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SENADEn - ISSN: 2316-3216 || SINADEn - ISSN: 2318-6518 • ISSN: 2318-6518
Resumo: 3276105

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3276105

APLICAÇÃO DO PROCESSO DE ENFERMAGEM SEGUNDO A TEORIA DA ADAPTAÇÃO AO INDIVÍDUO EM REABILITAÇÃO POR ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL

Autores:
Vitória de Cássia Félix Rebouças ; Edilma Gomes Rocha Cavalcante ; Natália Rodrigues Vieira ; Célida Juliana de Oliveira ; Talles Homero Pereira Feitosa

Resumo:
O aciden­te vascular cerebral (AVC) é caracterizado como a principal causa de incapacidade funcional no Brasil, sendo também considerado um problema de saúde complexo capaz de gerar nos indivíduos problemas de adaptação. Tendo em vista esse processo, o estudo tem como objetivo analisar o Processo de Enfermagem a um paciente acometido por AVC adotando a Teoria da Adaptação de Callista Roy. Desenvolveu-se um estudo de caso clínico em novembro de 2017 em um centro de referência em reabilitação de AVC. Os dados foram coletados mediante formulário de entrevista semiestruturado e exame físico, norteados pelo Modelo da Adaptação. Os diagnósticos de enfermagem (DE) foram traçados conforme a NANDA-I, os resultados da_ Outcomes Classification_ (NOC) e intervenções pela _Nursing Interventions Classification_ (NIC). Seguiu-se com o estudo após aprovação em Comitê de Ética em Pesquisa: nº 2.375.197. De posse dos dados, foram avaliados os comportamentos e estímulos, considerando os modos adaptativos, conforme o caso a seguir: Masculino, 78 anos, branco, casado, sete filhos, católico, agricultor, aposentado, renda familiar de dois salários mínimos, reside com a esposa. Histórico de quatro episódios de AVC isquêmico nos últimos três anos. Hipertenso. Refere abandono do tabagismo há 50 anos, sedentário, nega uso de álcool e drogas. Antecedentes familiares de hipertensão, infarto, arritmia. Nega histórico familiar de AVC. Revelou tentativas de suicídio por não aceitação da perda de autonomia e independência, além de estresse excessivo nas relações interpessoais. Apresentou-se consciente, orientado, pupilas isocóricas e fotorreativas, disartria e dislalia, restrito em cadeira de rodas, com hemiparesia direita e esquerda, movimentos motores finos limitados em lado esquerdo e força ausente em mão esquerda. Pele e mucosas íntegras, higiene oral e corporal insatisfatória, com perda de dentes. Aceita dieta líquida e pastosa via oral. Respiração espontânea, tórax infundibuliforme, tosse produtiva. Abdome globoso, flácido, indolor à palpação, ruídos hidroaéreos presentes. Eliminação urinária espontânea em fraldas. Queixa-se de incontinência vesical e disúria, evacuações diarreicas espontâneas diariamente. Refere sono diurno aumentado, por não conseguir dormir bem à noite. Enchimento capilar maior que 2 segundos, pulso regular e cheio, normocorado, acianótico, edema em membros inferiores (cacifo ++/4), tônus musculares rígidos em membros superiores e inferiores. Queixa-se de dor lombar e nas articulações dos joelhos. IMC: 30,5. Glasgow 13 (AO 04; RV 03; RM 06). Sinais vitais: Pressão arterial 110x80mmHg; Temperatura 36.5ºC; Frequência cardíaca 65bpm; Frequência respiratória 18irpm. Diante dos resultados, foram identificados 14 diagnósticos de enfermagem, descritos de acordo com seus componentes, conforme o modelo de adaptação de Roy, a saber: **oxigenação: 1. **Desobstrução ineficaz das vias aéreas relacionada à disfunção neuromuscular caracterizada por tosse produtiva.** Proteção: 2. **Mucosa oral prejudicada relacionado à higiene oral inadequada, evidenciado por língua saburrosa;** 3. **Risco de úlcera por pressão relacionado à imobilização física e pressão sobre proeminência óssea. **4.** Risco de suicídio relacionado à história de tentativa de suicídio, perda de autonomia e da independência e verbalização de desejo de morrer.** Nutrição:** **5. **Dentição prejudicada relacionada à higiene oral ineficaz evidenciada por perda de dentes. **Eliminações: 6****. **Incontinência urinária funcional relacionada ao prejuízo neuromuscular evidenciado por relato de perda de urina antes de alcançar o banheiro e uso de fralda.** Atividade e repouso: 7. **Mobilidade física prejudicada relacionada a prejuízo neuromuscular evidenciada por hemiparesia.** Sentidos:** **8.** Comunicação verbal prejudicada relacionada à alteração no sistema nervoso central manifestada por disartria, dislalia e disfasia; **9.** Risco de quedas relacionado à mobilidade prejudicada, idade = 65 anos, neuropatia, dificuldades na marcha e uso de cadeira de rodas. **Função neurológica: 10. **Risco de perfusão tissular cerebral ineficaz relacionado a prejuízo vascular-encefálico. **Função endócrina**: **11.** Sobrecarga de estresse relacionado a estresse excessivo evidenciado por relato verbal de aumento da impaciência e da raiva. **Autopercepção:** **12.** Ansiedade relacionada à doença e ameaça de morte manifestada por choro; **13.** Disposição para esperança melhorada relacionada à expressão do desejo de melhorar a capacidade de estabelecer metas alcançáveis e de melhorar o sentimento de sentido à vida.** Controle da Saúde: 14. **Disposição para controle da saúde melhorado relacionado ao desejo de melhorar o controle da doença e dos fatores de risco. A seguir, têm-se delineado um plano de cuidados para os DE prioritários, seguido das intervenções (IE) e os resultados esperados (RE): **Desobstrução ineficaz das vias aéreas relacionada à disfunção neuromuscular caracterizada por tosse produtiva. IE: **Monitorização da frequência respiratória, ritmo, profundidade das incursões e esforço das respirações, auscultar sons respiratórios, posicionar a paciente com elevação da cabeceira. **RE:** Manter um bom estado respiratório com vias aéreas permeáveis, adequada ventilação e estímulo à tosse.** Risco de suicídio relacionado à história de tentativa de suicídio, perda de autonomia e da independência e verbalização de desejo de morrer. IE: **Manter o regime terapêutico medicamentoso para reduzir ansiedade, agitação ou psicose e controle do humor, envolver o paciente no planejamento do tratamento, prevenir que o mesmo se lesione ou tire a própria vida e retirar objetos que possam ser usados para causar autolesão. **RE: **Adaptação à deficiência física, vontade de viver e apoio social.** Comunicação verbal prejudicada relacionada à alteração no sistema nervoso central manifestada por disartria, dislalia e disfasia. IE:** realizar atividades de repetição de palavras, ouvir com atenção e encorajá-lo positivamente, manter diálogo com o pacientem e incentivar a falar de forma lenta e observar sinais não-verbais.** RE:** Melhora da comunicação e expressão.** Mobilidade física prejudicada relacionada a prejuízo neuromuscular evidenciada por hemiparesia. IE: **Manter o alinhamento corporal correto, posicionar o paciente com a cabeça e o pescoço alinhados, aliviar os pontos de pressão nas regiões de proeminência óssea. **RE: **Desempenho da mecânica corporal e mobilidade. **Disposição para controle da saúde melhorado relacionado ao desejo de melhorar o controle da doença e dos fatores de risco. IE: **Apoiar o paciente no plano de ações adequado para os comportamentos relacionados aos hábitos de vida e fatores de risco para doenças cardiovasculares. **RE: **Controle de riscos para a saúde cardiovascular. Ressalta-se que o modelo da adaptação é eficaz para a elaboração de diagnósticos de enfermagem e auxílio na prescrição de intervenções, tornando-se útil na orientação da prática assistencial e aplicabilidade ao paciente com AVC[4]. Como contribuições/implicações para a Enfermagem, o modelo da adaptação permite planejar ações dirigidas a pacientes nessa condição, permitindo um cuidado mais integral, como deve seguir-se numa assistência qualificada. Espera-se que essa pesquisa desperte nos enfermeiros a sensibilidade de enxergar a sua práxis com criticidade, refletida sobre suas competências teórico-práticas, onde a integralidade do cuidado seja meta permanente.


