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SENADEn - ISSN: 2316-3216 || SINADEn - ISSN: 2318-6518 • ISSN: 2318-6518
Resumo: 2579844

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2579844

ELABORAÇÃO E VALIDAÇÃO DE UM MANUAL EDUCATIVO PARA PACIENTES SUBMETIDOS A TRATAMENTO QUIMIOTERÁPICO

Autores:
Roberta Waterkemper ; Marina Araújo da Cruz Moraes

Resumo:
**Introdução: **O câncer é uma das doenças crônicas não transmissíveis em crescimento mundial.  Durante a vida, quase 40% da população desenvolverá algum tipo de câncer e no Brasil, a estimativa para o ano de 2016, apontaram a ocorrência de aproximadamente 600 mil casos novos de câncer, incluindo os casos de pele não melanoma, reforçando a magnitude do problema do câncer no país(1). Diante destes dados, é fundamental desenvolver estratégias de prevenção e controle da doença, acesso ao diagnóstico e tratamento em tempo adequado, bem como, um cuidado seguro que minimize os efeitos indesejáveis do plano terapêutico(2). Atualmente, parte do tratamento do câncer é realizado em nível ambulatorial, favorecendo a permanência do paciente no convívio familiar. Para o tratamento da doença, há uma variedade de terapias entre elas: a quimioterapia, hormonioterapia, anticorposmonoclonais, cirurgia, radioterapia, entre outras. A mais comum é a quimioterapia e por ser um tratamento sistêmico diferente da radioterapia e da cirurgia que são localizadas os fármacos utilizados no tratamento atacam as células de rápida proliferação, sejam elas cancerosas ou não, por interferirem na cinética da divisão celular. Como os fármacos não distinguem células normas das doentes, durante o tratamento vários efeitos adversos acometendo um ou mais sistemas corporais. Entretanto, os efeitos colaterais da quimioterapia, tais como fadiga, anorexia, náuseas, vômito, diarreia, dor, mucosite, disúria, perda de peso e alopecia podem surgir em casa e se tornar fontes geradoras de estresse para a o paciente e seus cuidadores/familiares (3,4). Uma das ferramentas que poder ser utilizada para amenizar ou evitar estes efeitos é a comunicação entre o profissional e o paciente. Esta pode ser realizada de forma verbal e não-verbal na qual os manuais, protocolos e guias são os meios mais utilizados. São considerados tecnologias em saúde, e, principalmente, tecnologias educativas. Tais tecnologias desempenham um papel importante como estratégia de apoio às atividades de educação em saúde, uma vez que auxiliam as pessoas a assimilar as informações transmitidas pela equipe multiprofissional, além de servir como um recurso disponível para os pacientes e famílias para uso no ambiente domiciliar.(5) **Objetivo:** Descrever o processo de elaboração e validação de um manual de cuidado de enfermagem para pacientes oncológicos submetidos a tratamento quimioterápico.  **Método:** Trata-se de um estudo de desenvolvimento metodológico realizado entre os anos de 2016 a 2017 em um Hospital de referência em oncologia de Porto Alegre. A população de estudo foi constituída por pacientes com diagnóstico de câncer em atendimento ambulatorial e profissionais de saúde que trabalham em oncologia. A construção do manual foi organizada em 6 etapas: diagnóstico situacional, levantamento de informações, seleção e resumo do conteúdo,  construção textual, diagramação e validação.  Para a etapa de diagnóstico situacional conversas informais foram realizadas com todos os profissionais envolvidos no cuidado a pacientes em tratamento quimioterápico ambulatorial, bem como a análise de informações em prontuários eletrônico. Para a etapa d levantamento de informações seleção e resumo realizou-se uma revisão de literatura sobre as principais toxicidades apresentadas por pacientes em quimioterapia e cuidados de enfermagem relacionados a partir das bases de dados online (Scielo, Medline e LILACS) sem limite temporal. Forma incluídos artigos completos disponíveis online e manuais ministeriais e de instituições de referência na área em português, inglês e espanhol. Os critérios estabelecidos para a seleção do conteúdo foram: textos que abordassem estudos em humanos, que descrevessem os efeitos do tratamento quimioterápico e/ou cuidados realizados ou descritos por enfermeiros. Utilizou-se como descritores em ciências da saúde (DECS) e palavras-chave em português, inglês e espanhol. O resultado da busca associado as informações obtidas com os profissionais de saúde e de prontuário eletrônico possibilitaram dar continuidade a etapa de construção textual. Com o texto elaborado o conteúdo foi validado através da