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SENADEn - ISSN: 2316-3216 || SINADEn - ISSN: 2318-6518 • ISSN: 2318-6518
Resumo: 3889889

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A INTERCONSULTA COMO ESTRATÉGIA DE ENSINO, NA ESF JOVINO INÁCIO CARDOSO I E II – RELATO DE EXPERIÊNCIA

Autores:
Claudia Regina Lima Duarte da Silva ; Marinês Finco ; Ana Cristina dos Santos ; Aline Alessandra Wecker ; Carmen Liliam Brum Marques Baptista

Resumo:
INTRODUÇÃO: A Equipe Interdisciplinar é composta por profissionais de diversas áreas, com formações acadêmicas diferentes e que trabalham em prol de um único objetivo, a pessoa como um todo, de uma forma humanizada buscando o bem estar da pessoa e o sucesso do tratamento proposto. Nesse sentido, o trabalho se torna efetivo na articulação dos profissionais, podendo ser individual e/ou coletivo, no consultório, nos trabalhos em grupo, produzindo novas sistemáticas de cuidado, para construção de estratégias conjuntas de intervenção¹. Com este intuito o internato em atenção primária da enfermagem, acadêmicos da medicina, odontologia e psicologia, juntamente com as equipes de saúde da ESF Jovino Inácio Cardoso I e II acordaram a importancia da interconsulta a pessoa com diabetes mellitus em uso de insulina. Vivemos em um mundo com necessidade de trabalho em equipe, onde de forma dinâmica buscamos pelos mesmos ideais. Pois entendemos que no trabalho em equipe há possibilidades de valorização individual, porém se permite que todos façam parte da mesma ação para busca de resultados em saúde. Esse dinamismo possibilita a troca  e compartilhamento de conhecimentos e experiências, sendo de extrema importância, pois torna a ação profissional significativa para todos, acadêmicos, profissionais e pessoa atendida, que  buscam um objetivo em comum, sendo assim,  uma estratégia para melhorar a efetividade do trabalho e elevar o grau de satisfação do profissional, do acadêmico e da pessoa atendida. A interconsulta caracteriza-se como uma tecnologia leve, desenvolvida nos espaços de trabalho e de integração ensino, serviço e comunidade, que permite que os casos sejam discutidos de forma  integral, envolvendo diversos profissionais e acadêmicos, contribuindo para sua formação. Por meio de suas modalidades, permite-se que tenham uma visão ampliada dos casos assistidos pelas equipes de saúde, sendo considerada uma atividade interprofissional e interdisciplinar em intervenção conjunta, possibilitando uma melhor assistência também à equipe de referência, por meio da discussão de caso entre diversos saberes e disciplinas².  OBJETIVO: Relatar a experiência da interconsultas  como estratégia de ensino no campo de intergração ensino, serviço e comunidade. METODOLOGIA: Para dar início ao processo de implantação da interconsulta os acadêmicos se reuniram com a professora da enfermagem, médico/preceptor e enfermeira da unidade para definir quais atividades seriam desenvolvidas e como seriam desenvolvidas, buscando organizar uma agenda semanal de pessoas com diabetes em uso de insulina. Conforme sugerido pela enfermeira da unidade, foi definido que o projeto seria realizado com treze pessoas com diabetes e uso de insulina considerados com maior dificuldade de adesão e/ou controle gliccêmico, sendo cinco pessoas da ESF Jovino Inácio Cardoso I e oito pessoas da ESF Jovino Inácio Cardoso II, uma vez que as duas equipes trabalham no mesmo espaço físico. Os usuários da unidade I seriam avaliados pelas acadêmicas de Enfermagem e, os usuários da unidade II, conforme sugestão do preceptor médico, realizando consulta interprofissionais na unidade e visitas domiciliares. Com isso, obteve-se divisão de duplas entre enfermagem e medicina para consulta programada, o que possibilitou uma discussão envolvendo diferentes visões sobre saúde/doença/cuidado da pessoa com diabetes em uso de insulina. As acadêmicas de enfermagem, em conjunto com os acadêmicos de medicina, realizaram interconsultas, buscando fazer a anamnese, exame físico completo, avaliação da carteira de vacinas, hábitos de saúde, armazenamento e cuidados com a insulina, avaliação dos pés