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7535774 | PADRONIZAÇÃO DE LINGUAGEM: CARACTERIZAÇÃO DE PUBLICAÇÕES NO ESTRATO QUALIS CAPES A1 DE ENFERMAGEM NO BRASIL | Autores: Rosilda Veríssimo Silva |
Resumo: Introdução: A padronização de linguagem em enfermagem permite aos
profissionais desenvolver o cuidado com precisão, o que se relaciona à
manutenção da segurança do paciente. A solidificação do conjunto de
conhecimentos de uma profissão se sustenta com a divulgação e reconhecimento
na sociedade dessas peculiaridades. Os periódicos científicos são anualmente
avaliados quanto a qualidade por um comitê de consultores especializados,
sendo o estrato A1 de amplitude nacional e internacional. A partir dessa
compreensão pergunta-se quais são as publicações de Enfermagem no estrato
Qualis A1 no período de 2012-2016 cujo foco foi a padronização de linguagem?
**Objetivo**: analisar nas publicações de enfermagem em periódicos de alto
impacto os sistemas e linguagem padronizada para o processo de cuidado
profissional no quinquênio 2013 a 2017. Especificamente identificar nas
produções de enfermeiros as investigações que abordam os modelos de linguagem.
**Método**: Pesquisa descritiva qualitativa realizada entre 20 e 23 de janeiro
de 2018 com levantamento da classificação dos periódicos nacionais de
enfermagem Qualis Capes A1, na Plataforma Sucupira em sua última avaliação,
disponibilizada no endereço eletrônico da Coordenação de Aperfeiçoamento do
Pessoal de Nível Superior; busca de registros no portal eletrônico dos
periódicos selecionados usando o descritor diagnostico de enfermagem.
Elaboração de planilhas focalizando objetivos, método, padronização de
linguagem envolvida e resultados. Os artigos foram numerados sequencialmente
conforme o ano de publicação. **Resultados**: foram identificados 182
periódicos sendo a Revista Latino-americana de Enfermagem estratificada como
A1 em enfermagem. No portal eletrônico do periódico obteve-se 93 artigos e
desses foram analisados os 31 publicados nos últimos cinco anos. Houve
concentração das publicações em estudo nos anos de 2015 e 2017, sendo oito
artigos por ano. As nomenclaturas da NANDA Internacional foram o foco de 28
trabalhos; três artigos abordam os diagnósticos da Classificação Internacional
de Práticas de Enfermagem; dois artigos discutem o processo de enfermagem como
instrumento para o raciocínio crítico no ensino, avaliação de desempenho e
qualidade técnica de um sistema eletrônico de documentação do processo de
enfermagem. Entre os estudos que utilizaram a NANDA-I houve a proposta de um
novo conceito para o diagnóstico ‘desenvolvimento infantil’; a elaboração do
diagnostico para recém-nascidos internados em unidade de terapia intensiva por
septicemia relacionando as características definidoras e fatores relacionados
com os bebês e às mães. Estudo em registros de enfermagem levantou a
prevalência de diagnostico ‘risco de queda’ entre 174 adultos internados em
clinica médico cirúrgica destacando os fatores de risco. Foram validados os
conceitos dos diagnósticos: ‘risco de aspiração’ em pacientes internados
devido a acidente vascular cerebral e ‘risco de débito cardíaco diminuído’.
Para o desenvolvimento das características definidoras do diagnostico
‘conflito no desempenho do papel de mãe’ a partir do estudo com mães de recém-
natos internados em unidades de terapia intensiva foram identificadas cinco de
alta acurácia. Estudo com pacientes com doença renal em tratamento
hemodialítico validou a azotemia como característica definidora 100% sensível
e especifica , seguida de redução de hematócrito para o diagnóstico de
‘excesso de volume líquido’ naqueles pacientes. Na mesma perspectiva de
estudo, crianças internadas com infecção respiratória aguda apresentam
hipoxemia, respiração anormal, agitação e cianose como as mais sensíveis e
específicas características do diagnóstico ‘troca de gases prejudicada’.