técnica Delph com um painel de 10 profissionais especialistas do serviço(6) (Enfermeiro, Médico, Fisioterapeuta, Fonoaudiólogo, Nutricionista) em oncologia. O convite para participação foi realizado via email no qual foi anexado o TCLE para assinatura e concordância em participar e do manual com o instrumento de validação. Após 10 dias os instrumentos foram recolhidos pessoalmente e analisados através de estatística descritiva. O instrumento estava dividido em três conceitos: objetivos, estrutura e apresentação e relevância. Para a avaliação do Índice de Validade de Conteúdo (IVC) considerou-se o valor maior ou igual a 0,78. Este índice mede a proporção de juízes que estão em concordância sobre determinados aspecto do instrumento e de seus itens. O cálculo é realizado através da soma dos valores atribuídos pela escala likert (1 a 4) por item e juiz, dividindo-se pelo número de juízes e o valor máximo atribuído de acordo com a fórmula pelo número total de respostas. Como o manual foi avaliado por mais de seis especialistas, a literatura recomenda ponto de corte superior a 0,78(6). O subprojeto de pesquisa seguiu a Resolução 466/12, do Conselho Nacional de Saúde, sendo submetido aos Comitês de Ética e Pesquisa (CEP) da Irmandade Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre/ISCMPA e aprovado sob o protocolo no. 1.476.850. **Resultados: **A partir do diagnóstico situacional realizado e revisão de literatura verificou-se que entre as principais toxicidades que precisariam ser abordadas no manual foram: Náusea e vômito,  diarreia, febre, fadiga,  alopecia, mucosite, sangramentos, anorexia, constipação, hiperpigmentação e hiperpigmentação da pele.  Na elaboração textual, a autora procurou organizar as informações de maneira a retratar as principais toxicidades apresentadas pelo paciente submetido a quimioterapia. Ao final, o manual foi composto por 10 páginas. O manual tem como objetivo facilitar o processo de orientação que o enfermeiro precisa realizar na primeira consulta de enfermagem no ambulatório de quimioterapia. A amostra foi composta por 10 profissionais da área da saúde especialistas em oncologia (cinco enfermeiras, dois médicos, uma nutricionista, uma fisioterapeuta e uma fonoaudióloga), dentre os quais 10 mulheres. A média de idade dos pareceristas foi de 36,4 anos. O tempo de formação variou de 2 a 35 anos e o de atuação na área de 2 a 25 anos. Em relação a titulação dos profissionais de saúde, os quais foram considerados peritos, após análise do Currículo Lattes e de acordo com os critérios do sistema de pontuação de especialistas utilizado no presente estudo, um possuía o título de doutor, seis de especialista. Na avaliação geral dos juízes o IVC manteve-se acima de 0,85%, variando de 0,85 a 0,95%. Em relação ao objetivo, estrutura, finalidade e relevância os juízes atribuíram o conceito adequado a totalmente adequado. **Conclusões/implicações para a enfermagem: **o manual elaborado foi validado nas três dimensões propostas: objetivo, estrutura, finalidade e relevância  com um índice de variação de concordância adequado para a validação. As informações utilizadas para a compilação textual foram retiradas de evidências científicas específicas da área associada as recomendações dos juízes para a versão final. Sabendo-se da complexidade de reações vivenciadas pelos pacientes e familiares, muitas vezes com ausência de orientações quanto a terapia este manual pode contribuir para a compreensão da proposta de tratamento, bem como das possíveis reações e cuidados que podem ser realizados para prevenir e/ou trata-los.


Referências:
REFERÊNCIAS 1 . OLIVEIRA, A.P.C et al. Sistematização da assistência de enfermagem: implementação em uma unidade de terapia intensiva. Rev Rene, Fortaleza, v.13, n.3, p.601-12. 2012. 2. Conselho Federal de Enfermagem (COFEN). Resolução n. º 358/2009, de 15 de outubro de 2009. Dispõe sobre a Sistematização da Assistência de Enfermagem e a implementação do Processo de enfermagem em ambientes, públicos ou privados, em que ocorre o cuidado profissional de Enfermagem, e dá outras providências. [Resolução na internet]. Diário Oficial da União 2009. Disponível em: Acesso em: 02 out 2017. 3. TRUPPEL, T.C. et al. Sistematização da assistência de enfermagem em Unidade de Terapia Intensiva. Rev. Bras. Enferm, Brasília, v.62, n.2, p.221-227, mar/abr. 2009. 4. TAVARES, T.S. et al. Avaliação da implantação da sistematização da assistência de enfermagem em uma unidade pediátrica. Rev. Min Enferm, v.17, n.2, p. 278-286, abr/jun., 2013. file:///E:/SINADEN/0084.pdf