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SENADEn - ISSN: 2316-3216 || SINADEn - ISSN: 2318-6518 • ISSN: 2318-6518
Resumo: 4305067

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4305067

DIAGNÓSTICOS DE ENFERMAGEM EM ONCOLOGIA

Autores:
Leila Luiza Conceição Gonçalves ; Yara Mercedes Oliveira Santos ; Joseilze Santos de Andrade ; Paula Mara Gomes Leite

Resumo:
**Introdução: **Dados do  Instituído Nacional do Câncer (INCA), mostram que atualmente, 8,2 milhões de pessoas morrem por ano acometidas pelo câncer. No Brasil, foram registradas 189.454 mortes no ano de 2013(1). Nesta perspectiva do entendimento que o câncer é sinônimo de dor, morte e sofrimento, e cabe a enfermagem identificar suas próprias concepções relativas ao câncer e estabelecer estratégias de enfrentamento, visando assim uma assistência adequada, humanizada e eficaz que possibilite minimizar o sofrimento de todos os envolvidos (3). **Objetivo**: Verificar a produção científica nacional e internacional sobre os diagnósticos de enfermagem prevalentes em oncologia. **Método:** revisão integrativa da literatura, e para tanto foram percorridas as etapas: definição da questão norteadora (problema); objetivo da pesquisa; estabelecimento de critérios de inclusão e exclusão das publicações (seleção da amostra); busca na literatura; análise e categorização dos estudos, apresentação e discussão dos resultados e conclusão. (5)  Questão norteadora: quais os diagnósticos de enfermagem (DE) prevalentes em oncologia, citados nas produções científicas nacionais e internacionais? A pesquisa realizada nos meses de março e abril de 2017 com publicações indexadas nas seguintes bases de dados: LILACS, BDENF e PUBMED. Descritores utilizados na língua portuguesa: “oncologia”, “processos de enfermagem” e “diagnósticos de enfermagem. Descritores na língua Inglesa: “_nursing diagnosis”, “oncology nursing” e “nurisng process”_. Operador booleano: _“and”_. Os critérios de inclusão: pesquisas publicadas em português e inglês, e em formato de artigos disponíveis na íntegra. Critérios de exclusão: estudos que não apresentassem resumos nas bases de dados; as teses; as dissertações; as monografias; os editoriais; estudo de caso; as revisões integrativas; sistemáticas e conceituais. As publicações que se encontravam indexadas mais de uma vez, foram excluídos considerando-os em um indexador somente. As produções foram avaliadas na íntegra. Utilizou-se o instrumento de coleta de dados de URSI (2) adaptado a fim de responder a questão norteadora desta revisão. Logo após a leitura dos textos selecionados foi dado andamento a análise e organização das temáticas, descritas a seguir: diagnósticos de abrangência biofisiológica e os diagnósticos da esfera psicossocial. **Resultados/discussão:** Na análise dos estudos primários foi possível identificar alguns aspectos pertinentes no que tange os diagnósticos de enfermagem prevalentes em oncologia: todas as pesquisas foram realizadas com pacientes adultos; o sistema de classificação NANDA ainda é o sistema mais utilizado pelos profissionais. A pesquisa relevou que os diagnósticos prevalentes pertencem a duas categorias as quais requerem ser melhor apreciadas. **Categoria 1: Diagnósticos de enfermagem de abrangência Biofisiológica**: Dentro da categoria dos sete diagnósticos de enfermagem de abrangência biofisiológica, merecem destaque o diagnóstico de dor pois este estive presente em 100% das publicações estudadas**. **A dor é considerada um dos grandes problemas a ser enfrentado pelos sistemas de saúde e está diretamente relacionada com a capacitação dos profissionais, em especial os da enfermagem que cuidam de pacientes oncológicos. Neste sentido, torna-se importante a atuação do enfermeiro, oferecendo uma assistência eficaz através de um processo de avaliação da dor completo incluindo também os aspectos psicossociais, espirituais e familiares relacionados ao paciente (9). A fadiga também foi identificada na pesquisa com um dos diagnósticos biofísico mais recorrente, cabendo um olhar direcionado por parte da equipe de saúde, sobretudo da enfermagem.  