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SENADEn - ISSN: 2316-3216 || SINADEn - ISSN: 2318-6518 • ISSN: 2318-6518
Resumo: 5363059

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5363059

EFEITOS DA GEOTERAPIA SOBRE OS NÍVEIS DE DOR EM MULHERES COM FIBROMIALGIA: UM ENSAIO CLÍNICO PILOTO

Autores:
Graciela Mendonça da Silva de Medeiros ; Isadora Ferrante Boscoli de Oliveira Alves ; Alline Marques Morbeck

Resumo:
**RESUMO**: **Introdução:** A fibromialgia (FM) é uma síndrome dolorosa, crônica e generalizada, na qual se evidencia hipersensibilidade a digito-pressão em sítios específicos (_tender points_), ocasionando aos seus portadores, quadros de dor intensa além de diversas disfunções bio-psico-emocionais e sociais. Na atualidade, a FM tornou-se a segunda patologia mais prevalente nos consultórios reumatológicos, acometendo cerca de 2,5% da população mundial, em sua grande maioria mulheres (6 - 10:1). Embora sua principal característica seja a presença da dor, outros sintomas como fadiga, depressão, ansiedade, distúrbios do sono, cólon irritado e problemas cognitivos, também se encontram associados à síndrome, demonstrando a complexidade de seu tratamento. Apesar das inúmeras hipóteses sobre sua origem, ainda não foi demonstrado em meio científico, uma causa específica para o surgimento da FM, ficando o seu tratamento limitado a diminuição dos sintomas, em especial, da dor. Em definição, a vivência da dor pode ser caracterizada como uma experiência multidimensional desagradável, ocasionada por um dano real ou potencial dos tecidos. Ela desempenha uma função de alerta perante estímulos que ameacem a integridade do indivíduo sendo, portanto, subjetiva, pessoal e fundamental a sobrevivência humana. Mediante sua natureza complexa, os tratamentos voltados ao alívio dos sintomas da FM ainda se deparam com muitos desafios. Os principais encontram-se atrelados a dificuldade em mensurar a intensidade dolorosa e defini-la, em prol de desenvolver uma prática de tratamento adequada e eficaz a necessidade de cada pessoa. Neste sentido, a intervenção da enfermagem com as práticas complementares e de abordagem não invasivas, oferecem aos profissionais da saúde um olhar ampliado e inovador em suas ações, possibilitando-os maximizar sua atuação em casos como os da FM, principalmente na qualidade do cuidado prestado. Para tanto, é necessário que mais estudos sobre essas práticas sejam realizados, tanto para disseminar seus efeitos baseando-os em evidências científicas, como também para sistematizar sua utilização pelos profissionais, a fim de alcançar seus melhores resultados. Dentre essas práticas encontramos a geoterapia, um método terapêutico popularmente muito utilizado, no qual tem-se a terra (argila) como agente de prevenção e tratamento de disfunções biológicas. Embora seja ampla a variedade de argilas, a argila de coloração verde, em especial, apresenta em sua composição química quantidades elevadas de diversos elementos de efeito desintoxicante, remineralizante e sedativo, capazes de auxiliar o relaxamento e o alívio em pacientes com dor crônica. Seu uso medicinal já vem sendo comprovado no tratamento de dores causadas por tendinites, bursite, inflamações articulares, bem como outras disfunções crônicas, mas pouco foi investigado sobre seu efeito nas dores da FM. **Objetivo: **Com isso se objetivou neste estudoverificar os efeitos da geoterapia no alívio da dor experienciada por mulheres diagnosticadas com fibromialgia.