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SENADEn - ISSN: 2316-3216 || SINADEn - ISSN: 2318-6518 • ISSN: 2318-6518
Resumo: 7968573

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7968573

EFEITO DO ACOMPANHAMENTO POR TELEFONE NA RECUPERAÇÃO CIRÚRGICA DE IDOSOS FACECTOMIZADOS: ESTUDO RANDOMIZADO CONTROLADO

Autores:
Tallita Mello Delphino ; Raquel Dantas Vaqueiro ; Priscilla Alfradique de Souza ; Maria Carolina dos Santos Xavier ; Rosimere Ferreira Santana

Resumo:
**Introdução: **À medida que se envelhece aumenta-se a vulnerabilidade dos idosos às doenças comuns ao envelhecimento, dentre elas a catarata, que consiste na opacidade parcial ou total do cristalino (1). Esse quadro é passível de reversão por intervenção cirúrgica apropriada, denominado facectomia, também conhecida como cirurgia de extração de catarata. O aumento na realização de cirurgia de facectomia traz necessidade de estratégias que auxiliem no seguimento pós-operatório e minimização de complicações (2).  Dentre essas estratégias destacam-se o uso do acompanhamento por telefone, vídeo conferência e mensagens de celular (3,4).  Estudos apontam que o acompanhamento por telefone esteve relacionado à continuidade dos cuidados, oferecendo ensino e orientações pertinentes no pós-operatório, conforme necessidade de cada paciente (3,4). Ao considerar a vulnerabilidade dos idosos a ocorrência de possíveis complicações pós-operatórias, definiu-se como itens de investigação os componentes do diagnóstico de enfermagem Recuperação cirúrgica retardada, proposto pela NANDA-I. **Objetivo:** Comparar a incidência do diagnóstico de enfermagem recuperação cirúrgica retardada ao longo de quatro semanas no grupo acompanhado por telefone e no grupo controle.   **Descrição Metodológica:** Estudo clínico randomizado cego para avaliação da efetividade do acompanhamento por telefone pela enfermeira na recuperação cirúrgica de idosos em pós-operatório de extração de catarata. Ressalta-se que o estudo segue as recomendações da Declaração CONSORT/2010. A amostra do estudo consistiu em 95 participantes idosos com 60 anos ou mais de idade, em pré-operatório de cirurgia de catarata, provenientes do serviço de oftalmologia de dois hospitais localizados no município de Niterói-RJ, e que possuíssem telefone celular ou fixo disponível para o contato pela enfermeira, sendo estes os _critérios de inclusão no estudo_. Como _critérios de exclusão:_ pacientes com diagnóstico de demência declarado; ou com déficit auditivo sem acompanhante que pudesse receber as intervenções por telefone; pacientes submetidos a cirurgias para tratamento de complicações cirúrgicas prévias; pacientes sem acompanhante ou familiar que pudesse receber as informações caso necessário. E como c_ritérios de descontinuidade:_ atender menos de 75% das chamadas telefônicas e não disponibilizar tempo para as orientações ao telefone. A amostra foi determinada mediante cálculo amostral proposto por Pocock 1983(4) e dividida em dois grupos Experimento e Controle, de forma randomizada. O grupo Experimento teve acesso ao tratamento convencional e à intervenção acompanhamento por telefone no período das 04 semanas, realizada pela enfermeira pesquisadora através de um instrumento de ligação semi-estruturado contendo perguntas sobre a recuperação pós-operatória e orientações referentes aos cuidados em domicílio obtidos segundo revisão sistemática da literatura. Esse acompanhamento ocorreu nos dias referentes ao D1 de pós-operatório (primeira ligação efetuada para o contato inicial); D4 de pós-operatório (segunda ligação); D10 de pós-operatório (terceira ligação) e D20 de pós-operatório (quarta ligação), como orientado pela literatura. As ligações foram realizadas na sala de telemonitoramento localizada no prédio da Escola de Enfermagem Aurora de Afonso Costa da Universidade Federal Fluminense, durante a semana, no horário de 8 às 18h. O grupo controle teve acesso ao tratamento convencional sem o acompanhamento por telefone. Contudo, para tornar os participantes dos grupos Experimento e Controle mais homogêneos possíveis em relação às orientações recebidas, elaborou-se um folheto educativo com as principais orientações e cuidados no pós-operatório de cirurgia de catarata. A