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5216173 | EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA: DIVERSIFICANDO CENÁRIOS DE INTERAÇÃO COMUNITÁRIA E FORTALECENDO A PRÁTICA DE ACADÊMICOS DE ENFERMAGEM | Autores: Deborah de Farias Lelis ; Talita Antunes Guimarães ; Flávio Júnior Barbosa Figueiredo ; Alanna Fernandes Paraíso |
Resumo: **Introdução**
A formação pelas instituições de ensino superior de um perfil de atuação de
profissionais que precisam ir além das práticas atuais e avançar nos
diferentes cenários sociais nos quais os atuais estudantes estarão inseridos
futuramente no mercado de trabalho, é uma exigência das diretrizes
curriculares dos cursos. Para alcançar essa tendência, faz-se necessário que o
acadêmico consiga identificar as necessidades de saúde da população e ampliar
o foco de formação profissional, superando o atual modelo de saúde como
ausência de doenças, e ter uma visão ampliada da saúde como resultante das
condições de vida e como produto social (1).
Nesse contexto, a extensão universitária surge como um processo educativo e
científico, que articula o ensino e a pesquisa de forma indissociável,
possibilitando uma relação entre a instituição de nível superior e a sociedade
(2). De acordo com os pressupostos da Lei de Diretrizes e Bases da Educação
Nacional (1996), a educação superior tem por finalidade estimular no acadêmico
o conhecimento dos problemas do mundo, prestar serviços especializados à
comunidade, estabelecendo com esta uma relação de reciprocidade. Cabe ainda
promover a extensão com a comunidade, visando à difusão do conhecimento gerado
na instituição. Essa relação entre a comunidade e instituições de ensino
superior, enriquece o processo de ensino-aprendizagem socializando o saber com
a participação da comunidade na vida acadêmica. Esse elo entre os alunos,
profissionais e comunidade torna-se fundamental para realimentar o ensino,
trocar conhecimentos, experiências e para a prática da pesquisa científica
(3).
Nesse contexto, as instituições de ensino superior têm construído propostas
que permitem a integração entre o serviço, ensino e comunidade de forma
extracurricular, inserindo os estudantes precocemente com a realidade local e
vida cotidiana da sociedade, , possibilitando ao acadêmico o conhecimento dos
problemas reais da população e desenvolvimento da sua visão crítica e
reflexiva (4).
Sob essa perspectiva, e considerando a primazia pela qualidade na formação dos
acadêmicos do curso de graduação em Enfermagem, a coordenação, implantou em
2015, o Grupo de Extensão em Enfermagem, como respostas as tendências das
Diretrizes curriculares dos cursos da área da saúde, com o objetivo de
fornecer subsídios para a prática de enfermagem, em situações reais de
trabalho, além de possibilitar ao aluno o desenvolvimento de atividades
práticas, contribuindo para o aperfeiçoamento de técnicas, domínio e segurança
das atividades desenvolvidas, proporcionar a integração entre a instituição e
a comunidade, através de ações participativas que busquem a legitimação do
conhecimento, fortalecer relações de parceria permanente e continuada com os
campos de desenvolvimento das atividades práticas, proporcionar ao acadêmico a
oportunidade de integrar-se ao campo profissional, ampliando sua formação
teórico-prática e interdisciplinar e favorecer o desenvolvimento de
competências e habilidades, como cidadão consciente.
Neste contexto, o objetivo deste trabalho é relatar a trajetória e
experiências das práticas de interação ensino-serviço-comunidade de acadêmicos
de enfermagem inseridos em atividades extensionistas das Faculdades Santo
Agostinho de Montes Claros, Minas Gerais, Brasil.
**Metodologia**
Este trabalho registra a trajetória e experiências dos acadêmicos de
enfermagem de uma instituição de ensino superior, sobre as ações dos projetos
de extensão, desenvolvidas no período de 2015 à 2017. Para o desenvolvimento
das ações são considerados como cenários na comunidade: instituições com
caráter público, filantrópicos ou privados, comunidades e povos tradicionais
quilombolas e indígenas, mulheres com privação da liberdade, cidades situadas
na região norte do estado de Minas Gerais, escolas e praças públicas. O
público alvo foi composto por crianças, adolescentes, adultos e idosos,
dependendo do objetivo principal do evento.
