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3947615 | RELAÇÃO ENTRE A ANSIEDADE NO PERÍODO PRÉ-OPERATÓRIO E A DOR NO PERÍODO PÓS-OPERATÓRIO | Autores: Carlos Alberto Henao Periañez ; Ana Lucia de Mattia |
Resumo: Introdução: Diversos estudos apontam que distúrbios psicológicos e
fisiológicos impedem uma recuperação pós-operatória ótima, alguns relataram
consistentemente associações entre as medidas pré-operatórias de ansiedade e a
dor pós-operatória, mas ainda não existe um consenso geral, por causa de
diferenças metodológicas dos estudos (método de avaliação, tipo cirurgia,
características da população, o intervalo de avaliação e controle estatístico
dos resultados)1-3. Diante do exposto, torna-se relevante questionar: Há
relação entre a ansiedade no período pré-operatório e a dor no período pós-
operatório? Tem-se como hipótese que a presença de ansiedade nos pacientes no
período pré-operatório está relacionada com a intensidade da dor no período
pós-operatório. Objetivo: Analisar a relação entre a ansiedade no período pré-
operatório e a dor no período pós-operatório. Descrição Metodológica: Trata-se
de um estudo observacional, analítico, prospectivo, em dois momentos de
avaliação, antes e depois do procedimento cirúrgico; metodologia que permitiu
avaliar a sequência temporal dos fenômenos (ansiedade no período pré-
operatório e a dor no período pós-operatório), como critério para o
estabelecimento da causalidade. O local do estudo foi o Centro Cirúrgico e as
Enfermarias Clínica-Cirúrgicas de um Hospital Público Universitário do Estado
de Minas Gerais. Para seleção dos pacientes, foi feita uma amostragem não
probabilística, dos casos consecutivos os quais realizaram cirurgia eletiva,
nos meses de fevereiro a julho de 2017, a amostra final foi constituída por 50
pacientes. O estudo faz parte de um projeto de pesquisa intitulado Enfermagem
Perioperatória, com parecer favorável do Comitê de Ética em Pesquisa nº
57859416.3.0000.5149. Foi elaborado um Instrumento de Coleta de Dados (ICD) o
qual contém dados relacionados às características sociodemográficas dos
pacientes (idade, sexo, estado civil, escolaridade, ocupação, raça), dados
relacionados às características clínicas (diagnóstico médico atual,
antecedentes clínicos e cirúrgicos, tabagismo, etilismo, classificação da
American Society of Anesthesiologists (ASA) e consumo de medicações para
ansiedade e/ou dor) e ao procedimento anestésico-cirúrgico (tempo de cirurgia
e especialidade cirúrgica). Para avaliação da ansiedade foi utilizada a Escala
Hospitalar de Ansiedade e Depressão (HADS). Trata-se de um instrumento de
triagem, no qual os escores obtidos estão relacionados ao comportamento
ansioso e/ou depressivo recente, especificamente na última semana. A HADS é
constituída por 14 itens com quatro alternativas de respostas cada um (entre 0
e 3), sete questões se referem ao estado de ansiedade (subescala HADS-A) e
sete aos sintomas depressivos (subescala HADS-D)4. O ICD, também contém a
Escala Numérica Verbal (ENV), que foi utilizada para mensuração da intensidade
da dor. Trata-se de instrumento que permite a medida da intensidade da dor por
meio de números que representam a quantidade da dor sentida, graduada de 0 a
10, onde 0 significa ausência da dor e 10 a pior dor já sentida. A dor e
classificada em 0=Sem dor, 1, 2 e 3= dor leve, 4, 5 e 6= dor moderada, 7, 8, 9
e 10= dor forte5. Os dados foram tabulados no programa estatístico Statistical
Package for the Social Sciences para Windows versão 22.0. Resultados: A
amostra final foi constituída por 50 pacientes, que tiveram uma média do tempo
de internação de 31,2 horas (valor mínimo de 15 horas e máximo de 134 horas);
34 (68,0%) pacientes receberam alta hospitalar antes de cumprir 24 horas de