diabéticos através do teste de monofilamento 10g, forma de realização da glicemia capilar, da aplicação da insulina, do descarte dos insumos utilizados, dentre outros. O teste de monofilamento de 10g auxiliou na detecção da perda de sensibilidade protetora dos pés,  Nos casos em que houve a  necessidade do sapato ortopédico disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde  foi realizado o encaminhamento para o Núcleo de Atenção em Diabetes para aquisição. Conforme necessidade de cada pessoa, foram realizadas algumas intervenções logo na primeira consulta estimulando o autocuidado apoiado. Foram estabelecidas metas relacionadas ao Índice de Massa Corporal (IMC), circunferência abdominal, pressão arterial, tabagismo, etilismo, atividade física, hemoglobina glicada e glicemia de jejum, além das metas relacionadas ao autocuidado. Nas visitas domiciliares, os acadêmicos da psicologia e odontologia acompanharam os acadêmicos de medicina e enfermagem, contribuindo para a integralidade do atendimento e resolutividade dos casos.  A acadêmica de odontologia ficou responsável pela realização da atividade no grupo com o tema “Da boca aos pés”. Foi realizado avaliação odontológica, realizado anamnese,  odontograma e sondagem periodontal, exame clínico (Intra-oral, cabeça e pescoço), avaliando a necessidade de tratamento, de ações preventivas e educativas, e aplicação de um questionário sobre saúde bucal e diabetes. Após essa avaliação, as pessoas receberam visitas domiciliares e finalizaram com a reavaliação e o monitoramento mensal. Analisado a necessidade odontológica que as pessoas com diabetes possuem, foi elaborado  um plano odontológico preventivo e curativo para o projeto “Diabetes 5 Estrelas”. A saúde bucal  deve estar inserida no contexto da saúde sistêmica e geral, devido à integração da boca como parte do corpo humano. Portanto, Diabetes Mellitus é uma patologia de extrema importância para a saúde sistêmica e geral dos portadores, devendo esta ser especialmente considerada no planejamento e tratamento odontológico³. Após a visita domiciliar interprofissional eram pactuados as metas com a pessoa e em trinta dias era realizada nova visita domiciliar para avaliação das metas, repactução ou ajustes na metas. CONSIDERAÇÕES: A interconsulta não é algo comum e rotineiro na prática de  profissionais de saúde e acadêmicos, na verdade é um grande desafio mas possível de ser alcançado. Para nós foi uma experiência desafiadora, pois os acadêmicos são habituados a trabalhar  de forma isolada e fragmentada, apesar de todos os envolvidos terem o mesmo objetivo, a integralidade do cuidado. Contudo essa experiência possibilitou outra forma de fazer saúde para os acadêmicos, profissionais e para as pessoas atendidas, pois permitiu a interface de conhecimento em prol da pessoas com diabetes em uso de insulina. Essa experiência possibilitou aos acadêmicas de enfermagem o compartilhamento do conhecimento, o planejamento em equipe, o pensar de forma inter e multiprofissional e acima de tudo mostrou que é possível a realização da interconsulta sem que ocorra  “invasões” dos espaços profissionais e sim compartilhamentos destes.  Ampliando a os limites da prática profissional, quebrando as fronteiras da mesma, melhorando os resultados em saúde.


Referências:
1. Sociedade Brasileira de Enfermeiros de Centro Cirúrgico, Recuperação Anestésica e Centro de Materiais e Esterilização (SOBECC). Diretrizes de Práticas em Enfermagem Cirúrgica e Processamento de Produtos para a Saúde – SOBECC – 7ª edição. São Paulo. Rev. SOBECC, 2017. 2. Sociedade Brasileira de Enfermeiros de Centro Cirúrgico, Recuperação Anestésica e Centro de Materiais e Esterilização (SOBECC). Práticas recomendadas: centro cirúrgico, recuperação pós anestésica, centro de material e esterilização. São Paulo. Rev. SOBECC, 2013; 6(1). 3. Hospital Regional do Oeste (HRO). História do Hospital Regional do Oeste. Disponível em: . Acesso 05 mar. 2018. 4. Freitas, NQ et al. O papel do enfermeiro no centro cirúrgico na perspectiva de acadêmicas de enfermagem. Revista Contexto e Saúde. Ijuí. Editora Unijuí, 2011; 10 (20).