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4994206 | COORTE ABERTA DE PACIENTES CRÍTICOS EXPOSTOS A SISTEMATIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM | Autores: Aliniana da Silva Santos ; Ana Carolina Ribeiro Tamboril ; Maria Corina Amaral Viana ; Naanda Kaanna Matos de Souza ; Adriana de Moraes Bezerra |
Resumo: **Introdução: **A Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) é considerada uma metodologia científica que serve para organizar e sistematizar o cuidado. No Brasil, as primeiras tentativas de sistematizar os cuidados de enfermagem foram propostas por Horta na década de 1970(1). Desta forma, a melhoria da qualidade da assistência de forma sistematizada pode ser impulsionada através da utilização de sistema de informação. Na UTI, por ser considerada um ambiente complexo, deve-se proporcionar ao paciente uma monitorização contínua, fornecendo suporte de tratamento intensivo, com a utilização de tecnologias cuja finalidade é a de tratamento terapêutico e diagnóstico. Assim, a pesquisa buscou fundamentar cientificamente a SAE com a prática clínica na assistência aos pacientes em UTI. **Objetivo: **Investigar associação entre exposição dos pacientes críticos em unidade de terapia intensiva à Sistematização da Assistência de Enfermagem e desfechos clínicos. **Método: **Atendendo aos aspectos éticos da pesquisa com seres humanos, conforme a Resolução 466/2012(2), o projeto de pesquisa foi submetido à aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa na área da saúde- CEPAS, via plataforma Brasil, obtendo parecer aprovado número 1.704.382. Trata-se de um estudo observacional com delineamento de coorte prospectiva aberta, que foi realizado na UTI de um hospital filantrópico da Região do Cariri do Ceará de novembro de 2016 a janeiro de 2017. Utilizou-se a iniciativa _Strengthening the Reporting of Observational Studies in Epidemiology_ _(STROBE) _para manter a qualidade metodológica do estudo. Por meio dos critérios de inclusão e exclusão a amostra da coorte foi formada por pacientes admitidos na Unidade durante o período da coleta dos dados, desde o momento de ingresso na UTI até o desfecho: alta para enfermaria ou óbito, totalizando 21 participantes. O instrumento de coleta de dados foi um formulário contendo variáveis sociodemográficas e clínicas, coletadas mediante prontuários dos pacientes, SAE informatizada da UTI e observação a beira do leito. As variáveis clínicas foram divididas em dez tópicos para a obtenção, de forma integral, dos dados do estado de saúde/doença do paciente. as informações foram interpretadas e agrupadas. Adotou-se o software _Excel _versão 2013 para compilação dos dados e análise descritiva e o _Software_ Estatístico R versão _RStudio_ 1.0.136 para análise inferencial. **Resultados: **Foram acompanhados 21 pacientes na UTI. A caracterização sociodemográfica mostrou que a maioria dos participantes era do sexo masculino (52,38%), pardos (76,19%) e com média de idade de 48,61 anos (dp = 19,6). Quanto à escolaridade, 38,09% dos participantes possuíam ensino fundamental incompleto. No que se refere à ocupação, verificou-se que 23,80% das pessoas eram aposentadas, 23,80% do lar, 14,28% eram estudantes e 38,09% possuíam outras ocupações, destacando-se motorista e pedreiro. Quanto às variáveis clínicas, nos dados gerais sobre a internação, verificou-se que a hipótese diagnóstica médica mais prevalente na unidade de estudo foi o Traumatismo Crânio Encefálico (TCE), presente em 47,61% dos participantes, seguido de AVC, identificado em 19,04% das pessoas. Foi verificado também maior frequência de TCE entre pessoas de 20 a 47 anos e, de AVC hemorrágico entre pessoas de 47 a 77 anos. Em relação aos dados neurológicos, o que concerne aos valores totais da escala de coma de Glasgow (ECG), verificou-se média de 4,75 para os pacientes que evoluíram para o óbito e média de 13,05 para os que evoluíram para a alta. Ao investigar o uso de medicações durante a internação, a maioria dos pacientes fez algum tipo de sedação, analgesia ou a associação entre ambos, visto que estes se encontravam em uso de suporte ventilatório invasivo. Estas medicações foram agrupadas na classe dos anti-inflamatórios/analgésicos, identificados em 85,7% da amostra. evidenciou-se 10 diagnósticos padronizados no sistema informatizado da UTI, destes, somente sete estavam de acordo com NANDA I (3): 1) Risco de integridade da pele prejudicada, 2) Integridade da pele prejudicada, 3)Risco de aspiração, 4)Risco de