internação. Houve predomínio do sexo feminino, com idade média de 40,96 anos,
de raça parda, casados ou em união estável, 21 (42,0%) estão empregados e 36
(72,0%) completaram o Ensino Fundamental. Quanto ao risco cirúrgico
apresentado pelos pacientes, 28 (56,0%) foram classificados em ASA II, a
comorbidade de maior frequência foi a Hipertensão Arterial Sistêmica com 11
(22,0%) casos, seguida pelo Diabetes Mellitus com 4 (8,0%), observou-se também
que 4 (8,0%) referiram antecedente de tabagismo e 7 (14,0%) de etilismo. Os
pacientes com diagnóstico oncológico foram 16 (32,0%), dentre os diagnósticos
não oncológicos, o mais frequente foi nefrolitíase com 7 (14,0%) casos. A
média do tempo de cirurgia foi de 169 minutos. Quanto a presença de ansiedade,
20 (40,0%) pacientes apresentaram ansiedade (pontuação HADS-A = 9) e 7 (14,0%)
pacientes com depressão (pontuação HADS-D = 9). No período pré-operatório, 50
(100,0%) pacientes que conformaram a amostra referiram estar sem dor no
momento imediatamente anterior da cirurgia; na chegada à enfermaria, 29
(58,0%) referiram estar sem dor, 8 (16%) referiram dor moderado e 6 (12,0%)
dor forte. Após 12 horas de internação, a frequência passou para 4 (8,0%) com
dor leve, 16 (32,0%) com dor moderada e 1(2,0%) com dor forte; após 24 horas
de internação, 6 (37,5%) referiram estar sem dor, 4 (25,0%) referiram dor
leve, 5 (31,2%) referiram dor moderado e 1 (6,3%) referiu dor forte. O número
total de pacientes que referiram dor (ENV >0) no período pós-operatório,
incluindo os três momentos de avaliação, foi de 29 (58,0%) casos. Os pacientes
com ansiedade pré-operatória tiveram maior chance de apresentar dor pós-
operatória quanto aos pacientes sem ansiedade, na chegada à enfermaria (OR=
20,00; IC95%: 4,66-85,85; p<0,001) e após 12 horas de internação (OR=12,00;
IC95%: 4,43-326,02; p<0,001); após 24 horas de internação, ainda tiveram maior
chance de apresentar dor o grupo de pacientes com ansiedade pré-operatória,
mas não foi estatisticamente significativa (OR=1,3; IC95%: 0,16-11,08
p=0,608). Na logística binaria a ansiedade pré-operatória foi um previsor
significativo para dor pós-operatória (OR=97,99; IC95%: 5,20-1846,64; p=0,002.
Conclusão: Este estudo demostrou que a presença de ansiedade nos pacientes no
período pré-operatório está relacionada com a intensidade da dor no período
pós-operatório, independente das variáveis sociodemográficas e clínicas na
amostra estudada. Contribuições/Implicações para Enfermagem: Os resultados
fornecem evidências importantes para melhorar as práticas da Enfermagem
Perioperatória, indicando a importância de avaliar rotineiramente a ansiedade
no pré-operatório de procedimentos cirúrgicos eletivos, além da necessidade de
desenvolver intervenções para reduzir a ansiedade pré-operatória e, portanto,
diminuir a incidência da dor no pós-operatório.
Referências: 1. Conselho Nacional de Educação (Brasil). Câmara de Educação Superior. Resolução CNE/CES, nº. 3, de 7 de novembro de 2001. Institui Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Enfermagem. Diário Oficial da União 9 nov 2001; Seção 1.
2. Borges TC, Alencar G. Metodologias ativas na promoção da formação crítica do estudante: o uso das metodologias ativas como recurso didático na formação crítica do estudante do ensino superior. Cairu em Revista. 2014 Jul; 3(4): 119-143.
3. Chirelli MQ, Mishima SM. A formação do enfermeiro crítico-reflexivo no curso de enfermagem da Faculdade de Medicina de Marília - FAMEMA. Rev. Latino-Am. Enfermagem. 2003 Out; 11(5): 574-584.
4. Sobral FR, Campos CJG. Utilização de metodologia ativa no ensino e assistência de enfermagem na produção nacional: revisão integrativa. Rev. esc. enferm. USP. 2012 Feb; 46(1): 208-218. |