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3682985 | SISTEMATIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM PERIOPERATÓRIA APLICADA A PACIENTES SUBMETIDOS À OSTEOSSÍNTESE DE FÊMUR: RELATO DE EXPERIÊNCIA | Autores: Letícia Teixeira Torres ; Milka Borges da Silva ; Aurean D’eça Júnior ; Nathalia Rabelo Oliveira ; Mayane Cristina Pereira Marques |
Resumo: **Introdução:** A cirurgia articular é uma das cirurgias ortopédicas mais comumente realizada. A doença articular ou a deformidade podem exigir a intervenção cirúrgica para aliviar a dor, melhorar a estabilidade e melhorar a função. O procedimento baseia-se na condição ortopédica subjacente do paciente, saúde física geral, impacto da incapacidade articular sobre as atividades diárias e idade1. Segundo Kisner, a fratura é a quebra estrutural na continuidade de um osso podendo ser na placa epifisária ou na superfície articular, gerando algum grau de lesão nos tecidos moles que cercam o osso, e dependendo do local da fratura pode ocasionar graves danos. As fraturas são resultados do rompimento das integridades ósseas, ocorre quando a força aplicada sobre o osso é maior que a força que ele consegue suportar o que leva a perturbação do bom funcionamento do sistema musculoesquelético2. As fraturas do fêmur são classificadas de acordo com a região lesionada. As intracapsulares são fraturas do colo do fêmur; fraturas extracapsulares são fraturas da região trocantérica (entre a base do colo e o trocanter menor do fêmur) e da região subtrocantérica. As fraturas do colo do fêmur podem afetar o sistema vascular que supre o sangue para a cabeça e colo do fêmur, levando a desvitalização óssea3. O tratamento cirúrgico consiste em redução aberta ou fechada da fratura e fixação interna, substituição da cabeça do fêmur por uma prótese ou redução fechada com estabilização percutânea para uma fratura intracapsular1. Não existe um limite de idade definido na literatura para que se indique artroplastia ou fixação da fratura. O bom senso deve prevalecer considerando as características da fratura e do paciente, mesmo porque idade cronológica nem sempre se correlaciona com biológica. O tratamento de osteossíntese é considerado a forma mais eficaz, mas nos pacientes fisiologicamente idosos com pouca qualidade óssea e outras comorbidades, os procedimentos de artroplastias (hemi ou totais), atualmente proporcionam melhores resultados. **Objetivo:** relatar a Sistematização da Assistência de Enfermagem Perioperatória à pacientes submetidos ao procedimento cirúrgico de osteossíntese de fêmur. **Metodologia:** O presente relato de experiência trata de um estudo com pacientes submetidos ao procedimento cirúrgico de osteossíntese de fêmur, a partir da Sistematização da Assistência de Enfermagem Perioperatória, a qual fundamenta-se em atender as necessidades básicas e no Processo de Enfermagem, estruturados por Wanda de Aguiar Horta5. Este estudo foi realizado por quatro discentes do curso de bacharelado em Enfermagem da Universidade Federal do Maranhão, transcorrido em um Hospital Universitário, em São Luís – MA, na clínica cirúrgica e no centro cirúrgico durante o período de 23 de dezembro de 2016 a 17 de janeiro de 2017. A princípio, para a elaboração do histórico de enfermagem, foi realizada a entrevista seguida do exame físico fundamentados na teoria de Wanda Horta. Após essa coleta de dados, foram elaborados diagnósticos de enfermagem baseados na taxonomia _North American Nursing Diagnosis Association_4_,_ o planejamento e a implementação das intervenções por meio da taxonomia Classificação das Intervenções e os resultados esperados de acordo com a taxonomia Resultados de Enfermagem. **Resultados:** O Processo de Enfermagem foi aplicado a 3 pacientes, sendo 2 do sexo masculino e 1 do feminino, com idades entre 45 a 59 anos, em todo período perioperatório. Por meio do levantamento dos diagnósticos, das intervenções e resultados foi possível perceber que grande parte dos diagnósticos foram identificados a partir da imobilidade do membro afetado, levando em consideração os fatores que podem influenciar negativamente o perioperatório. No pré-operatório foram identificados 11 diagnósticos de enfermagem a maioria está relacionado ao domínio 4, que diz respeito à Atividade/Repouso. São eles: Capacidade de transferência prejudicada, mobilidade no