infecção, 5) Risco de quedas, 6) Deambulação prejudicada, 7) Mobilidade física prejudicada. Os demais diagnósticos não foram identificados como pertencentes a nenhum outro sistema de classificação. Durante o período de seguimento da coorte, foram prescritas sete ações de enfermagem pelos enfermeiros. Observou-se que a frequência das prescrições na admissão até a alta ou óbito não sofreu variação. Logo, não foi identificada nenhuma atividade prescrita incluída ou retirada do plano de cuidados dos pacientes durante o período de internação. A partir dos dados clínicos obtidos foram observados e julgados 35 títulos diagnósticos de enfermagem pelas pesquisadoras, constatando-se na admissão prevalência dos DE: Risco de infecção, presente em todos os pacientes no momento da admissão, Risco de motilidade gastrintestinal disfuncional e Risco de perfusão tissular cerebral ineficaz (90,5%) e, Comunicação verbal prejudicada, Risco de perfusão gastrintestinal ineficaz e Risco de perfusão tissular cerebral ineficaz (85,7%). Em relação aos desfechos clínicos primários, Mortalidade (Óbito) e Alta da UTI, dos 21 pacientes da coorte aberta, 17 (80,95%) obtiveram alta da UTI e 4 pacientes (19,04) evoluíram para o óbito. Os desfechos clínicos secundários analisados foram tempo de internação e tipo, quantidade e frequência de diagnósticos e prescrição de enfermagem. Tocante aos DE mais prevalentes nos pacientes que evoluíram para óbito, verificou-se que Padrão respiratório ineficaz, Mobilidade física prejudicada, Risco de choque, Integridade da pele prejudicada, Hipertermia e Risco de desequilíbrio hidroeletrolítico apresentaram estatística significativa, com variação de p-valor < 0,05. **Conclusão: **O estudo evidenciou que não houve associação entre a exposição dos pacientes críticos internados na UTI à SAE padronizada da Unidade com os desfechos clínicos devido principalmente a deficiência no julgamento clínico para elaboração dos diagnósticos de enfermagem, assim como a insuficiência de dados referentes as respectivas intervenções e resultados de enfermagem, favorecendo a negligência de etapas importantes da SAE. Houve diferença significativa na identificação dos diagnósticos de enfermagem julgados pelas pesquisadoras comparados aos padronizados na SAE do serviço. Percebeu-se, também, a pouca relação do julgamento clínico com a elaboração dos diagnósticos pelos enfermeiros do setor. Esta pesquisa aponta para uma agenda de investigações no que diz respeito à enfermagem baseada nas melhores evidências científicas para as melhores tomadas de decisões na prática clínica. Portanto, estudos observacionais e experimentais sobre o uso da sistematização da assistência de enfermagem são extremamente necessários diante da sua aplicabilidade na prática clínica porque mostram as relações e associações dos seus efeitos. **Contribuições para a enfermagem: **As principais implicações desta pesquisa estão voltadas para ações em direção à prática de enfermagem clínica, efetiva e segura, cujos desfechos possam ser medidos e sejam benéficos em condições práticas reais. Desta forma, os resultados deste estudo contribuirão para o fortalecimento da enfermagem baseada em evidências e o uso racional da sistematização de enfermagem em todas as suas etapas e terminologias, sendo necessárias por parte dos enfermeiros aquisição de competências para seguros julgamentos e cuidados clínicos vislumbrando respostas clínicas positivas por parte dos pacientes como a maximização da alta e a minimização da mortalidade entre os pacientes criticamente enfermos.
Referências: 1 Cottenden A, Fader M, Beeckman D, Buckley B, Kitson-Reynolds E, Moore K, et al. Management with continence products. In Cottenden A, organizador. Reino Unido: ICS-ICUD; 2017, p. 149-74.
2 Reis CT, Martins M, Laguardia J.. A segurança do paciente como dimensão da qualidade do cuidado de saúde: um olhar sobre a literatura. Ciênc Saúde Colet. 2013;18(7):2029-2036.
3 Gray M. Context for practice: Medical adhesive–related skin injury, unstageable pressure ulcers, incontinence-associated dermatitis, fluid intake, and overactive bladder. J Wound Ostomy Continence Nurs. 2015;46(6):580-581.
4 Baessa CB, Meireles VC, Balan MA. Ocorrência de dermatite associada à incontinência em pacientes internados na unidade de terapia intensiva. Rev Estima. 2014;111(2):1-8.
5 Bitencourt GR, Alves LAF, Santana RF. Practice of use of diapers in hospitalized adults and elderly: cross-sectional study.Rev Bras Enferm [Internet]. 2018;71(2):343-9. |