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SENADEn - ISSN: 2316-3216 || SINADEn - ISSN: 2318-6518 • ISSN: 2318-6518
Resumo: 3224703

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3224703

A EXPERIÊNCIA DE CUIDAR DA PESSOA EM SITUAÇÃO DE OBESIDADE REALIZANDO O PROCESSO DE ENFERMAGEM

Autores:
Palloma Caroline Guedes Oliveira ; Raul Vinicius Eleutério ; Juliana Simas Justino ; Emanuele Pozzebon Caurio ; Luciara Fabiane Sebold

Resumo:
**Introdução**: A obesidade é reconhecida como um dos mais importantes problemas de saúde pública que o mundo enfrenta hoje. Existem aproximadamente 475 milhões de adultos obesos, 1,5 bilhão de superobesos e mais de 200 milhões de crianças em idade escolar que estão acima do peso 1. A Organização Mundial de Saúde (OMS), a define a obesidade como uma doença que se caracteriza pelo excesso de peso corporal sob a forma de gordura, que quando se acumula pode levar a deficiências graves de saúde 2. Seu desenvolvimento é uma soma de fatores que envolvem genética, fatores ambientais e emocionais, mas acima de tudo um ambiente obesogênico, que promove um aumento no consumo de alimentos com alto teor calórico associado a espaços públicos não adequados para a realização de atividades físicas, que são fundamentais para o aumento do gasto energético, facilitando uma diminuição de peso, e uma melhor qualidade de vida2.  O extremo da obesidade, considerada Grau III ou  obesidade mórbida pode gerar consequências significativas no cotidiano das pessoas tanto físicas quanto emocionais. As marcas corporais e emocionais vão se acumulando ao longo da trajetória de vida da pessoa obesa, e que, muitas vezes iniciadas na infância, o que conduz no futuro à busca da cirurgia bariátrica como solução para a perda de peso, tendo em vista muitas tentativas de perda de peso frustradas 3.  Na Rede de Atenção à Saúde em suas várias instâncias há a atuação do enfermeiro. Esse profissional possui papel fundamental no cuidado prestado à pessoa obesa. Para tal, desenvolve a Sistematização da Assistência de Enfermagem em consonância aos dispositivos legais, éticos, de forma humanizada e individualizada a essa pessoa. Neste contexto, o enfermeiro exerce papel importante nas ações de controle e prevenção do sobrepeso e da obesidade, atuando assim, na promoção da qualidade de vida destes indivíduos, trabalhando também, em conjunto com equipe multidisciplinar tais como: médicos, psicólogos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, nutricionistas e educadores físicos, atuando na prevenção de obesidade e desordens metabólicas relacionadas 4. **Objetivo: **Descrever a experiência de cuidar da pessoa em situação de obesidade realizando o processo de enfermagem tanto na saúde coletiva, como na atenção intra-hospitalar. **Descrição metodológica: **A experiência se deu a partir do acompanhamento de um caso vivenciado durante a graduação em enfermagem com a construção do processo de enfermagem. Segue o caso: _F.L.S., sexo feminino, 33 anos, branca, casada, católica. Chegou a Unidade Básica de Saúde de seu bairro com queixa de cefaleia. Durante o acolhimento com o enfermeiro, a senhora F.L.S contou que tem Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) e Diabetes Mellitus(DM) tipo 2 há 17 anos e que desenvolveu as doenças a partir da primeira gestação por ter um ganho de peso de 22 kg. Desde então começou a ganhar peso e pela dificuldade de emagrecer iniciou tratamento farmacológico com moderadores de apetite, porém toda vez que parava de tomá-los voltava a ganhar peso. O enfermeiro da unidade realizou os procedimentos habituais e em conjunto com o médico e a nutricionista da unidade, encaminharam a paciente para o Ambulatório do Hospital Universitário (HU), para iniciar acompanhamento com o Endocrinologista devido o excesso de peso, e pela possibilidade de se realizar a cirurgia para controlar a obesidade, devido ao insucesso do tratamento clínico e farmacológico. Foi admitida na Clínica Cirúrgica I do HU, em 02/02/2017 às 20:07 h. Chegou deambulando e acompanhada do esposo, sem queixas álgicas. Interna para realizar cirurgia de redução do estômago: Gastroplastia em “Y” de Roux. Atualmente seu peso corporal é de 157,7 kg, altura de 1,72 m. _Com base no caso apresentado foram traçados os diagnósticos de enfermagem_. IMC:53,30._ **Resultados:** Durante o período de acompanhamento, levantaram-se os principais problemas de enfermagem: HAS, DM tipo 2 há 17 anos, dificuldade de emagrecer, uso de moderadores de apetite, peso corporal 157,7 kg e IMC: 53,30. A partir dos problemas elencaram-se os seguintes diagnósticos de enfermagem, desde a sua chegada à atenção primária até o pós-operatório da cirurgia bariátrica utilizando a NANDA 2015-2017. Na Atenção Primária os diagnósticos foram: Estilo de vida sedentário; Risco de Integridade da Pele prejudicada e as principais intervenções foram: incentivar e orientar sobre a reeducação alimentar; incentivar a prática de atividades física e aplicar escala de Braden. No pré-operatório: Manutenção ineficaz da saúde; Conhecimento deficiente com relação à cirurgia bariátrica; Risco para volume de líquidos deficiente. Principais intervenções: identificar os fatores causadores e relacionados que impedem o controle eficiente dos cuidados com a saúde do paciente; esclarecer os procedimentos da cirurgia e orientar sobre a importância da manutenção da hidratação corporal. No transoperatório: Risco de lesão por pressão; Risco de quedas; Risco de infecção. Principais intervenções: colocar coxins em proeminências ósseas; cuidar com a transição do paciente para a mesa cirúrgica; Manter cuidados com acesso venoso e sonda vesical. No Pós-operatório foram: Padrão respiratório ineficaz; Interação social prejudicada; Distúrbio na imagem corporal 5. Principais intervenções: Manter a cabeceira do leito elevada de 45º a 75ºs; Estimular o paciente a participar de atividades de lazer logo que possível e estimular a participação do pacientes nos cuidados prestados. A realização do Processo de Enfermagem e o acompanhamento de um caso clínico permite notar a complexidade que esse método de organização assistencial possui.  Todas as etapas que incluem este método devem ser realizadas minuciosamente a fim de englobar o máximo de informações possíveis, pois a carga de informações contidas em um processo permite um olhar voltado não só para a patologia, mas para toda a vida de um paciente, tornando possível a realização das intervenções desde a atenção primária até a alta complexidade. **Conclusão: **A Sistematização da Assistência de Enfermagem por meio do processo de enfermagem é uma atribuição privativa do enfermeiro, além de legitimar a importância do enfermeiro respalda cientificamente o cuidado de enfermagem. E no contexto da pessoa obesa tem subsídios suficientes para cuidar, seja nos cenários de saúde coletiva ou intra-hospitalar, auxiliando em um maior planejamento à procura de resultados que sejam benéficos para a saúde e qualidade de vida desta população. Sabe-se que a obesidade pode desencadear diversas complicações, e nos tratamentos cirúrgicos ou não, a atuação do enfermeiro se faz extremamente necessária, pois o mesmo pode, junto a pessoa obesa, buscar a melhor alternativa de tratamento. Concomitante a isso, podem ser realizadas ações de prevenção de agravo e/ou surgimento de outras comorbidades, através de orientações sobre alimentação saudável e o estímulo a prática de atividades físicas. Fazem-se necessários mais estudos na área, para que o cuidado prestado às pessoas obesas no sentido de tentar minimizar esta epidemia mundial. **Contribuições/implicações para a Enfermagem:** O processo de enfermagem pode subsidiar o enfermeiro para um cuidado mais eficaz e resolutivo, adequando o tratamento clínico e/ou cirúrgico da melhor maneira possível para a pessoa obesa, podendo o enfermeiro intervir desde a atenção primária até a alta complexidade, de forma a consolidar cada vez mais a Sistematização da Assistência de Enfermagem.


