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SENADEn - ISSN: 2316-3216 || SINADEn - ISSN: 2318-6518 • ISSN: 2318-6518
Resumo: 5575626

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5575626

GRUPOS FOCAIS PRESENCIAL E ON-LINE PARA EDUCAÇÃO EM SAÚDE E COLETA DE DADOS DE PESQUISA SOBRE SEXUALIDADE COM ADOLESCENTES

Autores:
Letícia Katiane Martins ; Caroline Locks Guedes ; Ana Paula Appel ; Solange de Fátima Reis Conterno

Resumo:
**Introdução**: Os adolescentes têm direito à educação em saúde, sexual e também reprodutiva, bem como, ter acesso aos métodos contraceptivos1. Dentre as ações destacam-se as de educação em saúde, desde as convencionais, realizadas pela exposição oral, até as mediadas por tecnologias, potencializando o diálogo entre os serviços de saúde, educação e os adolescentes. Nem sempre estas ações educativas estão acompanhadas das percepções que os adolescentes produzem sobre sexualidade, o que ajudaria na efetiva implementação de práticas educativas. Experiência sustentada no referencial de Paulo Freire mostrou que a metodologia possibilitou que pesquisadores e participantes elaborassem processos de conhecimento a partir de suas necessidades, culminando em ricas discussões sobre o tema2. Uma das formas para realização da educação em saúde é o grupo focal após a preparação e desenvolvimento de roteiro com atividades de interação3. A internet e as redes sociais têm sido meios significativos para a promoção de saúde aos adolescentes, representando uma ferramenta acessível de compartilhamento de diversos assuntos, consoante aos interesses de cada público, Além da criação de grupos específicos3. **Objetivo:** Relatar a experiência do recurso a grupos focais presenciais e on-line para coleta de dados de pesquisa e educação em saúde com adolescentes. **Descrição Metodológica:** Estudo exploratório de abordagem qualitativa no qual a coleta de dados ocorreu por meio de grupo focal presencial e _on-line_, sustentado no referencial pedagógico de Paulo Freire. Participaram estudantes de três turmas do oitavo ano do ensino fundamental do período vespertino de um colégio estadual. Foram incluídos os alunos que assinaram o Termo de Assentimento; os que trouxeram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido assinado pelos pais ou responsáveis; que possuíam acesso à rede social e estivessem na sala de aula nos dias agendados para realização dos encontros presenciais. A temática Saúde Sexual e Reprodutiva é conteúdo escolar a partir do oitavo ano do ensino fundamental, motivo pelo qual se escolheu esta série. Participaram 72 alunos, com idades entre 12 e 15 anos. Foram constituídos ambientes virtuais de interação entre as pesquisadoras e os adolescentes em formato de grupo fechado de conversa no _Facebook,_ onde foram continuadas as atividades com as temáticas abordadas presencialmente. As ações foram concentradas em um dia da semana, conforme consulta prévia à disponibilidade dos alunos com relação ao acesso à rede social, totalizando quatro encontros nos grupos focais _on-line_ assíncronos, ou seja, naqueles em que os encontros não são simultâneos, no decorrer de um mês5. As interações foram registradas nos ambientes _on-line_, cujos dados foram sistematizados e analisados. Foram realizados cinco encontros presenciais nas segundas-feiras a tarde com duração de 1 hora/aula para cada turma com os temas: Adolescência, Autoimagem e estereótipo do adolescente, Sexualidade e Infecções Sexualmente Transmissíveis, Métodos contraceptivos e gravidez na adolescência, Retomada/esclarecimento de dúvidas. Quatro encontros on-line com os temas: Puberdade e anatomia do sistema reprodutor masculino e feminino, Saúde do adolescente e discussão de gênero, Infecções Sexualmente Transmissíveis, Fecundação, gestação e gravidez na adolescência. