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SENADEn - ISSN: 2316-3216 || SINADEn - ISSN: 2318-6518 • ISSN: 2318-6518
Resumo: 2427195

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2427195

SUPORTE VENTILATÓRIO DE PACIENTES COM OLHO SECO E COM O DIAGNÓSTICO DE ENFERMAGEM RISCO DE OLHO SECO NO PÓS-OPERATÓRIO IMEDIATO

Autores:
Allyne Fortes Vitor ; Mércio Gabriel de Araújo ; Raianny Alves Costa Medeiros ; Ana Paula Nunes de Lima Fernandes ; Jéssica Naiara de Medeiros Araújo

Resumo:
**INTRODUÇÃO**: O Olho seco é uma doença multifatorial das lágrimas caracterizada pela perda da homeostase do filme lacrimal, em que a instabilidade do filme lacrimal e hiperosmolaridade, inflamação e dano da superfície ocular, e anormalidades neurosensoriais desempenham papéis etiológicos. Dentre os sinais e sintomas está a hiperemia, secreção mucosa, sensação de corpo estranho, prurido, hipersensibilidade à luz, lacrimejamento e visão turva.1,2 O sistema de Classificação de Enfermagem NANDA-I dispõe do Diagnóstico de Enfermagem (DE) Risco de olho seco definido como “vulnerabilidade a desconforto ocular ou dano à córnea e à conjuntiva, devido à quantidade reduzida ou qualidade das lágrimas para hidratar o olho, que pode comprometer a saúde”. Em relação aos fatores de risco tem-se a presença de doença autoimune, envelhecimento, sexo feminino, história de alergia, tabagismo, leitura prolongada, uso de lentes de contato, lesões neurológicas com perda sensorial reflexa motora, temperatura, regime de tratamento, umidade e temperatura baixa e ventilação mecânica.3 Neste estudo, destaca-se o fator de risco ventilação mecânica, a qual pode ser invasiva ou não invasiva, utilizada muitas vezes como suporte ventilatório pelos pacientes no Centro Cirúrgico quando submetidos à cirurgia. A ventilação mecânica pode alterar a perfusão ocular por aumento da pressão intraocular, além de estimular a estase venosa com consequente retenção de líquidos, podendo causar edema conjuntival e como consequência o fechamento palpebral incompleto. Além disso, em pacientes que fazem uso de oxigenoterapia, o escape de fluxo de ar e oxigênio ofertados pode ressecar a superfície ocular e resultar em sinais e sintomas de desconforto.1,4 Assim, surge o questionamento: qual o suporte ventilatório utilizado pelos pacientes com olho seco e com o DE Risco de olho seco no pós-operatório imediato? **OBJETIVO**: Caracterizar o suporte ventilatório utilizado pelos pacientes com olho seco e com o DE Risco de Olho Seco no pós-operatório imediato. **DESCRIÇÃO METODOLÓGICA**: Trata-se de um estudo quantitativo e de corte transversal, realizado nas unidades de Centro Cirúrgico e Recuperação Pós-Anestésica (URPA) de um hospital do nordeste brasileiro. A população foi composta por todos os pacientes adultos submetidos a procedimentos cirúrgicos eletivos. A amostra foi calculada por meio da fórmula de populações infinitas, a qual resultou em 157 pacientes. Os critérios de elegibilidades estabelecidos foram: encontrar-se na sala de acolhimento pré-operatório para cirurgia eletiva, ter idade igual ou superior a 18 anos e ser atendido no pós-operatório pela URPA. Foram excluídos os pacientes em isolamento, advindos de cirurgia de cabeça e pescoço, região torácica com broncoscopia e cardíaca. A coleta dos dados ocorreu no período de maio a agosto de 2017. No pré-operatório foram coletados dados epidemiológicos, clínicos, fatores de risco para o DE Risco de Olho Seco da NANDA-I. No transoperatório observou-se o tipo de suporte ventilatório ofertado ao paciente e no pós-operatório imediato (primeira hora) foi realizado o exame físico ocular e o teste de Schirmer para a verificação da volumetria lacrimal. Para tanto, utilizou-se um instrumento de coleta de dados contendo dados epidemiológicos e clínicos, tipo de suporte ventilatório no transoperatório e o exame físico ocular e o resultado do teste de Schirmer no pós-operatório imediato. Para a coleta de dados foi ofertado um treinamento para discentes de graduação em enfermagem e enfermeiros que foram selecionados para compor