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9186194 | EFETIVIDADE DO PROCESSO DE ENFERMAGEM EM CUIDADOS CRÍTICOS: UM ESTUDO DE COORTE | Autores: Aliniana Silva Santos ; Ana Carolina Ribeiro Tamboril ; Adriana de Moraes Bezerra ; Maria Corina Amaral Viana ; Joao Emanuel Pereira Domingos |
Resumo: Introdução: No contexto da assistência a pacientes em situação crítica de
saúde, a atenção prestada pela equipe de enfermagem precisa estar devidamente
organizada, adequando-se às especificidades do ambiente de cuidados críticos e
especializados, e aos saberes e estratégias de cuidado fundamentadas no
conhecimento científico da profissão.1 O Processo de Enfermagem torna-se
ferramenta potente para a organização da assistência de enfermagem em
ambientes de cuidados críticos e para planejamento das ações de enfermagem. O
Conselho Federal de Enfermagem (COFEN), por meio da resolução nº 358/2009,
discorre sobre a implementação da Sistematização da Assistência de Enfermagem
e prevê a obrigatoriedade do registro de todas as atividades referentes ao
cuidado realizado.2 Aliada à tentativa de solidificação da SAE na rotina de
trabalho do enfermeiro intensivista e ao cumprimento das etapas do PE de forma
fidedigna e eficiente, a utilização das Tecnologias da Informação e
Comunicação (TIC) no setor saúde emerge como opção plausível para o alcance
desse objetivo.3 Destarte, surge o questionamento em como essas iniciativas
podem integrar, de forma harmônica e eficiente, os saberes e fazeres do
enfermeiro às inovações tecnológicas emergentes, conferindo qualidade e
efetividade à assistência prestada. Objetivo: Avaliar a efetividade do
processo de enfermagem, através de indicadores formulados a partir de sistema
informatizado para registro desse processo em uma Unidade de Terapia
Intensiva. Descrição Metodológica: O projeto foi submetido a plataforma
Brasil, conforme preconiza a Resolução 466/12 do CNS, obtendo parecer
favorável conforme parecer nº 2.184.015. Os dados apresentados constituem um
recorte de um projeto de dissertação.4 Trata-se de um estudo observacional,
com abordagem quantitativa, do tipo coorte retrospectiva aberta. A população
do estudo foi composta 75 prontuários de pacientes admitidos no em Unidade
Terapia Intensiva. O local do estudo correspondeu a um hospital geral, de
caráter público e nível de atenção terciário. O período de seguimento
retrospectivo correspondeu ao período de internação dos sujeitos, desde a
admissão no setor até a evolução para alta, transferência ou óbito. Os
critérios de inclusão foram: a) ter idade acima de 18 anos; b) receber a
sistematização da assistência de enfermagem por meio do sistema informacional
da instituição. O sistema de registro informatizado, nomeado _ArsVitae_ possui
16 diagnósticos de enfermagem, sendo nove diagnósticos de risco. Foi utilizado
o referencial da Ordem dos Enfermeiros de Portugal (2007) para cálculo de
indicadores de enfermagem, sendo eles: Taxa de Efetividade Diagnóstica do
Risco e Taxa de Efetividade na Prevenção de Complicações.8 Resultados: No
perfil sociodemográfico da amostra, observou-se a preponderância do sexo
feminino com 50,66% (n=38). Quanto à escolaridade, destacou-se o ensino
fundamental completo, com 17,33% (n=13) e a classificação sem escolaridade,
também com 17,33% (n=13). A análise da situação ocupacional revelou
prevalência da atividade aposentado como ocupação (33,33%). A média de idade
da amostra foi de 53,09 anos e a renda familiar média foi de R$ 1.399,00.