‘Padrão respiratório ineficaz’ e ‘ventilação espontânea prejudicada’ como
diagnósticos tiveram as características definidoras avaliadas ao se manifestam
em pacientes adultos internados em unidade de terapia intensiva em uso de
oxigenioterapia. Ainda sobre características definidoras foram estudados, por
meio de revisão integrativa, os conceitos de cada característica e fator
relacionado ao diagnóstico ‘dor aguda’. ‘Falta de adesão’ em pessoas com HIV
teve como característica definidora de maior acurácia ‘falta a compromissos
agendados’. Pautados na Classificação Internacional das Praticas de Enfermagem
foram desenvolvidos 11 diagnósticos com idosos em seus domicílios; ‘ansiedade
da hospitalização em crianças’ foi o foco do estudo 2015.5. A construção e a
validação de 33 diagnósticos para pessoas em cuidados paliativos foi foco na
pesquisa 2017.6, que apontou lacunas no processo de cuidar dos sujeitos
vivenciando a proximidade da morte. Abordando os resultados e as intervenções
de enfermagem, ‘mobilidade física prejudicada’ foi estudada quanto a validade
de cinco resultados, a partir da análise da evolução de 21 pacientes em pós-
operatório de artroplastia total de quadril. Nível de dor não mostrou forte
evidencia de resultado aplicável para tais sujeitos. Adultos com cirrose
hepática tiveram sete diagnósticos de enfermagem de alta acurácia e 70
intervenções pesquisadas. Além delas foram destacadas cinco outras
intervenções não enumeradas na padronização em estudo. Três trabalhos
abordando o processo de enfermagem envolveram a tradução e adaptação cultural,
para auxiliar no desenvolvimento do pensamento crítico e suporte para ensino
dos diagnósticos; a avaliação da performance técnica e funcional de um sistema
eletrônico de documentação do processo de enfermagem. Também a implantação de
instrumento utilizando os três padrões de linguagem em documentos de
instituições publicas e privadas em uma cidade do país basco. **Discussão**: O
processo de enfermagem é uma ferramenta para a sistematização do cuidado com o
sujeito, família e ou comunidade. No Brasil segue determinações legais e está
organizado em cinco etapas inter-relacionadas e se constitui elemento
primordial para o desenvolvimento dessa profissão do cuidado. Requer o uso de
habilidades comunicacionais, técnicas e cognitivas, sendo o raciocínio critico
um importante elemento para coletar dados, analisá-los e propor
encaminhamentos para a resolução dos problemas de saúde dos pacientes sob os
cuidados de enfermagem1,2. A padronização de linguagem tem sido abordada há
mais de três décadas na literatura específica. Um dos objetivos de uso de
linguagem comum é facilitar a comunicação profissional quanto ao cuidado com
os usuários dos sistemas de saúde em diferentes áreas geográficas. Nessa
perspectiva facilita comparações das práticas de enfermagem para o núcleo
profissional e entre os demais campos técnicos. Ainda, o uso de um sistema
partilhado colabora no aprimoramento e avaliação da assistência de enfermagem,
na pesquisa e no ensino2,3. Para isso o processo de enfermagem, como método
científico de resolução de problemas, precisa ser documentado utilizando
termos padronizados. Três linguagens são reconhecidas para tal: as
terminologias propostas pela Associação Americana de Enfermagem dos
diagnósticos desenvolvidos pela Nanda Internacional, a Classificação das
Intervenções de Enfermagem e a Classificação dos Resultados de Enfermagem3.
Em função do desenvolvimento das nomenclaturas, estudiosos vêm aprimorando os
conceitos dos diagnósticos, características e etiologias para subsidiar as
ações de cuidado de enfermagem. Estudos de acurácia evidenciam o quão
verdadeiro é o valor do diagnóstico de enfermagem, da característica ou do
fator relacionado apresentado no estudo. Investigações abordando a validade
das intervenções e dos resultados ampliam a visibilidade da ciência do cuidado
quando publicações em veículos de alto impacto. Destaque-se que favorecem a
divulgação, acesso e o desenvolvimento dos sistemas de linguagem e da
profissão.
Referências: (1) Costa Aguiar, B. G., Soares, E., Costa da Silva, A, A. Evolução das Centrais de Material e Esterilização: História, Atualidades e Perspectivas para a Enfermagem. Revista Electrônica Cuadrimestral de Enfermería nº15, fevereiro de 2009. (2) Tonelli, S. R.; Lacerda, R. A. Refletindo sobre o cuidar no Centro de Material e Esterilização Revista SOBECC. (3) Jericó, M. C., Castilho, V. Gerenciamento de custos: aplicação do método de Custeio Baseado em Atividades em Centro de Material Esterilizado Rev. Esc. Enfermagem USP 2010; 44(3):745-52. (4) Souza M. C. B., Ceribelli M.I.P.F. Enfermagem no centro de material esterilizado - a prática da educação continuada. Rev. Latino-am Enfermagem 2004 setembro-outubro; 12(5):767-74. (5) Taube, S. A. M., Labronici, L. M., Maftum, M. A., Méier, M. J. Processo de trabalho do enfermeiro na central de material e esterilização: percepção de estudantes de graduação em enfermagem. Cienc. Cuid. Saúde 2008 Out/Dez; 7(4):558-564. |