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4254041 | QUALIFICAÇÃO DO CUIDADO PÓS-OPERATÓRIO EM TIREOIDECTOMIA EM UM HOSPITAL UNIVERSITÁRIO: UMA PROPOSTA DE EDUCAÇÃO PERMANENTE | Autores: Pollyana Plautz Gorris |
Resumo: QUALIFICAÇÃO DO CUIDADO PÓS-OPERATÓRIO EM TIREOIDECTOMIA EM UM HOSPITAL
UNIVERSITÁRIO: UMA PROPOSTA DE EDUCAÇÃO PERMANENTE
_Pollyana Plautz Gorris_[1]___; _Ana Rosete Camargo Rodrigues Maia[2]
Estimativas publicadas pelo INCA em 2016, sobre dados do Brasil apontam para
um aumento na incidência do câncer de tireoide nos últimos anos. Até então
este câncer não era uma neoplasia frequente, atualmente representa 5% dos
casos diagnosticados em mulheres, sendo a quarta neoplasia maligna mais
incidente(1). Estima-se que a incidência seja cinco vezes maior nas mulheres
do que nos homens e que o número de novos casos de câncer de tireoide aumentam
a incidência com a idade, principalmente a partir dos 30 anos. A
tireoidectomia total é defendida como a melhor estratégia inicial para
pacientes que internam para tratamento de câncer de tireoide, pois ela evita
que seja necessária a reintervenção cirúrgica nos casos de identificação de
tipos histológicos mais agressivos(2). A concretização da educação permanente
depende que os processos educativos dos trabalhadores da saúde tenham como
objetivos a transformação das práticas profissionais e da própria organização
do trabalho, sendo que pode ser considerada como orientadora das iniciativas
de desenvolvimento dos sujeitos-trabalhadores e das estratégias de
transformação das práticas de saúde(3). Desta forma delineou-se a seguinte
pergunta do estudo: Qual o conhecimento dos profissionais de enfermagem sobre
os cuidados pós-operatórios de Tireoidectomia e sua relação com a intervenção
educativa? O estudo teve como objetivo compreender o
conhecimento/práticas/saberes dos profissionais de enfermagem sobre cuidados
pós-operatórios de Tireoidectomia e sua relação com a intervenção educativa
realizada. Como método, tratou-se de um estudo exploratório descritivo de
abordagem qualitativa que buscou compreender a relação de uma intervenção
educativa focalizada no conhecimento dos profissionais de enfermagem sobre os
cuidados pós-operatórios de Tireoidectomia. Como estratégia da intervenção
educativa, primeiramente um questionário foi respondido antes dos
profissionais assistirem um vídeo explicativo, e outro questionário foi
respondido após o vídeo explicativo. O local do estudo foi uma unidade de
internação cirúrgica, de um hospital universitário do sul do Brasil. Os
sujeitos do estudo foram os profissionais de enfermagem, dentre eles: dois
auxiliares de enfermagem, dezesseis técnicos de enfermagem e seis enfermeiros,
no mês de junho de 2017 na sala de passagem de plantão do setor. O instrumento
para a coleta de dados foi um questionário semiestruturado composto por doze
questões fechadas e três questões abertas. As questões fechadas tiveram como
respostas: Verdadeiro (V) quando concordam com a recomendação, Falso (F)
quando discordam e Não Sei (NS) quando não soubessem a resposta. Assim como o
vídeo construído pela pesquisadora, o questionário também foi construído com
pesquisa nas bases de dados SCIELO, LILACS E PUBMED. Como análise de dados
para este estudo foi utilizado análise de conteúdo temática e frequências
absolutas que quantificaram os dados dos questionários antes e após
intervenção educativa. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa
com Seres Humanos da UFSC (CEPSH), com número de parecer de 2.106.061, a
coleta de dados foi realizada após os participantes assinarem o TCLE. Quanto
aos resultados do estudo, uma das questões afirmava que a glândula da Tireoide
fica próximo aos nervos responsáveis pelos movimentos das cordas vocais, no
pós-operatório de Tireoidectomia o paciente pode ficar com rouquidão ou até
alterações definitivas na voz, a maioria dos profissionais (79,16%) no pré-
teste acertaram a questão e responderam que esta era uma afirmativa
verdadeira, no pós-teste (91,66%) acertaram a questão. Outra questão afirmava
que podem ocorrer formigamentos nas mãos, pés, ao redor dos lábios e nos
lábios, podendo evoluir para câimbras no pós-operatório de Tireoidectomia, a
maioria dos profissionais (75%) no pré-teste acertaram a questão e responderam
que esta afirmativa era verdadeira, já no pós-teste todos os profissionais
