. 2. Brasil. Conselho Nacional de Educação. Câmara de Educação Superior. Resolução CNE/CES nº 3, de 7 de novembro de 2001.Institui Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Enfermagem. Nov. 2001. 3. Veiga, IPA.; Resende, LMG. (Org.). Escola: espaço do projeto político-pedagógico. 4. ed. Campinas: Papirus, 2001. 4. Sacristán, JC. O currículo uma reflexão sobre a prática. Porto Alegre: Artmed, 2000.