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4300688 | PREVALÊNCIA DA AUTOMEDICAÇÃO EM ACADÊMICOS DE UMA INSTITUIÇÃO DE ENSINO SUPERIOR. | Autores: Viviane Pahohek ; Cecilia Marli S. dos Santos ; Karina Cardoso Gulbis Zimmermann ; Jéssica da Silva Francisco ; Maria Salete Salvaro |
Resumo: O presente estudo trata-se de um trabalho de natureza quantitativa, tem como
objetivo analisar a prevalência de automedicação entre universitários. A
população do estudo foi constituída por 229 universitários. A análise
estatística consiste em dar o significado as respostas obtidas a partir de um
questionário. Os dados coletados foram analisados com auxílio do software IBM
_Statistical Package for the Social Sciencies_ (SPSS) versão 22.0. As
variáveis quantitativas foram expressas por meio de média e desvio padrão. O
projeto foi aprovado pelo comitê de ética da Universidade do Extremo Sul
Catarinense sob parecer 083072/2017. CAAE: 71851417700000119. Sabemos que os
medicamentos são constituídos por uma ou mais substâncias ativas, de origem
natural ou sintética, responsáveis por sua ação, com a finalidade de
diagnosticar, prevenir, curar doenças ou aliviar sintomas. Entretanto, sabe-se
que seu uso indiscriminado pode acarretar riscos à saúde (Schweim, Ullmann,
2015 apud Faria et al., 2017). Segundo a ANVISA (2007), os medicamentos ocupam
o primeiro lugar entre os agentes causadores de intoxicação em seres humanos e
o segundo lugar nos registros de mortes por intoxicação. A cada 20 segundos,
um paciente da entrada nos hospitais com quadro de intoxicação provocado pelo
uso incorreto de medicamento, o fato não se da somente entre pacientes, mas
acadêmicos universitários como mostraremos a seguir. O fato dos universitários
dos cursos da saúde muitas vezes estudarem sobre os medicamentos e seus
efeitos acaba que refletindo no cuidado a saúde de si mesmo. Os universitários
por aprenderem a ação dos medicamentos acham que pode se automedicar,
considerando - se preparados para tal hábito. (Neto et al., 2007). O conjunto
dos achados permite afirmar que a automedicação é um problema importante entre
estudantes, uma pratica frequente, não somente pela expressiva prevalência,
mas pelo uso pessoal de medicamentos que podem causar danos. Segundo a
Organização Mundial de Saúde e o Ministério da Saúde, o mercado brasileiro
dispõe de mais de 32 mil medicamentos que não poderiam ser vendidos sem a
apresentação da receita, porém esta é dispensada de forma indiscriminada pelas
farmácias favorecendo a automedicação. A clientela pesquisada é essencialmente
feminina, possui uma renda familiar de ate três salários mínimos. Não possui
outra faculdade além daquela que está cursando. No tocante aos planos de
saúde, 66,4% refere não possuí-lo. 79% referem ter realizado consulta médica
nos últimos 12 meses. A atividade física é praticada por somente 30.3% dos
entrevistados. Possui hábitos alimentares saudáveis. No que se refere ao
motivo da automedicação, a comodidade, seguidos pela facilidade de compra dos
medicamentos na farmácia, seguida por dificuldade financeira, falta de acesso
aos serviços de saúde, entre outros foram os motivos citados pelos
entrevistados. Ao serem questionados quanto ao aparecimento de algum sintoma
após a automedicação 95,3% referem não ter apresentado. Quanto à leitura
previa da bula antes da automedicação na sua grande maioria refere lê-las. No
que tange ao conhecimento para automedicação, 64,5% referiu que tem
conhecimento próprio sobre os efeitos dos medicamentos, outros na sua maioria
confia nas orientações e indicações dos funcionários da farmácia. Quanto à
utilização de sobras dos medicamentos, 64.5% refere não utiliza-la. Nos
últimos 15 dias, 49,3% referiu não se automedicar, embora dados da pesquisa
também indiquem que 36% medicaram-se com paracetamol, sendo os motivos para a
automedicação são: cefaleia, seguido por dores musculares, inflamações, entre
