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3467317 | METODOLOGIA DA PROBLEMATIZAÇÃO: CONSTRUINDO CONHECIMENTO NO SERVIÇO AMBULATORIAL DE UROLOGIA | Autores: Lilian Dias Ennes ; Geilsa Soraia Cavalcanti Valente ; Kelly Cristina C. Sangi |
Resumo: INTRODUÇÃO: Os serviços ambulatoriais do Sistema Único de Saúde (SUS) dão
suporte à rede básica e, de um modo geral são estruturados para a realização
de apoio diagnóstico, como o estudo das imagens por radiografia, tomografia,
ultrassonografia e ressonância, serviço de análises clínicas, testes
funcionais, biopsias, pequenas cirurgias, serviço de documentação e
atendimento ao usuário, administração de medicamentos, curativos, entre
outros. Um serviço ambulatorial de urologia, alvo deste relato de experiência,
deve atender à demanda de consultas agendadas pelo Sistema Nacional de
Regulação (SISREG) e à realização de procedimentos como, biopsia de próstata
guiada por ultrassonografia, estudo urodinâmico, urofluxometria, cistoscopia,
uretrocistografia, troca de sondas vesicais, administração de imunoterápico e
quimioterápico por via intravesical e bloqueadores hormonais, além de prestar
cuidados aos pacientes em pós-operatório tardio de ressecção transuretral,
prostatectomia radical, nefrectomia, cistectomia, entre outras. Mas, como em
qualquer outro serviço de saúde, o atendimento ambulatorial em urologia
caracteriza-se pela elevada demanda de consultas e longas esperas até que o
tratamento se efetive, sendo sua maior procura por idosos e por aqueles que já
peregrinaram com ou sem diagnóstico por um atendimento no SUS. Dadas as
singularidades desta especialidade médica faz-se necessário que a equipe de
enfermagem esteja apta a atender os pacientes em tratamento, acometidos por
alguma patologia urológica ou numa perspectiva diagnóstica, o que exige uma
atuação de profissionais atualizados em relação as mais avançadas técnicas que
tal especialidade requeira. Para isso, manter padrões de trabalho podem
favorecer boas práticas de segurança para os envolvidos no processo e a busca
por melhores resultados. Assim, tornou-se um desafio para os enfermeiros
identificar ações educativas que possam corroborar com a melhoria da qualidade
técnica de seus profissionais no contexto da prática do cuidado ambulatorial,
que os atualize para novos estudos e pesquisas utilizadas na prevenção e no
tratamento das doenças urológicas e a investigar avanços tecnológicos que
auxiliem no diagnóstico precoce. A Portaria nº198/2004, criada pelo
Ministério da Saúde (MS) instituiu a Política Nacional de Educação Permanente
em Saúde como estratégia do SUS para a formação e desenvolvimento de seus
trabalhadores, reafirmando a importância de qualificação profissional, que foi
alterada em 2007 através da Portaria nº 1996 do MS e que dispõe sobre as
diretrizes para a implementação da Política Nacional de Educação Permanente em
Saúde (PNEPS), considerando as necessidades de formação e desenvolvimento para
o trabalho em saúde. Neste contexto, as enfermeiras optaram por iniciar uma
educação em serviço pela padronização dos procedimentos de enfermagem em
urologia, que são bastante complexos e ainda não disponíveis no serviço.