Referências:
1. Macedo PO, Quitete JB, Lima EC, Santos I, Vargens OMC. Tecnologias de Cuidado fundamentadas pela Teoria Ambientalista. Esc Anna Nery Rev Enferm 2008 jun; 12(2):341-7 [acesso em: 12 fev. 2018]. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/ean/v12n2/v12n2a22.pdf. 2. Possati AB, Prates LA, Cremonese L, Scarton J, Alves CN, Ressel LB. Humanização do parto: significados e percepções de enfermeiras. Esc Anna Nery 2017;21(4):1-6 [acesso em: 12 fev. 2018]. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/ean/v21n4/pt_1414-8145-ean-2177-9465-EAN-2016-0366.pdf. 3. Fugita JALM, Shimo AKK. Parto humanizado: experiências no sistema único de saúde. Rev Min Enferm. 2014 out/dez; 18(4): 1006-1010 [acesso em: 12 fev. 2018]. Disponível em: http://www.reme.org.br/artigo/detalhes/979. 4. Ministério da Saúde. Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos. Departamento de Gestão e Incorporação de Tecnologias em Saúde. Diretrizes nacionais de assistência ao parto normal: versão resumida. Brasília: Ministério da Saúde, 2017 [acesso em: 12 fev. 2018]. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/diretrizes_nacionais_assistencia_parto_normal.pdf. 5. Souza S.R.R.K, Gualda D.M.R. A experiência da mulher e de seu acompanhante no parto em uma maternidade pública. Texto Contexto Enferm, 2016; 25(1) [acesso em: 12 fev. 2018]. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/tce/v25n1/0104-0707-tce-25-01-4080014.pdf.