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SENADEn - ISSN: 2316-3216 || SINADEn - ISSN: 2318-6518 • ISSN: 2318-6518
Resumo: 7186400

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7186400

TREINAMENTO DE INFUSÃO DOMICILIAR PARA A PESSOA COM HEMOFILIA: UMA REVISÃO INTEGRATIVA DA LITERATURA

Autores:
Juliana Mitre da Silva ; Carla Renata da Silva Pacheco ; Mirian Fioresi

Resumo:
**Introdução: **A hemofilia é uma doença hemorrágica hereditária ligada ao cromossomo X, que consiste de uma deficiência ou anormalidade da atividade coagulante dos fatores VIII (hemofilia A) ou fator IX (hemofilia B). O tratamento consiste na infusão endovenosa do fator de coagulação deficiente para tratar ou prevenir episódios hemorrágicos (tratamento sob demanda ou tratamento profilático)1. No Brasil, em 1999, foi criado o programa de dose domiciliar, que tem como objetivo fornecer a pessoa com hemofilia dose de concentrado de fator de coagulação para auto infusão domiciliar, permitindo a participação ativa no tratamento. Segundo o Conselho Federal de Enfermagem, a prática da administração de medicamentos é uma responsabilidade do enfermeiro conforme decreto lei n0 94.406/87 e é permitida a execução desta prática pelo portador de hemofilia ou familiar quando o mesmo estiver cadastrado em um centro de tratamento de hemofilia, participar de reunião de esclarecimento sobre a inserção no programa e de treinamentos para aprender a aplicar o concentrado de fator por via endovenosa2. O paciente deve ser esclarecido para reconhecer precocemente os sinais e sintomas de complicações decorrentes da administração do fármaco em questão. O ensino deve ser direcionado ao conhecimento geral em hemofilia, reconhecimento de hemorragias, medidas de primeiros socorros, reconstituição do fator de coagulação, armazenamento e administração, técnicas assépticas para realização da punção, realização de registros no diário de infusão e armazenamento adequado das agulhas e objetos perfuro-cortantes3. **Objetivo:** Buscar na literatura dados sobre treinamento de infusão domiciliar do fator de coagulação para a pessoa com hemofilia. **Metodologia**: Para a elaboração da revisão integrativa as seguintes etapas foram percorridas: elaboração da pergunta norteadora e objetivo da revisão integrativa, estabelecimento de critérios de inclusão e exclusão dos artigos; definição das informações a serem extraídas dos artigos selecionados; análise dos resultados; discussão e apresentação4. Como forma de conduzir esta revisão foi formulada a seguinte questão norteadora: Quais as evidências disponíveis na literatura sobre treinamento de infusão domiciliar para o tratamento da pessoa com hemofilia? A busca pelas publicações foi realizada no mês de dezembro de 2017 a janeiro de 2018 nas bases de dados Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Medical Literature Analysis and Retrieval Sistem on-line (MEDLINE) e PubMed. Para o refinamento adequado dos artigos foi definida uma amostra, obedecendo aos seguintes critérios de inclusão: artigos publicados em português, inglês e espanhol; artigos completos na íntegra que retratassem a temática e artigos publicados e indexados nos últimos dez anos. Para o levantamento das publicações na base de dados (MEDLINE e LILACS) foram utilizados os Descritores em Ciências da Saúde (DeCS): “Hemofilia”, “Tratamento domiciliar”, “Cuidados de enfermagem”, “Administração intravenosa” e “Tecnologia educacional”. Na base PubMed foram escolhidos os descritores controlados do vocabulário MeSH (Medical Subject Headings), na língua inglesa: “Hemophilia”, “Home Infusion Therapy”, “Nursing care”, “Intravenous infusion”. Foram encontrados 378 artigos e, após análise, 26 artigos foram selecionados para leitura na íntegra sendo que destes, somente 06 artigos foram incluídos na amostra final por se adequarem aos critérios de inclusão. **Resultados**: Os artigos selecionados foram publicados entre 2009-2017, sendo que 33,3% datam de 2012, com predominância de estudos Holandeses. Os outros artigos são provenientes dos seguintes países: Irã (16,6%), USA (16,6%) e Inglaterra (16,6%). Dentre os artigos incluídos na revisão integrativa, 1 estudo é de autoria de médicos, 4 redigidos por médicos e enfermeiros e 1 artigo não foi possível identificar a categoria profissional de seus autores. Todos foram desenvolvidos em centros de tratamento de hemofilia, sendo 2 pesquisas realizadas de forma multicêntrica.  