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4044292 | VALIDADE DE INSTRUMENTO DE ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM A PESSOAS COM ÚLCERA VENOSA | Autores: Livia da Silva Firmino dos Santos ; Rachel da Silva Serejo Cardoso ; Beatriz Guitton Renaud Baptista de Oliveira ; Glycia de Almeida Nogueira |
Resumo: Introdução: A Insuficiência Venosa Crônica engloba qualquer alteração
morfológica ou funcional do sistema venoso e cursa com uma série de
apresentações clínicas que podem variar de telangiectasias a úlceras venosas.
A assistência a pessoa com úlcera venosa, devido ao tratamento longo e
complexo, exige atuação multiprofissional, adoção de protocolo, conhecimento
específico, habilidade técnica, visão holística e o cuidado integral tendo
como fundamentação científica o Processo de Enfermagem (PE) e a adoção dos
Sistemas de Classificação para descrever a enfermagem clínica, e assim,
desencadear autonomia no cuidado, valorização e reconhecimento ao conduzir a
definição do papel do enfermeiro. Sendo assim, considerando-se a relevância do
desenvolvimento do PE para a profissão da enfermagem, torna-se crucial o uso
dos sistemas de classificação que permitem a padronização da linguagem, a qual
favorece o processo de comunicação, a compilação de dados para o planejamento
da assistência, o desenvolvimento de pesquisas, o processo de ensino-
aprendizagem profissional e fundamentalmente confere cientificidade ao
cuidado. E para que o PE seja realizado de maneira sistemática e eficiente,
deve-se não só utilizar terminologias como também, implementar protocolos que
são instrumentos que possibilitam a realização de uma prática com linguagem
uniformizada, que mostra as formas de atuação dos profissionais frente a
problemas concretos de promoção, prevenção e recuperação da saúde,
proporcionando uma assistência pautada no raciocínio clínico, individualizado
e de qualidade. Objetivo: Validar o conteúdo do protocolo de enfermagem para a
assistência a pessoas com úlcera venosa fundamentado em NANDA, NOC e NIC.
Metodologia: Trata-se de um estudo metodológico realizado através da validação
de conteúdo pela Técnica Delphi. O protocolo foi submetido à validação por
enfermeiros especialistas em processo de enfermagem e feridas crônicas. Esse
tipo de validação compreende a adequação das variáveis por meio de um consenso
entre profissionais em determinada área. O estudo foi realizado nos meses de
janeiro e março de 2015 na Escola de Enfermagem da UFF, com amostra de 13
enfermeiros que possuem experiência clínica e de pesquisa em processo de
enfermagem e/ou no cuidado a pacientes com feridas crônicas. O encontro foi
previamente agendado com os especialistas que fazem parte do grupo de pesquisa
em Sistematização de Assistência de Enfermagem e/ou Pesquisa Clínica, Feridas
e Biomateriais. Os critérios adotados para definir a amostra de enfermeiros
especialistas foram: participar ou ter participado de um grupo de estudo em
processo de enfermagem ou de feridas, por pelo menos um ano; possuir formação
stricto sensu e/ou lato sensu em enfermagem e ter experiência, de no mínimo um
ano, na prática clínica com processo de enfermagem ou cuidado a pessoas com
feridas crônicas. O protocolo intitulado “Histórico de pacientes com úlcera
venosa” foi dividido em três partes. Na parte I foram apresentados dados de
identificação e sóciodemográficos como: nome, número do prontuário, data de
nascimento, idade, sexo, raça, escolaridade, estado civil, endereço, bairro,
cidade, telefone, ocupação, fonte de renda, renda familiar, rede de água
encanada, rede de esgoto encanado, diagnóstico médico e queixa principal. Além
do Histórico de Enfermagem, que foi construído a partir dos domínios da NANDA:
domínio I – Promoção da saúde, domínio II – Nutrição, domínio IV –
Atividade/repouso, domínio VI – Autopercepção, domínio IX –
Enfrentamento/tolerância ao estresse, domínio XI – Segurança/proteção e
domínio XII- Conforto. Na parte II foram elaborados os Diagnósticos de
Enfermagem (NANDA) compostos por título, fatores relacionados e
características definidoras e o Resultado de Enfermagem (NOC) com seus
respectivos títulos e indicadores. E a parte III, contempla as Intervenções de
Enfermagem (NIC) por meio das suas atividades. Para validação do protocolo
utilizou-se a Técnica Delphi, que se baseia na busca progressiva de consenso
sobre determinado fenômeno pouco conhecido ou, ainda, em pesquisas em que o
tema é complexo. A análise dos dados foi feita adotando-se a taxa de
concordância (TC) e o índice de validade de conteúdo (IVC) = 0,80. O estudo
teve aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa sob o número 826.043.
