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3889889 | A INTERCONSULTA COMO ESTRATÉGIA DE ENSINO, NA ESF JOVINO INÁCIO CARDOSO I E II – RELATO DE EXPERIÊNCIA | Autores: Claudia Regina Lima Duarte da Silva ; Marinês Finco ; Ana Cristina dos Santos ; Aline Alessandra Wecker ; Carmen Liliam Brum Marques Baptista |
Resumo: INTRODUÇÃO: A Equipe Interdisciplinar é composta por profissionais de diversas
áreas, com formações acadêmicas diferentes e que trabalham em prol de um único
objetivo, a pessoa como um todo, de uma forma humanizada buscando o bem estar
da pessoa e o sucesso do tratamento proposto. Nesse sentido, o trabalho se
torna efetivo na articulação dos profissionais, podendo ser individual e/ou
coletivo, no consultório, nos trabalhos em grupo, produzindo novas
sistemáticas de cuidado, para construção de estratégias conjuntas de
intervenção¹. Com este intuito o internato em atenção primária da enfermagem,
acadêmicos da medicina, odontologia e psicologia, juntamente com as equipes de
saúde da ESF Jovino Inácio Cardoso I e II acordaram a importancia da
interconsulta a pessoa com diabetes mellitus em uso de insulina. Vivemos em um
mundo com necessidade de trabalho em equipe, onde de forma dinâmica buscamos
pelos mesmos ideais. Pois entendemos que no trabalho em equipe há
possibilidades de valorização individual, porém se permite que todos façam
parte da mesma ação para busca de resultados em saúde. Esse dinamismo
possibilita a troca e compartilhamento de conhecimentos e experiências, sendo
de extrema importância, pois torna a ação profissional significativa para
todos, acadêmicos, profissionais e pessoa atendida, que buscam um objetivo em
comum, sendo assim, uma estratégia para melhorar a efetividade do trabalho e
elevar o grau de satisfação do profissional, do acadêmico e da pessoa
atendida. A interconsulta caracteriza-se como uma tecnologia leve,
desenvolvida nos espaços de trabalho e de integração ensino, serviço e
comunidade, que permite que os casos sejam discutidos de forma integral,
envolvendo diversos profissionais e acadêmicos, contribuindo para sua
formação. Por meio de suas modalidades, permite-se que tenham uma visão
ampliada dos casos assistidos pelas equipes de saúde, sendo considerada uma
atividade interprofissional e interdisciplinar em intervenção conjunta,
possibilitando uma melhor assistência também à equipe de referência, por meio
da discussão de caso entre diversos saberes e disciplinas². OBJETIVO: Relatar
a experiência da interconsultas como estratégia de ensino no campo de
intergração ensino, serviço e comunidade. METODOLOGIA: Para dar início ao
processo de implantação da interconsulta os acadêmicos se reuniram com a
professora da enfermagem, médico/preceptor e enfermeira da unidade para
definir quais atividades seriam desenvolvidas e como seriam desenvolvidas,
buscando organizar uma agenda semanal de pessoas com diabetes em uso de
insulina. Conforme sugerido pela enfermeira da unidade, foi definido que o
projeto seria realizado com treze pessoas com diabetes e uso de insulina
considerados com maior dificuldade de adesão e/ou controle gliccêmico, sendo
cinco pessoas da ESF Jovino Inácio Cardoso I e oito pessoas da ESF Jovino
Inácio Cardoso II, uma vez que as duas equipes trabalham no mesmo espaço
físico. Os usuários da unidade I seriam avaliados pelas acadêmicas de
Enfermagem e, os usuários da unidade II, conforme sugestão do preceptor
médico, realizando consulta interprofissionais na unidade e visitas
domiciliares. Com isso, obteve-se divisão de duplas entre enfermagem e
medicina para consulta programada, o que possibilitou uma discussão envolvendo
diferentes visões sobre saúde/doença/cuidado da pessoa com diabetes em uso de
insulina. As acadêmicas de enfermagem, em conjunto com os acadêmicos de
medicina, realizaram interconsultas, buscando fazer a anamnese, exame físico
completo, avaliação da carteira de vacinas, hábitos de saúde, armazenamento e
cuidados com a insulina, avaliação dos pés diabéticos através do teste de