** Metodologia: **Estudo de natureza quantitativa, exploratória, explicativa, de temporalidade longitudinal. Para participar do estudo, admitiu-se como critério: ser mulher, possuir diagnóstico de fibromialgia, idade entre 18 e 60 anos, disponibilidade para participação e responder aos questionários escolhidos - Questionário de Impacto da Fibromialgia (FIC); Questionário Sociodemográfico (elaborado pelas autoras); e Escala Visual Analógica (EVA), para dor. Para exclusão, adotou-se: apresentar lesões na pele que impossibilitaram a aplicação da modalidade; usar medicação tópica na região escolhida e ter faltas consecutivas não justificadas. O recrutamento, bem como a aplicação da pesquisa, ocorreu em uma universidade no sul do país, no primeiro semestre de 2016. O tempo de intervenção teve durabilidade de um mês, com dois encontros semanais, totalizando 8 sessões de aproximadamente 60 min. Na primeira e oitava sessão, foram preenchidos os questionários Sociodemográfico e FIC, juntamente com a escala de dor EVA (aplicada ao final de todos os atendimentos). Após preenchimento, os participantes foram posicionados em uma maca previamente preparada (higienizada e forrada) em decúbito ventral sem as vestes superiores. Em seguida, foi feita uma esfoliação suave em toda região dorsal com uma gaze umedecida em água e, posteriormente, foi aplicado a argila verde já preparada e aquecida, formando uma camada de 1 a 2cm de espessura. Para finalizar, cobria-se a região com uma toalha mais um lençol, mantendo apenas a cabeça da participante para fora. 40 minutos depois, a argila era removida com um instrumento tipo abaixador de língua, gaze umedecida em água e papel toalha para secagem da pele. Os dados obtidos foram analisados a partir do teste _t student_ e seu teste não-paramétrico a fim de avaliar as diferentes médias do EVA e FIQ. Para analisar a melhora, piora e igualdade na comparação das médias, fez-se o uso do teste de _Wilcoxon_, com a significância de p <0,05 para um intervalo de confiança (IC) de 95%. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa em março de 2016, sob protocolo 54013116.1.0000.5369.**Resultados: **Participaram do estudo 15 mulheres, sendo 4 excluídas dos resultados por desistência, totalizando 11 integrantes. A média de idade do grupo foi de 39,91 ± 9,64 (Média ± desvio padrão). Destas, 72,7% (8) conviviam com o diagnóstico de FM entre um e sete anos e 18,8% (2) há mais de oito anos, sendo que 81,8% (9) faziam uso de medicamentos (9). Na comparação dos resultados coletados no 1º e 8º atendimento, referente ao FIQ, foi observado uma melhora significativa das participantes ao final do tratamento (68,4/35,2 e o valor de p=0,0013), sendo demonstrados também no EVA uma diminuição relevante nos níveis de dor ao final de cada sessão - (6,9/3,5) e o valor de p= 0,001). Não foi relatado nenhum tipo de evento adverso pelas participantes após a terapêutica. **Conclusão: **Além da diminuição da dor, o tratamento com a geoterapia revelou-se significante no tratamento dos outros sintomas da FM citados anteriormente, nos quais foram quantificados no Questionário de Impacto da Fibromialgia (FIQ) com a média inicial de 68,4 e média final de 35,2, sendo o valor de p=0,0013.Tais resultados corroboram para reforçar a utilização da geoterapia por enfermeiros, e demais profissionais capacitados, no tratamento das dores e sintomas associados a fibromialgia, como uma terapêutica de atuação ampla, de fácil aplicação e sistematização, não invasiva e de resultado imediato.


Referências:
Merhy EE. Planejamento como tecnologia de gestão: tendências e debates do planejamento em saúde no Brasil. In: GALLO E, organizador. Razão e Planejamento: reflexões sobre política, estratégia e liberdade. São Paulo- RJ: HUCITEC-ABRASCO, 1995. p.136 Souza MF. As teorias de enfermagem e sua influência nos processos cuidativos. In: Cianciarullo TI, Gualda DMR, Melleiro MM, Anabuki MH. Sistematização de Assistência de Enfermagem: evolução e tendências. 3ª ed. São Paulo: Ícone; 2001. p. 29-40. Brasil. COFEN. Resolução COFEN nº. 272, de 27 de agosto de 2002: Dispõe sobre a Sistematização da Assistência de Enfermagem – SAE [internet]. Conselho Federal de Enfermagem. 2002 ago 27 [Acesso em 05 de dezembro de 2017]. Disponível em: http:// www.portalcofen.gov.br/2007/materias.asp?ArticleID=7100& sectionID=34