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3276105 | APLICAÇÃO DO PROCESSO DE ENFERMAGEM SEGUNDO A TEORIA DA ADAPTAÇÃO AO INDIVÍDUO EM REABILITAÇÃO POR ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL | Autores: Vitória de Cássia Félix Rebouças ; Edilma Gomes Rocha Cavalcante ; Natália Rodrigues Vieira ; Célida Juliana de Oliveira ; Talles Homero Pereira Feitosa |
Resumo: O acidente vascular cerebral (AVC) é caracterizado como a principal causa de
incapacidade funcional no Brasil, sendo também considerado um problema de
saúde complexo capaz de gerar nos indivíduos problemas de adaptação. Tendo em
vista esse processo, o estudo tem como objetivo analisar o Processo de
Enfermagem a um paciente acometido por AVC adotando a Teoria da Adaptação de
Callista Roy. Desenvolveu-se um estudo de caso clínico em novembro de 2017 em
um centro de referência em reabilitação de AVC. Os dados foram coletados
mediante formulário de entrevista semiestruturado e exame físico, norteados
pelo Modelo da Adaptação. Os diagnósticos de enfermagem (DE) foram traçados
conforme a NANDA-I, os resultados da_ Outcomes Classification_ (NOC) e
intervenções pela _Nursing Interventions Classification_ (NIC). Seguiu-se com
o estudo após aprovação em Comitê de Ética em Pesquisa: nº 2.375.197. De posse
dos dados, foram avaliados os comportamentos e estímulos, considerando os
modos adaptativos, conforme o caso a seguir: Masculino, 78 anos, branco,
casado, sete filhos, católico, agricultor, aposentado, renda familiar de dois
salários mínimos, reside com a esposa. Histórico de quatro episódios de AVC
isquêmico nos últimos três anos. Hipertenso. Refere abandono do tabagismo há
50 anos, sedentário, nega uso de álcool e drogas. Antecedentes familiares de
hipertensão, infarto, arritmia. Nega histórico familiar de AVC. Revelou
tentativas de suicídio por não aceitação da perda de autonomia e
independência, além de estresse excessivo nas relações interpessoais.
Apresentou-se consciente, orientado, pupilas isocóricas e fotorreativas,
disartria e dislalia, restrito em cadeira de rodas, com hemiparesia direita e
esquerda, movimentos motores finos limitados em lado esquerdo e força ausente
em mão esquerda. Pele e mucosas íntegras, higiene oral e corporal
insatisfatória, com perda de dentes. Aceita dieta líquida e pastosa via oral.
Respiração espontânea, tórax infundibuliforme, tosse produtiva. Abdome
globoso, flácido, indolor à palpação, ruídos hidroaéreos presentes. Eliminação
urinária espontânea em fraldas. Queixa-se de incontinência vesical e disúria,
evacuações diarreicas espontâneas diariamente. Refere sono diurno aumentado,
por não conseguir dormir bem à noite. Enchimento capilar maior que 2 segundos,
pulso regular e cheio, normocorado, acianótico, edema em membros inferiores
(cacifo ++/4), tônus musculares rígidos em membros superiores e inferiores.
Queixa-se de dor lombar e nas articulações dos joelhos. IMC: 30,5. Glasgow 13
(AO 04; RV 03; RM 06). Sinais vitais: Pressão arterial 110x80mmHg; Temperatura
36.5ºC; Frequência cardíaca 65bpm; Frequência respiratória 18irpm. Diante dos
resultados, foram identificados 14 diagnósticos de enfermagem, descritos de
acordo com seus componentes, conforme o modelo de adaptação de Roy, a saber:
**oxigenação: 1. **Desobstrução ineficaz das vias aéreas relacionada à
disfunção neuromuscular caracterizada por tosse produtiva.** Proteção: 2.
**Mucosa oral prejudicada relacionado à higiene oral inadequada, evidenciado
por língua saburrosa;** 3. **Risco de úlcera por pressão relacionado à
imobilização física e pressão sobre proeminência óssea. **4.** Risco de
suicídio relacionado à história de tentativa de suicídio, perda de autonomia e
da independência e verbalização de desejo de morrer.** Nutrição:** **5.
**Dentição prejudicada relacionada à higiene oral ineficaz evidenciada por
perda de dentes. **Eliminações: 6****. **Incontinência urinária funcional
relacionada ao prejuízo neuromuscular evidenciado por relato de perda de urina
antes de alcançar o banheiro e uso de fralda.** Atividade e repouso: 7.
**Mobilidade física prejudicada relacionada a prejuízo neuromuscular
evidenciada por hemiparesia.** Sentidos:** **8.** Comunicação verbal
prejudicada relacionada à alteração no sistema nervoso central manifestada por
disartria, dislalia e disfasia; **9.** Risco de quedas relacionado à
mobilidade prejudicada, idade = 65 anos, neuropatia, dificuldades na marcha e
uso de cadeira de rodas. **Função neurológica: 10. **Risco de perfusão
tissular cerebral ineficaz relacionado a prejuízo vascular-encefálico.
