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7167652 | PROJETO INTEGRADOR COMO CATALISADOR DE APRENDIZAGENS | Autores: Francisco Arnoldo Nunes de Miranda ; Lucídio Clebeson de Oliveira ; Thiago Enggle de Araújo Alves ; Rodrigo Carlos da Rocha ; Lorrainy da Cuz Solano |
Resumo: (INTRODUÇÃO) O Projeto Integrador da Faculdade Nova Esperança de
Mossoró—FACENE/RN visa catalisar vivências de aprendizagem que integrem
ensino-serviço-comunidade, além das disciplinas/módulos e os cursos existentes
na instituição em todos os períodos. Prevê uma plasticidade nas modelagens dos
projetos respeitando as competências e habilidades que devem ser desenvolvidas
em cada período por curso. Atualmente, a faculdade tem o curso de bacharelado
em enfermagem, há 10 anos implantado, e tem, em processo de implantação, os
cursos de: farmácia, biomedicina, odontologia, nutrição e educação física, que
tiveram os primeiros alunos em 2016. (OBJETIVOS) Descrever e analisar os
resultados dos projetos integradores do curso de enfermagem desde a primeira
iniciativa. As ideias-força do projeto integrador são: autonomia e
protagonismo do aluno, aprendizagem significativa, valorização do saber
científico, de outros saberes e da materialização da teoria na prática.
(DESCRIÇÃO METODOLÓGICA) Relato de experiência do projeto integrador para
desenvolver novos conhecimentos, um “aprender a fazer” ou “aprender na ação”,
permitindo ao aluno “saber como” para alcançar a formação de competências e
habilidades profissionais através de análise e resolução de problemas1.
(RESULTADOS) O semestre 2016.2 marcou o início do projeto integrador em nossa
instituição, sendo chamado nesse momento de Atividades Integradoras de
Aprendizagem (AIA) e tendo por objetivo integrar componentes curriculares por
período por meio de avaliações integradas. Foi uma etapa importante para
mostrar a necessidade pedagógica e as potencialidades de iniciativas
interdisciplinares na formação acadêmica, que deve ser crítica e reflexiva. Na
semana pedagógica de 2017.1, os professores avaliaram as atividades do AIA,
apontando fragilidades e pontos positivos. Como principal fragilidade pode-se
citar: pouco tempo para planejar as avaliações, o que levou a atividades
fragmentadas que foram só “juntas” em um mesmo dia. Como potencialidades
podem-se citar ações extensionistas decorrentes da integração dos alunos e das
disciplinas por período, as quais exigiriam um planejamento maior que poderia
ser definido como projeto. A partir desse momento, nasceu uma nova concepção
de projeto integrador, o qual deveria ser por turma e acontecer
processualmente, mas com uma ação principal de encerramento fora da
instituição, ao fim do semestre, envolvendo todos os alunos e professores de
cada período. No semestre 2017.1, foram delineados projetos para todos os
períodos do curso, cada qual dependendo dos objetivos educacionais previstos
pelo corpo docente. A título de exemplo, o projeto do P1 (primeiro período)
consistiu em uma feira de profissões com ações individuais e coletivas em
escolas estaduais de ensino médio, juntamente com os outros cursos existentes
na faculdade. O projeto do P2 (segundo período) consistiu na preparação e na
execução de uma ação social com atividades de atenção e educação em saúde em
uma comunidade quilombola localizada em município contíguo à sede da
faculdade, tendo o curso de enfermagem realizado ações individuais e
coletivas. No semestre seguinte, 2017.2, durante a semana pedagógica, o grupo
de professores avaliou o projeto também na perspectiva de identificar
fragilidades e potencialidades. Entre as fragilidades foram citadas: a) o fato
de que os professores vêm de formação tradicional e encontram dificuldades
para trabalhar de forma integrada; b) a baixa adesão dos professores aos
cursos de formação em processos pedagógicos ofertados pela instituição; c) o
planejamento tardio realizado próximo às datas de execução do projeto; d) a
competição entre os cursos, por parte de seus alunos; e) e turmas grandes
demais para garantir a participação efetiva de todos. Entre os pontos
positivos, estão: a) o entusiasmo dos alunos ao conhecerem os locais de ação
do projeto; b) a satisfação dos usuários e da comunidade com as ações
executadas; c) a aprendizagem ampliando a visão de saúde e de processo de
trabalho em saúde e proporcionando cooperação entre os grupos de enfermagem
com os outros cursos. O planejamento do projeto integrador do semestre
aconteceu nos encontros pedagógicos mensais com a coordenação acadêmica da
