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4155717 | O ITINERÁRIO TERAPÊUTICO CONTRIBUINDO NA BUSCA PELAS MELHORES PRÁTICAS NA ENFERMAGEM | Autores: Fernanda Karla Metelski ; Francielli Girardi ; Carine Vendruscolo ; Betina Hörner Schlindwein Meirelles |
Resumo: **Introdução**: Os avanços da Enfermagem brasileira, em especial no que se refere aos processos de ensino-aprendizagem, vem estimulando a adoção de novas práticas pedagógicas que contribuam para a formação acadêmica, articulando o ensino, a pesquisa e a realidade do mundo do trabalho. Essa perspectiva estimula a aprendizagem significativa, capaz de despertar no estudante o pensamento crítico reflexivo sobre a realidade em que ele está sendo inserido. Ao encontro das Diretrizes Curriculares Nacionais que subsidiam o ensino em Enfermagem e da Política Nacional de Educação Permanente em Saúde, as metodologias problematizadoras, além de fomentarem o protagonismo estudantil, uma vez que as inserções nos cenários de prática proporcionam um “ensaio” para a vida profissional, também contribuem para o desenvolvimento das competências adequadas à formação de um enfermeiro autônomo e comprometido com as melhores práticas na Enfermagem1,2. Uma boa prática é aquela definida como técnica ou metodologia que, por meio da experiência ou da investigação, possui confiabilidade comprovada para produzir um bom resultado3. Nessa direção, um grupo de professoras das disciplinas de Gestão e Gerência em Serviços de Saúde e Enfermagem no Cuidado ao Paciente Crítico de Saúde, do curso de graduação em Enfermagem da Universidade do Estado de Santa Catarina – UDESC Oeste, vem realizando, semestralmente, uma atividade integrada, visando articular os diferentes saberes com vistas ao desenvolvimento de melhores práticas na Enfermagem. **Objetivo**: O objetivo da atividade é estabelecer a relação entre os conteúdos ministrados na oitava fase do Curso de Enfermagem da UDESC, com as vivências nos diferentes cenário dos serviços de saúde, em que são realizadas as atividades teórico práticas (ATP), para despertar nos acadêmicos as competências críticas voltadas as melhores práticas em Enfermagem. **Descrição Metodológica: **Trata-se de um relato de experiência acerca da atividade integrativa, que busca articular as disciplinas da oitava fase do Curso de graduação em Enfermagem. As ATP são vivenciadas na Atenção Básica (AB), em um Centro de Saúde da Família (CSF), e ambiente hospitalar, nos setores da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e Pronto Socorro (PS) A atividade integrativa é desenvolvida em grupos de até cinco acadêmicos, e cada grupo tem uma professora orientadora. A referida atividade ocorreu no primeiro e segundo semestres de 2017, e está relacionada ao reconhecimento do itinerário terapêutico do usuário. Reconhecer os desenhos assistenciais centrados no usuário e em seu território coloca à gestão em saúde o desafio de conhecer mais profundamente as características e os determinantes da busca de cuidado4. A atividade consiste em cinco momentos: (I) mapear o itinerário terapêutico de um usuário com distúrbio cardiovascular, no serviço de saúde. O distúrbio cardiovascular foi indicado, por se tratar de uma morbidade que acomete usuários com maior frequência na região. (II) Identificar a linha de cuidado na perspectiva da Rede de Atenção à Saúde (RAS), e os pontos de atenção à saúde. (III) Reconhecer os cuidados de enfermagem que foram prestados, potencialidades e fragilidades em relação às melhores práticas, considerando as diferentes dimensões que envolvem o profissional enfermeiro, no cuidado em saúde (assistencial, gerencial, educativa, e investigativa). (IV) refletir sobre o percurso “ideal” no qual o usuário deveria ter percorrido na perspectiva da RAS. A busca de dados para a investigação contempla: o acesso ao prontuário; a discussão do caso com os profissionais; o acompanhamento da assistência ao usuário, a entrevista, a realização de cuidados de enfermagem, e a visita domiciliar, quando possível; e, o levantamento de dados sobre os atendimentos nos diferentes pontos da RAS que ele percorreu. (V) Socialização da atividade, durante a qual os grupos são avaliados segundo o conteúdo, a qualidade, a apresentação, o entrosamento do grupo, e a participação no seminário. Almeja-se que os estudantes problematizem a realidade, se inquietem com situações vivenciadas pelo usuário, e reconstruam possibilidades de caminhos para o mesmo, com vistas a integralidade e resolutividade dentro