**Função endócrina**: **11.** Sobrecarga de estresse relacionado a estresse
excessivo evidenciado por relato verbal de aumento da impaciência e da raiva.
**Autopercepção:** **12.** Ansiedade relacionada à doença e ameaça de morte
manifestada por choro; **13.** Disposição para esperança melhorada relacionada
à expressão do desejo de melhorar a capacidade de estabelecer metas
alcançáveis e de melhorar o sentimento de sentido à vida.** Controle da Saúde:
14. **Disposição para controle da saúde melhorado relacionado ao desejo de
melhorar o controle da doença e dos fatores de risco. A seguir, têm-se
delineado um plano de cuidados para os DE prioritários, seguido das
intervenções (IE) e os resultados esperados (RE): **Desobstrução ineficaz das
vias aéreas relacionada à disfunção neuromuscular caracterizada por tosse
produtiva. IE: **Monitorização da frequência respiratória, ritmo, profundidade
das incursões e esforço das respirações, auscultar sons respiratórios,
posicionar a paciente com elevação da cabeceira. **RE:** Manter um bom estado
respiratório com vias aéreas permeáveis, adequada ventilação e estímulo à
tosse.** Risco de suicídio relacionado à história de tentativa de suicídio,
perda de autonomia e da independência e verbalização de desejo de morrer. IE:
**Manter o regime terapêutico medicamentoso para reduzir ansiedade, agitação
ou psicose e controle do humor, envolver o paciente no planejamento do
tratamento, prevenir que o mesmo se lesione ou tire a própria vida e retirar
objetos que possam ser usados para causar autolesão. **RE: **Adaptação à
deficiência física, vontade de viver e apoio social.** Comunicação verbal
prejudicada relacionada à alteração no sistema nervoso central manifestada por
disartria, dislalia e disfasia. IE:** realizar atividades de repetição de
palavras, ouvir com atenção e encorajá-lo positivamente, manter diálogo com o
pacientem e incentivar a falar de forma lenta e observar sinais não-verbais.**
RE:** Melhora da comunicação e expressão.** Mobilidade física prejudicada
relacionada a prejuízo neuromuscular evidenciada por hemiparesia. IE: **Manter
o alinhamento corporal correto, posicionar o paciente com a cabeça e o pescoço
alinhados, aliviar os pontos de pressão nas regiões de proeminência óssea.
**RE: **Desempenho da mecânica corporal e mobilidade. **Disposição para
controle da saúde melhorado relacionado ao desejo de melhorar o controle da
doença e dos fatores de risco. IE: **Apoiar o paciente no plano de ações
adequado para os comportamentos relacionados aos hábitos de vida e fatores de
risco para doenças cardiovasculares. **RE: **Controle de riscos para a saúde
cardiovascular. Ressalta-se que o modelo da adaptação é eficaz para a
elaboração de diagnósticos de enfermagem e auxílio na prescrição de
intervenções, tornando-se útil na orientação da prática assistencial e
aplicabilidade ao paciente com AVC[4]. Como contribuições/implicações para a
Enfermagem, o modelo da adaptação permite planejar ações dirigidas a pacientes
nessa condição, permitindo um cuidado mais integral, como deve seguir-se numa
assistência qualificada. Espera-se que essa pesquisa desperte nos enfermeiros
a sensibilidade de enxergar a sua práxis com criticidade, refletida sobre suas
competências teórico-práticas, onde a integralidade do cuidado seja meta
permanente.
Referências: 1. Macedo PO, Quitete JB, Lima EC, Santos I, Vargens OMC. Tecnologias de Cuidado fundamentadas pela Teoria Ambientalista. Esc Anna Nery Rev Enferm 2008 jun; 12(2):341-7 [acesso em: 12 fev. 2018]. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/ean/v12n2/v12n2a22.pdf.
2. Possati AB, Prates LA, Cremonese L, Scarton J, Alves CN, Ressel LB. Humanização do parto: significados e percepções de enfermeiras. Esc Anna Nery 2017;21(4):1-6 [acesso em: 12 fev. 2018]. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/ean/v21n4/pt_1414-8145-ean-2177-9465-EAN-2016-0366.pdf.
3. Fugita JALM, Shimo AKK. Parto humanizado: experiências no sistema único de saúde. Rev Min Enferm. 2014 out/dez; 18(4): 1006-1010 [acesso em: 12 fev. 2018]. Disponível em: http://www.reme.org.br/artigo/detalhes/979.
4. Ministério da Saúde. Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos. Departamento de Gestão e Incorporação de Tecnologias em Saúde. Diretrizes nacionais de assistência ao parto normal: versão resumida. Brasília: Ministério da Saúde, 2017 [acesso em: 12 fev. 2018]. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/diretrizes_nacionais_assistencia_parto_normal.pdf.
5. Souza S.R.R.K, Gualda D.M.R. A experiência da mulher e de seu acompanhante no parto em uma maternidade pública. Texto Contexto Enferm, 2016; 25(1) [acesso em: 12 fev. 2018]. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/tce/v25n1/0104-0707-tce-25-01-4080014.pdf. |