Imprimir Resumo


SENADEn - ISSN: 2316-3216 || SINADEn - ISSN: 2318-6518 • ISSN: 2318-6518
Resumo: 4300688

E-Pôster


4300688

PREVALÊNCIA DA AUTOMEDICAÇÃO EM ACADÊMICOS DE UMA INSTITUIÇÃO DE ENSINO SUPERIOR.

Autores:
Viviane Pahohek ; Cecilia Marli S. dos Santos ; Karina Cardoso Gulbis Zimmermann ; Jéssica da Silva Francisco ; Maria Salete Salvaro

Resumo:
O presente estudo trata-se de um trabalho de natureza quantitativa, tem como objetivo analisar a prevalência de automedicação entre universitários. A população do estudo foi constituída por 229 universitários. A análise estatística consiste em dar o significado as respostas obtidas a partir de um questionário. Os dados coletados foram analisados com auxílio do software IBM _Statistical Package for the Social Sciencies_ (SPSS) versão 22.0. As variáveis quantitativas foram expressas por meio de média e desvio padrão. O projeto foi aprovado pelo comitê de ética da Universidade do Extremo Sul Catarinense sob parecer 083072/2017. CAAE: 71851417700000119. Sabemos que os medicamentos são constituídos por uma ou mais substâncias ativas, de origem natural ou sintética, responsáveis por sua ação, com a finalidade de diagnosticar, prevenir, curar doenças ou aliviar sintomas. Entretanto, sabe-se que seu uso indiscriminado pode acarretar riscos à saúde (Schweim, Ullmann, 2015 apud Faria et al., 2017). Segundo a ANVISA (2007), os medicamentos ocupam o primeiro lugar entre os agentes causadores de intoxicação em seres humanos e o segundo lugar nos registros de mortes por intoxicação. A cada 20 segundos, um paciente da entrada nos hospitais com quadro de intoxicação provocado pelo uso incorreto de medicamento, o fato não se da somente entre pacientes, mas acadêmicos universitários como mostraremos a seguir. O fato dos universitários dos cursos da saúde muitas vezes estudarem sobre os medicamentos e seus efeitos acaba que refletindo no cuidado a saúde de si mesmo. Os universitários por aprenderem a ação dos medicamentos acham que pode se automedicar, considerando - se preparados para tal hábito. (Neto et al., 2007). O conjunto dos achados permite afirmar que a automedicação é um problema importante entre estudantes, uma pratica frequente, não somente pela expressiva prevalência, mas pelo uso pessoal de medicamentos que podem causar danos. Segundo a Organização Mundial de Saúde e o Ministério da Saúde, o mercado brasileiro dispõe de mais de 32 mil medicamentos que não poderiam ser vendidos sem a apresentação da receita, porém esta é dispensada de forma indiscriminada pelas farmácias favorecendo a automedicação. A clientela pesquisada é essencialmente feminina, possui uma renda familiar de ate três salários mínimos. Não possui outra faculdade além daquela que está cursando. No tocante aos planos de saúde, 66,4% refere não possuí-lo. 79% referem ter realizado consulta médica nos últimos 12 meses. A atividade física é praticada por somente 30.3% dos entrevistados. Possui hábitos alimentares saudáveis. No que se refere ao motivo da automedicação, a comodidade, seguidos pela facilidade de compra dos medicamentos na farmácia, seguida por dificuldade financeira, falta de acesso aos serviços de saúde, entre outros foram os motivos citados pelos entrevistados. Ao serem questionados quanto ao aparecimento de algum sintoma após a automedicação 95,3% referem não ter apresentado. Quanto à leitura previa da bula antes da automedicação na sua grande maioria refere lê-las. No que tange ao conhecimento para automedicação, 64,5% referiu que tem conhecimento próprio sobre os efeitos dos medicamentos, outros na sua maioria confia nas orientações e indicações dos funcionários da farmácia. Quanto à utilização de sobras dos medicamentos, 64.5% refere não utiliza-la. Nos últimos 15 dias, 49,3% referiu não se automedicar, embora dados da pesquisa também indiquem que 36% medicaram-se com paracetamol, sendo os motivos para a automedicação são: