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9060685 | SIMULAÇÃO COMO ESTRATÉGIA DE ENSINO DO RACIOCÍNIO CLÍNICO EM ENFERMAGEM | Autores: Maria Isabel Pedrazzani Montero Batista ; Aline Helena Apploni Eduardo ; Isis Pienta Batista Dias Passos ; Aline Cristiane Cavicchioli Okido |
Resumo: **Introdução:** o raciocínio clínico ocorre em todas as fases do processo de enfermagem, requer do profissional a habilidade de reconhecer as evidências da condição que está sendo investigada, a partir da coleta de dados, realizar julgamentos e interpretações, a partir do conhecimento sobre esta condição, e, guia a tomada de decisão para estabelecimento de um diagnóstico, que são as respostas humanas que necessitam de atendimento de enfermagem quanto na seleção de intervenções apropriadas e avaliação os resultados alcançados. Considera-se que esta seja uma habilidade complexa e dinâmica passível de ser aprendida e desenvolvida, é influenciada pelas experiências e conhecimento prévios adquiridos, o que torna este processo de aprendizado desafiador, pois todas estas características necessitam ser consideradas nas diferentes estratégias adotadas por professores no ensino do raciocínio clínico. A literatura apresenta a simulação, entre outras estratégias, uma ferramenta potente para desenvolver o raciocínio clínico em estudantes de enfermagem. **Objetivo:** descrever a experiência da utilização da simulação como estratégia para desenvolvimento do raciocínio clínico com estudantes de graduação em Enfermagem. **Método:** relato de experiência sobre o uso da simulação para desenvolvimento da habilidade do raciocínio clínico com 19 estudantes do quarto ano do curso de graduação em Enfermagem de uma instituição pública de ensino do Estado de São Paulo, durante o Estágio Curricular Supervisionado na área Hospitalar, que ocorreu em setembro de 2016. A atividade foi conduzida por duas docentes do curso e duas enfermeiras do centro de simulação da instituição, foi composta por uma roda de conversa sobre as etapas do Processo de Enfermagem e a Resolução do Conselho Federal de Enfermagem nº 358 de 2009 para retomada dos conceitos e utilização destes elementos durante o curso, em seguida, os estudantes resolveram estudos de casos fictícios em grupos para determinação de diagnósticos e planejamento de enfermagem com discussão ao final e uma simulação sobre um atendimento de enfermagem a um paciente com comprometimento respiratório. A simulação clínica ocorreu em um espaço na unidade de simulação que representa uma enfermaria hospitalar, tratou-se de uma simulação da alta complexidade e um simulador de alta fidelidade foi empregado, dois estudantes desempenharam os papeis de enfermeiro e estagiário de Enfermagem, respectivamente; uma das docentes foi a facilitadora, a outra docente fez o papel de médica, uma das enfermeiras da unidade operou os equipamentos eletrônicos do simulador e a outra enfermeira participou da simulação como técnica de enfermagem, os demais estudantes assistiram a simulação e participaram do _debriefing_. A simulação tinha como objetivo geral que os estudantes identificassem que a paciente estava com comprometimento da oxigenação/respiração, estabelecessem os resultados e intervenções de enfermagem para o diagnóstico de enfermagem prioritário. O contexto da simulação tratava-se de uma unidade de internação clínica médica, onde uma paciente, do sexo feminino, de 57 anos encontrava-se há três dias para tratamento de Pneumonia. O enfermeiro e estagiário foram acionados, pela técnica de enfermagem, para avaliar a paciente que estava com dispneia. Ao realizarem o atendimento os estudantes deveriam implementar a coleta de dados dirigida a queixa e identificar mais evidências de comprometimento respiratório (taquicardia, taquipneia, diminuição da saturação de oxigênio, presença de sibilos e agitação). Enquanto a coleta de dados ocorre o quadro clínico se deteriora e exige dos estudantes a tomada de decisão quanto a seleção de intervenções possíveis de serem realizadas no momento (monitoração dos sinais vitais, elevar a cabeceira do leito, analisar a prescrição de medicamentos da paciente e constatar a disponibilidade de instalar dispositivo de oxigenoterapia prescritos, bem como broncodilatadores que poderiam ser administrados) apropriadas para o comprometimento da oxigenação/respiração, que deveria ser constatado pelos mesmos. Era possível que os estudantes acionassem avaliação da médica que também avaliava a paciente, discutia o caso com os estudantes e solicitava a administração dos medicamentos prescritos. Após a implementação das intervenções a paciente apresenta melhora do quadro clínico que deveria ser examinada novamente e detectado normalização dos sinais vitais e ausculta respiratória. A facilitadora registrava em uma lista de verificação das ações esperadas que os estudantes desenvolvessem para que a apoiasse na condução do _debriefing_. Todos os estudantes participaram do _debriefing_ voltado a reflexão do aprendizado durante a simulação descrevendo as emoções, análise e síntese do aprendizado obtido com a simulação, além da definição das etapas do Processo de enfermagem e raciocínio clínico que ocorreram durante o atendimento. Neste momento os estudantes descreviam quais eram os dados subjetivos e objetivos que eles identificaram na simulação que os fizeram suspeitar de um diagnóstico de enfermagem e consequentemente as intervenções implementadas. **Resultados:** os estudantes que participaram da simulação reconheceram que a paciente apresentava comprometimento respiratório através da coleta de dados, implementaram todas as medidas propostas para a resolução do quadro clínico e constataram a melhora da paciente por meio de exame clínico respiratório novamente. No _debriefing_ os estudantes apontaram quais foram as evidências clínicas que os fizeram a decidir pelo diagnóstico de enfermagem Desobstrução Ineficaz de Vias Aéreas e na implementação das intervenções realizadas. Ainda, no _debriefing_ os estudantes fizeram uma descrição da simulação descrevendo na lousa os achados em cada fase do Processo de Enfermagem, subsidiados pelas classificações de Diagnóstico de Enfermagem da NANDA-I, Resultados e Intervenções de Enfermagem. Os estudantes puderam verificar que as intervenções implementadas estavam alicerçadas na Classificação de Intervenções de Enfermagem e que os resultadas alcançados também estavam propostos na Classificação de Resultados de Enfermagem. Um relato expressivo e generalizado dos estudantes foi que a simulação permitiu que eles visualizassem que o Processo de Enfermagem e o raciocínio clínico ocorrem “naturalmente” quando a assistência de enfermagem acontece. Além disso, reconheceram que atividades desta natureza poderiam ser implementadas no curso desde o início. **Conclusões:** descrever a experiência de ensino sobre raciocínio clínico mostrou a potencialidade da simulação para o desenvolvimento desta habilidade pelos estudantes de Enfermagem. Esta estratégia foi adotada pela primeira vez com este intuito no curso e mostrou-se ser um importante recurso educacional a ser também considerado em outros momentos da formação. Os estudantes demonstraram satisfação com a estratégia e reforçaram a importância de terem a vivenciado neste momento da formação. **Contribuições para enfermagem:** este relato contribui em demonstrar a potencialidade da simulação para desenvolvimento do raciocínio clínico de estudantes de enfermagem, fortalecimento do ensino do Processo de Enfermagem e incorporação deste elemento essencial da profissão pelos estudantes de enfermagem na assistência de enfermagem, além de possibilitar a replicação em outros contextos acadêmicos, em distintos níveis do curso de graduação em enfermagem e outras abordagens clínicas também.
Referências: 1. Dantas, OM. Monitoria: Fonte de saberes a docência superior. Rev. Bras. Estud. Pedagógico. Brasília. V. 95, n.241, p.567-589, dez 2014.
2.Abreu, TO et al. A monitoria acadêmica na percepção dos graduandos de enfermagem. Rev. Enferm. UERJ. v. 22, n. 4, p. 507-512, 25 jun 2014. |