acertaram a questão. Outra questão afirmava que a incisão de Tireoidectomia
fica coberta por um curativo de micropore que tem as funções de: proteger a
incisão de bactérias e sujeiras; servir como pontos falsos auxiliando no
resultado estético da cicatriz; proteger do sol, que é prejudicial para a
cicatrização, a maioria dos profissionais (91,66%) no pré-teste acertaram a
questão ao responder que era verdadeira, já no pós-teste todos os
profissionais acertaram a questão. Outra questão que afirmava que no pós-
operatório de Tireoidectomia os pacientes podem sentir formigamentos e
câimbras, necessitando utilizar o Cálcio via oral, caso o paciente continue
com os sintomas ele poderá procurar um serviço de emergência e receber Cálcio
endovenoso, a maioria dos profissionais (83,33%) no pré-teste acertaram a
questão ao responder que era verdadeira, já no pós-teste todos os
profissionais acertaram esta questão. No pós-teste tiveram três questões
abertas. Uma delas perguntava se os profissionais teriam alguma dúvida
referente ao assunto abordado, vinte e dois profissionais relataram que não
tiveram nenhuma dúvida após a atividade educativa. Outra questão questionava
se a intervenção educativa auxiliou no processo de ensino aprendizagem, os
profissionais relataram que a intervenção educativa esclareceu dúvidas,
reforçou e relembrou condutas, fixou conceitos, esclareceu alguns pontos como
o da reposição de hormônios e das complicações que podem ocorrer pela falta de
hormônios, deu mais segurança a assistência prestada e atualizou o conteúdo.
Outra questão perguntava se teria algum cuidado de enfermagem ao paciente em
pós-operatório de Tireoidectomia que não foi citado/explicado durante a
intervenção educativa, vinte profissionais relataram que todos os cuidados
foram abordados na intervenção educativa. Com o estudo realizado conclui-se
que foi possível a compreensão dos conhecimento/práticas/saberes dos
profissionais de enfermagem sobre cuidados pós-operatórios de Tireoidectomia e
que a maioria deles se sentiram satisfeitos com a intervenção educativa. O
estudo evidenciou que os profissionais têm conhecimento adequado sobre o
assunto e tem propriedade para usar esses conhecimentos na prática, algumas
lacunas do conhecimento que existiam foram na maior parte supridas após a
intervenção educativa. Esses achados estão em concordância com outros estudos
que mostram que as intervenções educativas são eficazes para aprimorar os
cuidados de enfermagem e a prestação de um cuidado mais seguro ao usuário. A
educação permanente em saúde contribui para o crescimento, o desenvolvimento e
a formação de profissionais capacitados para desempenhar suas funções. Ainda
assim, se tem como desafio o desenvolvimento de pesquisas científicas que tem
por objetivo minimizar a distância que existe entre o que se sabe em teoria e
o que se aplica na prática, para que os cuidados prestados aos pacientes
submetidos à cirurgia de Tireoidectomia sejam atualizados e baseados em
evidências científicas.
* * *
[1] Mestranda do Programa de Pós Graduação em Enfermagem da Universidade
Federal de Santa Catarina. Especialista em Alta Complexidade. Enfermeira do
Instituto de Cardiologia de Santa Catarina. E-mail:
[pollyanapgorris@gmail.com](mailto:pollyanapgorris@gmail.com)
[2] Doutora em Enfermagem, Área de concentração: Filosofia, Saúde e Sociedade
pela Universidade Federal de Santa Catarina. Docente Associada da Universidade
Federal de Santa Catarina e Docente do Programa de Residência
Multiprofissional.
Referências: 1. Florianópolis. Protocolo de Enfermagem: Infecções sexualmente transmissíveis e outras
doenças transmissíveis de interesse em saúde coletiva (dengue/tuberculose). Florianópolis:
Secretaria Municipal de Saúde, 2016.
2. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Boletim Epidemiológico
(Sífilis). 2017; 48(36): 44p.
3. Florianópolis. Protocolo de Enfermagem: Hipertensão, diabetes e outros fatores associados
a doenças cardiovasculares. Florianópolis: Secretaria Municipal de Saúde, 2015.
4. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de
Vigilância, Prevenção e Controle das Infecções Sexualmente Transmissíveis, do HIV/Aids e
das Hepatites Virais. Agenda de Ações Estratégicas para Redução da Sífilis no Brasil.
Brasília: Ministério da Saúde, 2017. 34 p. |