Conforme o referencial da Ordem dos Enfermeiros de Portugal, foram calculados
os indicadores de efetividade diagnóstica de risco e efetividade na prevenção
de complicações para os nove diagnósticos de risco que compõem o sistema
informatizado, sendo eles: risco de infecção, risco de broncoaspiração, risco
de queda, risco de extubação, risco de piora do quadro clínico, risco de
desnutrição, risco de lesão de pele, risco de reação transfusional e risco de
reação medicamentosa. Relativo à taxa de efetividade diagnóstica de risco, os
diagnósticos risco de broncoaspiração e risco de extubação evidenciaram 100%
de efetividade diagnóstica, ou seja, todos os pacientes que desenvolveram o
risco possuíam o diagnóstico previamente documentado. Os diagnósticos risco de
infecção, risco de piora do quadro clínico e risco de lesão de pele
apresentaram taxas de efetividade superiores a 70%, evidenciando qualidade
elevada no processo diagnóstico de risco. Para os diagnósticos risco de queda,
risco de desnutrição, risco de reação transfusional e risco de reação
medicamentosa, não foram calculadas as taxas de efetividade devido à não
ocorrência dos respectivos eventos na amostra. Referente a taxa de efetividade
na prevenção de complicações, os diagnósticos risco de broncoaspiração, risco
de queda, risco de desnutrição, risco de reação transfusional e risco de
reação medicamentosa, obtiveram 100% de efetividade na prevenção de
complicações, ou seja, dentre os pacientes que possuíam o risco documentado,
todos possuíam atividades de prevenção do risco prescritas e como desfecho,
não desenvolveram o risco. Os diagnósticos risco de risco de extubação
(97,61%), infecção (95,23%) e risco de lesão de pele (94,28%), obtiveram taxas
de efetividade na prevenção de risco acima de 90%. Apenas o diagnóstico risco
de piora do quadro clínico obteve taxa de efetividade abaixo de 80%.
Discussão: Os resultados deste estudo fornecem subsídios para a avaliação do
PE realizado por meio de um sistema informacional. A taxa de efetividade
diagnóstica do risco evidencia a capacidade dos enfermeiros em predizer a
ocorrência dos riscos para que sejam capazes de agir antecipadamente,
protegendo o paciente de eventuais danos à saúde. Já a taxa de efetividade na
prevenção de complicações reflete a capacidade do enfermeiro de prescrever e
implementar cuidados eficazes na prevenção do risco, impedindo a evolução
deste para um problema real. Referente a taxa de prevenção de complicações,
foi possível constatar que os profissionais alcançaram este objetivo ao serem
100% efetivos na prevenção dos eventos: broncoaspiração, queda, desnutrição,
reação medicamentosa e reação transfusional. Dos 42 pacientes que receberam o
diagnóstico risco de extubação, apenas um desenvolveu o risco, sendo a taxa de
efetividade na prevenção de complicação para este diagnóstico de 97,61%. Dos
40 pacientes que receberam o diagnóstico de risco infecção, dois desenvolveram
o problema real, resultando numa taxa de 95,23% de efetividade. Para o
diagnóstico risco de lesão de pele, dos 35 pacientes diagnosticados com o
risco, dois evoluíram para o problema real, correspondendo ao uma taxa de
94,28% de efetividade na prevenção de risco. Taxas elevadas de efetividade na
prevenção de complicações evidenciam a segurança e efetividade das ações de
enfermagem. Com relação a taxa de efetividade diagnóstica de risco, constatou-
se que os enfermeiros foram 100% efetivos na inferência diagnóstica do risco
de broncoaspiração e risco de extubação, de modo que, diante a ocorrência do
evento, o paciente já possuía o risco previamente documentado. Dos pacientes
que desenvolveram o risco de infecção, apenas um não possuía o diagnóstico
documentado, gerando uma taxa de efetividade diagnóstica de risco de 93,33%.
Os diagnósticos risco de piora do quadro clínico e risco de lesão de pele
alcançaram as menores taxas de efetividade diagnóstica, 84,61% e 78,57%
respectivamente. Conclusões: Os resultados deste estudo permitem a avaliação
da efetividade diagnóstica de enfermeiros em uma unidade de terapia intensiva.
Foi possível constatar que os profissionais foram 100% efetivos na prevenção
dos eventos de cinco dos nove diagnósticos de risco. Com relação a taxa de
efetividade diagnóstica de risco, constatou-se que os enfermeiros foram 100%
efetivos na inferência diagnóstica de dois dos nove diagnósticos de risco.
Contribuições para a enfermagem: Com a crescente utilização de sistemas
informacionais para viabilização e otimização da SAE em ambientes
hospitalares, faz-se necessário que mais pesquisas sejam desenvolvidas sobre a
efetividade diagnóstica nessa nova era tecnológica.
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