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5994403 | CONSTRUÇÃO E APLICAÇÃO DE UM INSTRUMENTO PARA A ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM PERIOPERATÓRIA: RELATO DE EXPERIÊNCIA | Autores: Mayara Cedrim Santos ; Aurélia Jandira de Souza Melo Verçosa ; Elizabeth Moura Soares de Souza ; Danielly Acioli Galvão de Souza ; Talita Lucio Chaves Vasconcelos |
Resumo: INTRODUÇÃO: A Sistematização da Assistência de Enfermagem Perioperatória
(SAEP) tem o propósito de promover uma assistência integral, continuada,
participativa, individualizada, documentada e avaliada, no qual o paciente é
singular, além de possibilitar a avaliação da assistência prestada1. Tal
metodologia preconiza a atuação do enfermeiro nos períodos pré-operatório,
transoperatório e pós-operatório. As estratégias a serem utilizadas na fase
pré-operatória incluem a entrevista e a análise de prontuário, a partir das
quais as informações relevantes são identificadas para o planejamento do
cuidado nas fases seguintes. A fase tranoperatória é caracterizada pela
realização dos cuidados identificados na fase anterior, utilizando-se como
meio a observação e monitoração do paciente e do ambiente. Por fim, realizam-
se as visitas pós-operatórias no leito do paciente após a cirurgia2. O
Enfermeiro é peça na aplicação de todas as fases da SAEP, integrando a equipe
na realização dos cuidadosperioperatórios3. Na operacionalização da SAEP os
instrumentos sistematizados podem auxiliar as equipes envolvidas no cuidado do
paciente cirúrgico, sejam elas de enfermagem ou médica, a garantir uma
assistência segura, e nele deve constar informações individuais do paciente,
com dados de identificação, anamnese, exame físico e necessidades de cuidados
de enfermagem (diagnósticos de enfermagem), além de intervenções e avaliação
dos cuidados oferecidos4. A SAEP deve ser planejada e aplicada por
enfermeiros (as), preferencialmente especialistas em enfermagem cirúrgica e
atuantes na área. Para tanto, é possível aprimora-se com cursos de
atualização, treinamentos e utilização de pesquisas publicadas sobre o tema3.
OBJETIVO: Relatar a experiência de atualização e aplicação de um instrumento
para registro da SAEP, utilizando a linguagem da Classificação Internacional
para a Prática de Enfermagem (CIPE). METODOLOGIA: Trata-se de um relato de
experiência sobre a atualização e aplicação de um instrumento perioperatório
de aplicação rápida e fácil5, em um hospital público de Alagoas, durante o
segundo semestre de 2017. RESULTADOS: O instrumento perioperatório foi
elaborado e implantado em 2004, no referido hospital por enfermeiros
envolvidos com o cuidado perioperatório, após ampla discussão. O seu
preenchimento inicia no setor de admissão e alta, local onde o paciente passa
durante a admissão hospitalar, retornando ao mesmo, na alta. Neste setor o
enfermeiro inicia o preenchimento do instrumento realizando a consulta de
enfermagem com a coleta de dados iniciais, após esse momento o instrumento
segue com o paciente para a clínica cirúrgica, onde o enfermeiro preenche
novamente dando continuidade ao processo, na sequência o instrumento acompanha
o paciente e é preenchido no centro cirúgico (CC) e na sala de recuperação
pós-anestésica (SRPA), finaliza quando o paciente retorna ao seu setor de
origem. Existe uma variação dessa sequência de caminhos, quando o paciente vai
se submeter a uma cirurgia externa, nesse caso o instrumento será preenchido
no setor de admissão e alta, CC e RPA. Inicialmente, o instrumento construído,
continha dados relacionados à coleta de informações específicas dos períodos
pré, trans e pós-operatórios, mas não constavam os disagnósticos, resultados e
intervenções de enfermagem. Após avaliação da utilização do instrumento e
também devido ao hospital estar implantando a SAE no prontuario eletrônico, os
enfermeiros atuantes hoje, envolvidos na assistência perioperatória, decidiram
atualizar o instrumento e inserir os diagnósticos e intervenções de
enfermagem, na linguagem CIPE, pois foi a escolhida pelos enfermeiros de todo
o hospital para compor a SAE. Para isso, realizaram uma revisão dos
componentes contidos no instrumento original, avaliando sua permanência e após
isso, inseriram os diagnósticos e intervenções de enfermagem mais prevalentes
nas três fases perioperatória. A principio, o instrumento foi testado somente
com os pacientes submetidos à cirurgia de colecistectomia videolaparoscopica,
por ser uma das cirurgias realizadas com mais frequência. Participaram desse
processo os enfermeiros do setor de admissão e alta do hospital com a inclusão
dos diagnósticos e intervenções de enfermagem no período pré-operatório
mediato. Os dados que constam nesta fase são as condições físicas do paciente,
histórico do paciente quanto alergia, cirurgias prévias, comorbidades,
medicamentos utilizados e exames pré-operatórios realizados. Os enfermeiros da
clínica cirúrgica participaram preenchendo os dados do período pré-operatório
imediato confirmando tempo de jejum, medicamentos suspensos e exame físico. Os
enfermeiros do centro cirúrgico e sala de recuperação pós anestésica foram
responsáveis pela realização e registro dos cuidados no trans e pós operatório
imediato. No trans operatório foram registrados dados da confirmação do
paciente do sítio de cirurgia, temperatura da sala, materiais utilizados e
área onde foi realizado a antissepsia, passagem de sonda vesical, local de
colocação de coxins e eletrodos de retorno e grau de contaminação da cirurgia.
No pós operatório imediato foram registrados nível de consciência do paciente,
dispositivos portados, aspectos do curativo, queixas, exame físico, SSVV e
escala de Aldrete e Kroulik. Após a implementação desta primeira fase, foram
feitas as devidas modificações e adequações necessárias para que o instrumento
fosse aplicado aos demais pacientes submetidos a outros procedimentos
cirúrgicos. **CONCLUSÃO:** A atualização do instrumento supracitado, com a
inclusão dos diagnósticos e intervenções de enfermagem obteve apoio total da
equipe envolvida. Essa experiência, além de dar visibilidade às ações de
enfermagem, possibilitou a avaliação e o aperfeiçoamento da assistência
prestada ao paciente, bem como incentivou a equipe a manter-se atualizada.
**IMPLICAÇÕES PARA ENFERMAGEM: **Esse instrumento está sendo utilizado pelos
profissionais de enfermagem desde sua implantação há 14 anos, no entanto a
inclusão dos diagnósticos e intervenções de enfermagem segundo a CIPE, o
tornou mais completo e evidenciou a continuidade da assistência de enfermagem
e dos seus registros.
Referências: 1. Conselho Federal de Enfermagem (BR). Resolução Nº 358/2009 [Internet]. [cited 2012 Oct: 10]. Available from: http://www.cofen.gov.br/resoluo-cofen-3582009_4384.html.
2. Argenta MI. Congruência entre o ensino da sistematização da assistência de enfermagem e o processo de trabalho do enfermeiro [tese]. Florianópolis: Universidade Federal de Santa Catarina, Programa de Pós-Graduação em Enfermagem; 2011.
3. Horta W. Processo de Enfermagem. São Paulo (SP): EPU; 1979.
4. Costa E. Hospital Colônia Sant´Ana: o saber poder dos enfermeiros e as transformações históricas (1971-1981) [tese]. Florianópolis: Universidade Federal de Santa Catarina, Programa de Pós-Graduação em Enfermagem; 2010. |