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SENADEn - ISSN: 2316-3216 || SINADEn - ISSN: 2318-6518 • ISSN: 2318-6518
Resumo: 9056854

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9056854

INSTRUMENTO DE CONSULTA DE ENFERMAGEM SISTEMATIZADA PARA PACIENTES COM INSUFICIÊNCIA CARDÍACA: ESTUDO METODOLÓGICO

Autores:
Lyvia da Silva Figueiredo ; Ana Carla Dantas Cavalcanti ; Geandra Quirino da Silva ; Paula Vanessa Peclat Flores ; Beatriz Paiva

Resumo:
**Introdução:** A Insuficiência Cardíaca (IC) é uma síndrome clínica crônica de caráter multissistêmico e multifatorial, que ocasiona um inadequado aporte sanguíneo para atender as necessidades metabólicas teciduais, tornando-se assim a via final das doenças cardiovasculares.(1) Nos EUA, aproximadamente 5,1 milhões de indivíduos apresentam as manifestações clínicas de insuficiência cardíaca e a tendência é continuar aumentando, portanto estima-se que até 2050 um em cada cinco norte-americanos maior que 65 anos apresentarão as manifestações clínicas.(2) Enquanto que no Brasil, segundo dados obtidos no DATASUS, entre o período de dezembro de 2016 a dezembro de 2017, a IC continua sendo a primeira causa de internação hospitalar das doenças do aparelho circulatório, totalizando 223.172 mil casos de internações no Brasil.(3) No mesmo período, a região Sudeste totalizou um número de 93.076 mil casos de internações, representando um custo de 140.543. 695,17 ao Sistema Único de Saúde (SUS). Em relação aos óbitos, verificou-se um aumento maior que o dobro dos números em relação ao ano anterior, alcançando 24.205 mil óbitos, o que corresponde a uma taxa de mortalidade de 10,85%.4 Estima-se que sua prevalência aumente 46% de 2012 a 2030, o que resultará em mais de 8 milhões de pessoas com IC acima de 18 anos.(1) O tratamento para IC pode ser dividido em farmacológico e não farmacológico, tendo como objetivos: melhorar a condição clínica do paciente, gerar um aumento na tolerância de atividades físicas, reduzir o número de internações por descompensações, favorecer as condições para o autocuidado, aumentar a sobrevida com qualidade de vida do paciente. São vários os fatores que podem levar o paciente a descompensar, dentre eles a baixa adesão ao tratamento medicamentoso, além de práticas não-farmacológicas como conhecimento deficiente sobre a doença, ingesta hídrica descontrolada e ingesta inadequada de alimentos ricos em sódio.(2,5) Portanto, a insuficiência Cardíaca é uma síndrome clínica de caráter multissistêmico e multifatorial, considerada a via final das doenças cardiovasculares, com um impacto epidemiológico e social significativo. Uma das maneiras de manejar a doença é o acompanhamento multiprofissional desse paciente em clínicas especializadas, onde o enfermeiro desenvolve papel central e fundamental através da consulta de enfermagem. Para tal, a aplicação de sistemas de linguagens padronizadas de diagnósticos, intervenções e resultados de enfermagem facilitam a documentação e o raciocínio clínico, além de proporcionar a avaliação sobre a adesão ao tratamento e autocuidado. **Objetivo:** descrever o desenvolvimento do instrumento de consulta de enfermagem sistematizada para pacientes com insuficiência cardíaca de uma clínica especializada no município de Niterói/RJ. **Metodologia:** Trata-se de um estudo metodológico dividido em 04 fases. A primeira fase, que se iniciou em 2006 definiu os conteúdos a serem incorporados no instrumento. Para tal, foi realizada uma revisão sobre os diagnósticos e intervenções de enfermagem descritos na literatura. A análise foi confrontada com a classificação de diagnósticos de enfermagem da NANDA Internacional e classificações de intervenções e resultados de enfermagem. A primeira versão do instrumento foi composta por dados de identificação sócio-demográfica, história pregressa e da doença atual, comorbidades e uma ampla entrevista subdividida nos 12 domínios da NANDA Internacional. Por último, havia uma lista com os títulos de diagnósticos mais frequentes e condutas de enfermagem. Este instrumento foi utilizado de 2006 a 2010 para as consultas de enfermagem da Clínica de Insuficiência Cardíaca Coração Valente. Em 2010, esta versão sofreu pequenas alterações, quando foram incorporadas informações sobre exames laboratoriais e complementares, além de medicamentos em uso. Os diagnósticos de enfermagem passaram a ser descritos