monofilamento 10g, forma de realização da glicemia capilar, da aplicação da
insulina, do descarte dos insumos utilizados, dentre outros. O teste de
monofilamento de 10g auxiliou na detecção da perda de sensibilidade protetora
dos pés, Nos casos em que houve a necessidade do sapato ortopédico
disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde foi realizado o encaminhamento
para o Núcleo de Atenção em Diabetes para aquisição. Conforme necessidade de
cada pessoa, foram realizadas algumas intervenções logo na primeira consulta
estimulando o autocuidado apoiado. Foram estabelecidas metas relacionadas ao
Índice de Massa Corporal (IMC), circunferência abdominal, pressão arterial,
tabagismo, etilismo, atividade física, hemoglobina glicada e glicemia de
jejum, além das metas relacionadas ao autocuidado. Nas visitas domiciliares,
os acadêmicos da psicologia e odontologia acompanharam os acadêmicos de
medicina e enfermagem, contribuindo para a integralidade do atendimento e
resolutividade dos casos. A acadêmica de odontologia ficou responsável pela
realização da atividade no grupo com o tema “Da boca aos pés”. Foi realizado
avaliação odontológica, realizado anamnese, odontograma e sondagem
periodontal, exame clínico (Intra-oral, cabeça e pescoço), avaliando a
necessidade de tratamento, de ações preventivas e educativas, e aplicação de
um questionário sobre saúde bucal e diabetes. Após essa avaliação, as pessoas
receberam visitas domiciliares e finalizaram com a reavaliação e o
monitoramento mensal. Analisado a necessidade odontológica que as pessoas com
diabetes possuem, foi elaborado um plano odontológico preventivo e curativo
para o projeto “Diabetes 5 Estrelas”. A saúde bucal deve estar inserida no
contexto da saúde sistêmica e geral, devido à integração da boca como parte do
corpo humano. Portanto, Diabetes Mellitus é uma patologia de extrema
importância para a saúde sistêmica e geral dos portadores, devendo esta ser
especialmente considerada no planejamento e tratamento odontológico³. Após a
visita domiciliar interprofissional eram pactuados as metas com a pessoa e em
trinta dias era realizada nova visita domiciliar para avaliação das metas,
repactução ou ajustes na metas. CONSIDERAÇÕES: A interconsulta não é algo
comum e rotineiro na prática de profissionais de saúde e acadêmicos, na
verdade é um grande desafio mas possível de ser alcançado. Para nós foi uma
experiência desafiadora, pois os acadêmicos são habituados a trabalhar de
forma isolada e fragmentada, apesar de todos os envolvidos terem o mesmo
objetivo, a integralidade do cuidado. Contudo essa experiência possibilitou
outra forma de fazer saúde para os acadêmicos, profissionais e para as pessoas
atendidas, pois permitiu a interface de conhecimento em prol da pessoas com
diabetes em uso de insulina. Essa experiência possibilitou aos acadêmicas de
enfermagem o compartilhamento do conhecimento, o planejamento em equipe, o
pensar de forma inter e multiprofissional e acima de tudo mostrou que é
possível a realização da interconsulta sem que ocorra “invasões” dos espaços
profissionais e sim compartilhamentos destes. Ampliando a os limites da
prática profissional, quebrando as fronteiras da mesma, melhorando os
resultados em saúde.
Referências: 1. Sociedade Brasileira de Enfermeiros de Centro Cirúrgico, Recuperação Anestésica e Centro de Materiais e Esterilização (SOBECC). Diretrizes de Práticas em Enfermagem Cirúrgica e Processamento de Produtos para a Saúde – SOBECC – 7ª edição. São Paulo. Rev. SOBECC, 2017.
2. Sociedade Brasileira de Enfermeiros de Centro Cirúrgico, Recuperação Anestésica e Centro de Materiais e Esterilização (SOBECC). Práticas recomendadas: centro cirúrgico, recuperação pós anestésica, centro de material e esterilização. São Paulo. Rev. SOBECC, 2013; 6(1).
3. Hospital Regional do Oeste (HRO). História do Hospital Regional do Oeste. Disponível em: . Acesso 05 mar. 2018.
4. Freitas, NQ et al. O papel do enfermeiro no centro cirúrgico na perspectiva de acadêmicas de enfermagem. Revista Contexto e Saúde. Ijuí. Editora Unijuí, 2011; 10 (20). |