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SENADEn - ISSN: 2316-3216 || SINADEn - ISSN: 2318-6518 • ISSN: 2318-6518
Resumo: 7200761

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7200761

VALIDAÇÃO TRANSCULTURAL DA CRITICAL THINKING DISPOSITION SCALE: RELATO DE EXPERIÊNCIA.

Autores:
Vilanice Alves de Araújo Püschel ; Franciane Silva Luiz

Resumo:
**Introdução: **Repensar os processos de formação na área da saúde tornou-se uma necessidade iminente na atualidade, tendo em vista a exigência por profissionais críticos e reflexivos. Percebe-se que tal exigência advém das necessidades da população, do rápido desenvolvimento tecnológico e do novo modelo de se fazer saúde, o qual se dá pautado na totalidade do indivíduo. Nesse cenário, por constituir grande parte da força de trabalho, a Enfermagem está fortemente inserida.1 Dessa maneira, reconfigurar o perfil desses profissionais para que se tornem capazes de reorientar a forma de se prestar assistência à saúde assegurar-se-á um cuidado livre de danos decorrentes de imperícia, negligência e/ou imprudência, e ainda, pautado na integralidade, na efetividade, na segurança e na qualidade.2  Ante o exposto, evidencia-se a relevância do pensamento crítico, por envolver habilidades e atitudes, fundamentais para a promoção do raciocínio clínico e para a tomada de decisão baseada em evidência.1 Nesse contexto, a atitude é compreendida como característica indispensável do pensamento crítico no que tange a formação de enfermeiros capazes de empregar habilidades que permitam a identificação dos problemas, a determinação de diagnósticos prioritários por meio de um julgamento clínico efetivo e por consequente uma eficaz tomada de decisão. Dessa forma, tendo em vista a importância do pensamento crítico no processo de formação de enfermeiros, assim como a inexistência de escalas validadas no Brasil que avalie o pensamento crítico, surge pois, a necessidade de um instrumento que avalie o pensamento crítico da Enfermagem para o ensino das habilidades e estímulo das atitudes para o pensamento crítico desses profissionais, no Brasil.3 O**bjetivos: **Relatar a experiência sobre o processo de tradução e validação transcultural do instrumento _Critical Thinking Disposition Scale _para o Português do Brasil. **Descrição metodológica:** Trata- se de um relato de experiência sobre o processo de tradução e validação transcultural do instrumento _Critical Thinking Disposition Scale _para o Português do Brasil. Para tanto realizou-se busca na literatura a fim de se determinar o instrumento a ser validado, assim como as etapas do processo de adaptação e validação transcultural de instrumentos. **Resultados:** O instrumento _Critical Thinking Disposition Scale_, assim como informações sobre o mesmo foram disponibilizadas pelo autor após contato via e-mail. O processo para adaptação e validação do instrumento foi determinado após busca na literatura, optando-se por eleger um autor para seguir de forma sistematizada e ordenada as etapas desse processo. No que se refere a _Critical Thinking Disposition Scale_, trata-se de um instrumento constituído por 11 itens que mede duas dimensões relacionadas à atitude para o pensamento crítico, a "Abertura Crítica" e "Ceticismo Reflexivo". A subescala de Abertura Crítica (7 itens), reflete a tendência de estar atento a novas ideias, realizar críticas na avaliação dessas ideias e modificar o pensamento diante evidências convincentes. Já a subescala de Ceticismo Reflexivo (4 itens) transmite a tendência de aprender com experiências passadas e de questionar evidências. Essas dimensões são necessárias para que o indivíduo tenha atitude para o pensamento crítico.4 Ao que tange o processo de adaptação e validação transcultural do instrumento, serão utilizadas as VI etapas propostas por Beaton (2000). Esse método, por ser frequentemente utilizado em outros estudos, foi elegido a fim de se padronizar, sistematizar e ordenar os dados dessa pesquisa. As etapas propostas pelo autor supracitado são: I) Tradução inicial: deverá ser realizado duas traduções (T1 e T2) para o Português do Brasil da versão original da _Critical Thinking Disposition Scale_, por dois brasileiros, de forma independentes e com domínio da língua inglesa. Para tanto, será entregue aos tradutores um instrumento com espaço adequado para a tradução, sugestões pertinentes e atribuição de uma nota que se remita ao grau de dificuldade ao traduzir. Ainda, esses tradutores terão conhecimentos diferentes a respeito do instrumento. Um estará ciente dos conceitos a serem examinados, visando uma tradução que abarque equivalência no ponto de vista clínico, já o outro tradutor, conhecido como tradutor ingênuo, não terá acesso às informações supracitadas a fim de se garantir uma tradução que reflita uma linguagem mais popular. 2) Síntese das traduções: será analisado a redação, o uso da linguagem coloquial e a equivalência semântica dos itens traduzidos pelos tradutores envolvidos na primeira etapa e por um observador. Então, os mesmos irão sintetizar o resultado das traduções, originando uma tradução comum (T12). 3) Retrotradução: a versão sintetizada será traduzida novamente para a língua original, por dois profissionais ingleses e com domínio língua portuguesa, de forma cega e independente, dando origem às retrotraduções (BT1 e BT2). 4) Revisão por um comitê: a versão original em inglês, cada tradução (T1 e T2), a versão sintetizada (T12) e as retrotraduções (BT1 e BT2), juntamente dos respectivos relatórios serão analisadas e comparadas por um comitê de especialistas, com o objetivo de desenvolver a versão a ser utilizada em pré-teste. O comitê deverá ser composto por profissionais de saúde, sendo seis enfermeiros e pesquisadores, dos quais três com conhecimento sobre a temática e três com conhecimento sobre a validação transcultural de instrumentos e pelos tradutores envolvidos. Essa etapa visa garantir as equivalências semântica, idiomática, experimental e conceitual entre a versão original e a versão alvo do estudo. Deve-se então haver consenso entre os especialistas e se preciso repetir as etapas I e III desse processo, o que justifica a presença dos tradutores no comitê. Então, a versão definida pelos especialistas será submetida a pré-testes para se analisar a compreensão e clareza da escala. V) Pré-teste: a versão pré-final do instrumento será aplicada a 30 estudantes do curso de enfermagem da UFJF. VI) Envio de documentação aos desenvolvedores ou comitê coordenador para avaliação do processo de adaptação: Todos os relatórios e traduções serão apresentadas a um comitê que irá verificar se as etapas propostas foram seguidas e se o instrumento atingiu uma tradução admissível.5 **Conclusão: **A formação de enfermeiros críticos, atores e transformadores dos cenários em que estão inseridos está intrinsicamente relacionada ao processo de formação dos mesmos. Instrumentos sobre o pensamento crítico validados no Brasil são necessários para a avaliação dessa ferramenta essencial para se prover uma assistência segura e livre de danos. Evidencia-se a necessidade de se padronizar o processo de adaptação e validação transcultural dos instrumentos. **Contribuições/implicações para a Enfermagem: **A validação da escala permitirá sua aplicabilidade no Brasil e por consequente a avaliação da atitude para o pensamento crítico em estudantes e profissionais de várias áreas.


