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5056888 | ATENÇÃO À SAÚDE DE PESSOAS COM DEFICIÊNCIA VISUAL NO BRASIL: REVISÃO INTEGRATIVA DA LITERATURA | Autores: Amanda Cavalcante de Macedo ; Joyce dos Santos Barros ; José Carlos da Silva Lins |
Resumo: **INTRODUÇÃO: **segundo o Censo Demográfico de 2000, o número de pessoas com deficiência é de 24,5 milhões de pessoas, correspondendo a, aproximadamente, 14,5% da população. Desse total, 48,1% são portadores de deficiência visual1. O Ministério da Saúde destaca que o Brasil se encontra dentro de 1/3 dos países membros da ONU que dispõem de legislação para as pessoas com deficiência. Vem atuando na área dos direitos humanos; na defesa de valores como dignidade, inclusão e acessibilidade; na melhoria das condições de vida e no acesso a ambientes e serviços públicos como educação, saúde, transporte e segurança. Além disso, há avanços na legislação e em medidas governamentais para a educação inclusiva, a atenção em saúde, meios auxiliares de locomoção e na criação de cotas para a inclusão no mercado de trabalho2. O Sistema Único de Saúde trouxe modificações positivas, propondo a assistência às pessoas com deficiência segundo o modelo assistencial geral a partir dos mesmos serviços utilizados por quaisquer cidadãos. Para além do compromisso social com a inclusão do cego, convém afirmar que a inclusão das pessoas com qualquer tipo de deficiência exige que os profissionais de saúde, de diferentes níveis assistenciais, adquiram conhecimentos, habilidades e atitudes para que possam prover competências para abordar essas pessoas de modo oportuno3. **OBJETIVO**: este estudo objetiva fornecer subsídios para os profissionais da saúde, sobretudo os de Enfermagem acerca da Atenção à saúde da pessoa com deficiência visual no Brasil. **DESCRIÇÃO METODOLÓGICA: **trata-se de uma revisão integrativa da literatura que inclui a análise de pesquisas relevantes que dão suporte para a tomada de decisão e a melhoria da prática clínica. A questão norteadora desta pesquisa foi “o que a literatura tem produzido sobre a atenção à saúde da pessoa com deficiência visual no Brasil?”. A estratégia de busca utilizada foi composta pela escolha de termos, campos e operadores boleanos. A pesquisa utilizou a estratégia de busca: saúde [Resumo] and deficiência [Resumo] and visual OR cego [Resumo]. A busca na base de dados apresentou 456 publicações na base de dados SCIELO, 72 na BDENF e 574 na LILACS totalizando 1102 artigos. Após a busca inicial foi realizado uma filtragem dos artigos selecionando-os de acordo com o título analisando se mantinham relação com a questão norteadora deste estudo. Desta forma, 20 artigos foram selecionados sendo 06 na SCIELO, 02 na BDENF e 14 na LILACS onde foi feita a leitura dos resumos. Posteriormente foram excluídos os artigos repetidos e 12 tiveram seus conteúdos lidos na íntegra e permaneceram como fonte de dados desta pesquisa.** RESULTADOS**: os dados apresentados nos artigos do estudo revelam que a Atenção à saúde de pessoas com deficiência visual no Brasil está atrelada a diversos fatores como as ações preventivas, a educação em saúde, a atuação do enfermeiro, a implementação de programas de saúde e a qualidade de vida. A revisão possibilitou identificar a associação desses fatores através de estudos que convergem acerca dos fatores supracitados. 05 estudos destacam a necessidade e a importância de ações preventivas. Uma das principais formas de prevenção é a realização do teste do olhinho. Além disso, também é destacada a importância de que as ações preventivas e de promoção da saúde ocular sejam realizadas pelas equipes profissionais de serviços que prestam cuidados iniciais e de monitoramento infantil, como as unidades básicas de saúde. A questão da utilização da Educação em Saúde para potencializar a assistência às pessoas portadoras de deficiência visual foi pontuada por 04 autores dentre os 12 estudos selecionados para esta revisão. Sobre a atuação do Enfermeiro na assistência a pessoa com DV, 03 autores destacam a questão do despreparo desse profissional frente às particularidades necessitadas por esses pacientes. Em relação a questão da implementação de programas de saúde para DV, dois publicações abortam o tema e afirmam que os países desenvolvidos que colocam tais programas em prática demonstram que os custos dessas ações são muito mais rentáveis. 02 autores destacam a questão da qualidade de vida e fatores que estão agregados e afirmam que a qualidade de vida relacionada à visão de crianças com deficiência visual através intervenções reabilitacionais de equipe multiprofissional, apresenta melhora com diferença estatisticamente significante na saúde geral da visão. Já as intervenções de equipe multidisciplinar em baixa visão promoveram melhora na qualidade de vida das crianças e suas famílias. **CONCLUSÃO: **a busca por experiências relacionadas à temática deve acontecer nos mais diferentes âmbitos da formação para que em algum momento, os futuros profissionais tomem conhecimento da existência dessa realidade que é presente no serviço público de saúde. Além da pesquisa e do ensino, que nem sempre é proposto o assunto em questão, existem outros caminhos, como a participação em projetos de extensão que podem propiciar momentos e experiência que familiarizem e tragam a tona às dificuldades que os profissionais irão encontrar ao prestar assistência para esse público. Com base nos estudos integrados a essa pesquisa, foi possível identificar que para uma atenção à saúde de qualidade é necessário ter ferramentas que estejam atreladas a uma estratégia. A partir disso, as publicações destacam pontos como ações preventivas que além de serem mais rentáveis, contribuiriam para uma assistência precoce, evitando agravos mais complexos em longo prazo. Outra questão bastante pontuada pelos estudos foi a educação em saúde, que é considerada um instrumento muito importante, sobretudo porque vai incluir o indivíduo e fazer como que ele participe do processo saúde-doença através de recursos educativos que irão atender as suas necessidades respeitando as suas limitações. **IMPLICAÇÕES PARA A ENFERMAGEM**: com base nessa revisão, as publicações destacam que a enfermagem apresenta um despreparo frente às particularidades desse público visto que são os profissionais que estão lá desde as ações de prevenção e efetivação dos programas de saúde. Os estudos selecionados para esta pesquisa também pontuam a questão de que por a enfermagem se dividir em assistência e gerencia isso torna o atendimento menos eficiente. Os resultados apresentados nesse estudo sugerem que se trabalhe a temática da atenção à saúde da pessoa com deficiência visual visando uma assistência baseada nos princípios do SUS e na real necessidade desse público ainda durante a graduação, sobretudo com os profissionais da enfermagem que lidam durante todo o processo de saúde-doença desses indivíduos.
Referências: Franzen E, Scain SF, Záchia AS, Schmidt ML, Rabin EG, Rosa NG, et al. Consulta de enfermagem ambulatorial e diagnósticos de enfermagem relacionados a características demográficas e clínicas. Rev Gaúcha Enferm.2012;33(3):42-51.
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