mesma foi distribuída tanto para grupo Experimento como para o Controle no momento da internação. Os dois grupos foram avaliados no ambulatório de oftalmologia por examinadores no decorrer de 04 semanas, conforme as datas de retorno dos pacientes às consultas médicas, utilizando um instrumento de avaliação para identificação do desfecho: ausência do diagnóstico de enfermagem recuperação cirúrgica retardada. Por isto, elencou-se preferencialmente a avaliação dos participantes para os dias correspondentes ao D1 (primeiro dia de pós-operatório/ primeira avaliação de Recuperação cirúrgica retardada), D7 (sétimo dia de pós-operatório/ segunda avaliação de Recuperação cirúrgica retardada) e D30 (trigésimo dia de pós-operatório/terceira avaliação de Recuperação cirúrgica retardada), ou ao dia mais próximo destas datas quando em caso de feriado e finais de semana. A pesquisa foi submetida ao Comitê de Ética e Pesquisa do Hospital Universitário sob o parecer de nº 791.556. **Resultados: **O efeito da intervenção acompanhamento por telefone, realizado pela enfermeira, apresentou diferença significativa na recuperação cirúrgica dos pacientes do grupo experimento quando comparados aos pacientes do tratamento convencional.  Na primeira avaliação houve ausência dos desfechos analisados em ambos os grupos. Na segunda avaliação, a ocorrência de recuperação cirúrgica retardada foi de 36,2% no grupo Controle e de 6,3% no grupo Experimento (p-0,000). Ou seja, o grupo controle apresentou maior ocorrência de recuperação cirúrgica retardada, com chances oito vezes maiores de apresentar complicações (OR=0,118; IC=0,032;0,437) na segunda avaliação, realizada no sétimo dia de pós-operatório. Isso indica que o acompanhamento por telefone pode proteger fortemente contra retardo na recuperação cirúrgica. Constatou-se também que o acompanhamento por telefone auxilia fortemente os pacientes na redução de chances de ocorrências de Evidência de interrupção na cicatrização da área cirúrgica (p-0,000);  Relato de desconforto (p-0,001); Dor (p-0,003); Sentimento pós-operatório de ansiedade (p-0,000), Sentimento pós-operatório de preocupação(p-0,031), e Infecção pós-operatória no local da cirurgia (p-0,000).  A ocorrência dessas características definidoras e fatores relacionados são significativamente menores no grupo experimento.  **Conclusão: **A intervenção acompanhamento por telefone mostrou-se significativa para a recuperação cirúrgica do grupo Experimento em comparação ao grupo Controle, principalmente na segunda avaliação, onde a ocorrência de recuperação cirúrgica retardada foi significativamente maior no grupo Controle em relação ao grupo Experimento. Levando a concluir que os pacientes em pós-operatório de facectomia que são acompanhados por telefone têm chances significativamente reduzidas de apresentarem retardo na recuperação cirúrgica. **Implicações para a Enfermagem: **Acredita-se que o acompanhamento por telefone realizado pelo enfermeiro, a pacientes em pós-operatório de facectomia, pode ser uma estratégia eficiente para seguimento pós-operatório e prevenção de complicações. Para os idosos, as orientações repassadas via telefone são capazes de aumentar a adesão ao tratamento, promover melhorias clínicas e recuperação cirúrgica no menor tempo possível, como também melhorar a independência e autonomia desse idoso. Para a sociedade/comunidade também pode contribuir com a redução dos custos hospitalares, ao evitar reinternações por complicações pós-operatórias, o que geraria mais gastos a instituição. Sendo assim, em estudos posteriores, recomenda-se a avaliação do custo-efetividade do acompanhamento por telefone para  idosos a submetidos à facectomia.


Referências:
1-Pereira CSF, Tavares CMM. Significado da modalidade de preceptoria no âmbito da residência multiprofissional em saúde num Hospital Universitário. Rev Cubana Enferm. 2016: 32(4). 2- Tavares PEN, Santos SAM, Comassetto I, Santos RS, Santana VVRS. A vivência do ser enfermeiro e preceptor em um hospital escola: olhar fenomenológico. Rev Rene, 2011; 12(4):798-807. 3-Bezerra TCA, Falcão MLP, Felisbelo E. Avaliação de programas de formação profissional em saúde: construção e validação de indicadores. Trab. educ. saúde 2016.14(2):445-72.