faculdade. Porém, em função da existência de outras pautas, esse ciclo de
encontros mostrou-se insuficiente para garantir a execução em todos os
períodos com a qualidade desejada. Nesse semestre, por exemplo, o projeto do
P2 proporcionou várias ações individuais e coletivas em uma Organização Não
Governamental de proteção a mulheres vítimas de violência, chamada Mulheres em
Ação, em bairro próximo à instituição de ensino. O projeto do P3 foi realizado
em uma cooperativa de aproveitamento de material reciclável, denominada
ACREVI, localizada em bairro próximo à faculdade e contou com atividades
voltadas para as famílias cadastradas na cooperativa. Entre os quarto e oitavo
períodos, foram realizadas avaliações de competências e habilidades no modelo
Objective Structured Clinical Examination—OSCE com estações integradas de
todas as disciplinas de cada período. Em face das experiências anteriores, no
semestre de 2018.1, coordenação e corpo docente realinharam os objetivos de
aprendizagem dos projetos integradores, passando a estruturar o projeto com
base em pequenos grupos de alunos e professores, nos três primeiros períodos,
os quais são organizados em turmas interprofissionais.. Outro marco que deverá
ser considerado é a vinculação dos projetos à comunidade para garantir ações
que atendam de fato às necessidades de saúde e de formação e que não sejam
meramente ações pontuais e fragmentadas. Por exemplo, o projeto integrador do
P3 do curso de enfermagem, que forma turma integrada com farmácia e
biomedicina, está sendo planejado e executado em pequenos grupos compostos por
alunos dos três cursos. Acontecerá junto à mesma organização que recebeu o
projeto do P3 no semestre passado, a ACREVI, tendo cada grupo que seguir um
cronograma de aproximação com a realidade, de planejamento, de execução e de
avaliação do projeto. O projeto nos demais períodos com turmas integradas (P1
e P2) acontecerá nesses mesmos termos. As turmas de quarto a oitavo período
permanecem com projeto integrador a partir do modelo OSCE, mas agora com
estações interprofissionais planejadas pelos professores de enfermagem e dos
demais cursos. (CONCLUSÃO) Os projetos não devem ser confundidos com pesquisa,
uma vez que são organizados para resolver algum problema real da comunidade,
nos três primeiros períodos, ou para catalisar habilidades e competências
clínicas, nos casos dos períodos do quarto ao oitavo. No primeiro caso,
aproximando o corpo discente da realidade das comunidades e dos usuários,
instigando o exercício do raciocínio científico e da criatividade na
compreensão e na busca de respostas a fenômenos sociais, culturais e
naturais1. No segundo caso, por meio do OSCE, fortalecendo os núcleos
específicos do curso e trabalhando a percepção das múltiplas dimensões
associadas a uma prática clínica integral, de acordo com as competências e
habilidades previstas para cada período2. (CONTRIBUIÇÕES/IMPLICAÇÕES PARA A
ENFERMAGEM) As vivências com os projetos integradores oportunizam de fato a
integração ensino-serviço-comunidade nos primeiros períodos e a integração
entre as disciplinas em todos os períodos. Numa aposta de formação como
experimentação, subsidiada pelas diretrizes curriculares nacionais para o
curso de enfermagem, temos claro que o projeto integrador tem colaborado
decisivamente para fomentar posturas críticas e reflexivas da parte dos
alunos.
Referências: 1.Porto MAS, Soares AB. Diferenças entre expectativas e adaptação acadêmica de universitários de diversas áreas do conhecimento. Anál. Psicol. [Internet] 2017 [cited 2017 jun 23]; 31(1):13-24. Available from: http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0870-82312017000100002
http://dx.doi.org/10.14417/ap.1170
2. Carvalho G, Lopes S. Satisfação profissional do enfermeiro em uma unidade de emergência de hospital geral. Arq. Ciênc. saúde [Internet] 2006 [cited 2015 dez 20]; 13(4):215-19. Available from: http://repositorio-racs.famerp.br/racs_ol/vol-13-4/Famerp%2013(4)%20ID%20210%20-%2017.pdf
3. Schleih ALG, Polydoro SAJ, Santos AAA. Escala de satisfação com a experiência acadêmica de estudantes do ensino superior. Aval. Psicol. [Internet] 2006 [cited 2015 dez 06]; 5(1):11-20. Available from: http://pepsic.bvsalud.org/pdf/avp/v5n1/v5n1a03.pdf.
4. Branquinho NCSS. Satisfação dos egressos do curso de graduação em enfermagem de uma universidade pública [Dissertação]. Goiânia: Faculdade de Enfermagem, Universidade Federal de Goiás; 2012. |