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SENADEn - ISSN: 2316-3216 || SINADEn - ISSN: 2318-6518 • ISSN: 2318-6518
Resumo: 7441299

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7441299

EMPODERAMENTO DE MULHERES NOS ESPAÇOS COTIDIANOS

Autores:
Michelle Kuntz Durand ; Joanara Rozane da Fontoura Winters ; Ivonete Teresinha Schülter Buss Heidemann ; Cláudia Cossentino Bruck Marçal ; Pamela Camila Fernandes Rumor

Resumo:
**Introdução:** As mulheres historicamente sofrem com o fenômeno social da desigualdade de gênero, que viola seus direitos humanos e lhes coloca em uma situação de vulnerabilidade. As condições de inferiorização vivenciadas pelas mulheres foram transformadas em práticas rotineiras de subordinação. Porém, a partir do empoderamento destas mulheres é possível que estas lutem contra a desigualdade de gênero (sexismo) e que contribuíram com a emersão de instrumentos de viabilização de direitos(1). Neste contexto, acredita-se que a atuação dos profissionais de saúde sobre a promoção da saúde das mulheres, oportuniza a criação de um espaço de diálogo, reflexão e empoderamento da mulher no seu cotidiano, para que estas assumam o controle sobre sua saúde, estabelecendo hábitos saudáveis e reivindicando seus direitos e o controle sobre os determinantes de sua saúde, de sua família e fortalecendo sua autonomia sobre o seu ser e seu viver(2). **Objetivo: **Conhecer as  práticas de empoderamento das mulheres em seus espaços cotidianos. **Descrição Metodológica: **Trata-se de um estudo de abordagem qualitativa, com caráter participativo, pautado no referencial teórico da Promoção da Saúde e desenvolvido por meio do Itinerário de Pesquisa de Paulo Freire, que compreende as seguintes etapas: investigação temática, codificação e descodificação e desvelamento crítico. O local da realização da pesquisa foi em um Centro de Saúde do município de Florianópolis, estado de Santa Catarina, no qual a Rede de Atenção Básica à Saúde está fundamentada na Estratégia de Saúde da Família – ESF. As participantes do estudo consistiram em doze mulheres, entre casadas e solteiras com faixa etária de 18 a 79 anos, no período entre maio e julho de 2011. O ambiente do Círculo de Cultura foi disposto de forma a que favorecesse o diálogo entre os sujeitos, auxiliares e mediador da pesquisa. Os sete temas geradores, que emergiram nos quatro círculos iniciais, foram codificados e descodificados através de dinâmicas e rodas dialógicas para posteriormente serem desveladas, permitindo às participantes um processo de ação, reflexão e ação de suas histórias de vida e seu papel social, com foco no empoderamento da mulher em seus espaços cotidianos. A pesquisa teve início após parecer da Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis e aprovação do projeto pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Santa Catarina CEP/ UFSC sob parecer nº 1133/11, FR 385731, em conformidade com a Resolução 466/12, do Conselho Nacional de Ética em Pesquisa. As participantes foram esclarecidas sobre os objetivos da pesquisa e assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). **Resultados:** De acordo com a proposta metodológica, os encontros aconteceram no interior do Círculo de Cultura, onde o processo de ação-reflexão-ação foi vivenciado pelas participantes durante o transcorrer do Itinerário de Pesquisa de Paulo Freire. Todos os encontros aconteceram no auditório do Centro de Saúde e com um número de seis a doze mulheres. Nesta etapa foram levantados o total de 45 temas os quais foram sendo debatidos e concomitantemente desvelados. Após esta primeira fase coletiva, onde os 45 temas foram expostos e refletidos, reduzimos para 23 temas de interesse do grupo. Destes, alguns foram sendo codificados, descodificados e desvelados no transcorrer dos encontros. O processo do desvelamento crítico foi ancorados no Referencial Teórico da Promoção da Saúde junto as concepções