manualmente, com fatores relacionados e características definidoras. As intervenções de enfermagem  eram descritas em plano de cuidados e entregues em receituários para os pacientes e familiares, com o intuito de facilitar o autocuidado. A segunda versão do instrumento tem sido utilizada nas consultas de enfermagem até o presente momento. De 2017 a 2018, a segunda versão foi atualizada, quando foram incorporadas questões direcionadas ao manejo da doença e manutenção do autocuidado. Os diagnósticos, intervenções e resultados de enfermagem foram discutidos no Grupo de Estudos de Sistematização da Assistência de Enfermagem da Universidade Federal Fluminense. No momento, a terceira versão do  instrumento, ainda manual, contém quatorze  páginas com conteúdo amplamente discutido e planejado por  pesquisadores da área de insuficiência cardíaca e processo de enfermagem com a participação dos enfermeiros que realizam as consultas na clínica. Foram necessárias três reuniões com enfermeiros e pesquisadores para total consenso sobre o conteúdo do instrumento. Este instrumento está sendo base para a construção do prontuário eletrônico para consulta de enfermagem de pacientes com insuficiência cardíaca. **Resultados:** Os diagnósticos incluídos foram: débito cardíaco diminuído (00029); conforto prejudicado (000214); dor aguda (000132); volume de líquido excessivo (00026);  intolerância à atividade (00092); fadiga (00093); conhecimento deficiente (000126); dor crônica (00133); falta de adesão (00079); controle ineficaz da saúde (00078); ansiedade (000146); disfunção sexual (00059); religiosidade prejudicada (00169); sofrimento espiritual (00066); obesidade (00232); sobrepeso (00233); insônia (00095); risco de intolerância à atividade (00094); risco de quedas (00155); estilo de vida sedentário (00168). Os resultados: eficácia da bomba cardíaca; estado de conforto; nível da dor;  equilíbrio hídrico; tolerância à  atividade; conservação de energia; conhecimento: controle de doenças cardíacas; comportamento de adesão; comportamento de busca da saúde; autocontrole da ansiedade; conhecimento: controle da doença cardíaca; estado de conforto: psicoespiritual; saúde espiritual; comportamento de perda de peso; sono; controle de riscos; estado de saúde pessoal. Foram planejadas 54 intervenções de enfermagem, englobando todos os diagnósticos de enfermagem com seus respectivos resultados.Tal estudo contribui para a prática assistencial de enfermagem por propor a  implementação a LPE na Consulta de Enfermagem de Clínica Especializada em IC, atendendo assim, tanto à demandas assistenciais quanto legais; pretender reduzir o tempo de trabalho do enfermeiro no registro da consulta de enfermagem, favorecendo um maior contato com o paciente e com isso, melhorando a adesão ao tratamento; proporcionar condições para análise e pesquisa, assim como guarda e resgate de informação de forma rápida e segura. Conclusão: A experiência adquirida nestes 12 anos  de desenvolvimento e utilização do instrumento de consulta de enfermagem para pacientes com insuficiência cardíaca em uma clínica especializada no município de Niterói/RJ consolida uma prática pautada em raciocínio clínico para a escolha de diagnósticos e tomada de decisão sobre intervenções que proporcionem melhores resultados de enfermagem. **Implicações para Enfermagem:** O instrumento contribui para o processo de ensino-aprendizagem, prática e pesquisa, por fornecer uma ferramenta estruturada e objetiva para a coleta de dados, julgamento clínico, planejamento e avaliação de pacientes com insuficiência cardíaca em acompanhamento ambulatorial.


Referências:
1. Melo RHV, Felipe MCP, Cunha ATR, Vilar RLA, Pereira EJS, Carneiro NEA, Freitas NGHB, Júnior JD et al. Roda de Conversa: uma Articulação Solidária entre Ensino, Serviço e Comunidade. Rev Bras de Ed Méd 2016;40 (2): 301-309. 2. Villardi ML, Cyrino EG, Berbel NAN. A problematização em educação em saúde: percepções dos professores tutores e alunos. São Paulo. Editora UNESP, 2005 3.Rodrigues MS. 3. Humanização no processo de parto e nascimento: implicações do plano de parto [Dissertação]. Universidade Federal de Minas Gerais. 2017. 4. Andrade LDF, Farias KEE, Araújo GH, Costa GOM, Nunes PC, Saraiva AM et al. Promovendo Ações Educativas sobre Sífilis Entre Estudantes de uma Escola Pública: Relato de Experiência, Rev Bras Ciênc Saúde. 2014; 18(2): 157-160.