a equipe de coleta. Dois enfermeiros diagnosticadores foram convidados a participar da análise dos dados coletados para realizar a inferência diagnóstica. Compuseram o grupo dos pacientes com olho seco aqueles que apresentaram volumetria lacrimal abaixo de 10 milímetros no teste de Schirmer, associada a um ou mais sinais e/ou sinais clínicos. Os dados coletados foram inicialmente organizados em uma planilha no programa Excel 2010 e logo após, analisados por meio do programa Statistical Package for the Social Science (SPSS) versão 22.0 para teste. Para verificar o grau de concordância entre os enfermeiros diagnosticadores e controlar/diminuir os vieses de conclusão do desfecho, foi aplicado o coeficiente Kappa. Para descrição dos dados obtidos por esta pesquisa foram utilizadas frequências absolutas e relativas, medidas de centro da distribuição e suas variabilidades. Entre os testes, empregou-se o Qui-quadrado para analisar as variáveis associativas e, quando os valores das frequências esperadas foram menores que cinco, utilizou-se o teste de Fisher. A magnitude da associação foi verificada por meio da Razão de Prevalência (RP) e Intervalo de Confiança (IC) de 95%. Obteve-se parecer favorável do Comitê de Ética em Pesquisa nº. 2.004.545 e CAEE nº. 64881717.5.0000.5537. **RESULTADOS:** O Grau de concordância entre os enfermeiros diagnosticadores foi ótimo. Dos 157 participantes do estudo, 52,23% eram do sexo masculino, com idade média de 48,90 (±15,98) anos, 60,51% viviam com companheiro, 56,05% nasceram no interior do estado (RN) e 49,68% residiam na capital. Possuíam o tempo médio de 9,11(±3,94) anos de estudo, recebiam em média 1,63 (±1,21) salários mínimos, tinham em média 3,21 (±1,66) dependentes familiares e eram em sua maioria da religião católica (66,88%). De acordo com o suporte ventilatório, a ventilação mecânica invasiva foi predominante em 53,50% dos participantes, com uma pressão expiratória positiva final média de 5,16 (±1,03) centímetros de água. 37,60% utilizaram dispositivos para oxigenoterapia com cateter nasal tipo óculos e 8,90% dos pacientes não precisaram do suporte ventilatório ou uso de oxigenoterapia. A frequência respiratória obteve média de 13,89 (±3,32) incursões por minuto e saturação de oxigênio (SatO2) com média de 98,69 (±1,82). A prevalência do DE Risco de Olho Seco esteve presente em 23 (14,65%) pacientes e o Olho Seco em 134 (85,35%) pacientes. Ao aplicar o teste qui-quadrado ou exato de Fisher, nas variáveis clínicas relacionadas ao suporte ventilatório com o diagnóstico de olho seco e com o DE Risco de olho seco, para um nível de significância de 5%, não houveram evidências de diferença estatística neste estudo. **CONCLUSÃO**: Concluiu-se que a maioria dos pacientes no transoperatório utilizaram o suporte ventilatório invasivo. Apesar de não terem sido identificadas diferenças estatísticas entre o olho seco e o DE Risco de olho seco com as variáveis relacionadas ao suporte ventilatório, este estudo proporciona conhecimento no sentido de alertar o enfermeiro sobre o uso de medidas preventivas direcionadas ao olho seco, ao visualizar a alta prevalência no estudo. **CONTRIBUIÇÕES/IMPLICAÇÕES PARA A ENFERMAGEM**: Este estudo foi relevante no sentido de gerar dados científicos sobre o suporte ventilatório utilizado no transoperatório em pacientes que apresentaram o olho seco e o DE Risco de olho seco em pós-operatório imediato e, dessa maneira, fornecer aos enfermeiros subsídios para a realização do cuidado ocular no transoperatório como medida preventiva do olho seco no pós-operatório imediato.


Referências:
Referência:1.Síntese de indicadores sociais : uma análise das condições de vida da população brasileira : 2016 / IBGE, Coordenação de População e Indicadores Sociais. - Rio de Janeiro : IBGE, 2016 146 p. - (Estudos e pesquisas. Informação demográfica e socioeconômica, ISSN 1516-3296 ; n. 36). 2. DUARTE, Y. A. de O. ; DIOGO, M. J. D.; RODRIGUES, R. P. Enfermagem gerontogeriátrica nos cursos de graduação: do panorama atual a uma proposta de ensino. São Paulo, 1996, mineo. 20 p.