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SENADEn - ISSN: 2316-3216 || SINADEn - ISSN: 2318-6518 • ISSN: 2318-6518
Resumo: 9174847

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9174847

O TRABALHO DA COMISSÃO DE SISTEMATIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM EM UM HOSPITAL PÚBLICO DO PARANÁ: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA

Autores:
Cláudia Denise Giusti de Oliveira ; Silviane Hoepers Naka ; Leyd Laiane Santos Cabral

Resumo:
**Introdução:** A Enfermagem está intrinsecamente relacionada à Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE), cuja metodologia de trabalho possibilita a organização, planejamento e avaliação do cuidado prestado. É parte de um processo que vem sendo desenvolvido, ao longo do tempo, por enfermeiros comprometidos em alcançar qualidade da assistência, melhorar a comunicação entre a equipe, priorizar as necessidades de cada paciente e ainda desenvolver ações baseadas em conhecimento técnico-cientifico (1). O método utilizado para sistematizar a assistência de enfermagem é o processo de enfermagem (PE), o qual deve estar sustentado por um suporte teórico que oriente a coleta de dados, o estabelecimento de diagnósticos de enfermagem e o planejamento das ações ou intervenções de enfermagem; e que forneça a base para a avaliação dos resultados de enfermagem alcançados, segundo a Resolução nº 358/2009, do Conselho Federal de Enfermagem (COFEN)(2). A SAE proporciona cuidados individualizados, norteia o processo decisório do enfermeiro no gerenciamento do cuidado, culminando em avanços na qualidade da assistência, impulsionando sua adoção nas instituições que prestam assistência à saúde. Além do referencial teórico para sua implantação, é necessária instrumentalização dos profissionais e reuniões com a equipe, sensibilizando-os quanto à sua importância e na avaliação e na implementação dessa ferramenta (3,4). Para essa instrumentalização, considera-se importante que enfermeiros desenvolvam o pensamento crítico e capacidade de tomar decisões, por ser agente de transformação das condições de vida, atuando diretamente no processo saúde-doença e no bem-estar dos indivíduos, famílias e comunidade. **Objetivo:** descrever a experiência e ações da Comissão de Sistematização da Assistência de Enfermagem de um Hospital Universitário do Paraná e da inserção de profissionais exclusivos nessa comissão. **Metodologia: **Trata-se de relato de experiência, com abordagem qualitativa, baseado na experiência dos enfermeiros, nos registros de reuniões, discussões com os representantes da Comissão atuantes nas ações para sistematizar a assistência de enfermagem. O cenário foi um Hospital Universitário do Paraná que instituiu a Comissão de Sistematização da Assistência de Enfermagem (COMISAE) no ano de 2012 junto aos enfermeiros representantes da Divisão de Enfermagem e das unidades assistenciais, no intuito de instrumentalizar os profissionais nos aspectos teórico-práticos para a efetiva implementação do PE. Na prática, a implantação deste processo enfrentou inúmeros desafios, tais como fatores relacionados ao sistema de gestão, dimensionamento do quadro de profissionais, falta de conhecimento do PE pelos enfermeiros da instituição. Durante anos o número insuficiente de profissionais ocasionou sobrecarga da equipe, assim como desânimo, desinteresse e sentimento de desvalorização profissional. A insegurança em relação aos conhecimentos sobre o PE e ausência de formulários específicos para realização das etapas também representaram motivos para a prática fragmentada das etapas do PE no âmbito hospitalar. Com a admissão de profissionais para compor o quadro efetivo do hospital, tornou-se imperativa a necessidade de readequar o processo de trabalho dos profissionais de enfermagem e consequentemente retomar a SAE como metodologia de trabalho e ferramenta gerencial, além de unificar e uniformizar as ações de enfermagem dentro da instituição. Essa readequação teve o apoio da divisão de enfermagem, ao constatar a necessidade de instituir profissionais de dedicação exclusiva para atuar sobre a reorganização da SAE, visando a efetiva implementação do PE dentro da instituição. Dentre as metas de trabalho estabelecidas, ressalta-se a reconstrução do raciocínio e o julgamento clínico para elaboração de diagnósticos de enfermagem; sistematizar a assistência incluindo, de fato, os técnicos e auxiliares de enfermagem de modo dialógico e participativo; mediar a