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SENADEn - ISSN: 2316-3216 || SINADEn - ISSN: 2318-6518 • ISSN: 2318-6518
Resumo: 3467317

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3467317

METODOLOGIA DA PROBLEMATIZAÇÃO: CONSTRUINDO CONHECIMENTO NO SERVIÇO AMBULATORIAL DE UROLOGIA

Autores:
Lilian Dias Ennes ; Geilsa Soraia Cavalcanti Valente ; Kelly Cristina C. Sangi

Resumo:
INTRODUÇÃO: Os serviços ambulatoriais do Sistema Único de Saúde (SUS) dão suporte à rede básica e, de um modo geral são estruturados para a realização de apoio diagnóstico, como o estudo das imagens por radiografia, tomografia, ultrassonografia e ressonância, serviço de análises clínicas, testes funcionais, biopsias, pequenas cirurgias, serviço de documentação e atendimento ao usuário, administração de medicamentos, curativos, entre outros. Um serviço ambulatorial de urologia, alvo deste relato de experiência, deve atender à demanda de consultas agendadas pelo Sistema Nacional de Regulação (SISREG) e à realização de procedimentos como, biopsia de próstata guiada por ultrassonografia,  estudo urodinâmico, urofluxometria, cistoscopia, uretrocistografia, troca de sondas vesicais, administração de imunoterápico e quimioterápico por via intravesical e bloqueadores hormonais, além de prestar cuidados aos pacientes em pós-operatório tardio de ressecção transuretral, prostatectomia radical, nefrectomia, cistectomia, entre outras. Mas, como em qualquer outro serviço de saúde, o atendimento ambulatorial em urologia caracteriza-se pela elevada demanda de consultas e longas esperas até que o tratamento se efetive, sendo sua maior procura por idosos e por aqueles que já peregrinaram com ou sem diagnóstico por um atendimento no SUS. Dadas as singularidades desta especialidade médica faz-se necessário que a equipe de enfermagem esteja apta a atender os pacientes em tratamento, acometidos por alguma patologia urológica ou numa perspectiva diagnóstica, o que exige uma atuação de profissionais atualizados em relação as mais avançadas técnicas que tal especialidade requeira.  Para isso, manter padrões de trabalho podem favorecer boas práticas de segurança para os envolvidos no processo e a busca por melhores resultados. Assim, tornou-se um desafio para os enfermeiros identificar ações educativas que possam corroborar com a melhoria da qualidade técnica de seus profissionais no contexto da prática do cuidado ambulatorial, que os atualize para novos estudos e pesquisas utilizadas na prevenção e no tratamento das  doenças urológicas e a investigar avanços tecnológicos que auxiliem no diagnóstico  precoce. A Portaria nº198/2004, criada pelo Ministério da Saúde (MS) instituiu a Política Nacional de Educação Permanente em Saúde como estratégia do SUS para a formação e desenvolvimento de seus trabalhadores, reafirmando a importância de qualificação profissional, que foi alterada em 2007 através da Portaria nº 1996 do MS e que dispõe sobre as diretrizes para a implementação da Política Nacional de Educação Permanente em Saúde (PNEPS), considerando as necessidades de formação e desenvolvimento para o trabalho em saúde. Neste contexto, as enfermeiras optaram por iniciar uma educação em serviço pela padronização dos procedimentos de enfermagem em urologia, que são bastante complexos e  ainda não disponíveis no serviço. OBJETIVO: O estudo se propõe a descrever a experiência vivenciada pelas enfermeiras de um serviço de urologia que se dispuseram a promover uma atualização da equipe de enfermagem utilizando a prática educativa da metodologia da problematização. METODOLOGIA: Trata-se de um relato de experiência vivenciado pelas enfermeiras de um serviço ambulatorial de urologia sobre a realização de oficinas de construção de POPs, informativos e um _check list_ de segurança para usuários submetidos a exames específicos realizados no setor, sendo a teoria da problematização, a metodologia de escolha para a construção coletiva deste trabalho. Os encontros da equipe de enfermagem se deram através de oficinas de estudos realizadas uma vez por semana, no próprio setor. Participavam destas