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5678338 | SISTEMATIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NO PERFIL DE MORBIDADE HOSPITALAR POR INSUFICIÊNCIA CARDÍACA | Autores: Natana de Morais Ramos ; Cleide Correia de Oliveira ; Olga Benario Batista de Melo Chaves ; Kelvin Aluzimar Oliveira Cruz |
Resumo: **Introdução:** O diagnóstico de enfermagem ocorre de forma cíclica porque toda a teoria que direciona a aplicação da Sistematização da Assistência de Enfermagem é moldada conforme a realidade na qual o serviço de enfermagem encontra-se inserido. A implantação dessa Sistematização envolve uma mudança de comportamento e é amparada com a informatização, a educação permanente, ferramentas de gestão e com a pesquisa. Contudo, as políticas públicas de saúde sugerem cada vez mais uma necessidade de reorganização da assistência aos pacientes através de uma análise específica sobre os indicadores de saúde e dos serviços prestados à população, principalmente em cenários clínicos de maior prevalência, como ocorre com os índices de morbimortalidade por doenças cardiovasculares.1 No Brasil, o número de mortes assemelham-se aos parâmetros mundiais e representa a maior causa de internações no país. Dentre as doenças cardiovasculares, a insuficiência cardíaca é uma condição que apresenta potencial fatalidade clínica devido à deficiência de abordagem em fatores etiológicos de forma prévia e elevados custos. Apesar dos avanços tecnológicos na sociedade moderna, a incidência de insuficiência cardíaca vem aumentando, justificando-se parcialmente pelo envelhecimento da população e maior prevalência de patologias predisponentes, como a insuficiência renal e o diabetes _mellitus_. O impacto na qualidade de vida do usuário é resultado de um quadro clínico com respostas humanas em maior grau de complexidade e traz como relevante o uso de estratégias por meio da Sistematização da Assistência de Enfermagem. Através deste norteamento sistemático, fundamenta-se a investigação de políticas preventivas e a elaboração de critérios para suporte clínico efetivo em todas as etapas do processo de enfermagem.2 **Objetivo:** Descrever a importância da sistematização da assistência de enfermagem na redução dos índices de morbidade hospitalar do SUS por insuficiência cardíaca. **Métodos:** Esta pesquisa é de natureza descritiva e epidemiológica, realizado a partir de dados secundários disponibilizados pelo Sistema de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde (SIH/SUS). Os dados foram coletados em janeiro e fevereiro de 2018, porém, são referentes ao ano de 2017. A escolha do período ocorreu por ser o ano mais recente e com maior índice de morbidade hospitalar por insuficiência cardíaca registrado no SIH/SUS. As amostras dos dados disponibilizados referem-se a internações em todo o país e incluem aspectos comparativos como caráter do atendimento e o nível de qualidade do serviço de saúde prestado pela equipe de enfermagem sob o julgamento do próprio usuário. Os dados foram arquivados no software de planilha eletrônica _Microsoft Excel for Windows_ 2018 e analisados, tendo como parâmetro a aplicabilidade da Sistematização da Assistência de Enfermagem neste processo. **Resultados:** O ano de 2017 foi identificado como o período com maior número de internações por insuficiência cardíaca no país, totalizando 205.824 casos. Nessa amostra, 95,27% (n=196.087) das internações referem-se ao atendimento de urgência, apenas 4,73% (n= 9.737) são eletivas. O maior índice de internações consta o mês de agosto, sendo registrados na urgência (n=18.407) e no eletivo (n=957). Contudo, o mês de dezembro revela menor índice de casos, com 13.751 na urgência e 692 internações no atendimento eletivo. Quanto ao quesito permanência, a média de todos os atendimentos variou de 7,3 dias em janeiro para 7,9 dias em dezembro, evidenciando-se