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SENADEn - ISSN: 2316-3216 || SINADEn - ISSN: 2318-6518 • ISSN: 2318-6518
Resumo: 4274016

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4274016

MULHERES COM CÂNCER NO TRATO GENITAL SUBMETIDAS À RADIOTERAPIA: CARACTERIZAÇÃO DO PERFIL

Autores:
Luciana Martins da Rosa ; Érica Bernardes Duarte ; Gisele Martins Miranda ; Soraia Dornelles Schoeller ; Anizelle Aline Lopes da Silva

Resumo:
**INTRODUÇÃO: **Dentre os cânceres nas mulheres, destacam-se os cânceres no trato genital (corpo do útero,  endométrio, ovários, vulva, vagina e trompas e colo do útero). A incidência do câncer do colo do útero é de 537.624 casos novos a cada ano, mortalidade de 265.672 e prevalência em cinco anos de 1.547.161. Para o câncer do corpo do útero: incidência 319.605, mortalidade 76.160 e prevalência em cinco anos de 1216504. Para o câncer de ovário: incidência 238.719, mortalidade 151.917 e prevalência em cinco anos de 586.624.1 A elevada incidência dos cânceres no trato genital, destacando-se o do câncer do colo do útero, vem levando muitas mulheres ao tratamento radioterápico. A radioterapia é uma das terapêuticas mais utilizadas no controle dos cânceres do trato genital, podendo ser aplicada isoladamente, concomitante à quimioterapia, ou após a cirurgia de forma adjuvante. Utiliza feixe de radiações ionizantes com o objetivo de destruir as células tumorais.2 A radioterapia pode ser aplicada na forma de teleterapia ou braquiterapia. A teleterapia consiste em um tratamento externo, utilizando a fonte emissora de radiação afastada do paciente. A braquiterapia consiste em fontes de radiação que são implantadas diretamente no tumor ou no órgão atingido.3 A caracterização do perfil de pessoas atendidas em um determinado contexto permite melhor conhecê-las, consequentemente, dá subsídios para o planejamento adequado das atividades de cuidados e para prevenção de doenças, neste caso, os cânceres no trato genital. O Centro de Pesquisas Oncológicas, uma instituição de saúde referência no atendimento oncológico no Estado de Santa Catarina era a única unidade de saúde que prestava atendimento em braquiterapia pélvica de alta de dose até 2016. Portanto, as mulheres que necessitavam desta terapêutica em todo o Estado eram encaminhadas ao CEPON. Em geral, as mulheres com câncer no trato genital são submetidas à teleterapia e à braquiterapia. Além disso, o Centro de Pesquisas Oncológicas possui Registro Hospitalar de Câncer, tendo dados devidamente coletados e encaminhados ao Integrador RHC – Instituto Nacional de Câncer - referentes aos anos 2010 até 2014.  **OBJETIVO:** Assim, este estudo objetiva caracterizar o perfil sociodemográfico e clínico de mulheres submetidas à radioterapia no Centro de Pesquisas Oncológicas entre 2010 e 2014. **DESCRIÇÃO METODOLÓGICA: **Para tanto, foi realizado estudo ecológico. A população do estudo constitui-se dos registros de mulheres com câncer no trato genital, submetidas à radioterapia entre 2010-2014 no cenário do estudo,  localizado no município de Florianópolis, Santa Catarina/Brasil. A coleta dos dados foi realizada no banco de dados do Registro Hospitalar de Câncer do cenário do estudo. Foram incluídos no estudo os registros de 880 mulheres. As variáveis do estudo foram os dados sociodemográficos e clínicos dessas mulheres, analisados por estatística descritiva. A investigação, apesar de não envolver coleta de dados com ser humano, foi autorizada pela Direção Institucional e pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Santa Catarina, sob o número de Certificados de Apresentação para Apreciação Ética: 61720216.1.0000.0121. **RESULTADOS:** Houve predominância de mulheres entre as faixas etárias de 41-50 e 51-60 anos (46,02%), de cor branca (94,20%), do ensino fundamental (63,41%). A maior taxa de prevalência dos casos ocorreu no ano de 2014 (28,41%), 71,93% das mulheres foram encaminhadas ao cenário do estudo com algum tratamento e diagnóstico anterior. Na população estudada, a radioterapia exclusiva foi a indicação de tratamento mais prescrita no início do atendimento da mulher no cenário