Quanto ao tipo de delineamento de pesquisa, evidenciou-se na amostra: uma revisão integrativa, quatro estudos com abordagem quantitativa e delineamento não-experimental e um estudo com abordagem quantitativa com delineamento experimental. Em relação ao nível das evidências obtidas nos artigos, encontrou-se um artigo com nível de evidência 5, três com nível de evidência 4 e dois com nível de evidência 1. Em todos artigos os enfermeiros foram responsáveis pelo treinamento e a educação (para paciente e família) de infusão domiciliar, no entanto há a necessidade de padronização de tecnologias ou ferramentas para auxiliar os enfermeiros no ensino da terapia domiciliar. Foram identificados em 4 artigos exemplos de boas práticas de educação e treinamento visando contribuir com a melhoria na assistência de enfermagem. Na Holanda, pacientes receberam um plano de tratamento individual voltado para o treinamento de auto infusão, adaptado à idade. Um estudo francês abordou sobre um programa de treinamento estruturado para os pais com filhos hemofílicos para facilitar o tratamento domiciliar. Também foi evidenciado que em relação ao acesso venoso, os pais foram treinados na teoria e aspectos práticos do tratamento em um ambiente hospitalar. Depois disso, os pais receberam treinamento em casa por um enfermeiro e foram acompanhados regularmente. Já a Alemanha, desenvolveu um assistente digital baseado no sistema de diário de infusão do paciente usado para monitorar o tratamento domiciliar e promover a comunicação. No Irã foi criado, com sucesso, uma tecnologia educacional para pacientes com hemofilia para ensinar sobre o auto cuidado e auto infusão. O programa incluiu sessões presenciais, vídeos educativos e panfletos para ajudar a auto infusão em casa. Os artigos avaliados indicaram que enfermeiros devem ser treinados em habilidades de infusão e educação do paciente para que eles, por sua vez, sejam capazes de ensinar pacientes e familiares. Embora os enfermeiros ensinem sobre infusão endovenosa, muitos não têm treinamento específico para tal procedimento e não têm orientação sobre como ensinar aos pacientes e familiares. **Conclusão**: Os resultados dessa revisão indicam que o enfermeiro tem um papel educacional fundamental e que o treinamento a pessoa com hemofilia ou a família é parte integrante do trabalho. Porém, demonstra limitações devido complexidade e diversidade de ações sendo necessário o desenvolvimento e implementação de diretrizes nacionais e curriculares para auxiliar enfermeiros no ensino de infusão domiciliar as pessoas com hemofilia. Recursos de educação complementar e pesquisa no tratamento da hemofilia em domicílio são necessários. **Contribuição** **para enfermagem**: Como contribuição desta revisão, espera-se que novos estudos demonstrem a importância de padronização de técnicas de treinamento de enfermagem na auto infusão e infusão endovenosa do fator de coagulação.


Referências:
1 Dubar C. A socialização: construção das identidades sociais e profissionais. São Paulo: Martins Fontes, 2005. 2 _______ A crise das identidades: A interpretação de uma mutação. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2009. 3 Bardin L. Análise de Conteúdo. Lisboa: Edições 70, 2011. 4 Huberman M. O ciclo de vida profissional dos professores. In: Nóvoa A. (Org.). Vidas de professores. Porto: Porto Editora, 2013, p. 31-62. 5 Imbernón F. Formação permanente do professorado: novas tendências. São Paulo: Cortez, 2009.