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SENADEn - ISSN: 2316-3216 || SINADEn - ISSN: 2318-6518 • ISSN: 2318-6518
Resumo: 7902263

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7902263

A INFLUÊNCIA DAS DIRETRIZES CURRICULARES NACIONAIS PARA A FORMAÇÃO EM ENFERMAGEM

Autores:
Emerson Glauber Abreu dos Santos ; Marília de Fátima Vieira de Oliveira ; Jessika Cardoso de Souza ; Daniela Maria Nantes Boução ; Remo Rodrigues Carneiro

Resumo:
**Introdução:** As Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de graduação de Enfermagem (DCN) foram pela Câmara de Educação Superior do Conselho nacional de Educação na resolução CNE/CES Nº 3, de 7 de Novembro de 20011. Constituem orientações que devem ser adotadas pelos cursos de graduação, e asseguram a utilização de novas de ensino, abandonando antigas concepções educacionais, organizações curriculares e metodologias de ensino, voltando o preparo profissional para uma abordagem reflexiva e integrada ao Sistema Único de Saúde (SUS)2. Segundo sua resolução, no Art. 2º as DCN tem função de estabelecer quais os princípios, fundamentos, condições procedimentos da formação em enfermagem, entretanto, é bastante flexível e permite às Instituições de Ensino Superior (IES) a construção de seu currículo e de seus Projetos Políticos Pedagógicos (PPP) voltando-os para uma formação regionalidade, como preconizado pelas DCN1. **Objetivo: **Descrever as evidencias científicas disponíveis na literatura sobre as influências das diretrizes curriculares sobre a formação dos cursos de enfermagem. **Descrição metodológica: **Trata-se de uma Revisão Integrativa da Literatura. Foi elaborada a questão norteadora: Como a literatura científica descreve a influência das diretrizes curriculares nacionais para formação dos cursos de enfermagem? Para realizar a busca e amostragem na literatura, a seleção dos artigos foi realizada no site da Biblioteca Virtual de Saúde (BVS), com a utilização dos descritores Enfermagem e Currículo e a palavra-chave Diretrizes Curriculares Nacionais. A escolha desta palavra-chave se deve à falta de um descritor especifico para esse tema. Como critérios de inclusão foram selecionados os filtros de artigos, publicados no período de 2011 à 2015, com texto completo disponível. Foram excluídos da pesquisa artigos duplicados, para isso foram selecionados primeiramente os que estavam na base de dados BDENF e excluídos os duplicados de outras bases de dados. Para a extração dos dados dos artigos foi utilizado um instrumento previamente elaborado, com o intuito de identificar os autores, Título, Objetivo, Amostra, Método de análise, principais resultados, principais conclusões. Durante a análise dos dados foram criadas 5 categorias de acordo com os resultados encontrados: A influência na formação em Enfermagem, A utilização de Metodologias Ativas, Problemas identificados, A capacitação do Docente, As Diretrizes Curriculares e a integração com o Sistema Único de Saúde. **Resultados**: A amostra final foi constituída por 19 artigos dos quais 8 foram extraídos da bases de dados LILACS, 6 da BDENF e 1 da MEDLINE. Quanto a primeira categoria identificada “A influência na formação em Enfermagem” verifica-se que a implementação das DCN influenciou a formação dos cursos de enfermagem voltando-os para a atenção básica e melhorando sua percepção das políticas de saúde. As DCN exigem a formação de profissionais com capacidades de reflexão crítica, realizando análise dos problemas sociais e buscando soluções para desenvolver uma formação que direcione o aluno para uma atuação crítico-reflexiva, capacitado a atuar na atenção à saúde, superando a visão de um aluno que só adquire conhecimento e habilidades. A segunda categoria “A utilização de Metodologias Ativas” demonstrou que com a exigência de competências do enfermeiro, ocorreu mudança da estrutura pedagógica com a aplicação de metodologias ativas, já que o ensino tradicional não alcançava com êxito tais exigências, e agora, nessa nova forma de fazer formação de enfermagem, atende a necessidade da interdisciplinaridade. Para desenvolvimento da construção do conhecimento dos alunos, as universidades têm utilizado metodologias ativas, como o ensino problematizador, para centrar o aluno na atuação ativa de seu desenvolvimento técnico-científico, assim