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2798930 | UTILIZACÃO DO PROCESSO DE ENFERMAGEM NA IMPLANTAÇÃO DO PRONTUÁRIO ELETRÔNICO DO CIDADÃO: VIVÊNCIA DE ALUNOS DO PET-GRADUASUS EM UMA ESTRATÉGIA DE SAÚDE DA FAMÍLIA | Autores: Sandra de Souza Rodrigues ; Paula Matias Gotardi ; Rozenaide Aparecida de Araujo de Souza ; Cássia Barbosa Reis ; Luzimeire dos Santos Teixeira |
Resumo: **INTRODUÇÃO: **Devido ao avanço da tecnologia, a informatização dos prontuários dos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), tem sido uma das exigências do Ministério da Saúde. Respeitando a Resolução n° 1638/02 sobre o conceito do prontuário do paciente, as Unidades Básicas de Saúde (UBS) tem utilizado uma ferramenta do E-SUS, o Prontuário Eletrônico do Cidadão (PEC), para essa nova forma de registro1. O e-SUS é uma das estratégias do Ministério da Saúde para desenvolver, reestruturar e garantir a integração desses sistemas, de modo a permitir um registro da situação de saúde individualizado por meio do Cartão Nacional de Saúde. No PEC a documentação do histórico do usuário é feita pelo processo de registro de Subjetivo, Objetivo, Avaliação e Plano (método SOAP) e utiliza a Classificação Internacional de Atenção Primária (CIAP). A informatização do prontuário por meio do PEC, veio contribuir com um dos objetivos da atenção básica de Saúde a “longitudinalidade” de forma muito importante, pois garante uma documentação segura, com menor riscos de perda, legível, de fácil acesso a qualquer profissional da equipe e também com uma grande capacidade de armazenamento. Na Estratégia de Saúde da Família (ESF) do Novo Horizonte do município de Dourados - MS, a transição ocorreu a partir o ano de 2016 e os alunos do projeto PET Gradua SUS puderam participar efetivamente nesse processo, registrando os atendimentos realizados em campo de estágio neste modelo digital. OBJETIVOS: Relatar a experiência da utilização do processo de enfermagem na transição do Prontuário Físico para o uso de Prontuário Eletrônico do Cidadão (PEC). METODOLOGIA: Trata-se de um relato de experiência sobre as ações realizadas em 2017 por enfermeiras, preceptoras e alunos do PET-GraduaSUS. RESULTADOS: O Projeto PET-GraduaSUS tem como objetivo formar para o SUS, através de grupos de aprendizagem em áreas estratégicas deste sistema. Caracteriza-se como um instrumento para desenvolver qualificação em serviço nos cenários do SUS, propiciando inserção precoce dos acadêmicos de enfermagem, medicina, psicologia e nutrição na atenção primária. A participação do curso de enfermagem da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul neste projeto teve como objetivo contribuir para Implementação do Processo de Enfermagem aplicado às consultas para o Controle de Câncer de Colo de Útero e Mama, baseado no caderno 13 do Ministério da Saúde2 enquanto integra as ações multiprofissionais realizadas no cenário de práticas. Os resultados desta inserção precoce no sistema de saúde local tem sido muito benéficas para o desenvolvimento das atividades práticas dos acadêmicos uma vez que o tema proposto não tem sido foco da formação do enfermeiro nos níveis de graduação ou pós-graduação, em especial o uso da linguagem padronizada pela CIPE®. Por tanto, utiliza-se a CIPE® como linguagem padrão e o prática da consulta de enfermagem para o desenvolvimento do raciocínio clínico. Todo processo é registrado no Prontuário Eletrônico do Cidadão (PEC). O maior exercício observado neste processo de transição entre prontuário físico para prontuário eletrônico foi de entender a importância dos conceitos relacionados ao Processo de Enfermagem para a melhoria da assistência prestada o cliente. Ao final dos atendimentos, o grupo formado pela tutora, preceptora e alunas do projeto reunem-se para discussão dos casos baseando-se em evidências científicas, e isso tem proporcionado ao aluno a experiência de pesquisa. Propiciou também a oportunidade de apresentação dos resultados da experiência em eventos científicos de forma a divulgar o trabalho e discutir os temas com outros acadêmicos e pesquisadores da área. Especificamente em relação ao uso do PEC e devido à necessidade de aprimoramento das ações e um suporte adequado no ato da consulta, o uso da tecnologia tem proporcionado benefícios como agilidade no registro das consultas, melhor atendimento ao usuário, diminuição das filas de espera com as consultas programadas, atendimento simultâneo da equipe multiprofissional e redução do atendimento fragmentado. Importante frisar que para cada novo atendimento, todos os campos do PEC devem ser finalizados, tornando o registro simultâneo ao atendimento. Outro ponto importante é que o PEC é um sistema com um grande suporte de informações sobre o paciente e as condições de saúde do