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8955506 | INDICADORES CLÍNICOS DOS DIAGNÓSTICOS DE ENFERMAGEM BAIXA AUTOESTIMA CRÔNICA E BAIXA AUTOESTIMA SITUACIONAL EM ADULTOS COM HUMOR DEPRIMIDO | Autores: Gabriele de Lima Ferreira ; Natália Barreto de Castro |
Resumo: **Introdução:** O uso de indicadores clínicos é essencial no processo do raciocínio diagnóstico, pois a atribuição de características definidoras indica a escolha dos diagnósticos de enfermagem na prática clínica. Ao trabalhar com características definidoras acuradas, o enfermeiro fará suposições baseadas naquilo que é previsto para uma determinada situação, permitindo inferir com maior segurança a presença ou ausência de um diagnóstico.1 A equipe de enfermagem em saúde mental e psiquiátrica necessita de padrões de assistência que orientem suas intervenções em todos os locais em que esta especialidade é praticada, a fim de que seja alcançada melhor qualidade no cuidado prestado a sua clientela.2** Objetivo:** Identificar a frequência dos indicadores clínicos dos diagnósticos de enfermagem Baixa autoestima crônica e Baixa autoestima situacional em adultos com humor deprimido. **Método:** Trata-se de uma pesquisa sobre acurácia diagnóstica, com delineamento transversal, realizada em um hospital de referência em psiquiatria no estado do Ceará. A população do estudo foi composta por 180 adultos com humor deprimido acompanhados durante internação, período de observação, espera de vagas para internação, atendimento ambulatorial e permanência no hospital dia da referida instituição psiquiátrica. Os sujeitos do estudo possuíam idade entre 20 e 59 anos, e apresentavam os diagnósticos médicos de transtornos de humor e/ou transtornos de ansiedade. Cada indivíduo foi incluído uma única vez no estudo. Foram excluídos da amostra os adultos com quadro de agitação psicomotora intensa, desorientação autopsíquica e/ou alopsíquica, bem como outras doenças que pudessem alterar o quadro clínico, impossibilitando a avaliação dos diagnósticos de enfermagem pesquisados. Foram comtempladas todas as características definidoras incluídas na taxonomia da NANDA-I para os diagnósticos de enfermagem Baixa autoestima crônica (13) e Baixa autoestima situacional (7), com exceção do indicador Passividade pertencente ao diagnóstico Baixa autoestima crônica. Esse indicador foi retirado pois, durante a elaboração das definições conceituais e operacionais dos indicadores clínicos dos diagnósticos de enfermagem em estudo, ficou constatado que o indicador já estava incluso em outros indicadores mais específicos. Vale ressaltar que os indicadores Comportamento indeciso, Comportamento não assertivo e Subestima a capacidade de lidar com a situação são comuns aos dois diagnósticos. Além disso, os indicadores Desafio situacional ao próprio valor e Sentimento de inutilidade; Hesita em tentar novas experiências e Comportamento indeciso; Exagera no feedback negativo sobre si mesmo e Verbalizações autonegativas foram considerados idênticos. Dessa forma, inicialmente foram contabilizados 14 indicadores clínicos para o estudo. Para análise das evidências científicas disponíveis na literatura sobre a temática, foi realizada uma revisão integrativa, a qual identificou 4 indicadores clínicos novos: Ruminação, Ideação suicida, Solidão e Busca autoafirmação virtual. Para coleta de dados foi utilizado um instrumento construído com base nas definições operacionais dos indicadores clínicos dos diagnósticos em estudo propostos pela NANDA-I, bem como os indicadores encontrados na revisão de literatura. As recomendações da Resolução 466/2012, referente às pesquisas com seres humanos, foram devidamente obedecidas3. O estudo teve início mediante anuência da instituição, bem como a coleta de dados foi realizada após assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido pelos pacientes ou responsáveis pelos pacientes. **Resultados: **Dentre os 19 indicadores clínicos avaliados, 11 estiveram presente em 30% ou mais dos pacientes. Ruminação (57,85%) e Comportamento não assertivo (53,9%) foram os indicadores mais frequentes, correspondendo a mais da metade da amostra. Além destes, os indicadores Solidão (45,6%), Culpa (40,6%) e Ideação suicida (37,8%) também apresentaram frequências elevadas. Em contrapartida, Busca autoafirmação virtual (8,3%) e Verbalizações autonegativas corresponderam aos indicadores com menores frequências na população. Vale ressaltar que os indicadores Ruminação, Solidão e Ideação suicida foram inclusos no estudo após o desenvolvimento da revisão de literatura. **Conclusão:** Os indicadores Ruminação e Comportamento não assertivo apresentaram as maiores frequências neste estudo, correspondendo a mais da metade da amostra. A Ruminação ou pensamento ruminativo, pode ser caracterizada como uma sequência de pensamentos repetitivos, pessimistas e contínuos. Os indivíduos com afeto negativo e com estratégias de enfretamento ineficientes percebem-se incapazes, infelizes e distantes dos ideais. Portanto, o ato de ruminar ocorre de maneira recorrente e disfórica nesses indivíduos, por estarem constantemente na busca de razões e justificativas das situações desagradáveis.4 O Comportamento não assertivo, segundo indicador clínico mais frequente neste estudo, pode ser definido como um comportamento inapropriado expresso por insegurança, desconfiança, comunicação prejudicada e enfrentamento inadequado. Ele pode possuir influência familiar, cultural e social ou ser desenvolvido devido à percepção da necessidade de mudança para melhor convívio.5 A execução desse comportamento parece está diretamente relacionada com a autoestima do indivíduo, já que a habilidade social facilita a resolução de problemas interpessoais e promove a qualidade dos relacionamentos. **Contribuições para a Enfermagem: **Os dados obtidos podem contribuir para uma maior compreensão da manifestação dos diagnósticos de enfermagem Baixa autoestima crônica e Baixa autoestima situacional em adultos com humor deprimido, a partir da identificação precoce dos sinais e sintomas mais importantes para inferência diagnóstica. O reconhecimento dos diagnósticos de enfermagem possibilita uma melhor elaboração e implementação do plano de cuidados pelo enfermeiro. Portanto, o uso de instrumentos que permitam a identificação dos diagnósticos de enfermagem na prática clínica, além de favorecer a qualidade do cuidado, pode otimizar a recuperação do paciente, reduzindo sua estadia no ambiente terapêutico.
Referências: 1. Silva MJ, Sousa EM, Freitas CL. Formação em enfermagem: interface entre as diretrizes curriculares e os conteúdos de atenção básica Rev. Bras. Enferm [online]. 2011 [acesso 2015 Mar 13] ; 64(2):71-9. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1590/S0034-71672011000200015
2. Niemeyer F, Silva KS, Kruse MHL. Diretrizes Curriculares de Enfermagem: governando corpos de enfermagem. Texto Contexto Enferm. 2010 Out-Dez; 19(4):767-73.
3. Ferreira-Sae MC, Soutello ALS, Ribeiro SA. A importância do ensino da saúde do idoso na graduação em enfermagem: uma visão discente. Ensaios e Ciencia: C Biologicas, Agrarias e da Saúde. 2008; 12(1):19-29.
4. Farias RG, Santos SMA. Influência dos determinantes do envelhecimento ativo entre idosos mais idosos. Texto Contexto Enferm [online]. 2012 [acesso 2015 Mar 6]; 21(1):167-176. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/tce/v21n1/a19v21n1.pdf
5. Amaral FLJS, Guerra RO, Nascimento AFF, Maciel ACC. Apoio social e síndrome da fragilidade em idosos residentes na comunidade. Ciência & Saúde Coletiva. 2013; 18(6):1835-46. |