leito prejudicada, risco de função cardiovascular prejudicada e déficit no autocuidado para banho. Na fase transoperatória foram identificados 5 diagnósticos, sendo 4 de risco: risco de lesão por posicionamento cirúrgico está ligado à postura do paciente na mesa cirúrgica, é de grande importância o cuidado com o posicionamento do paciente na mesa pois o atrito pode causar lesões na pele do mesmo nas proeminências ósseas, o uso do coxim é um fator aliado para evitar tal problema; risco de infecção, em relação à possibilidade de infecção na instalação dos dispositivos; risco de sangramento excessivo e risco de choque. O diagnóstico de integridade tissular prejudicada, devido a colocação do acesso venoso periférico, incisão cirúrgica e dreno, podem ser porta de entrada para microorganismos causadores de infecção, então é necessário realizar a manipulação com técnica asséptica. No pós-operatório, foram identificados 11 diagnósticos, sendo 8 deles de risco. A maioria dos diagnósticos está relacionada à mobilidade prejudicada devido ao procedimento cirúrgico. Dor aguda foi um dos diagnósticos mais presentes em pós-operatório, relatado pelos pacientes. O diagnóstico de risco de quedas, pois o paciente é encorajado a movimentar-se desde o primeiro dia de pós-operatório, movendo-se do leito para a cadeira e dando alguns passos com auxílio. O risco de lesões por pressão também está presente, pois o paciente passa a maior parte do tempo no leito. O diagnóstico de risco de constipação, pois os agentes anestésicos diminuem o peristaltismo intestinal e também porque a mobilidade do paciente esta reduzida e será retomada aos poucos, de acordo com a prescrição do médico e do fisioterapeuta. Os diagnósticos de risco de infecção e integridade tissular prejudicada estão ligados a incisão cirúrgica, dreno e acesso venoso. Para que haja diminuição do risco de infecção e para uma boa cicatrização, é necessário realizar curativos com técnica asséptica e observar presença de sinais flogísticos na pele e na incisão. A disfunção neurovascular periférica pode ocorrer em cirurgias ortopédicas, por isso é necessário que o enfermeiro fique atento a alguns sinais e sintomas: coloração e temperatura do membro, perfusão periférica, presença de edema, dormência, alteração sensorial, entre outros. Mobilidade física prejudicada é um diagnóstico importante no pós-operatório, pois o paciente necessitará de ajuda para realizar alguns movimentos. Na reabilitação desta cirurgia, o paciente deve manter o membro em abdução, evitar tentar alcançar os pés, não realizar movimentos bruscos, ajustar o peso do corpo para não sobrecarregar o membro operado, entre outros cuidados.** Conclusão:** No presente relato de experiência, foram acompanhados pacientes em pré-operatório, transoperatório e pós-operatório de cirurgia de osteossíntese do fêmur. Após esta vivência, foram elaborados diversos diagnósticos relacionados ao período perioperatório. Com isso, foi possível observar a variedade de diagnósticos de enfermagem aplicáveis a esses pacientes, e ressaltar também a amplitude e importância do trabalho dos enfermeiros na manutenção da segurança e do bem-estar dos pacientes. **Contribuições para a Enfermagem: **este estudo proporcionou a aplicação da Sistematização da Assistência de Enfermagem Perioperatória (SAEP), identificação de diagnósticos, para aplicação de intervenções e resultados, assegurando uma assistência de qualidade à pacientes submetidos à osteossíntese de fêmur.
Referências: 1. WACHTER, RM. Compreendendo a Segurança do Paciente. 2. ed. São Paulo: AMGH;
2013.
2. CARVALHO, PA. et al. Safety culture in the operating room of a public hospital in the
perception of healthcare professionals. Rev. Latino-Am. Enfermagem, Ribeirão Preto, v. 23,
n. 6, p. 1041-1048, Dec. 2015. Disponível em . Acesso em: 21 de
nov. 2017.
3. JOINT COMMISION INTERNATIONAL. Padrões de acreditação da Joint Commission
para hospitais. 4. ed. Rio de Janeiro: Consórcio Brasileiro de Acreditação de Sistemas e
Serviços de Saúde; 2010.
4.WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Geneva: World Health Organization, 2008.
Disponível
em:
. Acesso em: 29 nov. 2017.
5. MILAGRES, LM. Gestão de riscos para segurança do paciente: o enfermeiro e a
notificação dos eventos adversos. Dissertação de Mestrado, Universidade Federal de Juiz de
Fora; 2015. |