município3. Entretanto não tem suporte para registro direto do processo de enfermagem nem acesso à nenhuma classificação específica da área, utilizando a Classificação Internacional de Atenção Primária (CIAP) de caráter multiprofissional mas limitante para a assistência de enfermagem. Para o atendimento é utilizado do SOAP com suas quatro etapas, ao que a equipe adaptou para realizar o PE com cinco etapas, sendo um desafio para o conhecimento e a adaptação de todos os envolvidos, enfermeiros da unidade, tutores e alunos. Foram realizadas também visitas domiciliares, cadastradas como procedimentos de atendimento externo, cujo registro deve ser feito imediatamente após o retorno à unidade. Esta atividade propiciou a vivencia no território, acrescentando este conceito ao rol de temas a serem discutidos e incorporados pelos alunos. Em suma, a vivencia dos envolvidos no projeto PET GraduaSUS trouxe a necessidade de incorporação de novos conhecimentos como o uso de ferramentas de tecnologia digital, uso de classificações multiprofissionais e de enfermagem, adaptações entre estas classificações, conceitos de território e utilização constante do raciocínio clínico no atendimento aos clientes. Tudo isso fez com que os objetivos do projeto fossem atingidos, ainda que, para uma efetiva assistência de enfermagem com o uso do PEC, haja necessidade de treinamento contínuo para equipe, necessidade de conhecimentos básicos da tecnologia, acesso adequado aos recursos de rede e atualização constante de conceitos relacionados aos temas trabalhados. Este grupo atuou especificamente com mulheres em consultas ginecológicas, primeiramente voltadas para o controle dos cânceres de útero e mamas, mas todas as situações encontradas podem ser aplicadas a todos os clientes atendidos na atenção básica. Vale ressaltar que a agenda, gerenciada pelo enfermeiro através do PEC, com acesso à toda equipe, ajuda no planejamento diário e melhor funcionamento da unidade. CONCLUSÃO: Observa-se que é possível fazer o registro do processo de enfermagem no PEC com as devidas adaptações ao sistema SOAP, sendo importante a participação do aluno na transição prontuário físico para eletrônico no entendimento que não importa qual prontuário se usa, mas que tipo de assistência é feita. Assim, o prontuário é a ferramenta para registro das ações, mas, para o PE o essencial é a aplicação de suas etapas de forma científica, consciente e constante. Ainda sim podemos evidenciar o benefício ao qual o acadêmico inserido no projeto tem recebido participando desta transição, pois a i**ntegração com a prática faz com que **obtenha precocemente a compreensão da importância desta mudança, onde a mobilidade e segurança dos documentos são características visíveis neste novo processo. Pontos negativos são a inexistência de codificação específica da enfermagem no PEC e a falta de recursos tecnológicos que tem impossibilitado a implantação do PEC em todas as Unidades de Saúde do município.
Referências: 1) Pereira Anderson Henrique, Diogo Regina Célia dos Santos. Análise do raciocínio clínico do graduando em Enfermagem na aplicação da Sistematização da Assistência de Enfermagem. J Health Sci Inst. [Internet]. 2012 Mar [cited 2018 Mar 13] ; 30( 4 ): 349-53. Available from: https://www.unip.br/presencial/comunicacao/publicacoes/ics/edicoes/2012/04_out-dez/V30_n4_2012_p349a353.pdf 2) Cerullo Josinete Aparecida da Silva Bastos, Cruz Diná de Almeida Lopes Monteiro da. Raciocínio clínico e pensamento crítico. Rev. Latino-Am. Enfermagem [Internet]. 2010 Feb [cited 2018 Mar 13] ; 18( 1 ): 124-129. Available from: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-11692010000100019&lng=en. http://dx.doi.org/10.1590/S0104-11692010000100019. 3) Souza Marcela Tavares de, Silva Michelly Dias da, Carvalho Rachel de. Revisão integrativa: o que é e como fazer. Einstein [Internet]. 2010 [cited 2018 Mar 13] ; 8(1 Pt 1):102-6. Available from: http://www.scielo.br/pdf/eins/v8n1/pt_1679-4508-eins-8-1-0102.pdf 4) Bittencourt Greicy Kelly Gouveia Dias, Crossetti Maria da Graça Oliveira. Habilidades de pensamento crítico no processo diagnóstico em enfermagem. Rev. esc. enferm. USP [Internet]. 2013 Apr [cited 2018 Mar 13] ; 47( 2 ): 341-347. Available from: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0080-62342013000200010&lng=en. http://dx.doi.org/10.1590/S0080-62342013000200010. 5) Emília Campos de, Oliveira-Kumakura Ana Railka de Souza, Morais Sheila Coelho Ramalho Vasconcelos. Raciocínio clínico em enfermagem: estratégias de ensino e instrumentos de avaliação. Rev. Bras. Enferm. [Internet]. 2017 June [cited 2018 Mar 13] ; 70( 3 ): 662-668. Available from: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-71672017000300662&lng=en. http://dx.doi.org/10.1590/0034-7167-2016-0509. |