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SENADEn - ISSN: 2316-3216 || SINADEn - ISSN: 2318-6518 • ISSN: 2318-6518
Resumo: 5163766

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5163766

SUBCONJUNTO TERMINOLÓGICO PARA O ENFRENTAMENTO DA VIOLÊNCIA DOMÉSTICA INFANTIL

Autores:
Emiko Yoshikawa Egry ; Karen Namie Sakata-so ; Lêda Maria Albuquerque ; Marcia Regina Cubas

Resumo:
Em 2015, no mundo, cerca de 300 milhões de crianças na faixa etária de dois a quatro anos sofreram violências disciplinares (física ou psicológica) por seus cuidadores e 250 milhões sofreram punições físicas. Dentre as crianças abaixo de cinco anos de idade, 176 milhões  viviam com a mãe que também era vítima de violência por parceiro íntimo. O fenômeno da violência infantil é complexo e a equipe de enfermagem deve conhecer e utilizar ferramentas para enfrentá-lo, sendo uma delas a identificação e registro da violência por meio de terminologias padronizadas, dentre elas, a Classificação Internacional para a Prática de Enfermagem (CIPE®). Um dos subconjuntos terminológicos da CIPE® desenvolvidos no Brasil foi o “Subconjunto terminológico para o enfrentamento da violência doméstica contra criança e adolescente”, construído na perspectiva da Enfermagem em Saúde Coletiva. Tal subconjunto, que carecia de validação de seus elementos, organizou os diagnósticos, resultados e intervenções de enfermagem no modelo teórico da Teoria da Intervenção Práxica da Enfermagem em Saúde Coletiva (TIPESC) e na determinação social do processo saúde-doença. O objetivo da pesquisa que originou este resumo foi validar o subconjunto terminológico da Classificação Internacional para a Prática de Enfermagem (CIPE®) para o enfrentamento da violência doméstica infantil. O percurso metodológico teve como referencial teórico para análise o materialismo histórico-dialético e a TIPESC. Utilizou-se da base dos diagnósticos, resultados e intervenções de enfermagem, elaborados por Albuquerque (2014), composta de 196 diagnósticos/resultados de enfermagem e 275 intervenções de enfermagem, distribuídas em duas categorias: a de fortalecimento e promoção da saúde; e desgastes, causas, manifestações e consequências da violência. A validação baseou-se no método brasileiro para elaboração de subconjuntos terminológicos e foi dividida em duas fases (Fase 1 e Fase 2), sendo primeiramente validados os diagnósticos e os resultados de enfermagem e, posteriormente, as intervenções de enfermagem para o conjunto de diagnóstico e resultados validados na Fase 1. O subconjunto inicial foi avaliado por 45 juízas/especialistas, utilizando questionário em meio eletrônico, sendo que 32 juízas participaram da análise na Fase 1 e 13 da análise da Fase 2.  O escore dos resultados foi baseado no índice de validade de conteúdo (IVC), sendo considerado validados os diagnósticos, resultados e intervenções com IVC > 0,79. O estudo foi aprovado por Comitê de Ética em Pesquisa sob parecer número 1.433.634. Todas as juízas eram do sexo feminino; enfermeiras que atuavam na área de Saúde Coletiva/Atenção Básica; com experiência profissional com a CIPE® ou com o tema da violência doméstica infantil, na assistência, no ensino, na pesquisa ou na gestão; com idade predominante acima dos 31 anos; tempo de conclusão do curso de graduação de 16 anos ou mais; e com perfil de formação em em pós-graduação lato ou strito sensu. Como resultados foram validados 14 diagnósticos/resultados de enfermagem, na categoria de fortalecimentos e promoção (nove direcionados para a criança e cinco para a família) e 46 diagnósticos/resultados de enfermagem, na categoria de desgastes, causas, manifestações e consequências (30 para direcionados para criança e 16 para a família). Foram validadas 19 intervenções de enfermagem na categoria fortalecimentos