OBJETIVO: O estudo se propõe a descrever a experiência vivenciada pelas
enfermeiras de um serviço de urologia que se dispuseram a promover uma
atualização da equipe de enfermagem utilizando a prática educativa da
metodologia da problematização. METODOLOGIA: Trata-se de um relato de
experiência vivenciado pelas enfermeiras de um serviço ambulatorial de
urologia sobre a realização de oficinas de construção de POPs, informativos e
um _check list_ de segurança para usuários submetidos a exames específicos
realizados no setor, sendo a teoria da problematização, a metodologia de
escolha para a construção coletiva deste trabalho. Os encontros da equipe de
enfermagem se deram através de oficinas de estudos realizadas uma vez por
semana, no próprio setor. Participavam destas oficinas dois enfermeiros, sendo
um facilitador, seis auxiliares de enfermagem e auxiliar operacional de
serviços diversos. RESULTADOS: A metodologia da problematização tem sido uma
referência para a (re) educação de alunos/trabalhadores da saúde. Há a
compreensão de que tal método desperte o interesse do educando na percepção de
sua própria prática e o estimule a ser um agente de transformação da realidade
do trabalho em que está inserido. A aprendizagem dos profissionais de
enfermagem deve articular a interdisciplinaridade e a intersetorialidade, no
intuito de prepará-lo para atender às demandas dos SUS. O arco de Maguerez tem
dado suporte à metodologia problematizadora empregada nas oficinas de educação
em serviço. Faz-se necessário fortalecer as diretrizes do SUS, sendo o arco,
considerado um componente que pode auxiliar no processo de transformação da
realidade destes trabalhadores. A proposta defendida no arco de Maguerez é a
de que, a aprendizagem se dá através de reflexões da prática para a
transformação dela, que se dará de forma coletiva. Para a aplicação da
metodologia da problematização faz-se necessário compreender tal método
pedagógico, que foi construído na década de 70 e descrito inicialmente no
livro Estratégias de Ensino-Aprendizagem por Juan Diaz Bordenave e Adair
Martins Pereira. Para os autores, o esquema do arco orienta a escolha e o uso
de recursos multissensoriais. Assim, o saber será construído por etapas,
partindo da realidade e a ela retornando, sendo que o processo da aprendizagem
se inicia quando o aluno (trabalhador), através da observação da realidade,
verifica e detecta situações (ou problemas) que o incomodam e que ele, de
alguma forma, deseja intervir, mudar. CONTRIBUIÇÕES PARA A ENFERMAGEM: Dado o
objetivo proposto neste relato experiência, a importante contribuição
percebida foi o emprego de uma metodologia de ensino que agregue os
profissionais de enfermagem por meio de uma ação educativa, que os leve a uma
reflexão da sua prática que, no caso destes trabalhadores, na sua maioria, de
auxiliares de enfermagem, detinham o domínio teórico e prático de
procedimentos específicos de um ambulatório de urologia e que tiverem a
oportunidade de vê-los organizados em POPs construídos por eles mesmos. A
segurança do paciente foi um dos principais focos de discussão na elaboração
dos informativos e do _check list _para os usuários que forem submetidos aos
procedimentos urológicos invasivos. Além de estarem em consonância com a
missão da instituição, os POPs servem para orientar o trabalho da equipe de
enfermagem e minimizar falhas, visando convergir com os atuais preceitos
voltados para a segurança do paciente, com base na Organização Pan-Americana
de Saúde (OPAS)/Organização Mundial de Saúde (OMS). As oficinas foram marcadas
por momentos de estudo e reflexão, troca de conhecimentos, deparou-se com
fragilidades e oportunidades de melhorias, mas também de descontração e de um
sentimento de valorização pessoal que a metodologia trouxe, já que os
profissionais foram ouvidos no seu saber e isto fez uma essencial diferença
para o cotidiano da equipe.
Referências: 1.Ministério da Educação (BR). Resolução nº 03/2001. Institui Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Enfermagem. Conselho Nacional de Educação. Câmara de Educação Superior. Diário Oficial da União. Brasília: Ministério da Educação; 2001. 2. Cecagno, D. Formação acadêmica do enfermeiro na perspectiva ecossistêmica. 2015. 273p. Tese (Doutorado em Enfermagem) – Universidade Federal do Rio Grande. Escola de Enfermagem. Programa de Pós-graduação em Enfermagem. Rio Grande, RS. 3.Bardin L. Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70; 2011. 4.Corbellini, V.L.; Santos, B.R.L.D.; OJEDA, B.S.; Erhart, L.M.; Eidt, O.R.; Stein, S.C.; Mello, D.T.D. Nexos e desafios na formação profissional do enfermeiro. Rev Bras de Enferm, v.63, n.4, p.555-60, 2010. 5. Dias OV, Leite MTS, Vieira MA, Mendonça JMG, Figueiredo MFS. Transformando o processo curricular: A experiência do curso de graduação em enfermagem da Unimontes Motricidade. 2012; 8(2): 832-841. |