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SENADEn - ISSN: 2316-3216 || SINADEn - ISSN: 2318-6518 • ISSN: 2318-6518
Resumo: 7155155

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IMPLEMENTAÇÃO DO PROCESSO DE ENFERMAGEM EM UMA UNIDADE DE INTERNAÇÃO ONCOLÓGICA

Autores:
João Marcos Wenner ; Micheli Biondo ; Raquel Ribeiro Nogueira ; Gabriel Deolinda de Marqui ; Paloma do Nascimento Joaquim

Resumo:
**Introdução**: A Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) se da como uma metodologia embasada em princípios do método científico para organizar e sistematizar o cuidado. SAE é uma ferramenta privativa do processo de trabalho do enfermeiro, possibilitando que o mesmo desenvolva ações e práticas que alterem o estado do processo de vida e saúde-doença dos clientes, tendo como objetivos identificar as necessidades de cuidados de enfermagem, subsidiar as intervenções de promoção da saúde, prevenção de agravos e recuperação e reabilitação da saúde do cliente, família e comunidade, além de identificar as situações de saúde-doença. Logo, o enfermeiro é responsável pelos resultados que a SAE permita que se alcance¹. Faz parte da SAE, o Processo de Enfermagem (PE), que é um instrumento utilizado para favorecer o cuidado e organizar as condições necessárias para que o mesmo ocorra. O Processo de Enfermagem é composto por cinco etapas: 1- anamnese e exame físico (histórico de enfermagem); 2- diagnóstico de enfermagem; 3- Planejamento de intervenções; 4- Implementação e; 5- Resultados de enfermagem (avaliação). O PE é importante para o profissional enfermeiro desenvolver raciocínio e julgamento clínico dos elementos da prática. Nesse contexto, o acadêmico de enfermagem durante o estágio curricular supervisionado, teve, entre suas atribuições a participação na implementação da Sistematização da Assistência de Enfermagem Informatizada. Contudo, percebe-se a participação limitada do acadêmico na implementação da SAE e seu envolvimento na construção do PE devido a falta de aporte teórico direcionado a Oncologia, pois é uma disciplina ausente na diretriz curricular da Universidade do Estado de Santa Catarina, sendo ofertado apenas uma disciplina eletiva que abordava a Prevenção Primária e Detecção Precoce ao Câncer. Ou seja, o acadêmico demonstra uma fragilidade em desenvolver o PE aplicado na Oncologia, apesar de revelar o conhecimento sobre a importância deste processo na assistência ao paciente. A metodologia do PE adentrou as escolas de enfermagem brasileiras nos anos 70, partindo das contribuições de Wanda Horta e até então era realizado de forma manual, onde apenas em 2000, a prescrição de enfermagem foi informatizada, juntando-se com a introdução dos diagnósticos de enfermagem segundo a Taxonomia I da North American Nursing Diagnosis Association (NANDA) conexa ao referencial das Necessidades Humanas Básicas de Horta.² **Objetivo: **Relatar a experiência acadêmica no desenvolvimento e implementação dos diagnósticos de enfermagem para ser utilizado pela equipe de enfermagem na unidade de Oncologia de um hospital de grande porte localizado no Oeste Catarinense. **Metodologia: **Relato de experiência de natureza descritiva, vivenciado durante a disciplina de Estágio Curricular Supervisionado I (ECS) do Curso de graduação em Enfermagem da Universidade do Estado de Santa Catarina desenvolvida no setor de Oncologia, no período de Agosto a Novembro de 2017. **Resultados: **a implementação da SAE na Unidade de Oncologia, está organizada em etapas. Inicialmente o grupo de enfermeiros, com auxílio da Comissão do Processo de Enfermagem (COMPEnf), criou o instrumento de histórico de enfermagem e organizou os diagnósticos de enfermagem, conforme a taxonomia de NANDA-I, direcionados ao perfil assistencial dos pacientes oncológicos atendidos nesta unidade. As demais etapas do PE estão em fase de organização seguindo o Sistema de Linguagem Padronizado NOC para resultados esperados e NIC para intervenções de enfermagem. Para esses encontros a equipe de enfermagem foi convidada para participarem da organização deste instrumento de trabalho para que fossem elencados as principais prioridades desse setor, visando que a padronização dessa assistência, permite uma atenção mais complexa para o cuidado total do cliente, de modo que a utilização da NANDA, NIC E NOC permite uma abrangência desde a promoção a saúde, a nutrição, eliminação, percepção/cognição, atividade/repouso,  auto percepção, sexualidade, enfrentamento/tolerância ao estresse, segurança/proteção, princípios de vida, conforto e crescimento/desenvolvimento3. Logo nas primeiras reuniões percebeu-se a pouca adesão dos profissionais, principalmente dos técnicos de enfermagem (TE) ao planejamento das questões abordadas, sendo que será a partir do diagnóstico das necessidades que será prescrito o plano de intervenções para implementação de estratégias para melhora do quadro clinico, sendo possível fazer a reavaliação dos pacientes sempre que necessário. A partir da implementação dos diagnósticos e histórico de enfermagem, as prescrições de cuidados foram realizadas com base nas informações evidenciadas pelos instrumentos construídos em conjunto. A realização dessas prescrições está diretamente relacionada à rotina assistencial do TE, e a partir da sua implementação notou-se novamente a pouca adesão ao que estava determinado nos planos de cuidado para os pacientes. Quando questionados, os TE apontaram as prescrições como “novas rotinas burocráticas” e não compreendiam os motivos das orientações de acordo com o diagnóstico elencado. Percebe-se também a participação limitada do TE na implementação do PE e seu envolvimento está restrito a aplicação dos cuidados de enfermagem prescritos. Ou seja, os técnicos não ampliam a visão do enfermeiro no planejamento das ações, pois não participam da sua organização. Além disso, os TE revelam pouco conhecimento sobre a importância do PE, nesse sentido, é importante estimular o TE a construir o planejamento das ações de cuidado, na medida em que, diariamente, pode avaliar as alterações no quadro clínico dos pacientes, sendo que muitas atividades realizadas são despercebidas por não serem documentadas. Destaca-se que, dentre os objetivos do PE estão o favorecimento da comunicação profissional e a padronização da linguagem em enfermagem, fortalecer a comunicação terapêutica, organizar a Prática Baseada em evidências e contribuir para o registro e documentação das ações de Enfermagem. **Conclusão: **A vivência durante a implementação dos diagnósticos, na unidade de oncologia, percebeu-se que a participação do acadêmico de enfermagem ainda é restrita na etapa da identificação dos diagnósticos de enfermagem prioritários em razão das lacunas na sua formação inicial direcionada a assistência Oncológica. A participação do TE também é limitada em razão da sua formação, que não aborda a temática da Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) e do PE. Embora este profissional seja extremamente importante neste processo, principalmente relacionado à checagem dos cuidados de enfermagem e na execução das prescrições. Pois, todas as intervenções prescritas devem ser realizadas de maneira multidisciplinar por toda a equipe responsável pelo setor, com intuito de melhorar o conforto do paciente e diminuir a estadia do mesmo, onde é possível notar a importância do PE e de como suas práticas devem ser estimuladas e aplicadas.  Enquanto o conhecimento sobre a metodologia estiver limitado à prática do enfermeiro, as outras categorias da enfermagem não perceberão seu papel na implementação efetiva desse processo. Sugere-se a promoção de discussões sobre a SAE e PE entre as categorias de enfermagem, desde acadêmicos aos enfermeiros, com objetivo de que todos participem na implementação de melhorias para sua prática e compreenda o impacto dessa metodologia nas ações de cuidado. **Contribuições para enfermagem: **A implementação da SAE no setor da Oncologia contribui para a promoção de uma linguagem padronizada entre os profissionais de enfermagem, favorecendo a comunicação terapêutica, organização da Prática Baseada em evidências, documentação e registros das as ações de Enfermagem.


