E-Pôster
6599415 | MAPEAMENTO DE DIAGNÓSTICOS DE ENFERMAGEM DA CLÍNICA MÉDICA DE UM HOSPITAL ESCOLA COM OS CONCEITOS DA CIPE®: ESTUDO EXPLORATÓRIO-DESCRITIVO | Autores: Rafaela de Melo Araújo Moura |
Resumo: **INTRODUÇÃO: **O Processo de Enfermagem teve seu iniciou nas instituições de saúde do Brasil na década de 1960, quando a Enfermagem começou a buscar uma nova identidade profissional. O processo de enfermagem é considerado como um método que deve estar alicerçado nas habilidades científicas (raciocínio clínico) e afetivas (emoções, valores) do enfermeiro para realizar um plano de cuidados que atenda às necessidades do cliente, família ou comunidade, de modo flexível e criativo. O mesmo organiza-se em cinco etapas independentes, recorrentes e sobrepostas: Histórico de Enfermagem; Diagnóstico de Enfermagem; Planejamento de Enfermagem; Implementação; e Avaliação de Enfermagem. A etapa diagnóstico de enfermagem é considerada como essencial no desenvolvimento do processo de enfermagem, haja vista que nela o enfermeiro desenvolve a análise da coleta de informações realizada e põe em prática seu conhecimento teórico, raciocínio clínico e afetivo, possibilitando ao profissional estabelecer uma assistência de enfermagem individualizada e significativa, traçando um plano de cuidados com determinação de prioridades que serão periodicamente reavaliadas. Desse modo, o uso do processo de enfermagem, bem como o registro das ações executadas na prática profissional, contribuem para o fortalecimento e aumento da visibilidade da profissão, além de corroborar o desenvolvimento de terminologias para a prática profissional. Dentre essas terminologias destaca-se: a Classificação Internacional para a Prática de Enfermagem (CIPEâ), que vem sendo desenvolvida e aperfeiçoada há quase trinta anos, mas apresenta a necessidade de validação dos seus conceitos, com a finalidade de torná-la cada vez mais aprimorada e segura para utilização na prática profissional, de maneira universal e ao mesmo tempo individualizada1,2. **OBJETIVO: **Realizar o mapeamento cruzado dos conceitos de diagnósticos de enfermagem para clientes hospitalizados na Clínica Médica de um Hospital Escola, com os conceitos da CIPE® Versão 2017. **DESCRIÇÃO METODOLÓGICA: **Trata-se de uma pesquisa exploratório-descritiva, que foi desenvolvida para realizar o mapeamento cruzado dos conceitos de diagnósticos de enfermagem da Clínica Médica, oriundos da Nomenclatura “_Diagnósticos, Resultados e Intervenções de Enfermagem para Clientes Hospitalizados nas Unidades Clínicas do HULW/UFPB Utilizando a CIPE®”_3, com os conceitos de diagnósticos de enfermagem da CIPE® Versão 2017. Inicialmente, foram construídas duas planilhas no Excel for Windows contendo a lista de conceitos diagnósticos de enfermagem da Clínica Médica, que compreendem 101 conceitos, e os conceitos diagnósticos de enfermagem da CIPE® 2017, que compreendem 851 conceitos. Em seguida, foi realizado o cruzamento das planilhas e criado um banco de dados no Access for Windows, com a finalidade de identificar os conceitos constantes e os não constantes na CIPE® 2017, obtendo-se no primeiro momento 83 conceitos não constantes e 18 constantes nessa terminologia. Posteriormente, foi realizada a normalização dos conceitos não constantes presentes na nomenclatura com os conceitos da CIPE® 2017 e feito um novo cruzamento, resultando em 96 conceitos diagnósticos da Clínica Médica. Após essa etapa, os conceitos considerados não constantes na CIPE® 2017 foram analisados em relação à similaridade, abrangência, restrição e não concordância4. Antes da execução da pesquisa o projeto foi submetido à apreciação do Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital Universitário Lauro Wanderley (HULW/UFPB), o qual recebeu o CAAE 43249415.0.0000.5183, em observância aos aspectos éticos preconizados pela Resolução nº 446/20125, que apresenta diretrizes e normas regulamentadoras de pesquisas envolvendo seres humanos. **RESULTADOS:** Após as etapas de mapeamento cruzado e normalização dos conceitos de diagnósticos, a Nomenclatura da Clínica Médica ficou constituída por 96 conceitos diagnósticos, dos quais 29 foram considerados não constantes e 67 conceitos