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8444880 | INCUBADORA DE APRENDIZAGEM: AMBIENTE ESTIMULADOR E RENOVADOR DO CUIDADO | Autores: Cristina dos Santos de Freitas Rodrigues ; Betina Pereira Horbe ; Roberta Dalenogare Rodrigues ; Tanise Pereira Santini |
Resumo: **Introdução: **O ato de higienizar as mãos é conhecido mundialmente, sendo ainda a prática mais eficaz para reduzir os índices de infecções cruzadas em ambientes hospitalares. A organização mundial de saúde estabelece que a higienização das mãos seja praticada em todos os ambientes de saúde. Esse processo ganhou força, a partir do ano 2004, sobretudo no Brasil, com a política de segurança do paciente1. No sentido de contribuir para a qualificação profissional, em serviço, criou-se a Incubadora de Aprendizagem, espaço em que estudantes da área da saúde, profissionais do hospital, pacientes, acompanhantes, recebem capacitações, para que determinado assunto, seja transformado em ideias e ações preventivas e agregadoras no contexto hospitalar. O contexto da palavra incubadora surgiu na década de 70 pela primeira vez nos Estados Unidos, com a associação da incubação às empresas. O uso foi um estimulo ao empreendedorismo, oportunizando para os jovens amadurecerem os seus negócios. Na área da saúde, principalmente no campo da enfermagem, essa ferramenta ainda é incipiente, mas promissora2. Diante do exposto, **objetivou-se** promover processo de sensibilização sobre a higienização das mãos por meio da Incubadora de Aprendizagem, para num segundo momento avaliar as contribuições da Incubadora como ferramenta indutora de novas tecnologias. **Metodologia**: Trata-se de um estudo exploratório-descritivo, de abordagem qualitativa construtivista, realizado em um hospital de médio porte, localizado na região central do Rio Grande do Sul. O processo de sensibilização e de coleta de dados sobre a higienização das mãos foi realizado ao longo do segundo semestre de 2017. Com base em encontros temáticos e análise dos indicadores de infecção hospitalar decidiu-se, em parceria com a gerente de Enfermagem do Hospital Casa de Saúde, desenvolver um processo de sensibilização, por meio da Incubadora de Aprendizagem, sistematizado em duas etapas. A primeira etapa foi constituída por um diário de campo com dados informativos coletados a partir de blitz de observações nas unidades do hospital, no sentido de verificar se os profissionais higienizavam as mãos antes, durante e após contato com o paciente. A segunda etapa constituiu na análise dos dados iniciais, para num momento subsequente realizar o processo de sensibilização. Nessa análise verificou-se que todos os colaboradores reconhecem a importância da higienização das mãos, contudo, nem sempre efetivam-na em sua prática do dia a dia. Com base nestas constatações, optou-se por realizar um _ateliê_ com foco na higienização das mãos, no decorrer de uma semana, a fim de contemplar o maior número de colaboradores. Para tanto, foi montado um túnel, no corredor central do hospital, o qual reservava a caixa da verdade, cartazes com expressões reflexivas, uma equipe de profissionais para a coletas de _Swab_, dentre outras surpresas. Após este processo, foram realizados grupos focais, na Incubadora de Aprendizagem, com todos os colaboradores que haviam participado ativamente de todas as atividades propostas para o período. Sendo assim, 59 colaboradores enquadraram-se nos critérios de inclusão, quais sejam: ter participado ativamente das diferentes atividades sobre a higienização das mãos e ser colaborador, na instituição, entre dois e seis meses. Os participantes foram divididos em três grupos focais nos três turnos de trabalho, manhã, tarde e noite. A técnica de grupo focal foi realizada no espaço da Incubadora de Aprendizagem com sessões de nove participantes e duração de cerca de uma hora. As questões que nortearam as discussões grupais foram: Qual a importância da higienização das mãos no ambiente hospitalar? Que sugestões você daria para a Comissão de Controle de Infecção Hospitalar e Comissão de educação permanente, para que ocorra uma maior conscientização dos profissionais em relação à importância da higienização das mãos? Após esse processo, o que você pretende fazer diferente em seu local de trabalho? As discussões gravadas e transcritas foram submetidas à análise de conteúdo temática3. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa sob o 1.210.406. **Resultados**: Da análise dos dados coletados pela técnica de grupo focal resultaram três categorias, quais sejam: Importância da higienização das mãos no ambiente hospitalar; Mudança de atitudes pessoais e profissionais após sensibilização e Estratégias para a qualificação do processo de higienização das mãos. Os colaboradores, em geral, reconhecem a importância da higienização das mãos no ambiente hospital, embora nem sempre esta prática se efetive em suas práticas diárias. Ao mesmo tempo em reconhecem-na como prática preventiva para a proliferação de micro organizamos para os pacientes, mas também medida auto protetiva. A metodologia utilizada, repercutiu em mudança de atitudes pessoais e profissionais, e também possibilitou uma autorreflexão e análise crítica do próprio pensar e agir profissional. Percebe-se, que as estratégias elencadas pelos colaboradores não se constituem em grandes investimentos profissionais e institucionais, mas no repensar de atitudes e das metodologias de intervenção. **Conclusão: **Conclui-se que o processo de sensibilização sobre a higienização das mãos, por meio da Incubadora de Aprendizagem, se constitui em estratégia metodológica participativa e interativa, capaz de possibilitar o (re)pensar de condutas e posturas profissionais e, dessa forma, ampliar a adesão à higienização das mãos. Os resultados deste estudo, em suma, não podem ser generalizados, considerando que o processo foi desenvolvido em apenas uma instituição hospitalar. Sugere-se a realização de novos estudos na área, com a inserção de novas metodologias de intervenção. **Contribuições/implicações para a Enfermagem**: Os resultados deste estudo demostram, que a não higienização das mãos está associada, frequentemente, a mecanização do fazer profissional. Nessa relação, o profissional acaba por reproduzir as práticas cotidianas, tornando-se objeto de seu trabalho e, por vezes, agindo de forma impensada. Sendo assim, é fundamental que se invista em estratégias de sensibilização profissional, por meio de incubadoras de aprendizagem.
Referências: 1. Brasil. Ministério da saúde. Secretaria de vigilância em saúde. Programa nacional de DST e aids. Recomendações para terapia antirretroviral em adultos infectados pelo HIV. 7 ed. Brasília: Ministério da saúde, 2008.
2. Catoia1 EA. Mesquita TR. Mesquita ER. Lopes LM. Reis RK. Camargo RAA. Villa TCS. Monroe AA. O processo de ensino e aprendizagem de estudantes de enfermagem sobre o manejo do HIV/aids. Rev. Eletr. Enf. [Internet]. 2015 jul./set.;17(3). Disponível em: http://dx.doi.org/10.5216/ree.v17i3.26914
3. Abric JC. A abordagem estrutural das representações sociais. In: Moreira ASP, Oliveira DC, organizadores. Estudos interdisciplinares em representação social. 2ed. Goiânia (GO): AB Ed; 2000. p.27-8. |