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SENADEn - ISSN: 2316-3216 || SINADEn - ISSN: 2318-6518 • ISSN: 2318-6518
Resumo: 9179332

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9179332

EVENTOS ADVERSOS E INCIDENTES SEM DANO EM UNIDADES DE INTERNAÇÃO DE UM HOSPITAL ESPECIALIZADO EM CARDIOLOGIA

Autores:
Aliny Fernandes Goularte ; Cintia Koerich ; Betina Hörner Schlindwein Meirelles ; Gabriela Marcellino de Melo Lanzoni ; Marina Miotello

Resumo:
**Introdução:** Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS),1 os eventos adversos (EA) são considerados incidentes que resultam em danos, não intencional e não relacionados à evolução natural da doença de base, para um paciente, enquanto um incidente sem dano se trata de um evento que ocorreu mas não trouxe nenhum tipo de dano discernível ao paciente.1  Em 2004 a OMS criou a _World Alliance for Patient Safety, _definindo cinco metas para segurança do paciente: identificar o paciente , melhorar a efetividade de comunicação entre profissionais, melhorar a segurança de medicações de alta vigilância, assegurar cirurgias em local de intervenção correto, paciente e procedimento correto e reduzir o risco de infecções.2 No Brasil, em 2013, o Ministério da Saúde (MS) criou através da Portaria n° 529/13, o Programa Nacional de Segurança de Paciente (PNSP),  no sentido de reduzir os incidentes que gerem danos para os indivíduos. De acordo com o PNSP, o cuidado seguro carece da implantação de uma cultura de segurança, que amplia a ênfase sobre a atuação profissional, encorajando uma prática responsável, ética, e que avalia os erros e incidentes pautados nas notificações, tornando-os fonte de aprendizado.3 As taxas de EA em instituições hospitalares podem ser utilizadas como indicadores de cuidado seguro e qualidade da assistência de enfermagem, assim como base para criação de estratégias de melhoria do cuidado e da segurança do paciente.4 Ainda, como elemento indutor de práticas seguras, o registro e avaliação dos EA podem identificar/orientar práticas de Educação Permanente a fim de qualificar a prática clínica dos profissionais de saúde5 resultando diretamente em melhores indicadores de saúde. **Objetivo:** Caracterizar os eventos adversos em unidades de internação de um hospital referência em Cardiologia no Estado de Santa Catarina. **Descrição Metodológica: **O estudo teve enfoque quantitativo, exploratório, descritivo, tendo como cenário uma instituição hospitalar pública referência cardiovascular para Santa Catarina. Utilizou-se para a coleta das informações um instrumento utilizado pela instituição para controle das notificações de eventos adversos, considerando o período de setembro de 2014 a setembro de 2015. As variáveis consideradas para este estudo foram sexo, idade, tempo de permanência na instituição até a ocorrência do EA, turno em que este ocorreu e a caracterização do tipo. Os dados foram organizados em planilha no programa Excel da Microsoft® e analisados por meio de estatística descritiva e inferencial. **Resultados: **O estudo analisou 190 casos de eventos adversos ocorridos em 155 pacientes dos 487 atendidos no período. A amostra do sexo feminino se constituiu de 81 pacientes (52,3%) e a do sexo masculino de 74 pacientes (47,7%), a idade ficou entre 18 e 101 anos, sendo que a mediana se manteve em 66 anos. Em relação à ocorrência do EA a mediana de tempo foi de 20 dias (44,7%), com um tempo mínimo de 0 (zero) dias e máximo de 208 dias após a internação. Nota-se também que a maiorias dos eventos ocorreram no turno matutino (31,7%) seguido do período vespertino (26,8%). Dessas notificações 26,3% foram por erro de medicação, sendo 40% vinculadas a hematomas decorrentes de aplicações de medicações subcutâneas (SC), sendo, portanto considerados EA. Em relação aos EA relacionados à punção venosa, estes representaram 18,9% das notificações, onde os pacientes apresentaram flebite, soroma e/ou hematomas. As quedas foram responsáveis por 10,5% dos EA, com maior prevalência em pacientes do sexo masculino, sendo a maioria com idade entre 61 aos 70 anos. O registro de quedas apresentou-se mais elevado no período noturno (40,0%). Do total de quedas registrado no período da coleta, 65,0% apresentaram danos, variando de pequenas lesões até casos de fraturas ósseas, 65% dos casos foram investigadas e apontam que em 45,0% dos casos os pacientes estavam na presença de acompanhantes, porém apenas 15,0% possuíam a placa com indicação de risco de queda no leito, segundo os registros. O predomínio foi de 45% de queda do leito seguidos por 35% de quedas da própria altura. Já os casos de lesão por pressão (LPP) representam 6,8% das notificações, onde 69,2% destas se encontravam em estágio II e 54% foram registradas na unidade coronariana. Consta que a maioria dos casos ocorreu em pacientes do sexo masculino (61,6%) com idade entre 71 e 80 anos (30,8%). Quanto ao processo de investigação desse evento, em todos os casos foi executado protocolo da unidade de acordo com a necessidade e estágio da LPP. **Conclusão: **Os eventos adversos constituem uma potente ferramenta para gestão de qualidade, atuando como um forte indicador do cuidado prestado, sendo possível avaliar os erros, sejam eles com danos ou não, investigar os prejuízos para a saúde do paciente e propor estratégias de mudança e desenvolvimento dos serviços. O cuidado seguro requer uma cultura da segurança entre os profissionais, sendo necessário ampliar as estratégias de educação permanente, avaliando as condições e os processos e trabalho.** Considerações para enfermagem: **A enfermagem tem grande importância na prevenção dos EA, revendo os fatores que contribuem para a maior divulgação e visibilidade do tema visando o aumento do controle para que eles não ocorram. Assim, o conhecimento do perfil dos incidentes e dos pacientes acometidos poderão direcionar a prática clínica e de gestão de risco com o refinamento dos parâmetros institucionais, regionais e nacionais com a perspectiva de ampliar o alcance das ações locais dos núcleos de segurança do paciente e políticas públicas em saúde.


Referências:
1. Barbosa MH, Araújo NF, Silva JAJ, Corrêa TB, Moreira TM, Andrade EV. Avaliação da intensidade da dor e analgesia em pacientes no período pós-operatório de cirurgias ortopédicas. Esc Anna Nery Revista de Enfermagem. 2014; 18(1). 2. Lenza M, Ferraz SB, Viola DC, Garcia Filho RJ, Cendoroglo Neto M, Ferretti M. Epidemiologia da artroplastia total de quadril e de joelho: estudo transversal. Einstein. 2013; 11(2):197-202. 3. Moorhead S, Johnson M, Mass ML, Swanson E. Classificação dos resultados de enfermagem (NOC): mensuração dos resultados em saúde. 5ª ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2016. 4. Azzolin K, de Souza EN, Ruschel KB, Mussi CM, de Lucena AF, Rabelo ER. Consensus on nursing diagnoses, interventions and outcomes for home care of patients with heart failure. Rev Gaucha Enferm. 2012;33(4):56-63. 5. Pasin S, Ferreira AM, Predebon CM, Silva ERR. Diagnósticos de enfermagem com base em sinais e sintomas associados a dor. Porto Alegre: Artmed; 2011.