do estudo (60,45%). Correlacionando idade e estado conjugal e estádio e faixa etária, foram identificadas 431 mulheres (48,98%) casadas, com idade média de 51 anos, 35,80% de diagnóstico no estádio III e 25,40% na faixa etária dos 41-50 anos. A idade das mulheres com cânceres na vulva (média 55 anos) diferiram dos estudos internacionais (com frequência maior em mulheres de 80 anos ou mais). A prevalência dos casos ocorreu na topografia colo do útero (78,97%), seguida de corpo do útero (18,87%). Os percentuais relacionados ao câncer de vulva, vagina e ovários foram, respectivamente, 0,91%, 0,57% e 0,68%. Correlacionando topografia e macrorregião, 39,77% dos casos de câncer do colo do útero são procedentes da macrorregião da Grande Florianópolis e 14,37%, da macrorregião sul do Estado de Santa Catarina. **CONCLUSÃO:** Os resultados reafirmam a magnitude do câncer do colo do útero, a necessidade de prevenção deste tipo de câncer e do diagnóstico precoce das lesões pré-neoplásicas e/ou neoplásicas. Além disto, apesar da baixa prevalência dos casos das topografias vulva, vagina e ovários no contexto da radioterapia, ressalta-se a importância da atenção à saúde as mulheres acometidas por estas doenças seja planejada também para o diagnóstico precoce, considerando as possíveis sequelas e prognósticos dessas doenças. Por conseguinte, destaca-se a importância de políticas públicas para a saúde da mulher e para o controle epidemiológico das doenças. **CONTRIBUIÇÕES/IMPLICAÇÕES PARA ENFERMAGEM:** Os resultados evidenciam a importância do planejamento de enfermagem na educação permanente e na educação em saúde das mulheres. Ainda retrata a importância da prevenção e da gestão do cuidado, sendo o enfermeiro um dos profissionais da área da saúde que está apto a realizar essas funções, através de seu conhecimento e papel como educador em saúde e gestor. O profissional enfermeiro tem fundamental importância na compreensão de quem são essas mulheres, sendo que a consulta de enfermagem é fonte de informações dos dados sociodemográficos e clínicos para serem coletados e registrados pelo Registro Hospitalar de Câncer, o que implica para enfermagem preocupação com a qualidade dessa ação. Por fim, a análise dos dados, ocorrida neste estudo, contribui para o melhor planejamento do cuidado em enfermagem para as mulher com câncer no trato genital e consequente controle do câncer. **Descritores: **Neoplasias dos genitais femininos. Radioterapia. Perfil de saúde. **REFERÊNCIAS:** 1. International Agency for Research on Cancer. Cancer Incidence in Five Continentes Time Trends: Online Analysis; 2014 2. Instituto Nacional de Câncer. Ministério da Saúde. Ações de enfermagem para o controle do câncer: uma proposta de integração ensino-serviço. Rio de janeiro: INCA; 2008. 3. Araujo CRG, Rosas AMTF, Menezes HF, Rodrigues BMRD. Ensinar e aprender na consulta de enfermagem em braquiterapia ginecológica: perspectivas dos enfermeiros. Revista de Enfermagem Uerj. 2016; 24(4):1-6.


Referências:
1. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde (BR). DAPE. Coordenação Geral de Saúde Mental. Reforma psiquiátrica e política de saúde mental no Brasil. Documento apresentado à Conferência Regional de Reforma dos Serviços de Saúde Mental : 15 anos depois de Caracas. OPAS. Brasília, novembro de 2005. Acesso em 17de agosto de 2017. 2. Ministério da Saúde. Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde. Departamento de Gestão da Educação em Saúde. Política Nacional de Educação Permanente em Saúde / Ministério da Saúde, Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, Departamento de Gestão da Educação em Saúde. – Brasília : Ministério da Saúde, 2009. Acesso em 7 de setembro de 2017. 3. Lemos CLS. Educação Permanente em Saúde no Brasil: educação ou gerenciamento permanente? Ciência & Saúde Coletiva. - Rio de Janeiro, v. 21, 2016. Acesso em 20 de agosto de 2017. 4. Santos, CMC; Pimenta, CAM; Nobre, MRC. A estratégia PICO para a construção da pergunta de pesquisa e busca de evidências. Revista Latino-americana de Enfermagem- Ribeirão Preto, v.15 nº.3, 2007. Acesso em 25 de agosto de 2017.