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SENADEn - ISSN: 2316-3216 || SINADEn - ISSN: 2318-6518 • ISSN: 2318-6518
Resumo: 6036120

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6036120

OS PRIMEIROS 1000 DIAS DE VIDA: ENTENDIMENTO DE DISCENTES DE UM CURSO DE ENFERMAGEM SOBRE ESSE PERÍODO

Autores:
Ana Paula Vanz ; Diva Juliana Aguiar da Silva

Resumo:
**Introdução:** A alimentação saudável é um dos fatores determinantes para o desenvolvimento adequado na infância, quando mais cedo implementada melhores serão seus benefícios. O período inicial para essas intervenções ocorre desde a concepção até o fim dos dois anos de vida, através de uma nutrição pré-natal apropriada, aleitamento materno exclusivo nos primeiros seis meses, adição de alimentos complementares adequados e continuação da amamentação até os dois anos. Os primeiros anos de vida da criança é um período de grande desenvolvimento das potencialidades humanas, os distúrbios que incidem nessa época são responsáveis por graves consequências para indivíduos e comunidades. Uma boa adequação nutricional dos alimentos oferecidos para as crianças após o sexto mês de vida é fundamental para a prevenção de anemia, sobrepeso e baixo peso¹,². Uma vez não estabelecida uma ingesta balanceada de alimentos desde a gestação e posteriormente na infância, poderá vir a causar danos, até mesmo irreversíveis para a saúde desse indivíduo3. **Objetivo: **identificar o entendimento dos discentes de enfermagem no que se refere aos primeiros 1000 dias de vida no desenvolvimento infantil. **Metodologia: **Trata-se de uma pesquisa de abordagem quantitativa do tipo transversal. A amostra foi composta por discentes de uma instituição na região sul do Brasil, no período de setembro à outubro de 2017. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da FACCAT (CAAE 71365317.4.0000.8135). Todos as participantes assinaram o TCLE antes de responder ao questionário. Os dados foram coletados a partir de questionário semiestruturado autoaplicável com 31 perguntas abertas e fechadas referentes a dados socioeconômicos e informações sobre o período dos primeiros 1000 dias de vida. **Resultados: **A amostra foi composta por 101 discentes do curso de enfermagem, dos quais: um no segundo semestre (1%), quatro (4%) no terceiro semestre; 25 (24,8%) no quarto semestre; 10 (9,9%) no quinto semestre; 15 (14,9%) no sexto semestre; sete (6,9%) no sétimo semestre; 18 (17,8%) no oitavo semestre; três no nono semestre e 18 (17,8%) no décimo semestre. A média da idade encontrada foi de 27,5 (±8,1) anos. Em relação ao gênero, em sua maioria foi do feminino 87(86 %). Optou-se por dividir os resultados por categorias, assim na quando questionado sobre o conceito dos primeiros 1000 dias de vida, 84 (85,7%) responderam ser “_uma janela de oportunidades, que acontece desde a concepção até os 2 anos de idade da criança_” e 14 (14,3%) o “desenvolvimento infantil”. Em relação ao período que compreende os primeiros 1000 dias de vida, 69 (68,3%) responderam da concepção aos 2 anos de vida, 23 (22,8%) do nascimento aos 2 anos de vida e 9 (8,9%) do pré-natal ao primeiro ano de vida. Cabe ressaltar que 90% da amostra não participou de curso ou workshop na referida temática sobre o conceito dos primeiros 1000 dias de vida. Na categoria, informações do profissional enfermeiro em consultas de enfermagem no cuidado com crianças, referente ao uso de bicos e mamadeira 80 (79,2%) respondeu que não orientaria e 21 (20,8%) que orientaria sim o uso de bicos e mamadeiras. Na categoria, fatores nutricionais no período dos primeiros 1000 dias, quando perguntado sobre o que era “_aleitamento materno exclusivo_” 95 (94%) responderam ser somente leite materno, direto da mama ou extraído, nenhum líquido ou sólido, com exceções de gotas ou xaropes de vitaminas, minerais e/ou medicamentos e três (3%) leite materno, com outro líquido ou sólido e três (3%) ser leite materno, com água. Quando questionado sobre a duração da amamentação, 69 (68,3%) recomendaria até os 2 anos de vida, 19 (18,8%) até 1 ano de vida e 13 (12,9%) até os 6 meses de vida. Sobre o início da introdução alimentar de crianças em aleitamento materno exclusivo, 93 (92%) responderam que começa aos seis meses de vida, três (3%) aos 10 meses de vida, três (3%) aos 5 meses de vida e dois (2%) aos 4 meses de vida. Sobre o uso de sal na alimentação da criança na papa incial 54 (53,5%) orientaria, mas pouco; 44 (43,6%) não e dois (2%) responderam que sim, inicia-se as papas com o uso de sal sem restrições. Na suplementação indicada na gestação, a grande maioria 82 (81,2%) orientaria o uso ácido fólico e sulfato ferroso, 13 (12,9%) ácido fólico, 3 (3%) sulfato ferroso e 1 (1%) nenhum suplemento. Na categoria sobre a papel do enfermeiro no período dos premeiros 1000 dias de vida, todos os discentes responderam que sim, o enfermeiro pode estar atuando neste período. Foi indagado de que forma o enfermeiro poderia estar atuando ,  as resposta mais frequente foram: “_com consultas de enfermagem_”, “_informações aos pais sobre alimentação saudável_”; “_orientações desde o pré natal_”; “_acompanhamento desde a concepção até os 2 anos de idade da criança_”. **Conclusão:** O entendimento dos discentes de enfermagem sobre o período dos primeiros 1000 dias de vida no desenvolvimento infantil mostrou-se satisfatório em alguns aspectos, frente ao que se preconiza na literatura sobre o período, porém cabe ressaltar que alguns pontos merecem atenção, sendo eles: o uso de suplementos utilizados na gestação, o uso de sal na introdução alimentar e o período de início da introdução alimentar. Ressalta-se a importância de reforçar essas questões, cabe destacar que a grande maioria da amostra ainda está no processo de formação. Enfrentar as situações que se apresentam no processo de apropriação do conhecimento, durante a formação, também é importante, pois possibilitará novas interpretações pelos acadêmicos, que ampliarão seu olhar sobre o objeto em estudo. A formação de quem está trabalhando a temática dos primeiros 1000 dias, sob a perspectiva do pensamento complexo, proporciona um olhar mais acurado, permitindo um ensino mais crítico, encorajando esses discentes a estarem se apropriando de forma a contribuir no cuidado de enfermagem na atenção materno-infantil, respeitando esta janela de oportunidades aplicável às demais escolas de enfermagem. Portanto, são desejáveis mais estudos de natureza qualitativa, na ótica de discentes de enfermagem, evidenciando assim as necessidades subjetivas dos estudantes e novas formas de competências e aptidão para esses futuros enfermeiros para a atuação em saúde. **Contribuições / Implicações para a enfermagem: **A visão do discente de enfermagem frente á esse período dos primeiros 1000 dias, se torna de extrema importância, no momento que este estágio embloga o papel do  enfermeiro, que deve estar sempre atento a oportunidades de atuar e orientar o cuidador (pai, mãe, avós entre outros), pois o olhar deste profissional promoverá um desenvolvimento e crescimento saudável para a criança.