A fadiga é um dos sintomas mais prevalentes em pacientes com câncer, sendo reportado por 50% a 90% dos pacientes e impactando qualidade de vida de forma grave, além de diminuir a capacidade funcional diária dos pacientes (11). **Categoria 2: Diagnósticos de enfermagem de abrangência Psicossocial:** A ansiedade e o medo foram identificados em 100% das publicações. A ansiedade e o medo muitas vezes, sentimentos alimentados pelo conhecimento precário que o paciente apresenta acerca do ambiente hospitalar, com suas rotinas e normas(3) . Fato que necessita de uma abordagem mais criteriosa por parte do enfermeiro. Um dado importante levado foi o diagnóstico de risco de baixa autoestima situacional, que apesar de nos estudos não está na categoria dos diagnósticos com maior percentual de identificação, esteve presente em 70% dos estudos. Este merece destaque por se tratar de um diagnóstico de risco que envolve fatores de ordem biopsicossocial, demandando uma maior atenção da equipe multiprofissional de saúde. Dados de uma pesquisa realizada no Brasil no ano de 2015 com mulheres submetidas à cirurgia oncológica da mama, mostraram que o risco de baixa autoestima pode ser percebido em relatos verbais, comportamentos e atitudes, a reclusão dentro do domicílio, a diminuição dos cuidados com a saúde e as reclamações referentes ao ambiente em que vive. A pesquisa conclui ainda que a baixa autoestima pode influenciar não somente a percepção da mulher acerca de si mesma, mas também em relação às coisas ao seu redor (4). A busca e a organização dos conhecimentos para a proposição de ações independentes da (o) enfermeira (o) ficam prejudicadas quando não se tem uma terminologia que expresse o julgamento que se faz acerca dos problemas dos clientes (13). O diagnóstico abre possibilidades para o desenvolvimento da enfermagem porque cria uma linguagem própria para descrever os problemas do cliente que a (o) enfermeira (o) tem competência para resolver. E o uso destes, contribui para a melhor definição da prática clínica dentro da enfermagem oncológica, por se tratar de uma especialidade complexa. **Conclusão:** o estudo revelou que são vários os diagnósticos que podem ser identificados durante todas as fases do tratamento oncológico, destacando os diagnósticos de dor e ansiedade. Infere-se que as pesquisas em diagnósticos de enfermagem em oncologia ainda predominam a nível hospitalar, que os profissionais utilizam com maior frequência a Taxonomia NANDA, em comparação com o uso da CIPE. Neste sentido, o estudo ratificou a necessidade do uso de uma linguagem própria de enfermagem para contribuir na melhoria na qualidade no atendimento voltado a pacientes oncológicos, além de efetivar a comunicação entre as (os) enfermeiras (os). Contudo, vale ressaltar que o ato de cuidar não compreende apenas o tratamento da doença mediante a uma intervenção técnica, mas envolve principalmente a interação e trocas entre o cliente e a equipe de saúde, especialmente em assistência voltada ao paciente oncológico, exigindo   um preparo especial e constante da equipe de enfermagem, sobre tudo do enfermeiro. Deste modo, espera-se que os conhecimentos revelados por este estudo ampliem as possiblidades de uma assistência de saúde mais qualificada.


Referências:
1. Brasil. Conselho Federal de Enfermagem. Resolução no 358, de 15 de outubro de 2009. Sistematização da Assistência de Enfermagem e a implementação do Processo de Enfermagem em ambientes, públicos ou privados. Diário Oficial da União 23 out. 2009; (203): 368. 2. Andrade JS, Vieira MJ. Prática assistencial de enfermagem: problemas, perspectivas e necessidade de sistematização. Rev. bras. enferm. 2005; 58(3):261-265. 3. Maroso E; Adamy R, Amora L. Ferraz, L, Lima MN. Sistematização da assistência de enfermagem na atenção básica: O que dizem os enfermeiros Ciência y Enfermeria XXI 2015; (2): 31-38. 4. Garcia TR, Nóbrega MML. Sistematização da assistência de enfermagem: há acordo sobre o conceito? Rev. Eletr. Enf. 2009;11(2):233. 5. Tannure MC, Pinheira AM. SAE: Sistematização da assistência de enfermagem: Guia Prático. 2th ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2010.