da RAS e, sobretudo, contemplando as melhores práticas. **Resultados: **A atividade integrativa tem despertado nos estudantes a consciência crítica em relação aos casos estudados, permitindo o estabelecimento de relações entre a teoria e a prática. A partir da socialização da atividade observou-se, em alguns grupos, limitações em mapear o itinerário terapêutico, devido a predominância do itinerário centrado no modelo biomédico. Isso deve-se aos registros analisados, a partir dos prontuários dos usuários na AB, que são centrados em registros clínicos, práticas de medicalização, encaminhamentos para especialidades, solicitação e resultados de exames. Há necessidade de ampliar a concepção, abrindo-se para as diferentes dimensões da gestão do cuidado em saúde, e que interferem na assistência a saúde. De um modo geral, os acadêmicos cumpriram a atividade proposta, conseguiram reconhecer os cuidados de enfermagem necessários, potencialidades e fragilidades em relação às melhores práticas, considerando as diferentes dimensões que envolvem o profissional enfermeiro no cuidado em saúde. Contudo, a enfermagem nem sempre foi identificada como um cuidado que o usuário poderia/deveria ter recebido dentro da RAS. Em outros grupos, em especial quando o usuário foi escolhido dentro da UTI, identificou-se que a Consulta de Enfermagem foi valorizada, sendo apresentadas todas as suas etapas, incluindo os diagnósticos da taxonomia NANDA NIC NOC, diferente dos demais cenários. Esse resultado fez refletir, sobre a importância de fortalecer o ensino da Consulta de Enfermagem, em especial, dentro das Unidades Básicas de Saúde. Apesar dos estudos, debates e reflexões em sala de aula, observou-se, em alguns grupos, uma tendência em seguir as condutas vigentes nos serviços, sugerindo o distanciamento entre a teoria e a prática. Em reuniões da fase, as professoras acordaram estratégias para reverter este pensamento. Um grupo apresentou como a Consulta de Enfermagem deveria ter sido realizada na Unidade Básica de Saúde, evidenciando que um exame físico apropriado poderia ter identificado, precocemente, os sintomas de um acidente vascular cerebral, argumentando sobre o correto encaminhamento do usuário para o hospital. Em relação as orientações das professoras, em um dos semestres foi experimentado deixar livre para os estudantes escolherem e agendarem o encontro com a professora. Dos quatro grupos, apenas dois o fizeram. No momento da socialização da atividade integrativa, observou-se que um dos grupos que não buscou orientação, apresentou conceitos relacionados aos anos iniciais do curso, e estabeleceu uma relação reflexiva incipiente entre o caso e as disciplinas. Assim, nos semestres subsequentes, optou-se por especificar quem seria a professora orientadora, bem com o encontro com a mesma um item a ser avaliado. **Conclusão: **A fim de ampliar a percepção dos estudantes acerca da leitura da realidade, problematizando-a e estimulando o protagonismo e o pensamento crítico reflexivo, as professoras optaram por acrescentar aos debates um referencial teórico que apresenta as dimensões da gestão do cuidado em saúde, ampliado assim o olhar sobre os processos que envolvem a micro e a macropolítica5. O debate sobre a enfermagem exercida de modo a “reproduzir” o modelo vigente no serviço, foi considerado um ponto importante da atividade, capaz de produzir reflexões nos estudantes sobre os sentidos do exercício profissional. **Contribuições/implicações para a Enfermagem: **O compromisso dos docentes de Enfermagem da UDESC em utilizar as “melhores práticas” pressupõe a utilização do corpo de conhecimentos próprios da Enfermagem, a fim de garantir o êxito das intervenções e o melhor itinerário na RAS, com vistas à integralidade e à resolutividade na Atenção Básica à Saúde.
Referências: Ferreira OGL, et al. Envelhecimento ativo e sua relação com a independência funcional.Texto contexto enferm 21.3 : 513-8, 2012.
Lino VTS et al. Adaptação transcultural da Escala de Independência em Atividades da Vida Diária (Escala de Katz). Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 24(1):103-112, jan, 2008.
Herdman T. Diagnósticos de enfermagem da NANDA: definições e classificação 2015-2017. Diagnósticos de enfermagem da Nanda: definições e classificação 2015-2017. 2015.
Pinto JM, Neri AL. Doenças crônicas, capacidade funcional, envolvimento social e satisfação em idosos comunitários: Estudo Fibra. Ciênc. saúde coletiva, Rio de Janeiro, v. 18, n. 12, p. 3449-3460, Dec. 2013. |