Os planejamentos das ações foram feitas mediante a orientação de um professor.
As ações e atividades tiveram duração total de acordo com o estabelecido pelas
instituições parceiras, preferencialmente atendendo as necessidades do
acadêmico e do campo. Todos os acadêmicos, independente do período,
participaram dos eventos realizados pela instituição. Os materiais e recursos
foram fornecidos pela instituição e parcerias com secretarias de saúde
municipais.
Para ofertar a comunidade um trabalho multiprofissional, acadêmicos de outros
cursos da instituição (farmácia, engenharia ambiental, psicologia,
fisioterapia, sistemas de informação, direito e administração) e parceiros
(médicos, dentistas, enfermeiros, fisioterapeutas e educadores físicos) foram
colaboradores dos eventos. O relato foi feito baseado nos registros dos
relatórios detalhados entregues a coordenadoria do curso no período
estabelecido. Para comprovação das atividades, foi desenvolvido um relatório
final contendo: informações relacionadas à ação (data, horário, local, público
alvo e descrição da atividade), lista de presença dos participantes, alunos e
fotos comprobatórias.
**Resultados**
Para o desenvolvimento das ações foi realizado um planejamento entre os
acadêmicos e professores, baseado nas demandas trazidas pela comunidade ou
município. Os acadêmicos realizaram atividades de acordo com as habilidades e
competências adquiridas ao longo do curso, sendo exercidas pelos acadêmicos de
enfermagem: ações educativas, aferição da pressão arterial, avaliação do
estado nutricional, teste de glicemia, teste rápido para doenças sexualmente
transmissíveis, visitas domiciliares, aplicação de vacina, orientações sobre
promoção da saúde e prevenção de doenças, oficinas, maquiagens artísticas e
atividades recreativas com crianças. As ações desenvolvidas pelos demais
profissionais incluíram: escovação bucal supervisionada, alongamentos,
massoterapia, atendimento clínico sob supervisão médica, visitas domiciliares,
criação de hortas comunitárias e oficinas com temáticas diversas.
Desde a criação do grupo, os acadêmicos realizaram: 04 visitas em comunidades
indígenas, 02 em comunidades quilombolas e 20 cidades situadas no norte do
estado. Em Montes Claros, o grupo promoveu: 70 ações incluindo escolas e
praças públicas, palestras em instituição privada e pública. No total mais de
dez mil pessoas receberam serviços ofertados pela equipe. A atuação dos
acadêmicos e docentes na comunidade é vista como fundamental para a
comunidade, pois permite a geração de conhecimentos sobre estratégias para
prevenção de doenças e promoção da saúde em classes socioeconômicas menos
favorecidas, além do compartilhamento de experiências entre os diversos atores
sociais e protagonistas (professor, acadêmico e comunidade).
**Conclusão **
Conclui-se que a inserção precoce dos acadêmicos nos distintos cenários
sociais, permitiu a formação de profissionais mais cidadãos corresponsáveis
com a sua comunidade, em contextos que futuramente poderá estar inserido. A
participação em atividades de extensão aliada com a prática acadêmica,
contribuiu para o desenvolvimento de pesquisas científicas, conhecimento de
diferentes culturas (indígenas, quilombolas) e realidades sociais. O contato
do acadêmico com a sociedade foi fundamental para que o estudante reconheça,
proponha e atue sobre as demandas sociais e de saúde população, formando
enfermeiros com visão holística e crítica, além de ser considerado um espaço
saudável de interação com professores e a sociedade.
Referências: DOWDING, T.J. The applicationof a Spiral curriculum modeltotechnical training curricula. Illinois: EducationTechnical; july, 1993. Cap. 7(33); p.21-30.
GARANHANI, M.L.; et al. IntegratedNursing Curriculum in Brazil: A 13-Year Experience. USA: CreativeEducation; receber, 2013. Cap 12b(4); p.66-74.
Malucelli A, Otemaler KR, Bonnet M, Cubas MR, Garcia TR. Information system for supportingthenursingcaresystematization. RevBrasEnferm. 2010. |