oficinas dois enfermeiros, sendo um facilitador, seis auxiliares de enfermagem e auxiliar operacional de serviços diversos. RESULTADOS: A metodologia da problematização tem sido uma referência para a (re) educação de alunos/trabalhadores da saúde. Há a compreensão de que tal método desperte o interesse do educando na percepção de sua própria prática e o estimule a ser um agente de transformação da realidade do trabalho em que está inserido. A aprendizagem dos profissionais de enfermagem deve articular a interdisciplinaridade e a intersetorialidade, no intuito de prepará-lo para atender às demandas dos SUS. O arco de Maguerez tem dado suporte à metodologia problematizadora empregada nas oficinas de educação em serviço. Faz-se necessário fortalecer as diretrizes do SUS, sendo o arco, considerado um componente que pode auxiliar no processo de transformação da realidade destes trabalhadores. A proposta defendida no arco de Maguerez é a de que, a aprendizagem se dá através de reflexões da prática para a transformação dela, que se dará de forma coletiva. Para a aplicação da metodologia da problematização faz-se necessário compreender tal método pedagógico, que foi construído na década de 70 e descrito inicialmente no livro Estratégias de Ensino-Aprendizagem por Juan Diaz Bordenave e Adair Martins Pereira. Para os autores, o esquema do arco orienta a escolha e o uso de recursos multissensoriais. Assim, o saber será construído por etapas, partindo da realidade e a ela retornando, sendo que o processo da aprendizagem se inicia quando o aluno (trabalhador), através da observação da realidade, verifica e detecta situações (ou problemas) que o incomodam e que ele, de alguma forma, deseja intervir, mudar. CONTRIBUIÇÕES PARA A ENFERMAGEM: Dado o objetivo proposto neste relato experiência, a importante contribuição percebida foi o emprego de uma metodologia de ensino que agregue os profissionais de enfermagem por meio de uma ação educativa, que os leve  a uma reflexão da sua prática que, no caso destes trabalhadores, na sua  maioria, de auxiliares de enfermagem, detinham o domínio teórico e prático de procedimentos específicos de um ambulatório de urologia e que tiverem a oportunidade de vê-los organizados em POPs construídos por eles mesmos. A segurança do paciente foi um dos principais focos de discussão na elaboração dos informativos e do _check list _para os usuários que forem submetidos aos procedimentos urológicos invasivos. Além de estarem em consonância com a missão da instituição, os POPs servem para orientar o trabalho da equipe de enfermagem e minimizar falhas, visando convergir com os atuais preceitos voltados para a segurança do paciente, com base na Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS)/Organização Mundial de Saúde (OMS). As oficinas foram marcadas por momentos de estudo e reflexão, troca de conhecimentos, deparou-se com fragilidades e oportunidades de melhorias, mas também de descontração e de um sentimento de valorização pessoal que a metodologia trouxe, já que os profissionais foram  ouvidos no seu saber e isto fez uma essencial diferença para o cotidiano da equipe.


Referências:
1.Ministério da Educação (BR). Resolução nº 03/2001. Institui Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Enfermagem. Conselho Nacional de Educação. Câmara de Educação Superior. Diário Oficial da União. Brasília: Ministério da Educação; 2001. 2. Cecagno, D. Formação acadêmica do enfermeiro na perspectiva ecossistêmica. 2015. 273p. Tese (Doutorado em Enfermagem) – Universidade Federal do Rio Grande. Escola de Enfermagem. Programa de Pós-graduação em Enfermagem. Rio Grande, RS. 3.Bardin L. Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70; 2011. 4.Corbellini, V.L.; Santos, B.R.L.D.; OJEDA, B.S.; Erhart, L.M.; Eidt, O.R.; Stein, S.C.; Mello, D.T.D. Nexos e desafios na formação profissional do enfermeiro. Rev Bras de Enferm, v.63, n.4, p.555-60, 2010. 5. Dias OV, Leite MTS, Vieira MA, Mendonça JMG, Figueiredo MFS. Transformando o processo curricular: A experiência do curso de graduação em enfermagem da Unimontes Motricidade. 2012; 8(2): 832-841.