cefaleia, seguido por dores musculares, inflamações, entre outros. A guarda de medicamentos em domicílio pode favorecer para   prática da automedicação. Estudo realizado por Shankar et al. (2002), encontrou a dor de cabeça e a febre, que contabilizaram 60,0% dos principais sintomas/doenças que levaram à automedicação. Em outro estudo apresentado por Vitor et al (2008), pode-se notar que houve um predomínio de entrevistados (66,03%) nos casos em que a ocasião mais comum de automedicação também foi a dor de cabeça. Outro motivo que podemos considerar no tocante a automedicação, de modo geral, nas universidades brasileiras, estudantes necessitam muitas vezes trabalhar para manterem-se nas universidades, impactando na disponibilidade de tempo para procurar atendimento à saúde. Neste sentido, o estudo aponta a necessidade de fortalecer a educação dos universitários no que tange o uso racional de medicamentos. Desta maneira, indicam-se como estratégias a inserção de tópicos que contemplem a discussão sobre a promoção do uso racional de medicamentos em disciplinas transversais ao longo da graduação, alertando os estudantes acerca dos limites ou fronteiras e responsabilidades de suas ações, sobretudo em relação a indicação de medicamentos e ao gerenciamento responsável dos medicamentos afim de garantir a segurança do paciente O estudo contribuiu para promover a discussão sobre o tema e dessa forma sugere-se provocar reflexão sobre o uso indevido de medicamentos entre os estudantes. Reforça-se ainda, a necessidade de informar a população universitária sobre o uso adequado de medicamentos na universidade como um todo. Faz-se necessário que novas pesquisas epidemiológicas sejam aplicadas com o intuito de investigar a automedicação, e dessa forma produzir intervenções no sentido de alertar o público universitário acerca dos riscos associados à automedicação, com isso se evitaria o uso abusivo de medicamentos. Sugere-se campanhas internas na universidade, a CIPA, Comissão Interna de Prevenção de Acidentes pode se ser uma grande aliada, bem como a entrega de folders e cartilhas informativas de alerta sobre tais riscos, assim como um incentivo à busca por recursos mais adequados de enfrentamento da cefaleia, dores musculares, entre outros apresentados pelos estudantes. Lembramos aqui que a universidade conta com o serviço de SOS atende toda população dentro da universidade, talvez este serviço tenha que ser mais difundido entre os universitários. A universidade através deste serviço interfere positivamente na saúde de seus estudantes. A automedicação é um problema grave e importante no âmbito dos cursos superiores, sendo necessária a realização de ações que contribuam para o uso racional de medicamentos.


Referências:
1. Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Nº 358 do Conselho Federal de Enfermagem, de 15 de outubro de 2009 (BR). 2009 [citado 21 jan 2016]. Disponível em: http://www.cofen.gov.br/ resoluo-cofen-3582009_4384.html 2. Pereira JC, Stuchi RAG, Arreguy-Sena C. Proposta de sistematização da assistência de enfermagem pelas taxonomias NANDA/NIC/NOC para o diagnóstico de conhecimento deficiente. Cogitare enferm [Internet]. 2010 [citado 2018 Mar 14]; 15(1): 74-81. Disponible en: http://www.revenf.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-85362010000100011&lng=es. 3. Campos LRG, Ribeiro MRR, Depes VBS. Autonomia do graduando em enfermagem na (re)construção do conhecimento mediado pela aprendizagem baseada em problemas. Revista Brasileira de Enfermagem [Internet]. 2014 [citado 2018 Mar 14]; 67(5):818-824. Recuperado de: http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=267032830021 4. Processo de enfermagem: guia para a prática / Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo. Barros ALBL et al. São Paulo: COREN-SP, 2015.113 p. 5. Santos IMF (Org.). Sistematização da assistência de enfermagem: Guia prático. Salvador: COREN - BA, 2016.