retomada do contato com PE para profissionais que já apresentam atitude negativa frente ao PE; favorecer a compreensão de que a coleta de dados e a evolução de enfermagem podem ser beneficiadas com a utilização de roteiros, enfim, ações que objetivem a visualização do PE como metodologia da assistência de enfermagem. **Resultados: **Com a presença de duas enfermeiras com dedicação exclusiva na COMISAE foi possível realizar um diagnóstico situacional das unidades assistenciais e conhecer os desafios associados à implementação do PE e especificidades, para que assim pudessem ser desenvolvidos adequadamente. Dentre esses desafios, cita-se a falta de conhecimento dos enfermeiros sobre o PE, para o qual foi traçado como meta a realização de capacitações diretamente nas unidades assistenciais, promovendo, assim, o direcionamento do PE, estimulando o pensamento crítico direcionado à assistência aos pacientes. As capacitações foram realizadas em conjunto com a Comissão de Educação Permanente (CEPEN), responsável pelo processo de educação dentro da instituição para os profissionais da enfermagem. Foram abordados essencialmente os sistemas de classificação: Nursing Interventions Classification (NIC), Nursing Outcomes Classification (NOC), North American Nursing Diagnosis Association (NANDA), cujo objetivo é estabelecer uma linguagem única que descreva a prática de enfermagem, a fim de otimizar a comunicação entre os enfermeiros e destes com os demais profissionais. Frente às capacitações, percebeu-se que o processo participativo, subsidiado por discussões relacionadas aos desafios e às oportunidades da utilização da SAE pelos enfermeiros, auxiliou no rompimento dos movimentos centralizados e fragmentados de implantação da SAE. Esse processo participativo refletiu em estímulo e incentivo aos enfermeiros que iniciaram a construção de instrumentos para serem utilizados na primeira etapa do PE, ou seja, na investigação, com direcionamento para as especificidades de cada unidade assistencial, garantindo, assim, um instrumento objetivo, reduzindo as possibilidades de insucesso na implantação dessa etapa do PE. **Conclusão: **A implantação da SAE é um desafio não só para a equipe de enfermagem como também para os gestores. A presença de membros exclusivos na COMISAE evidenciou a deficiência no processo de trabalho da equipe de enfermagem no que concerne à realização das etapas do PE na instituição em estudo. As capacitações realizadas mostraram-se essenciais para que os enfermeiros se apoderem da SAE como ferramenta gerencial indispensável para uma assistência de excelência. Por outro lado, a participação dos enfermeiros na COMISAE foi de fundamental importância na construção e normatização de novas ferramentas de trabalho, assim como a readequação das previamente existentes, possibilitando melhorias na qualidade dos registros, no maior envolvimento da equipe de enfermagem frente ao PE e na organização do trabalho do enfermeiro, culminando, assim, na melhoria na assistência de enfermagem.  **Contribuições para a enfermagem:** O trabalho da COMISAE, potencializado com o apoio institucional, torna-se fundamental para a efetiva implementação do PE. A implementação do mesmo facilita a comunicação entre a equipe e norteia a tomada de decisões em diversas situações, enfatizando a função de gerenciadores do cuidado da equipe de enfermagem, bem como no processo de autonomia e valorização profissional.


Referências:
1-DIAS, PF. Ambiência para o trabalho de parto e parto normal institucionalizado: identificação do conceito. 2017; (129). Dissertação (Mestrado em Enfermagem) - Universidade Federal de Alfenas, Alfenas, MG, 2017. 2-BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Ambiência. 2.ed. Brasília, 2006. 3-Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Política Nacional de Humanização da Atenção e Gestão do SUS. A experiência da diretriz de Ambiência da Política Nacional de Humanização – PNH / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Política Nacional de Humanização da Atenção e Gestão do SUS. – Brasília: Ministério da Saúde, 2017. 4-Moura MAV, Costa GRM, Teixeira CS. Momentos de verdade da assistência de enfermagem à puérpera: um enfoque na qualidade. Revista de Enfermagem da UERJ. 2010;18(3):429-34. 5- Macedo PO, Quitete JB, Lima EC, Santos I, Vargens OMC. As tecnologias de cuidado de enfermagem obstétrica fundamentas pela teoria ambientalista de Florence Nightingale. Esc. Anna Nery. 2008;12(2):341-347