Referências:
1 BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Protocolo Clinico de Diretrizes Terapêuticas (PCDT) de Infecções Sexualmente Transmissíveis. Brasília-DF, 2015. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/protocolo_clinico_diretrizes_terapeutica_atencao_integral_pessoas_infeccoes_sexualmente_transmissiveis.pdf 2 BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Boletim Epidemiológico/Sífilis. Secretaria de Vigilância em Saúde. Brasília-DF, 2017. 3 Apter AJ1, Kinman JL, Bilker WB, Herlim M, Margolis DJ, Lautenbach E, Hennessy S, Strom BL. Is there cross-reactivity between penicillins and cephalosporins? Am J Med. 2006 Apr;119(4):354.e11-9. Disponível em: http://www.amjmed.com/article/S0002-9343(05)01057-0/pdf 4 COFEN. Nota técnica 003/2017. Brasília-DF, 14 de junho de 2017. Disponível em:http://www.cofen.gov.br/wp-content/uploads/2017/06/NOTA-T%C3%89CNICA-COFEN-CTLN-N%C2%B0-03-2017.pdf 5 Galvao TF, Silva MT, Serruya SJ, Newman LM, Klausner JD, Pereira MG, Fescina R. Safety of benzathine penicillin for preventing congenital syphilis: a systematic review. PLoS One. 2013;8(2):e56463. doi: 10.1371/journal.pone.0056463. Epub 2013 Feb 21.