Referências:
1. Bonmann DMS, Cogo ALP. Primeira prática curricular hospitalar de estudantes de enfermagem descrita em fórum online. Rev Cienc Cuid Saude., v.2, n.5, p.226-232, 2013. Disponivel em: https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/114812/000916053.pdf?sequence=1. Acesso em 18 mar. 2018 2. Martins JCA. Aprendizagem e desenvolvimento em contexto de prática simulada. Revista de Enfermagem Referência., v.5, n.12, p.155-162, 2017. Coimbra. Disponível em: https://doi.org/10.12707/RIV16074. Acesso em 10 mar. 2018. 3. Martins JCA, Mazzo A, Baptista RCN, Coutinho VRD, Godoy S, Mendes IAC, Trevisan MA. A experiência clínica simulada no ensino de enfermagem: retrospectiva histórica. Acta Paul Enferm., v.4, n.25, p.619-625, 2012. Disponível em: http://www.redalyc.org/html/3070/307023889017/. Acesso em 09 mar. 2018. 4. Oliveira WF. O Núcleo de Humanização, Arte e Saúde: uma experiência coletiva de produção social de saúde. Caderno Brasileiro de Saúde Mental, v.8, n.18, p.2014-230, 2016. Florianópolis. Disponível em: http://incubadora.periodicos.ufsc.br/index.php/cbsm/article/view/4224/463. Acesso em 10 mar. 2018.