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5912510 | CONSULTA DE ENFERMAGEM PÓS-PARTO: ESTRATÉGIA PARA A FORMAÇÃO DE ENFERMEIROS NA PERSPECTIVA DO PROGRAMA CEGONHA CARIOCA. | Autores: Ricardo de Mattos Russo Rafael ; Joana Iabrudi Carinhanha ; Ricardo José Oliveira Mouta ; Luiza Mara Correia ; Adriana Lenho de Figueiredo Pereira |
Resumo: **Introdução:** A extensão universitária na formação do Enfermeiro da Faculdade de Enfermagem da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (ENF/UERJ), permite a confluência das áreas de saúde e educação superior e o Sistema Único de Saúde (SUS) estabelecendo nos serviços de saúde, campos de objetos de atenção, ensino e pesquisa, através das ações e iniciativas inovadoras, reflexões e produção de conhecimento contextualizado à realidade da clientela. É nesse contexto, que em junho de 1997, o projeto “A Enfermagem Obstétrica da UERJ no atendimento pré-natal: consultas individuais e coletivas”1 foi implantado no Centro Municipal de Saúde Milton Fontes Magarão, desenvolvendo a Consulta de Enfermagem no Pré-natal e Pós-parto. Com a implantação do Programa Cegonha Carioca (PCC) pela Secretária Municipal de Saúde do Município do Rio de Janeiro (SMS/RJ), em 2011, assegurou o cuidado às gestantes desde acompanhamento pré-natal, visita guiada, acolhimento no setor de emergência obstétrica da maternidade e transporte por meio de ambulância2, garantindo a acessibilidade aos serviços de saúde às mulheres no ciclo gravídico-puerperal, articulando o pré-natal e a maternidade de referência para o parto possibilitando o vínculo da integração do cuidado mãe-bebê no retorno na consulta de pós-parto no serviço de atenção básica, o que representa a continuidade da linha do cuidado na área obstétrica. **Objetivo**: Analisar as repercussões do projeto no âmbito da assistência pós-parto na Formação de Enfermeiros. **Descrição metodológica: **Pesquisa quantitativa exploratória. Análise documental. A coleta de dados, no período de 2014 a 2017, por meio da aplicação de um instrumento na primeira consulta de pós-parto, foram analisados os dados sociodemográficos e do parto, obtendo-se uma amostra de 141 consultas de puérperas. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa em Seres Humanos da SMS/RJ, nº 221.729.. **Resultados: **No período estudado: 78,7% das puérperas tinham a idade entre 19 a 35 anos; a cor autorrelatada 71,6% pretas /pardas; 56,7% tinham união estável/casada e 41,8% solteiras; relação com o parceiro estável 80,9%; a escolaridade, 28,4% e 23,4%, com ensino médio completo e incompleto, respectivamente. Os dados obstétricos em relação ao parto: 73,0% realizaram mais de sete consultas de pré-natal; a idade gestacional no momento do parto, prevaleceu de 37 a 41 semanas com 78,0%; início do trabalho de parto: espontâneo 46,1%, induzido 29,1% e interrupção cirúrgica prévia 24,8%; o tipo de parto: normal/vaginal 54,6% e 45,4%; cesáreo; o profissional que assistiu ao parto: 74,5% por médicos e 16,3% por enfermeiros. Observou-se que a proporção do tipo de parto realizado após indução, 71% vaginais e 29% cesáreas. A prevalência de 68% dos partos vaginais sem episiotomia e 61% integridade perineal (ausência lacerações). O local de assistência ao parto/nascimento 89,4% na unidade de referência; 87,9% não apresentaram complicações no parto /pós-parto. Os números de consultas de pré-natal indicam o compromisso/envolvimento da usuária com a assistência no período gestacional e a adesão ao PCC ao realizarem a visita guiada à maternidade de referência ao parto, no terceiro trimestre de gravidez. Desmitificando o local do parir/nascer e reduzindo a busca do atendimento a atenção hospitalar para o parto. Pode-se dizer que o modelo de assistência ao trabalho de parto e parto na unidade de referência apontou resultado de práticas obstétricas intervencionistas, ou seja, indução e interrupção prévia de cesárea. Em contrapartida, as boas práticas foram aplicadas, com a diminuição do uso rotineiro de episiotomia recomendado pela OMS3. Está unidade de referência hospitalar municipal busca seguir os princípios do modelo humanizado de atenção ao parto e nascimento, envolvendo a participação direta de enfermeiras obstétricas na assistência à parturiente de baixo risco. **Conclusão**: Com a implantação do PCC, a área programática 3.2 do município do Rio de Janeiro, assegurou um cuidado humanizado às gestantes cadastradas e aos recém-nascidos, desde o pré-natal até o parto e nascimento nos serviços de saúde de atenção primária e secundária. O vínculo da gestante à unidade de referência e ao transporte seguro assegura boas práticas e segurança na atenção ao parto e nascimento. Com a reorganização da rede de atenção materna e infantil, qualificou a gestão do processo de trabalho, o cuidado humanizado a mulher no ciclo gravídico-puerperal e a redução das taxas de mortalidade materna e neonatal. Neste sentido, a estratégia de articulação e interação entre as atividades fins da universidade, fortalece a indissociabilidade entre o ensino, a pesquisa e a extensão permitindo a permanente intermediação com a realidade do âmbito do SUS na formação do Enfermeiro, articulando a teoria com a prática, oportunizando as situações reais de forma a preparar nas múltiplas competências e habilidades no cuidado a mulher nas diversas fases do ciclo vital, capacitando a reconhecer, interpretar e resolver os problemas específicos e situações em gerais. Desta forma, torna-se possível capacitar os graduandos para o exercício da cidadania, bem como a assunção do papel de sujeitos de transformação da realidade, apresentando respostas para os grandes problemas contemporâneos. **Contribuições para a Enfermagem: **O aprofundamento teórico e dialógico entre os princípios do SUS (Universalidade, Equidade e Integralidade) e as inovações pedagógicas trazidas por abordagens educacionais emancipadoras e crítico-reflexivas se constituiu um marco referencial de implantação de projetos de extensão, fortalecendo o campo da formação do profissional da saúde. Nessa perspectiva, a flexibilização curricular como eixo pedagógico direcionou estratégias de ensino aprendizagem que rompeu a prática dissociativa existente, construindo novas relações institucionais com a SMS/RJ, através de Projetos de Extensão Universitária. A introdução da consulta de Enfermagem a mulher no período gestacional e puerperal oportunizou a vivência na formação, de modo sistemático. Destaca-se que a experiência prática oriunda do graduando de Enfermagem no cuidado a mulher articula o currículo prescrito com as questões que emergem do mundo do trabalho, e, sobretudo, o reconhecimento do valor do “aprender a aprender”, “aprender a fazer”, “aprender a ser” e “aprender a conviver”. A subárea assistencial Saúde da Mulher realçam a flexibilização da incorporação das demandas do serviço na operacionalização do processo de ensino-aprendizagem, produção de conhecimento com base nas experiências desenvolvidas para subsidiar as ações de forma contextualizada segundo as políticas de saúde da mulher.
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