como a sua participação em discussões sobre saúde e estimular as relações interpessoais. A categoria “Problemas identificados” revelou que mesmo que as DCN queiram que as universidades formem enfermeiros com capacidade de liderar, as universidades têm falhado, pois o aluno é posto em situação passiva para essa competência, sendo exigida a liderança somente no último ano da universidade. Outros problemas foram identificados nas universidades, como falha na determinações de conceitos, tais como o homem, o enfermeiro, o educador, o educando e o processo saúde-doença, tal falha atrapalha o bom desenvolvimento do Projeto Pedagógico de Curso. Quanto a categoria “Capacitação Docente” observou-se que a competência para um ensino que acrescente uma perspectiva político-social para o aluno encontra-se ausente em alguns docentes, mesmo os que obtêm títulos de mestrado e doutorado. Tal acontecimento pode ser explicado pela formação deste docente, que absorve, de forma indireta ou não, conceitos, posições políticas e esquemas cognitivos que influenciaram a sua formação docente. As DCN1 instituem, no Art. 4º inciso VI, que o enfermeiro deve ter compromisso com a sua educação e a formação dos futuros profissionais de enfermagem, porém a falta de capacitação do docente tem interferido no desempenho do ensino, que está relacionada a indisponibilidade de tempo que o docente tem para com a Instituição que o emprega devido a contração com horário parcial, como ocorre em IES privadas, e devido a essa condição, a universidade tem dificuldade de encontrar um momento para capacitar esse docente. O problema da incapacidade do docente em lecionar em ambiente do SUS reflete na falta de aproximação do aluno frente a realidade do serviço, esse distanciamento provoca o oposto do esperado pelas DCN, levando a formação de um profissional despreparado para a atuação que não entende a realidade do serviço. Na categoria “As Diretrizes Curriculares e a integração com o Sistema Único de Saúde” foi identificado que as DCN permitem a autonomia e a flexibilidade acadêmica das IES para a formação de seu currículo e suas propostas pedagogias, e direcionam para a realidade dos serviços de saúde do SUS em âmbito regional, considerando as influências do contexto sociopolítico-cultural. Alguns problemas surgem com a integração do SUS à IES, como o fato de que o aumento do número de universidades tem gerado dificuldade pelo número limitado de campos de prática. Outro problema identificado foi o distanciamento da teoria com a realidade dos campos de prática, assim como a resistência dos serviços de receber os alunos. **Conclusão: **Podemos observar que nos diversos estudos analisados há a existência de benefícios trazidos pelas Diretrizes Curriculares Nacionais, melhorando a forma de construção dos cursos de graduação em enfermagem, promovendo profissionais cada vez mais capacitados para desenvolver um serviço capaz de atender com qualidade os problemas individuais e coletivos da população. Entretanto, os limites do SUS identificados nos estudos tem atrofiado o ensino em enfermagem, incapacitando a plena formação generalista, pois cria brechas nas vivencias dos alunos **Implicações para a enfermagem:** Foram identificadas lacunas do conhecimento, pois a produção cientifica não apresenta de forma ampla a influência das DCN em ambientes hospitalares.


Referências:
1FRANÇA FCV, MELO MC, MONTEIRO SNC, GUILHEM D. O processo de ensino e aprendizagem de profissionais de saúde: a Metodologia da Problematização por meio do Arco de Magueres. 1. ed. Brasília: Universidade de Brasília, Faculdade de Ciências da Saúde; 2016. 2PÜSCHEL VAA et al. O enfermeiro no mercado de trabalho: inserção, competências e habilidades. Rev Bras Enfermag. 2017;70(6):1288-95. 3NETO JMB et al. A formação do profissional enfermeiro e o mercado de trabalho na atualidade. Rev Eletr Gestão & Saúde. 2014;5(1):176-93. 4Vieira MA, Domenico EBL. Construção e validação de instrumento para avaliação de egressos de cursos de graduação em enfermagem. (Tese de Doutorado). São Pulo: Universidade Federal de São Paulo; 2014. 5Universidade Federal de Juiz de Fora. Faculdade de Enfermagem da Universidade Federal de Juiz de Fora. Projeto Político Pedagógico do Bacharelado em Enfermagem. Juiz de Fora: Universidade Federal de Juiz de Fora, 2014.