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa conforme Parecer nº 1.316.733/2015. **Resultados**: No oitavo A foram sujeitos 19 alunos, no oitavo B, 30 e no oitavo C 23, portanto 72 escolares. Dentre eles, 40 eram do sexo masculino, 32 do sexo feminino, ambos com idade entre 12 e 15 anos. Compareceram a todos os encontros 28 alunos, a quatro encontros 25, em três nove alunos, dois em sete encontros e três compareceram a um encontro. Para a organização dos grupos focais _on-line_ solicitou-se aos adolescentesque repassassem os perfis na rede social para que fossem adicionados aos ambientes privados de interação _on-line _construídos pelas pesquisadoras. A maioria, 60 alunos (83,4%) afirmou fazer uso de redes sociais, enquanto 12 (16,6%) referiram não ter acesso. Foram criados três grupos _on-line_, nos quais os adolescentes foram incluídos de acordo com a turma a qual pertenciam. O total de adolescentes que participaram nos três grupos _on-line_ foi 60 estudantes, sendo 31 do sexo masculino e 29 do sexo feminino. Nos grupos focais presenciais houve a interação constante dos alunos com as pesquisadoras, com criação de vínculo, pois indicavam que gostariam que as ações de educação em saúde continuassem. Percebeu-se ampla liberdade e abertura para o desenvolvimento das atividades nas várias estratégias lúdicas utilizadas. Porém, A utilização do grupo focal _on-line _assíncrono, por meio do _Facebook,_ não foi bem sucedida para a coleta de dados e educação em saúde conforme se esperava. Os adolescentes se mostraram desinteressados e, apesar de visualizarem as publicações, não corresponderam aos estímulos por parte das pesquisadoras. Quando se iniciou a atividade presencial e se solicitou aos alunos os endereços do _Facebook_ não se percebeu nenhum estranhamento deles quanto à utilização desta ferramenta para a interação. Da mesma forma, diante da escassa participação dos alunos nos encontros _on-line_, no início dos encontros presenciais se reforçava a necessidade de que eles tirassem um tempo para dialogar com os pesquisadores no formato _on-line_. Perguntava-se neste momento se havia alguma coisa que os desmotivava a participar e eles, ou não verbalizavam ou quando verbalizavam não ofereciam respostas que justificassem sua desmotivação para o contato virtual, alguns referiam não estar inclusos no grupo, estar sem acesso à _Internet_ ou estar sem tempo. **Conclusão: **Destaca-se a motivação dos adolescentes quando os temas e atividades propostas desencadeavam interesse para seu efetivo envolvimento e atuação, indicando assim que as estratégias pedagógicas precisam contemplar a mobilização de suas capacidades cognitivas, lúdicas e motoras. Eles precisam ser efetivamente envolvidos durante as ações de educação e saúde. **Contribuições para a Enfermagem**: Conhecer as percepções dos adolescentes é condição para a realização de práticas educativas que mobilizem suas potencialidades para cuidar da saúde sexual e reprodutiva assim como vivenciar de forma segura a sexualidade.


Referências:
Referências: 1.Barreto DG, et al. Simulação realística como estratégia de ensino para o curso de graduação em enfermagem: revisão integrativa. Revista Baiana de Enfermagem, Salvador, v. 28, n. 2, p. 208-214, maio/ago. 2014. 2.Teixeira INDO, Felix, JVC. Simulação como estratégia de ensino em enfermagem: revisão de literatura. Interface - Comunic., Saúde, Educ., 2011. 3.Nanda International. Diagnósticos de enfermagem da Nanda: definições e classificação 2015-2017. 2ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2015. 4.OMS. World alliance for patient safety. Implementation manual surgical safety Checklist (first edition). Safe Surgery saves lives. 2008. Disponível em: . Acesso em: 12. Dez. 2017. 5.Pancieri, AP, Carvalho R, Braga EM. Aplicação do checklist para cirurgia segura: Relato de experiência; Rev. SOBECC. vol. 19, n. 1, p. 26-33, jan./mar. 2014.