constantes na CIPE® Versão 2017. Na análise dos diagnósticos foram retiradas as repetições de Intolerância à atividade física e de Falta de resposta ao medicamento. Os diagnósticos Débito cardíaco diminuído e Débito cardíaco aumentado estão representados na CIPE® 2017 como um único diagnóstico Débito cardíaco, prejudicado; os diagnósticos Higiene corporal prejudicada e Déficit de autocuidado para banho e/ou higiene corporal, constam na CIPE® 2017 como Capacidade para executar a higiene, prejudicada; os diagnósticos Deambulação prejudicada e Mobilidade física prejudicada, estão na CIPE® 2017 como Mobilidade, prejudicada; e os diagnósticos Pressão sanguínea aumentada e Pressão sanguínea diminuída, encontram-se na CIPE® 2017 como Pressão arterial, alterada. O diagnóstico Desequilíbrio de líquidos e eletrólitos, está separado na CIPE® 2017 em dois conceitos diagnósticos: Desequilíbrio de eletrólitos e Desequilíbrio de líquidos. Após o processo de retirada de repetições e inclusão de conceitos de diagnósticos, foram identificados 49 conceitos que passaram de não constantes para constantes na CIPE® 2017 em decorrência de alterações por acréscimo de vírgula, como o diagnóstico Audição prejudicada, que consta na CIPE® 2017 como Audição, prejudicada; alterações por similaridade, como o diagnóstico Autoestima alterada, encontrada na CIPE® 2017 como Baixa autoestima, entre outros. Dos conceitos diagnósticos Ansiedade, Dispneia, Dor, Medo, Prurido e Úlcera por pressão, foram retiradas as expressões “especificar grau”, “especificar intensidade”, “especificar”, “especificar localização” e “especificar localização e estágio”, conforme encontram-se na CIPE® 2017. **CONCLUSÃO:** Esse estudo realizou o mapeamento cruzado dos conceitos diagnósticos da Nomenclatura da Clínica Médica com os conceitos da CIPE® Versão 2017, evidenciando que 69,8% dos conceitos constam na CIPE® 2017, o que comprova que os enfermeiros estão utilizando essa classificação na sua prática profissional. Ressalta-se que os 30,2% de conceitos não constantes na terminologia, comprovam que existem situações específicas que ainda não constam na CIPE®, as quais necessitam serem incluídas na referida terminologia, utilizando os critérios do Conselho Internacional de Enfermeiros. **CONTRIBUIÇÕES/IMPLICAÇÕES PARA A ENFERMAGEM: **Ressalta-se a utilização do processo de enfermagem como método sistemático que organiza e direciona o cuidado assistencial, possibilitando ao enfermeiro integrar o conhecimento prático ao científico. Utilizar os conceitos de diagnósticos existentes na Nomenclatura da Clínica Médica, poupa tempo e custos à instituição e suscita uma assistência de enfermagem individualizada, eficaz e qualificada, sem excluir a possibilidade de julgamento clínico do enfermeiro para outros diagnósticos de enfermagem que não tenham sido contemplados na referida Nomenclatura. Diante o exposto, esse estudo torna-se relevante para a prática profissional no que concerne à assistência, ensino, pesquisa e gestão, além de subsidiar pesquisas futuras de validação de conteúdo e validação clínica para os conceitos de diagnósticos de enfermagem da Clínica Médica.
Referências: 1. Alfaro-LeFevre R. Aplicação do processo de enfermagem: fundamento para o raciocínio clínico. 8. ed. Porto Alegre: Artmed, 2014. 272p.
2. Conselho Federal de Enfermagem (COFEN). Resolução n. 358/2009. Dispõe sobre a Sistematização da Assistência de Enfermagem - SAE nas Instituições de Saúde [Internet]. Brasília; 2009 [citado 2015 ago. 20]. Disponível em:< http://www.cofen.gov.br/resoluo-cofen-3582009_4384.html>
3. Cunha SMB, Barros ALBL. Análise da implementação da Sistematização da Assistência de Enfermagem, segundo o Modelo Conceitual de Horta. Rev. bras. enferm. [Internet]. 2005. [citado 2017 ago. 30]; 58(5):568-572. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1590/S0034-71672005000500013.
4. Mangueira SO, Lima JTS, Costa SLA, Nóbrega MMN, Lopes MVO. Implantação da sistematização da assistência de enfermagem: opinião de uma equipe de enfermagem hospitalar. Enfermagem em Foco. [Internet]. 2012 [citado 2017 ago. 30]; 3(3): 135-138. Disponível em: http://revista.portalcofen.gov.br/index.php/enfermagem/article/view/298/160. |