Resultados: Na validação de conteúdo foi aplicada a Técnica Delphi em duas
rodadas e os resultados obtidos mostraram concordância dos juízes quanto ao
Histórico de Enfermagem composto por dados sócio demográficos, além dos
Domínios de Promoção da saúde; Nutrição; Atividade/repouso; Autopercepção;
Enfrentamento/tolerância ao estresse; Segurança/proteção e Conforto, assim
como, os 17 Diagnósticos/Resultados de Enfermagem e as 27
Intervenções/atividades de Enfermagem. Verificou-se que das 22 sugestões
apresentadas pelos especialistas, 19 foram acatadas após análise e confronto
com a literatura. Assim, as recomendações ficaram distribuídas da seguinte
forma: 16 referem-se ao acréscimo de itens no protocolo e 3 correspondem a
mudança de nomenclatura, facilitando a compreensão do instrumento. O protocolo
apresentou índice de validade de conteúdo satisfatório, e sua aplicabilidade é
factível, contribuindo para a qualidade da assistência prestada a pacientes
com úlcera venosa. Portanto, ressalta-se a importância da utilização do
processo de enfermagem e dos sistemas de classificação (NANDA-NOC-NIC) para a
sistematização da assistência aos pacientes com úlceras venosas, considerando
o uso do protocolo como uma ferramenta que favorece a tomada de decisão, a
compilação dos registros da atuação do enfermeiro e por fim, orienta a prática
profissional, tornando o cuidado único, integral e individualizado. Conclusão:
A validação de conteúdo do protocolo de enfermagem fundamenta a organização e
o planejamento da assistência, com padronização das ações e a continuidade do
cuidado a pessoas com úlcera venosa. Assim, dada a importância da padronização
da assistência, o estudo resultou em um protocolo válido e fidedigno para
atendimento em unidades ambulatoriais. Contribuições para enfermagem: este
estudo ampliará a produção científica e consequente renovação dos
conhecimentos nessa área, permitindo o crescimento da enfermagem enquanto
ciência e respaldando sua prática, possibilitando também, ao enfermeiro a
utilização de um protocolo de enfermagem padronizado a partir de
classificações internacionais, além de servir de modelo para o desenvolvimento
de atividades práticas e reflexivas, que permitam aos profissionais uma
assistência pautada em saber científico, pois pesquisas clínicas que utilizem
as taxonomias de enfermagem ainda são incipientes.
Referências: 1. Associação Brasileira de Enfermagem – seção Rio de Janeiro. Fórum de Escolas. http://www.abenrio.com.br/index.php/noticias-da-aben/rj-2017
2. BRASIL, Câmara de Educação Básica. Resolução nº6, de 20 de setembro de 2012. Define Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação Profissional Técnica de Nivel Médio. Diario Oficial da União, Brasilia, 21 set. 2012. Seção 1, p. 22.
3. BRASIL, Ministério da Educação. Catálogo Nacional de Cursos Técnicos. Resolução CNE/CEB nº 01/2014. Diário Oficial da República Federativa do Brasil. Brasília (DF). Acesso: http://portal.mec.gov.br/component/content/article?id
4. BRASIL, Ministério da Saúde. Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde. Departamento de Gestão na Saúde. Diretrizes para Especialização Técnica de Nível Médio em Enfermagem em linha do cuidado - Atenção Psicossocial. – Brasilia: Ministério da Saúde, 2016.
BRASIL, Conselho Municipal de Educação-CME- Plano Nacional de Educação. Lei Nº 13.005, de 25 Junho de 2014. http://www.rio.rj.gov.br/web/sme |