Referências:
REFERÊNCIAS 1- Ministério da Saúde (BR). Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Hospitalar e de Urgência. Doença falciforme: diretrizes básicas da linha de cuidado, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Especializada e Temática. Brasília: Ministério da Saúde, 2015. [citado em 2017 jun. 06]. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/doenca_falciforme_diretrizes_basicas_linha_cuidado.pdf. 2- Ministério da Saúde (BR). Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Especializada. Doença falciforme: condutas básicas para tratamento. Brasília: Ministério da Saúde, 2012. [citado em 2017 out. 11]. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/doenca_falciforme_condutas_basicas.pdf 3- Carvalho EMMS. A pessoa com doença falciforme em unidade de emergência: limites e possibilidades para o cuidar da equipe de enfermagem [Dissertação de Mestrado]. Subárea Políticas Públicas. Niterói: Universidade Federal Fluminense, Escola de Enfermagem Aurora de Afonso Costa; 2014. [citado em 2017 out. 09]. Disponível em: http://www.repositorio.uff.br/jspui/handle/1/864 4- Cordeiro RC. Experiência do adoecimento de mulheres e homens com doença falciforme [Tese de Doutorado]. Salvador: Esc de Enferm. UFBA; 2013. [citado em 2017 out. 09]. Disponível em: https://repositorio.ufba.br/ri/bitstream/ri/13587/1/Tese_Enf_%20Rosa%20C%C3%A2ndida%20Cordeiro.pdf 5- Carvalho EMMS, Espírito Santo FH, Anjos C. Doença falciforme nas pesquisas em enfermagem: uma revisão integrativa. Rev Baiana de Enferm., Salvador. 2015[citado em 2017 set. 09];29(1):86-93. Disponível em: https://portalseer.ufba.br/index.php/enfermagem/article/viewFile/9944/9546 5- Salci MA, Maceno P, Rozza SG, et al. Educação em saúde e suas perspectivas teóricas: algumas reflexões. Rev Texto e Contexto Enferm. UFSC. 2013[citado em 2017 out. 08];22(1):224-30. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/tce/v22n1/pt_27 6- Figueiró AVM, Ribeiro RLR. Vivência do preconceito racial e de classe na doença falciforme. Rev Saude Soc USP. 2017[citado em 2017 agosto 10];26(1):88-99. Disponível em: http://www.revistas.usp.br/sausoc/article/view/132827/128869 7- Silva AH, Bellato R, Araújo LFS. Cotidiano da família que experiência a condição crônica por anemia falciforme Rev Eletr Enferm. UFG, Goiânia. 2013[citado em 2017 jul. 12];15(2):437-46. Disponível em: http://www.fen.ufg.br/revista/v15/n2/pdf/v15n2a17.pdf 8- Araújo EM, Alves RJC, Carvalho ESS, Souza IM, Xavier ASG. Atuação de um núcleo de pesquisa e extensão junto à população com doença falciforme na segunda maior cidade do estado da Bahia. Rev Extendere UERN, Mossoró. 2013[citado em 2017 jul. 12];01(2):48-60. Disponível em: http://periodicos.uern.br/index.php/extendere/article/view/777