outros. A guarda de medicamentos em domicílio pode favorecer para prática da
automedicação. Estudo realizado por Shankar et al. (2002), encontrou a dor de
cabeça e a febre, que contabilizaram 60,0% dos principais sintomas/doenças que
levaram à automedicação. Em outro estudo apresentado por Vitor et al (2008),
pode-se notar que houve um predomínio de entrevistados (66,03%) nos casos em
que a ocasião mais comum de automedicação também foi a dor de cabeça. Outro
motivo que podemos considerar no tocante a automedicação, de modo geral, nas
universidades brasileiras, estudantes necessitam muitas vezes trabalhar para
manterem-se nas universidades, impactando na disponibilidade de tempo para
procurar atendimento à saúde. Neste sentido, o estudo aponta a necessidade de
fortalecer a educação dos universitários no que tange o uso racional de
medicamentos. Desta maneira, indicam-se como estratégias a inserção de tópicos
que contemplem a discussão sobre a promoção do uso racional de medicamentos em
disciplinas transversais ao longo da graduação, alertando os estudantes acerca
dos limites ou fronteiras e responsabilidades de suas ações, sobretudo em
relação a indicação de medicamentos e ao gerenciamento responsável dos
medicamentos afim de garantir a segurança do paciente O estudo contribuiu para
promover a discussão sobre o tema e dessa forma sugere-se provocar reflexão
sobre o uso indevido de medicamentos entre os estudantes. Reforça-se ainda, a
necessidade de informar a população universitária sobre o uso adequado de
medicamentos na universidade como um todo. Faz-se necessário que novas
pesquisas epidemiológicas sejam aplicadas com o intuito de investigar a
automedicação, e dessa forma produzir intervenções no sentido de alertar o
público universitário acerca dos riscos associados à automedicação, com isso
se evitaria o uso abusivo de medicamentos. Sugere-se campanhas internas na
universidade, a CIPA, Comissão Interna de Prevenção de Acidentes pode se ser
uma grande aliada, bem como a entrega de folders e cartilhas informativas de
alerta sobre tais riscos, assim como um incentivo à busca por recursos mais
adequados de enfrentamento da cefaleia, dores musculares, entre outros
apresentados pelos estudantes. Lembramos aqui que a universidade conta com o
serviço de SOS atende toda população dentro da universidade, talvez este
serviço tenha que ser mais difundido entre os universitários. A universidade
através deste serviço interfere positivamente na saúde de seus estudantes. A
automedicação é um problema grave e importante no âmbito dos cursos
superiores, sendo necessária a realização de ações que contribuam para o uso
racional de medicamentos.
Referências: 1. Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Nº 358 do Conselho Federal de Enfermagem, de 15 de outubro de 2009 (BR). 2009 [citado 21 jan 2016]. Disponível em: http://www.cofen.gov.br/ resoluo-cofen-3582009_4384.html
2. Pereira JC, Stuchi RAG, Arreguy-Sena C. Proposta de sistematização da assistência de enfermagem pelas taxonomias NANDA/NIC/NOC para o diagnóstico de conhecimento deficiente. Cogitare enferm [Internet]. 2010 [citado 2018 Mar 14]; 15(1): 74-81. Disponible en: http://www.revenf.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-85362010000100011&lng=es.
3. Campos LRG, Ribeiro MRR, Depes VBS. Autonomia do graduando em enfermagem na (re)construção do conhecimento mediado pela aprendizagem baseada em problemas. Revista Brasileira de Enfermagem [Internet]. 2014 [citado 2018 Mar 14]; 67(5):818-824. Recuperado de: http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=267032830021
4. Processo de enfermagem: guia para a prática / Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo. Barros ALBL et al. São Paulo: COREN-SP, 2015.113 p.
5. Santos IMF (Org.). Sistematização da assistência de enfermagem: Guia prático. Salvador: COREN - BA, 2016. |