Imprimir Resumo


SENADEn - ISSN: 2316-3216 || SINADEn - ISSN: 2318-6518 • ISSN: 2318-6518
Resumo: 2583015

E-Pôster


2583015

FORMAÇÃO EM ENFERMAGEM RURAL NA AUSTRÁLIA, CANADÁ E ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA: AS PERSPECTIVAS BRASILEIRAS

Autores:
Eliana Buss ; Jose Siles González ; Ângela Roberta Alves Lima

Resumo:
**Introdução: **Assegurar às pessoas que vivem em áreas rurais acesso a profissionais de saúde qualificados, em número suficiente, no lugar certo e no momento certo, é um dos desafios mais complexo enfrentado pelas nações ao redor do mundo. Estima-se que metade da população mundial viva em áreas rurais onde atuam 38% dos profissionais de saúde. Essa proporção é ainda menor em países em desenvolvimento, na África, Ásia e América Latina. Esse panorama resulta em sofrimento e morte desnecessários, dados apontam que a mortalidade materna é duas vezes e meia maior em localidades rurais do que urbanas, em todo o mundo1. Esse desafio tem impulsionado a organização da educação de enfermagem rural em países como Austrália, Canadá e Estados Unidos da América2. Uma revisão integrativa realizada para a construção do projeto de tese de doutorado intitulado: “Possibilidades de cuidado na enfermagem rural: aproximações a partir da Teoria Sociocrítica”, composta por seis etapas segundo Mendes, Silveira e Galvão3, realizada no período de maio a julho de 2017, nas bases Scielo org, Cuiden, PubMed, Direct Science, com o descritor “Rural nursing”, com o uso no processo de seleção das recomendações do _Preferred Reporting Items for Systematic reviews and Meta-Analyses_ (PRISMA), realizada com o **objetivo** de conhecer as temáticas desenvolvidas pela enfermagem no contexto rural no contexto nacional e internacional. Os dados identificaram, que dos artigos publicados nos últimos 10 anos, um terço tratava da temática da formação em enfermagem rural. **A descrição metodológica** compôs-se de uma revisão integrativa, os dados foram coletados no período de maio a julho de 2017, nas bases Scielo org, Cuiden, PubMed, Direct Science, com o descritor “Rural nursing”e analisado qualitativamente. Os **resultados** identificaram experiências desenvolvidas desde o final da década de noventa, com o objetivo de: i) aumentar o número de estudantes de enfermagem recrutados de áreas rurais; ii) incentivar que as escolas assumissem a responsabilidade de formar enfermeiros(as) devidamente qualificados para atender às necessidades da sua região geográfica. Desenvolvendo ações que atendesse às necessidades rurais, com a utilização de recursos culturalmente aceitos no cuidado de saúde rural; iii) ofertar estágio curricular em áreas rurais aos alunos de graduação; iv) Desenvolver educação continuada e programas de desenvolvimento profissional que satisfaçam as necessidades identificadas pelos enfermeiros(as) rurais. Dentre as estratégias implementadas destacam-se a inclusão no currículo, da graduação de enfermagem, disciplinas que contemplem os modelos alternativos de práticas específicas para o cuidado da população rural, considerando suas culturas e práticas de cuidados. Também foram instituídos cursos de especialização, mestrado e doutorado em enfermagem, no Canadá, inclusive, existe uma certificação para enfermeiros rurais, que seguem os princípios das certificações para atuação em unidades de alta complexidade hospitalar, como as Unidades de Tratamento Intensivo. Essas atividades visaram melhorar o acesso de estudantes oriundos de áreas rurais; incentivar que as universidades assumam a responsabilidade de formar enfermeiros(as) devidamente qualificados para atender às necessidades da sua região geográfica. O desenvolvendo de ações que atendam às necessidades rurais, com a utilização de recursos culturalmente aceitos, no cuidado de saúde rural; ofertar estágio curricular em áreas rurais aos alunos de graduação e desenvolver educação permanente e programas de desenvolvimento profissional que satisfaçam as necessidades identificadas pelos enfermeiros(as) rurais. Quanto às questões do cuidado, foram evidenciadas necessidades de abordar inter-relação, segurança dos pacientes, qualidade dos cuidados e gestão da unidade de enfermagem. Essas atividades exigem uma conduta no ensino e serviço, de forma que permita a reflexão e empoderamento. Nesse sentido destaca-se que a aproximação da Teoria Sociocritíca de enfermagem pode contribuir, por visar à construção de ações emancipatórias participativas, reconhecendo a realidade como práxis (uma consciência crítica, orientada a emancipação e a autonomia do sujeito e comunidade), na qual o profissional torna-se organizador de atividades críticas e inovadoras no processo saúde enfermidade. **C****onclusão: **essas experiências evidenciam que as estratégias de qualificação e formação profissional podem ser realizadas de diferentes formas, conforme a necessidade e disponibilidade dos profissionais, apresentando-se como um leque de possibilidades a serem discutidas e desenvolvidas pela enfermagem, para a qualificação e consolidação da prática da enfermagem rural, no Brasil e no mundo. **Contribuições para a Enfermagem: **esses países, assim como o Brasil, têm buscado estratégias de promover o acesso, das populações rurais às redes de atenção à saúde, de forma a garantir a integralidade da assistência à saúde e a atenção às especificidades sociais e geográficas; fortalecendo as ações de média e alta complexidade, de acordo com as necessidades e demandas apontadas pelas condições de vida e pelo perfil epidemiológico. Os dados permitem refletir sobre a possibilidade de um olhar diferenciado à formação em enfermagem rural no Brasil, que contemple conhecimentos e habilidades específicos, proporcione a experiência de atuação em uma área rural e possibilite o fortalecimento da Política Nacional de Saúde Integral da População do Campo e da Floresta e das Águas, a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares4 e a Política de Educação Popular em Saúde5. Concomitantemente oportunizando à enfermagem rural a construção de possibilidades que conduzam a nova base teórica e prática para a ciência da enfermagem que permita a introdução de estratégias de qualificação dos profissionais de saúde rural, podem ser realizadas de diferentes formas, com a utilização de várias metodologias e tecnologias associadas, em prol da orientação, conforme a necessidade e disponibilidade dos profissionais, apresentando-se como um leque de possibilidades a serem discutidas e desenvolvidas pela enfermagem, para a qualificação e consolidação da prática da enfermagem rural, no Brasil e no mundo; e, por conseguinte, permita o empoderamento da população rural, para tomadas de decisões que afetem sua vida, seu cuidado, sistematização e socialização de conhecimentos.


Referências:
1. BRASIL. Lei Federal nº. 5.540, de 28 de novembro de 1968. Brasília, DF. 1968. 2. Disponível em: < http://www.anped.org.br/sites/default/files/trabalho-gt02-4216.pdf >. Acesso em 15 de março de 2018. 3. SCHNEIDER, M.S.P.S. Monitoria: instrumento para trabalhar com a diversidade de conhecimento em sala de aula. Revista Eletrônica Espaço Acadêmico, v. Mensal, p.65, 2006. 4. ABREU; T; O; SPINDOLA; T; PIMENTEL, M; R; A; R; XAVIER, M; L; CLOS, A; C; BARROS, A; S.; A monitoria acadêmica na percepção dos graduandos de enfermagem. Rev enferm UERJ, Rio de Janeiro, 2014 jul/ago; 22(4):507-12.