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5100578 | REVISÃO DO RESULTADO DE ENFERMAGEM COMPORTAMENTO DE PREVENÇÃO DE QUEDAS EM PESSOAS COM ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL | Autores: Thelma Leite de Araujo ; Francisca Bertilia Chaves Costa ; Marcos Venícios de Oliveira Lopes ; Alice Gabrielle de Sousa Costa ; Ana Railka de Souza Oliveira-kumakura |
Resumo: As taxonomias como a _Nursing Outcomes Classification_ (NOC) respaldam e
fundamentam as ações do enfermeiro dentro de sua prática assistencial. Em
alguns casos, no entanto, utilizam indicadores gerais e que podem não
corresponder às respostas obtidas em determinadas condições de saúde, o que
torna importante e necessário o processo de validação[1]. Dentro desse
panorama, objetivou-se a partir desse estudo validar o resultado de enfermagem
Comportamento de prevenção de quedas apresentado pela _Nursing Outcomes
Classification_[2] em pessoas com acidente vascular cerebral (AVC) e seus
cuidadores. O acidente vascular cerebral é identificado como um grave problema
de saúde pública por ser uma das principais causas de mortalidade no
Brasil[3]. Dentre as significativas e importantes sequelas motoras advindas da
doença cerebrovascular, a ocorrência de quedas constitui um dos principais
agravos de saúde por apresentar uma prevalência de aproximadamente 37% a 45%
em indivíduos com acidente vascular cerebral, tendo como consequência
problemas graves, incapacitantes, podendo chegar até mesmo ao óbito[4]. Dentro
desse âmbito, surgiu o interesse de investigar mais a fundo a temática
apresentada. Dessa forma, trata-se de um estudo metodológico, sendo a coleta
de dados realizada no ambulatório de dois hospitais de referência ao
atendimento a pacientes com acidente vascular cerebral na cidade de
Fortaleza/Ceará. Para a obtenção dos dados duas duplas de profissionais
(enfermeiros e fisioterapeutas) foram treinados para a aplicação dos
instrumentos, além desses, a pesquisadora também participou na coleta como
estabelecimento de um padrão ouro. Durante o período de coleta de dados uma
dupla aplicou o instrumento com as definições de cada indicador, enquanto a
outra aplicou o instrumento contendo apenas o título dos indicadores e a
escala apresentada pela _Nursing Outcomes Classification_ que vai de Nunca
demonstrado a Consistentemente demonstrado. A partir disso, pretendia-se ver a
aplicabilidade de um instrumento genérico para uma população específica, e
como melhor adequá-lo a mesma. Os dados foram coletados mediante a utilização
de _tablet_ e organizados em planilhas, sendo então analisados com o
_software_ SPSS 22, por meio da utilização de testes estatísticos. Aplicou-se
o teste binomial no intuito de avaliar a aderência dos títulos dos indicadores
em relação a critérios psicométricos. O projeto de pesquisa foi apreciado por
Comitê de Ética em Pesquisa e atendeu aos requisitos éticos de estudos que
envolvem seres humanos, mediante aprovação referenciada sob os pareceres
nº49.912 e 392.531. Desse estudo participaram um total de 106 pacientes e/ou
cuidadores. Como resultado obteve-se uma discreta predominância de homens
participantes (51,9%), na maioria idosos, casados, aposentados, com baixa
escolaridade e renda, residindo com a família e com sequelas físicas do
acidente vascular cerebral, implicando a necessidade de um cuidador. Quanto
aos indicadores analisados, encontrou-se que Executa ações seguras durante a
transferência, Administra urgência urinária/intestinal, Solicita auxílio para
mobilidade, Prende pequenos tapetes e Controla a inquietação, foram os que
apresentaram índices significantes, com proporções inferiores a 85% (p<0,05),
o que indicou a necessidade de revisão destes fatores de risco. Esta etapa
proporcionou, ainda, a junção de alguns indicadores e modificação para uma
melhor adequação à população de títulos e definições. As modificações se
concentraram principalmente nos indicadores com Índice de Validação de
Conteúdo (IVC) abaixo de 0,80. Apenas um indicador (Controla a inquietação)
apresentou um índice baixo. Ressalta-se que a compreensão e mensuração desses
indicadores podem variar consoante o contexto sociocultural de diferentes
países ou regiões, especialmente para os indicadores relacionados ao
comportamento e em locais onde não há intervenções e resultados fundamentados
por protocolos clínicos dentro da assistência de enfermagem. Dessa forma,
optou-se por manter os indicadores que receberam sugestões de exclusão para
confirmação desta opção na etapa de validação clínica, uma vez que tais
indicadores, como Controla a inquietação, podem se fazer importantes em
contextos específicos. Verificou-se que foi benéfica ao estudo a contemplação
de aspectos regionais como o uso de rede ao considerar-se o local predominante
para dormir, pois quando da aplicação dos instrumentos na validação clínica o
uso da rede foi tão comum quanto o da cama. Em acréscimo, percebeu-se o uso
majoritário de chinelos “de dedo”, popularmente conhecidos como havaianas, no
ambiente domiciliar. O uso deste tipo de chinelo reveste-se de riscos para
quedas, pois além de não ser fechado, seu material não oferece firmeza ao
caminhar e não possui mecanismos de amarração. Destaca-se, também, a
subjetividade implícita nas respostas dos pacientes, principalmente nos
indicadores que abrangem parâmetros comportamentais, fato que dificulta a
generalização de um instrumento. A etapa de validação por especialistas foi de
fundamental importância para o refinamento do estudo, pois permitiu a
verificação dos itens propostos para o resultado Comportamento de prevenção de
quedas por profissionais experientes na temática do estudo. Ressalta-se ainda
que a partir desse estudo também foi possível identificar que a ação do
profissional enfermeiro, como membro de uma equipe multidisciplinar, deve ser
capaz de realizar o manejo dos principais atores envolvidos na promoção da
saúde no sentido de corrigir, atenuar ou influir em um ambiente propício à
autonomia e qualidade de vida para todos[5]. Ressalta-se nessa pesquisa as
contribuições daqueles mais experientes e que agregavam a vivência prática com
o contato e desenvolvimento de pesquisas ou com o ensino na área em questão
identificando que essa etapa proporcionou, ainda, a junção de alguns
indicadores e modificação para melhor adequação à população de títulos e
definições. Conclui-se pela eficácia e cada vez maior valorização do processo
de construção de referenciais empíricos e adequação a populações específicas,
com vista a orientar as ações do enfermeiro em sua prática assistencial de
cuidado e padronizar os conceitos e termos empregados dentro desse processo.
Além disso, como contribuições/implicações para a área da enfermagem pode-se
identificar que ao incorporar as classificações de enfermagem em sua prática
assistencial de cuidado os profissionais enfermeiros são capazes de
identificar um problema, bem como traçar uma meta e por fim, quantificar a
mudança no estado de saúde do paciente após intervenções realizadas por esses
profissionais e, assim, monitorar o progresso de seu paciente. Assim, dentro
dessa contextualização observa-se a possibilidade de mensurar estados
específicos a partir do uso de indicadores, definidos como medidas para
avaliar os resultados das intervenções.
Referências: 1. Brasil, Conselho Federal de Enfermagem. Resolução nº 358 15 de outubro de 2009. Dispõe sobre a Sistematização da Assistência de Enfermagem e a implementação do Processo de Enfermagem em ambientes, públicos ou privados, em que ocorre o cuidado profissional de Enfermagem. Disponível em: http://www.portal.cofen.com.br. Acessado em: 10 out. 2017.
2. Freire, Paulo. Pedagogia do oprimido. 23 ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987. |