teórico-filosóficas de Paulo Freire, promovendo assim, um novo olhar das participantes frente as suas realidades. Como resultado, as temáticas investigadas foram desveladas neste estudo em três temáticas significativas: **Enfrentamento do problema:** Para se reconhecer e atender às necessidades das mulheres e promover o  seu empoderamento, se faz necessário ser  ouvida e acolhida valorizando o momento da consulta em serviços de saúde e construindo um vínculo com os profissionais(3). Neste espaço, quando os profissionais da saúde escutam e conversam, compartilham saberes e compreendem o contexto de vida dessas mulheres, como seres humanos dotados de direitos a viver uma vida encarando seus problemas com determinação e coragem.  Muitas vezes orientam suas ações para que as mulheres tomem consciência do problema(4).  **Jeito de Ser: **As mulheres consubstanciaram suas falas com o cuidado na ocupação cotidiana consigo mesma, relacionando o seu bem-estar ao enfrentamento dos seus problemas e consequente disposição para manterem suas atividades cotidianas. Ao se ocuparem consigo, também discursaram acerca das suas necessidades estruturais, inclusive financeiras, para o alcance do bem-estar, revelando assim as relações do seu cuidado com o mundo circundante. As participantes enfatizam que é intrínseco ao seu cotidiano o cuidar do outro, revelando preocupação com seus familiares, em especial, filhos, companheiros, netos e outros familiares próximos, o que deixa claro que essas mulheres não se desvencilham do ser-com e do seu a-gente, posto que “os ‘outros’ fazem parte do ser delas. **Cuidado com o outro: **Cuidar é mais que um ato; é uma atitude. [...] de ocupação, preocupação, de responsabilização e de envolvimento afetivo com o outro(5). Cuidado é muito mais do que zelar pelos entes queridos, ele acompanha o ser humano desde o seu nascimento, e passa por várias etapas da vida(5). Assim, as mulheres se percebem mais como cuidadoras, pois já está culturalmente intrínseco esse papel diante da sociedade, é o que se espera de toda a mulher, pois mesmo inseridas no trabalho ou economicamente mantenedora da casa ainda possuem o papel de mãe cuidadora e do lar. Portanto, as mulheres entendem que o Ser mulher é cuidar e compreender diferentes maneiras de cuidar. **Conclusão: **A necessidade das mulheres em dar significado as suas vidas, desenvolveram atitudes proativas de mudanças para enfrentar toda a adversidade oriunda do seu dia a dia, com isso constata que esse estudo embasado nos pressupostos de Paulo Freire conseguiu empoderar e dar autonomia a essas mulheres transformando suas vidas e os espaços que convivem. Essa abordagem metodológica oportunizou a reflexão das mulheres em relação as suas vidas e a mudança de postura frente as adversidades. Podemos também afirmar que as mulheres envolvidas nessa pesquisa desenvolverem o cuidado de si e para com o outro, a capacidade de enfrentamento e uma consciência crítica diante do seu papel na sociedade. **Contribuições para Enfermagem: **este estudo contribui para que os profissionais de saúde em suas ações educativas possam confluir com as questões de empoderamento feminino e que possam ser inseridas nos estudos e nas práticas diárias. O empoderamento da mulher não deve ser visto como algo comum e se tornar banalizado, deve haver uma construção coletiva, reforçando perspectivas históricas do feminismo.


Referências:
1. CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM (RJ). Resolução COFEN N. 358/2009, de 15 de outubro de 2009: Sistematização da Assistência de Enfermagem e a implementação do Processo de Enfermagem em ambientes, públicos ou privados, em que ocorre o cuidado profissional de Enfermagem. Brasília: COFEN; 2009. 2. Silva EGC, Oliveira VC, Neves GBC, Guimarães TMR. O conhecimento do enfermeiro sobre a sistematização da assistência de enfermagem: da teoria à prática. Rev Esc Enferm USP. 2011;45(6):1380-6.