Referências:
1.Medeiros RKS, Ferreira Júnior MA, Pinto DPSR, Vitor AF, Santos VEP, Bari E. Pasquali’s model of content validation in the Nursing researches. [Internet] Revista de Enfermagem Referência [cited 2017 Agu 08]. 2015. 127-135. Available from: http://dx.doi.org/10.12707/RIV14009 2. Carlson, J. Consensus validation process: a standardized research method to identify and link the relevant NANDA, NIC, and NOC terms for local populations. Int J Nurs Terminol Classif. 2006; 17(1): 24-4. 3. Azzolin K, Souza EN, Ruscel KB, Mussi CM, Lucena AF, Rabelo ER. Consenso de diagnósticos, resultados e intervenções de enfermagem para pacientes com insuficiência cardíaca em domicílio. Rev Gaúcha Enferm. [Internet],2012 [cited 2017 Agu 02];33(4):56-63. Available from: http://dx.doi.org/10.1590/S1983-14472012000400007 4. Dantas AMN, Silva KL, Nóbrega MML. Validation of nursing diagnoses, interventions and outcomes in a pediatric clinic. Rev Bras Enferm [Internet]. 2018[cited 2018 Mar 03];71(1):80-8. Available from: DOI: http://dx.doi.org/10.1590/0034-7167-2016-0647 5. Vieira MA, Ohara CVS, De Domenico EBL. The construction and validation of an instrument for the assessment of graduates of undergraduate nursing courses. Rev. Latino-Am. Enfermagem. [Internet], 2016 [cited 2017 Agu 12];24:e2710. Available in: DOI: http://dx.doi.org/10.1590/1518-8345.0834.2710