e promoção; 63 na de desgastes, causas, manifestações e consequências e 18 intervenções aplicáveis a ambas as categorias. O subconjunto validado é composto por 60 diagnósticos/resultados e 100 intervenções de enfermagem a partir dos quais a(o)s enfermeira(o)s têm a liberdade para pensar o fenômeno social da violência doméstica infantil e escolher as formas de enfrentamento que melhor representem a realidade na qual estão inseridos. Identifica-se que a maioria dos subconjuntos terminológicos da CIPE®, que estão disponíveis atualmente, está baseada em modelos teóricos de cunho biológico e individual, sendo o foco uma condição clínica alterada. Pouco se avança na produção de subconjuntos terminológicos que se valem dos conhecimentos construídos pela Saúde Coletiva. A crítica é feita não no sentido de desvalorizar a importante produção dos subconjuntos das mais diversas áreas de conhecimento da Enfermagem, ao contrário, é de apontar a lacuna que fica no trabalho realizado pela(o)s enfermeira(o)s quando se pretende evidenciar os fenômenos, principalmente os fenômenos sociais, sobre os quais ela(e)s atuam. Dado o referencial teórico no qual está embasado, o subconjunto terminológico não é estático e engessado, mas caracteriza-se por ser uma das diversas ferramentas do processo de trabalho da(o)s enfermeira(o)s. E é no contexto do processo de trabalho destes e na interface com outros processos de trabalho da saúde e de outros setores da sociedade que ele deve ser usado e criticado. Não deve ser um instrumento que restrinja as práticas e nem substitua o raciocínio clínico e crítico dos trabalhadores. Deve ser uma ferramenta de apoio que se pretende repensar o fenômeno da violência doméstica infantil em sua dinamicidade e historicidade. Discute-se que as ações de enfrentamento da violência doméstica infantil, um fenômeno social que é complexo, exige uma atuação mais consistente e ampliada da(o)s enfermeira(o)s. A atuação nas manifestações e nas consequências da violência não é suficiente, ainda que estas tenham sido as faces da violência doméstica infantil que mais tiveram peso na avaliação das juízas. Por compreender a existência e a intensidade de conflitos no cotidiano do trabalho da(o)s enfermeira(o)s na Atenção Básica  que não se tem a pretensão de enquadrar e enrijecer ainda mais sua atuação ao utilizarem o Subconjunto Terminológico. Mas, ao contrário, a intenção é de que esta ferramenta sirva de apoio na dura tarefa de lidarem com o fenômeno social da violência doméstica infantil. As limitações deste estudo que gerou este resumo estão relacionadas ao processo de validação do subconjunto terminológico da CIPE®, pois, dada a complexidade do fenômeno estudado, o conteúdo a ser validado era extenso e denso, sendo difícil adaptá-lo para um instrumento do tipo questionário estruturado, o que gerou um questionário longo, resultando no desestímulo à adesão das juízas à pesquisa, em especial, na segunda fase. Por se tratar de um fenômeno multiprofissional e interprofissional, o subconjunto tem o potencial de se comunicar com as demais áreas da rede proteção às crianças e suas famílias, fortalecendo a ação interdisciplinar de enfrentamento da violência doméstica infantil. Assim, sugere-se que outros estudos sejam realizados a fim de averiguar as potencialidades de aplicação no cotidiano de trabalho da(o)s enfermeira(o)s e em articulação com os outros profissionais.


Referências:
1 Gillo MC, Freitas ALS, Gessinger RM, Lima VMR. A gestão da aula universitária na PUCRS. Porto Alegre: Edipuc, 2008. 2 Herdman HT, Kamitsuru S. Diagnóstico de Enfermagem da NANDA: definições e classificação 2015-2017. Porto Alegre: Artmed, 2015. 3 Barros ALBL. Anamnese e exame físico: avaliação diagnóstica de enfermagem no adulto. 3.ed. Porto Alegre: Artmed, 2016.