evolução clínica cada vez mais prolongada do usuário no decorrer do ano. O aumento da taxa de mortalidade ocorreu de forma expressiva a partir da faixa etária maiores de 60 anos e menores de 1 ano de vida. O aumento da idade representou-se como um fator de risco, pois a maior taxa de mortalidade (n=16,65) encontrada foi na população com mais de 80 anos. O grupo etário referente aos menores de 1 ano teve o maior tempo médio de permanência no serviço de saúde (12,3 dias), enquanto que a população com mais de 80 anos o menor identificado (6,7 dias). A faixa etária com maior custo financeiro foi a população menor de 1 ano, com investimento médio de 4.472,70 reais. A partir da terceira década de vida, ocorre decréscimo do custeio no serviço de saúde. No caso da população com mais de 80 anos de vida ocorreu menor custo orçamentário, valor médio total de 1.266,89 reais. O terceiro trimestre de 2017 revela menor qualidade do serviço de saúde a partir do julgamento do usuário representado por nota média de 6,8 em uma escala de 0 a 10, sendo que o primeiro trimestre foi o período que obteve melhor rendimento avaliado (nota média = 7,5). Em relação ao período de 2010 a 2017, o último ano foi considerado como “dentro da média”, como o nono melhor ano registrado. Porém, há maior grau de insatisfação identificado pelo usuário no período de 2013 a 2016, tendo como principal queixa a demora no atendimento de urgência, muitas vezes visualizados durante a primeira etapa do processo de enfermagem, onde verifica-se a ocorrência de atendimento eletivo até mesmo em outra instituição de saúde com o objetivo de dar continuidade a assistência de saúde. **Conclusão:** Verifica-se disparidade no custeio orçamentário devido menor investimento na faixa etária com mais de 80 anos de vida. Além disso, surgiu maior necessidade de triagem sobre a demanda de usuários com insuficiência cardíaca por causa do tempo médio de permanência em dias relativamente alto já que quase todas as internações são urgências. A qualidade do serviço de saúde é prerrogativa da satisfação do usuário e da gestão dos profissionais de cada instituição hospitalar na adoção de estratégias sobre a redução da taxa de mortalidade e do tempo médio de permanência. **Implicações para a Enfermagem:** O enfermeiro deve se atentar sobre o perfil de respostas humanas mais características e como isso interfere na qualidade de vida do usuário. A elaboração dos diagnósticos de enfermagem requer que o profissional norteie estrategicamente o perfil de morbidade em sua região de saúde e o impacto em diversas categorias de usuário (idoso, mulher, atendimento de urgência,...), pois o diagnóstico de enfermagem também se enquadra na qualidade de vida da família e da comunidade do indivíduo com insuficiência cardíaca, e com isso, o profissional enxerga de forma mais nítida o nível de promoção de saúde por incluir contextos reais do foco macroestrutural.
Referências: 1. Adams,F Rodrigues,F C P Fontana R T. As Tecnologias Leves na Assistência de Enfermagem em uma Unidade de Terapia Intensiva . Rev enferm UFPE on line. 2011 mar./abr.p.417-25 Disponivel em: http://www.revista.ufpe.br/revistaenfermagem/index.php/revista/article/viewFile/1366/pdf_449 .
2.Menegaz, J C. et al Revisitando o Debate a Formação em Enfermagem: De onde Partimos e para onde Vamos. Invest. educ. enferm vol.31 no.3 Medellín set./dez. 2013
3.Reis,M B V B. Atendimento Humanizado em Unidade de Urgência e Emergência Monografia curso Especialização. UFSC. Florianópolis.2014.
4 Freire, Paulo. Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2005.
5. Filho,C.C.S.; et al apud Heidamann, 2006; Prado M L.;Reibnitz K S .2013. Da pirâmide para o círculo: em busca de práticas educativas participativas em saúde. In. Prado, M.L.; Reibnitz, K.S. Paulo Feire: a boniteza de ensinar e aprender na saúde. NFR/UFSC, Florianópolis, 2016. p.145. |